Cinco Garotas Adolescentes que Viajaram no Tempo!

A cultura pop está recheada de histórias sobre viagens no tempo. O que aconteceu no passado pode ser mudado? E o futuro, podemos mudá-lo também? Quais as consequências disso? Devemos evitar as grandes tragédias das gerações anteriores, ou deixar a história seguir o seu rumo? Todas essas perguntas aparecem em diferentes situações por um monte de universos ficcionais. E a gente adora!

Apesar de adorar trama com viagens no tempo uma coisa sempre me incomodou: são poucas as mulheres que realmente fazem esses passeios. Quando falamos sobre garotas adolescentes então, fica ainda mais difícil achá-las, mesmo em YA’s de sci-fi! Ainda assim, existem algumas garotas adolescentes que fizeram essas viagens não apenas como acompanhantes, mas como agentes centrais da história e de mudanças. Compilei algumas delas numa listinha que tem garotas viajantes do tempo para todos os gostos.

Kitty Pride – Dias de Um Futuro Esquecido

Em uma das fases mais clássicas dos X-Men, e que inspirou o último filme da franquia, Kitty Pride vivem num futuro distópico onde os mutantes estão presos em campos de concentração. Kitty então transfere a sua mente para uma versão mais jovem de si mesma e com a ajuda dos X-Men precisa evitar um momento crucial e fatal que serviu de estopim para a histeria anti-mutante. Tecnicamente é a Kitty adulta que viaja, mas como toda a ação principal acontece enquanto ela é adolescente, entrou na lista! Quando a história foi adaptada para o cinema ao invés de mandar a mente dela mesma, Kitty mandou a mente de Wolverine de volta para o Logan da década de 70.

Aqui no Brasil a Panini lançou a versão em quadrinhos (que você consegue comprar aqui), e a Novo Século lançou a novelização da saga (que você consegue comprar aqui).

Kate – Trilogia Chronos: Viajantes do Tempo

Imagina descobrir que a sua avó é uma viajante do tempo. E não só isso, que ela nasceu no futuro, de lá trouxe a tecnologia e que os segredos da sua família podem não só te transformar numa viajante no tempo, mas também te tornar responsável por impedir um desastre eminente? Kate é determinada a conseguir – e descobrir – tudo que ela quer, mesmo quando todos a sua volta aconselham o contrário. Mas como estamos falando de viagem no tempo ela precisa tomar muito cuidado para não alterar não só o futuro como conhecemos, mas para não apagar a sua própria existência. Chronos é um YA cheio de aventura, mistérios e romance!

O livro Chronos: Viajantes do Tempo, da autora Rysa Walker, é o último lançamento da DarkSide Books no selo Darklove. Você pode comprá-lo aqui.

Hagome/Kagome – Inuyasha

Imagina que um dia você cai, sem querer, num poço e quando se dá conta está na Idade Feudal Japonesa, uma era em que mulheres tinham ainda menos direitos e que, pra piorar tudo, está infestada por Yokais (demônios)? Eu pularia de volta no poço para nunca mais voltar, mas como Hagome não sou eu, ela não só fica num eterno ir e vir como também leva o almoço que a mãe dela faz para os amigos de outra era e assume uma posição central na luta contra os yokais. Inuyasha é bastante centrada no personagem título, mas eu sempre achei formidável o modo como Hagome caminha livremente entre uma era e outra, sem grandes preocupações e sempre correndo imenso risco de vida.

Puella Magi Madoka Magica

Eu não vou revelar qual personagem viaja no tempo porque esse é parte do mistério do anime, mas eu vou sempre pegar qualquer oportunidade para indicar um dos melhores desenhos que eu assisti em muito tempo. “Sailor Moon da bad infinita” é, talvez, o melhor resumo do que é Madoka Mágica. Uma série de garotas mágicas com uma pegada bem mais violenta, um tom mais macabro e realista, e uma animação inovadora, Madoka traz viagem no tempo como um recurso de narrativa que ajuda a sustentar a inevitabilidade trágica que é ser uma Garota Mágica em um universo que não é gentil como o da princesa da lua.

Você consegue assistir Madoka Magica no Netflix Brasil.

Max – Life is Strange

Depois de salvar acidentalmente a colega Chloe da morte, Max percebe que tem o poder de viajar no tempo. Inicialmente as viagens duram poucos segundos, que ela usa para mudar pequenos eventos, mas a medida que o jogo vai avançando, os poderes dela também vão aumentando. Max é uma adolescente introvertida e com poucos amigos, mas as escolhas do jogador acabam gerando mudanças nela e em suas relações. Ela entende a responsabilidade que tem com esse poder, mas acaba entrando em varias situações, inclusive algumas que saem de seu controle, culminando em decisões complexas. As escolhas de Max afetam tanto a sua vida, quanto a vida das pessoas ao seu redor, sendo que cada pequeno evento mudado pode alterar completamente a linha do tempo em que ela se encontra.

Life is Strange está disponível para Playstation, XBox e PC.

Consegue se lembrar de mais alguma garota adolescente que saiu por aí mexendo pelo tempo? Manda pra gente nos comentários!

Até mais! 😉

Este post é um oferecimento da Darkside Books.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dois Pontos Positivos e Cinco Pontos Negativos da 2ª Temporada de Stranger Things.

[Todos os spoilers da segunda temporada!!]

Quando a segunda temporada de Stranger Things estreou eu estava receosa não só em assistir, mas também com o que eu ia achar da série. Essa sensação vem do fato de eu ter sido uma das poucas pessoas que eu conheço que não morreu de amores pela primeira temporada. Para mim, a série apresentava diversos buracos de roteiro, faltava substância para tanta referência, reforçava padrões de gênero negativos. Tudo isso podia ser resumido em um único problema: saudosismo demais prejudicou personagens e estrutura da história.

Infelizmente, e apesar de melhorar em alguns poucos pontos, a segunda temporada de Stranger Things sofre dos mesmos problemas da primeira, mas sem tantos elementos “cool” para disfarçar o estrago. Para simplificar as minhas críticas à série, eu resolvi pontuar 5 dos principais problemas e, honestamente, as duas únicas coisas positivas que eu vi na série. Vou começar pelos negativos para pelo menos terminar este texto numa nota positiva.

PONTOS NEGATIVOS

1) Falta substância, falta backstory – falta lore.

O combo Cidade Pequena + Laboratório Militar Secreto + Grande Mistério é uma construção clássica da ficção científica e está muito presente entre diversos filmes da década de 80/90. O imaginário americano sempre gostou de uma teoria da conspiração, seja sobre o assassinado de JFK, seja sobre o pouso do OVNI em Roswell. Tudo isso é ótimo e pode render histórias fantásticas, mas para isso acontecer é preciso construir o mistério – só o combo não se sustenta sozinho.

Uma das coisas mais importantes ao criar uma trama de mistério é não trair o espectador, ou seja, o público e os personagens podem não saber qual é o mistério – mas o criador da história precisa. Se o universo é construído em cima de alicerces fracos (referências, saudosismo e elementos superficialmente “cool”/legais), e se não se entrega qualquer tipo de informação sobre a história por trás do mistério, então o espectador provavelmente vai se sentir traído. Esse é um problema que eu observo em Stranger Things desde a primeira temporada, mas que lá ficou melhor disfarçado por causa do hype e das muitas referências facilmente reconhecíveis.

Do meu ponto de vista, existem dois tipos de possibilidades para a série e seu grande mistério: algo como Fringe (2008), em que a ciência é parte importante para o entendimento do mistério e do universo paralelo, ou como Arquivo X, onde o mistério se estende por longas (e nem sempre tão boas) temporadas, mas sempre entrega elementos substanciais para que o espectador não se sinta traído. Essa sensação vem do fato dos criadores da história saberem ao menos minimamente qual é o grande mistério por trás da sua trama e irem entregando periodicamente pequenas pistas. Um exemplo negativo, e do qual Stranger Things parece estar bem longe, é LOST, quando o excesso de informação sem resultado real acaba fazendo o espectador se sentir traído – os showrunners iam jogando mistérios sem saber qual seria a resolução final deles, e algumas vezes sem nunca realmente fechá-los.

Mesmo sem ser LOST, Stranger Things parece perdido num vazio de substância, tentando buscar significado em referências. A gente não sabe o que é o mostro gigante, mas sabemos que é algo como Cthulhu porque Dustin nos mostra em um livro. Toda a “ciência” por trás do laboratório secreto se resume a uma mesa de botões com luzes piscantes e lança-chamas. Além disso a série cria regras do universo apenas para quebrá-las no próximo episódio. Um exemplo disso é D’Art, o demogorgon-pet do Dustin: numa cena aprendemos que ele não aguenta a luz direta, na outra ele está caminhando em plena luz do sol apenas para, mais tarde, outra pessoa nos dizer que os demogorgons só saem durante a noite. Falta consistência, e falta consistência porque falta conteúdo.

A série deixa muitas perguntas em aberto e, por entregar tão pouco e de maneira tão vazia, deixa a sensação de que nem mesmo os showrunners sabem o que realmente é esse outro lado. Eu sei que muitas perguntas devem ser interpretadas através de metáforas e simbologia, mas quando não há conteúdo o suficiente, o que fica no lugar é um vazio de significado.

2) O laboratório secreto que não sabe o que a palavra SECRETO significa.

Tem câmera de segurança, mas não faz uma revista na bolsa da Nancy.

Este é um problema que é consequência do primeiro tópico. Se não há conteúdo o suficiente para preencher o universo, ficamos com uma casca, um esqueleto vazio de significado e sentido.

Na primeira temporada, o laboratório secreto já se mostrou muito pouco eficiente: Joyce e Hopper entraram escondidos nele com a mesma facilidade com que eu passo pelo portão do meu prédio. Não apareceu um guardinha para perguntar o que eles faziam ali e as câmeras de segurança só os encontraram quando era relevante para a trama. Na segunda temporada, lembrando da falha de segurança que eles tiveram no ano anterior, espera-se que o pessoal do laboratório tenha melhorado nessa coisa de ser um “laboratório secreto”. Mas não.

Nancy, uma garota de 16 anos, consegue se infiltrar lá dentro com um plano simples e relativamente esperto: ela usa um telefone grampeado para marcar um encontro com uma pessoa importante, para quem ela quer revelar informações confidenciais. Já dentro do laboratório, Nancy grava toda a confissão de culpa do responsável pelo local com seu gravador de voz GIGANTE. Não é um daqueles pequenininhos que cabe no bolso, não é um celular porque são os anos 80, é um gravador do tamanho de walkman.

Eu sei que é a década de 80, e que os sistemas de segurança não eram tão avançados como os de hoje em dia, mas uma simples revista nos pertences da adolescente que eles levaram presa porque queria revelar informações sigilosas e extremamente prejudiciais já teria resolvido o problema. A série martela no medo do governo e da população norte-americana dos russos descobrirem segredos de estado, inclusive falando isso para Nancy, mas não se preocupa em olhar dentro da mochila dessa garota tão esperta. Ninguém leu um livro da Nancy Drew quando criança?

Se tem uma coisa que eu tenho certeza é que a equipe deste laboratório está em último lugar no ranking de excelência dentro da agência secreta da qual fazem parte. Eles nunca serão a filial do mês.

3) Padrões e Representação Feminina.

Não tem nada mais empoderador do que maquiagem escura e a palavra “bitchin”.

Na primeira temporada Nancy parecia caminhar para um lugar reservado à Buffy Summers: uma garota “normal” que é forçada a um lugar de ação pelas circunstâncias sobrenaturais a sua volta. Ela perdeu a amiga, ela se sente culpada e vai passar por cima de todos que estão no seu caminho para reencontrar Barbs – mesmo que uma dessas pessoas seja o seu boy magia. Ao final da temporada Nancy termina em casa, com o boy que não é tão magia assim, namorando no sofá. Não é que eu queria que ela terminasse com Jonathan creepy-com-uma-câmara, é que eu esperava mais para ela. Veio a segunda temporada e, novamente, o que poderia ser um arco muito legal sobre uma garota procurando justiça para a amiga se tornou pano de fundo para um romance. Sai Steve, entra Justin. Ao final da temporada, quando Nancy decide deixar Mike para trás para ficar ao lado de Jonathan, os criadores jogaram o drama pessoal de Nancy (não estar presente para possivelmente ajudar a amiga) pela janela. Tendo passado por tudo que ela passou, faria muito mais sentido se ela tivesse ficado ao lado do irmão, ganhando a chance de se auto-redimir. Mas não, porque o que toda garota quer é um boy. Ou pelo menos é isso que a série diz.

Nancy tem Jonathan. Eleven/Jane tem Mike. Joyce tem Bob (e Hopper). Max tem Lucas. Faz sentido que Joyce, vivendo o que ela acredita ser um momento de calmaria na família, tenha encontrado amor. E é ótimo que ela tenha feito isso com um cara realmente legal como Bob. Mas ele não passa de um instrumento de roteiro para que nós tenhamos em Joyce, novamente, o modelo de mulher que pode tudo. Ela não só precisa salvar o filho do controle mental da criatura gigante, ela quer se vingar pelo homem que perdeu. Mas está tudo bem, porque ela tem Hopper ao seu lado. E eu quero acreditar que o relacionamento dos dois nunca vai passar de uma amizade verdadeira, mas a série me faz cada vez mais acreditar que eles estão caminhando os personagens para um romance.

Max é a personagem feminina mais legal dessa nova temporada. Ela anda de skate, joga videogame, não admite ser tratada com desprezo e sabe mostrar interesse por quem trata ela legal: Lucas. Esse relacionamento é, provavelmente, o relacionamento melhor construído da série inteira. E isso provavelmente acontece porque há verdade nas emoções infantis/jovens dos dois personagens. Infelizmente, esse romance também ficou marcado com o triste episódio em que a atriz foi obrigada a fazer uma cena de beijo que não estava acordada antes. E fizeram isso exatamente porque ela ficou desconfortável com a ideia da cena. Mais uma vez homens poderosos tomando decisões para coagir mulheres, só que desta vez coagir uma criança.

Max e Eleven/Jane são um dos pontos mais decepcionantes da série, porque ela parte do princípio de que duas mulheres sempre vão disputar de alguma maneira o espaço dentro de um grupo de homens. Eleven tem automaticamente uma rivalidade contra Max por vê-la conversando com Mike, uma rivalidade que é representada através de violência. Ao conhecer Eleven, Max tenta ser amigável, mas é recebida com rancor. Eu consigo entender que Eleven vinha se sentido excluída do grupo, e que o sentimento de ter sido substituída faria sentido, mas esse rancor é direcionado apenas à Max, a única outra menina do grupo. É só bastante frustrante ver, novamente, um dos tantos estereótipos negativos (e muito oitentista) sobre relacionamentos femininos.

Eleven/Jane sempre foi um ponto forte de discórdia entre eu e o resto da internet. Por mais legal que ela seja na primeira temporada, ao meu ver, ela não passa de uma personagem feminina forte: muito cool, pouca substância. E não é porque ela não tem elementos que podiam ser bem trabalhados, mas porque a série opta por mantê-la dentro do padrão “ela é nossa amiga e ela é louca”.

Na segunda temporada, nós vemos uma tentativa de desenvolver a personagem, com um episódio inteiro dedicado a desvendar o passado de Eleven/Jane. Infelizmente, é um episódio que, apesar de ter Cali e abrir um mundo de possibilidades para as duas irmãs, peca ao criar uma estrutura fraca e ao novamente subjugar Eleven/Jane aos padrões de feminilidade. Mais uma vez a personagem passa por um extreme makeover, só que desta vez ao invés da visão tradicional de menininha (peruca loira e o vestido rosa) entra o visual dark/punk, com gel no cabelo, maquiagem preta nos olhos e atitude “bitchy”.

A adultização da atriz Millie Bobbie Brown vem sendo tema de discussão nas últimas semanas, mas é importante notar que isso também acontece na série. Não só pela escolha do novo “look” da personagem, mas também ao modo como as emoções dela e de Mike são representadas. Isso, no entanto, já cabe dentro do nosso próximo tópico.

4) Crianças que não agem como crianças.

Mike, Eleven/Jane, Dustin, Lucas e Max estão naquele momento entre a infância e a adolescência, um lugar confuso e cheio de sentimentos e emoções que são muito particulares a este período. A primeira temporada da série tentou mostrar que eles, como um grupo, são capazes de funcionar melhor do que os adultos – e até certo ponto isso aconteceu principalmente por eles serem crianças e acreditarem no impossível (porquê eu acho que não funcionou até o final é assunto para outro texto). Na segunda temporada, no entanto, já está estabelecido para os adultos que o outro lado existe, é perigoso e pode matar. Seria de se esperar que os adultos em Stranger Things estivessem mais conscientes dos perigos e mais propensos a manter as crianças afastadas deles. Ledo engano.

A série, e os personagens adultos, parecem esquecer que as crianças são crianças e que os adolescentes são adolescentes. Joyce nem pestaneja ao levar os dois para tentar salvar Hopper das raízes/veias. Joyce e Hopper em momento nenhum pensam em desviar a rota um pouquinho e deixar Mike na casa dos pais deles antes de irem para o laboratório com Will. Não que os pais de Mike e Nancy se importem, já que é piada interna da série eles não saberem onde os filhos estão (o que, pensando na mãe dos dois na primeira temporada, não faz o menor sentido). Ninguém tenta manter as crianças realmente seguras e afastadas do perigo, pelo contrário, elas pegam na mão delas e correm em direção a ele. Eu sei que eles são, no fim, da onde sai grande parte do pseudo conhecimento do outro lado, mas a real é que eles são crianças. Dadas as circunstâncias era de se esperar que alguém se lembraria disso.

Mas a própria narrativa da série não se lembra, porque constrói em Mike e Eleven/Jane um relacionamento que possui sentimentos adultos, não infantis. Não vou mentir, já na primeira temporada eu achei o romance dos dois forçados. Eu sei que o primeiro amor pode ser algo forte, sei toda a carga dramática que existe depois do final da primeira temporada, mas nada no relacionamento desses dois pré-adolescentes diz “pré-adolescentes”. E por mais que eles tenham passado por um momento de crescimento rápido dadas às circunstâncias, ainda assim o arco dos dois, e também os personagens separados, acabam soando como adultos. Que tipo de garoto de 13 anos diz “Eu não quero te perder de novo?” para a namoradinha? Não é uma questão só de palavras, é uma questão de como esse relacionamento foi construído. E eu sei que Eleven/Jane passou por tudo que passou, mas faria mais sentido ver no relacionamento dos dois um comportamento ainda assim mais leve, mesmo que frente as adversidades que enfrentam.

Essa adultização não vem só dos adultos verem os dois como outros adultos, ou das roupas da Eleven/Jane, mas do modo como os sentimentos deles são apresentados na tela. Sim, Eleven é infantil ao ter ciúmes de Max, mas os dois conversam como um casal de adultos. Se colocarmos a relação de Mike e Eleven ao lado da relação de Lucas e Max, a diferença fica ainda mais gritante. Além disso, quando Eleven chora pela mãe, novamente me chamou atenção o modo como a garota chora – do mesmo modo que você esperaria uma mulher adulta chorar. Parece que ao tentar criar dois protagonistas consistentes, a equipe criativa da série esqueceu-se que esses são os protagonistas infantis, que por mais adversidades que eles tenham enfrentados, eles ainda têm apenas 12-13 anos.

5) Os adultos que a série não sabe que são creepies.

Completamente normal e engraçadinho esse creepy.

Logo no primeiro episódio me chamou atenção o modo como Hopper entra em casa, tira o cinto e o coloca sobre a mesa. Sabendo que há uma garota de 13 anos dentro daquela casa, eu não consegui não olhar aquilo com um olhar desconfiado. Eu sei que a série quer me dizer que Hopper está em casa, mesmo que aquela não seja a casa que nós vimos na primeira temporada. E eu sei que Hopper é um dos heróis da série, então ele não vai fazer nada de mal à Eleven/Jane, mas é uma questão de imagem e de simbolismo.

Hopper está tentando ser uma figura paterna para Eleven, um trabalho que não é fácil mesmo quando sua filha não tem superpoderes e não passou os primeiros dez anos de sua vida presa dentro de um laboratório. É de se esperar que seja um processo de adaptação difícil, principalmente se você acredita que a segurança dela está diretamente ligada ao confinamento dela. Mas, quando a série coloca Hopper e Eleven em conflito, ele assume um comportamento agressivo e violento, chegando a esmurrar a porta do quarto da menina. É de se esperar que Eleven se exalte e use seus poderes, porque ela se sente presa e com o comportamento de Hopper provavelmente se sente acuada e com medo. Toda a imagem que essa cena apresenta é de um homem sendo violento e abusivo com Eleven, um paralelo exato (e que a própria Eleven faz mais tarde, mas que a série não discute com profundidade) com o Papa. E por mais que a série esteja tentando me dizer que é apenas um homem tentando ser pai e uma garota tentando ser filha, que é uma briga normal, que é parte importante para que os dois encontrem o meio do caminho ideal para o relacionamento deles, o que a cena me mostra é um adulto gritando e esmurrando a porta de uma garota de 13 anos. Contar uma história não é apenas sobre o que você quer dizer, mas é sobre como você diz.

O outro homem adulto da série que ultrapassa todas as linhas de “creep alert” é Murray Batman, o “detetive” para quem Nancy e Jonathan entregam a gravação. A primeira imagem dele já é a descrição perfeita de um homem creepy: roupão aberto, óculos escuros que mora num buraco com uma alcova secreta. Não contente com tudo isso, ele ainda oferece vodca para menores de idade. Só isso já seria o suficiente para assustar qualquer um, mas, além disso, ele decide ter uma conversa extremamente desconfortável, invasiva e bizarra sobre a vida amorosa e sexual de Nancy e Jonathan – tanto antes, como depois deles passarem a noite juntos. A série sabe que este é um comportamento estranho e inapropriado para um homem adulto em relação a dois adolescentes? Eu acho que não, até porque todo este cenário é construído para tirar risadas, mesmo que nervosas, do espectador. Para terminar, ele ainda presenteia o casal com uma garrafa de vodca. Ah, os anos 80, essa década maravilhosa. (Altas doses de ironia)

Mas nem só de homens com comportamentos perturbadores vive a série, falemos de Karen Wheeler, mãe de Mike e Nancy. Não basta ter sua personagem reduzida consideravelmente ao papel de mãe relapsa que bebe vinho na banheira, o único momento de personagem que ela possui nos nove episódios é ao responder positivamente aos avanços românticos de um menor de idade. Não interessa o quão cretino Billy seja, ele ainda é um adolescente menor de idade. Ele pode ter uma visão perturbada do mundo onde ficar com uma mulher adulta seria maravilhoso, mas Karen não podia responder daquela maneira. Ela já é retratada como uma mulher que recebe pouca ou nenhuma atenção do marido, como uma mãe desinteressada padrão, aí quando vemos ela com sua sexualidade ativa, está direcionada a um menor de idade. Esse tipo de história sustenta o mito de que o garoto amadurece sexualmente mais rápido do que a garota, já que ele está apto a te rum relacionamento sexual com uma mulher adulta. Isso não só sexualiza um adolescente através de um olhar adulto, mas também ignora toda a carga emocional e a relação de poder dentro de um relacionamento entre um adulto e um adolescente, independente dessa relação ser entre um homem e uma garota, ou entre uma mulher e um garoto. Novamente, a série não parece querer discutir isso, já que a cena também é criada para tirar risos do espectador e, mais uma vez, Stranger Things cai no erro por causa do saudosismo, já que até há alguns anos atrás esse tipo de relação era vista como normal.

PONTOS POSITIVOS

1) Steve e as crianças.

Farrah Fawcett.

Steve Harrington, um dos personagens que eu mais detestei da primeira temporada, chegou na segunda para me surpreender. Ele não só é um dos poucos (senão o único) personagem com um arco de desenvolvimento claro e bem estruturado, como também se tornou parte central de um dos elementos mais importantes da trama: as crianças.

Steve começa a temporada tentando fugir de tudo que aconteceu na primeira temporada, ele não quer apenas tentar esquecer o que aconteceu com Barbs – ele quer esquecer tudo e viver uma vida normal. Mas, assim como deveria ser, Steve mora em Hawkins e logo que a história começa a se desenvolver, ele se vê ajudando Dustin, protegendo as outras crianças e tendo que lidar não com um demogorgon como na primeira temporada, mas com múltiplos (quando você ignora seus problemas, eles tendem a acumular). É um arco tão redondinho e tão bem construído que quase não parece acontecer em Stranger Things. Me perdoem, eu estou um pouco amargurada com a série.

Não é que tudo é mil maravilhas com Steve, não. Ele perdeu o seu lugar como “garoto legal” no colégio e, apesar de não parecer preocupado com isso, ainda carrega em si muito da masculinidade tóxica da primeira temporada (deixa a namorada bêbada na festa para outro cara levar para casa, fica colocando na cabeça de Dustin conceitos bizarros sobre o que as garotas querem, etc.). Mas é através do laço que forma com Dustin que ele vai aos poucos se redimindo e se tornando um personagem muito melhor do que na primeira temporada.

Ao tentar ajudar Dustin e ao se tornar responsável pela segurança do grupo de crianças, Steve se torna a única pessoa na série que vê as crianças como o que elas são: crianças. E o relacionamento entre eles funciona tão bem exatamente porque Steve caminha entre ser condescendente (como todo adolescente é quando fala com crianças), protetor e, ao mesmo tempo, tratá-los como iguais. Mas não é uma equidade que faz com que eles também sejam adultos – algo que nem Steve é – mas que faz os laços de amizade e respeito diminuírem o gap geracional que existe entre eles.

2) Max e Lucas.

Se eu tenho todos os problemas do mundo com Mike e Eleven/Jane, eu não poderia estar mais feliz com Max. Além dos atores serem incríveis, o elo que vai se formando entre os dois personagens, um elo de amizade e romance, é compatível com dois pré-adolescentes. Eles falam sobre morte e sobre o perigo da maneira que crianças falariam, eles se aproximam de maneira natural e encontram um no outro um lugar de tranquilidade – sem o peso descomunal de um diálogo adulto.

Lucas quer muito que Max faça parte do grupo, porque ele quer alguém com quem se conectar de verdade e porque ele obviamente desenvolveu um crush pela menina quando a viu andando de skate e jogando videogame. Por mais que isso seja também um estereótipo, eles são crianças, essa visão idealizada faz sentido para ele e logo em seguida é quebrada porque Lucas percebe que Max é mais do que “a garota legal”. A cena em que a família de Lucas está sentada na mesa e ele pergunta ao pai o que fazer é importantíssima, porque a mensagem que fica é que honestidade é sempre o melhor caminho num relacionamento.

Max vem de uma família no mínimo problemática, as únicas referências masculinas que ela tem presentes no seu dia-a-dia são violentas. Em Lucas ela encontra não só um amigo que conversa com ela em pé de igualdade, mas alguém que assim que a encontra, quer lhe acolher. Claro que ela vai ver nele uma figura positiva – porque ele é.

O relacionamento dos dois é natural e soa verossímil porque, apesar de lidar com todos esses temas pesados, (a morte eminente, a família violenta, o possível racismo do meio-irmão de Max, o monstro de outra dimensão querendo destruir tudo) faz isso através da ótica de duas crianças. Diferente de Eleven/Jane e Mike, o relacionamento de Max e Lucas não soa como a história contada do ponto de vista de um adulto, soa como duas crianças se conhecendo, encontrando a amizade e aprendendo sobre amor. E não tem nada mais oitentista do que isso.

Considerações Finais

Eu espero, do fundo do meu coração, que para a terceira temporada, os produtores da série tenham conteúdo o suficiente para apresentar um universo mais coeso e com mais substância. Stranger Things é uma série que me frustra exatamente por ter tanto potencial, mas entregar muito pouco. O pequeno comentário sobre as críticas que a primeira temporada sofreu, feito através de Max ao comentar a história que Lucas lhe conta, mostra que talvez os criadores ainda não estejam preparados para encarar críticas como algo construtivo. Mas fica a esperança.

Para a terceira temporada seria incrível ver mais sobre o outro lado, sobre o monstro gigante e sobre os personagens – que ao meu ver ficaram com o desenvolvimento meio sucateado nesta temporada. Também seria incrível ver a Eleven/Jane romper as amarras de feminilidade nas quais insistem em prendê-la. Ia ser formidável ter um laboratório militar secreto que realmente fosse ameaçador e com sistemas de segurança contundentes. Mas, acima de tudo, seria maravilhoso ver a equipe criativa da série entender que é possível fazer uma homenagem à década de 80 sem cair nos mesmos padrões e estereótipos negativos que foram tão difundidos naquela época.

Até mais! 😉

BGS 2017: Lista de games para jogar e se divertir na #BGS10

Semana de Brasil Game Show na Expo Center Norte em São Paulo e, nós, do time Collant estamos cobrindo as novidades de games e de desenvolvimento indie no Brasil que estão acontecendo pelo evento — além do Guardiãs na Pipoca ao vivo na BGS nos próximos dias. Por isso, tivemos o privilégio de visitar alguns stands no dia da imprensa (quarta-feira) e fazer uma lista de jogos de triple AAA famosinhos para prestar atenção esse ano na BGS.

Uncharted: The Lost LegacyPoster de Uncharted com as personagens Chloe Frazer e Nadine Ross

O exclusivo para PS4 está arrasando esse ano com duas personagens femininas E NÃO BRANCAS no papel principal, o que enche meu coraçãozinho de alegria. O cenário principal é a India, onde Chloe Frazer e a mercenária Nadine Ross buscam um artefato lendário para um cliente. Ao longo do jogo, acontecem altas tretas e elas deverão trabalhar juntas para sobreviver a um inimigo em comum.

O jogo já foi lançado em agosto, porém ele está disponível no stand enorme da Playstation para a galera que ainda não comprou.

Assassin’s Creed Origins

Poster de Assassin's Creed Origins com o fundo temático no Egito Antigo

Prepare-se, porque na Ubisoft está acontecendo uma viagem incrível para o Egito Antigo para conhecer o nascimento da Irmandade dos Assassinos em Assassin’s Creed Origins. Nós jogamos agora com Bayek e conheceremos como a sua jornada por vingança o levará até a Irmandade. Você vai poder vivenciar o modo história com tumbas, pirâmides e o jogo está incrível! O stand está muito bonito e temático, por sinal! <3

Cuphead

Poster de Cuphead com um Boss no fundo e os personagens Cuphead e Mugman à esquerda

A expectativa desde a BGS de 2015 foi saciada com Cuphead finalmente lançado mês passado. Só em outubro, o jogo teve 500 mil unidades vendidas na Steam. Então, se você gosta de referências de cartoons dos anos 30 e jogos desafiantes, você provavelmente vai amar/odiar Cuphead. No game, você é Cuphead – dá pra jogar com o Mugman também no modo multiplayer local – e você faz um pacto com o diabo enquanto apostava num cassino. Para aliviar seu pacto, você terá que caçar todas as almas que puder para o diabo durante as missões.

Você vai poder jogar Cuphead no stand da Xbox, do ladinho do stand da Playstation.

Star Wars: Battlefront II

Poster de Star Wars BattleFront 2

Após o Beta ser lançado para o público – e nem tanta gente assim poder testar no PC, assim como eu -, estávamos esperando jogar Star Wars BattleFront II nos consoles. No stand coletivo da EA + Capcom + WB Games você poderá desfrutar um pouco do que será o próximo jogo da franquia BattleFront.

Destiny 2

Poster de Destiny com três personagens com armas do game à direita

Seguindo a mesma linha de estreias de modos Beta recentemente, o público amou Destiny 2 e seu cenário apocalíptico com várias opções missões e armas novas para jogar com os migos e as migas. Destiny 2 está no mesmo stand de Call of Duty: World War II e você poderá jogar o modo multiplayer no Crisol junto com outros visitantes do evento.

 

Então é isso! Se planeje antes de ir para o evento para jogar e divirta-se! E acompanhem nossos stories no Instagram para mais notícias e novidades da #BGS10.

Cinco KDramas pra assistir no Netflix.

Nos últimos meses o Netflix adicionou uma porção de Dramas asiáticos, dentre eles os meus tão amados Kdramas (doramas Coreanos). Pensando em facilitar a vida de quem não consegue decidir o que assistir, selecionei 5 títulos disponíveis no serviço de streaming que eu já assisti, e gostei.

Oh My Ghost!

Eu já falei sobre ele em uma outra lista: Na Bong-sun (Park Bo-Young) vê fantasmas e por isso tem sérios problemas para ficar acordada ou funcionar normalmente na sua vida social. Shin Soon-ae (Kim Seul-Gi, outra atriz favorita) é uma fantasma virgem que não se lembra porque morreu, mas acredita que está presa neste plano por nunca ter transado. As duas se encontram e acabam formando uma dupla para que Bong-sun consiga conquistar o seu interesse romântico, e para que Soon-ae consiga deixar de ser virgem e finalmente ascender – mas as coisas são bem mais complicadas do que elas esperam. Oh My Ghostess flerta com alguns erros gigantes, principalmente quando falamos sobre consentimento, mas consegue escapar dos piores deles. O interesse romântico é insuportável, mas o que vale mesmo nesse dorama é a relação da humana e da fantasma, que no final me fez chorar rios.

Hello, My Twenties!

Outro que eu já falei diversas vezes por aqui, mas não dá pra não falar porque ele com certeza é um dos meus favoritos! Hello, My Twenties! conta a história de cinco jovens mulheres que vivem juntas numa casa em Seoul, cada qual com o seu fantasma pessoal, cada qual com a sua história. É uma jornada de aprendizado, de crescimento e de muita sonoridade. É muito legal ver como as personagens são muito distintas umas das outras, como isso causa rixas entre elas e como isso também às aproximam. Nessa casa fala-se de tudo: de assassinato, de culpa, de mentiras, de prostituição e, principalmente, de como juntas elas são mais fortes. A segunda temporada começa agora dia 25 de agosto, mas não há previsão para entrar no Netflix.

I Need Romance 3!

Eu sei, o nome é um tanto bobo. Mas o mais legal dessa série de Doramas é que eles falam mais abertamente sobre sexo e sobre desejo feminino. I Need Romance 3 conta a história de Shin Joo-yeon (Kim So-Yeon), uma mulher de 33 anos que não confia no amor e trabalha numa empresa de compras pela televisão. Ela reencontra Joo-Won (Sung Joon), um rapaz de de vinte e poucos anos que ela costumava tomar conta quando os dois eram crianças. Além do romance entre uma mulher mais velha e um rapaz mais novo, a melhor amiga de Joo-yeon, Lee Myn-Jung (Park Hyeo-Joo), tem uma das histórias mais legais sobre mulheres mais velhas e solteiras, não quero dar muitos spoilers, mas a série faz um ótimo trabalho em não julgá-la pelas suas escolhas (mesmo que o final seja um pouco mais tradicional).

 

Gu Family Book

Pra quem gosta de séries de época e sobrenaturais, Gu Family Book. O plot do Dorama se desenvolve de maneira um pouco mais lenta do que eu gostaria, mas foi um dos primeiros Doramas de epoca que assisti com uma personagem feminina central que chutava altas bundas. A série segue a história de Choi Kang-Chi (Lee Seung-Gi), um rapaz de bom coração mas troublemaker que não sabe, mas é filho de uma humana com uma Raposa de Sete Caldas. A trágica história de seus pais acaba se repetindo com a família que o acolheu. Nesse meio tempo, Dam Yeo-wool (Suzy), uma misteriosa lutadora, aparece em tempo de salvá-lo. Esse não é um dorama perfeito, mas tem elementos muito legais.

Reply 1994

A série Reply é formada por três doramas diferentes, seguindo três grupos de famílias/personagens diferentes. Apesar de cair em alguns bons clichês, a série como um todo tem personagens femininas muito legais, inclusive mulheres mais velhas, e não foge de discussões como, por exemplo, menopausa. Todos os doramas da série giram em torno de uma pergunta: com quem a protagonista feminina vai ficar? Apesar de ser bastante comum, essa fórmula é apresentada através de flashforwards, tornando a revelação mais interessante no final. Reply 1994 segue a história da família Sung, dona de um tipo de albergue para estudantes, desde o começo do sucesso dos grupos de KPop, passando pela Crise dos Tigres Asiáticos até o começo dos anos 2000. No centro de tudo isso está Na Jung (Go Ara), uma jovem universitária nem um pouco preocupada com os padrões femininos coreanos, Trash (Jung-Woo) um residente de medicina que só sabe estudar e dormir e Chilbongi (Yoo Yeon-Suk), um jogador que é a promessa do beisibol coreano. Reply 1994 é o segunda da série, que tem ainda Reply 1997 (disponível no Netflix) e Reply 1989 (inexplicavelmente não disponível no netflix – e o melhor dos três).

Não esquece de vir contar o que achou depois de assistir! 😉

Doctor é uma mulher, e agora? – Guia Básico para sobreviver à barbárie!

O absurdo, o inimaginável aconteceu: um alienígena com poderes de regeneração, cuja raça já havia estabelecido a possibilidade de mudar de gênero entre regenerações, regenerou-se como uma mulher. Mudanças no cerne do personagem terão que ser implementadas agora que o Doctor passou a ser a Doctor. Chegamos à barbárie.
Para ajudar os fãs nessa difícil transição entre regenerações, nós desenvolvemos um Guia Básico com 6 das principais dúvidas que intrigaram os fãs após o anúncio.

1) Como eu vou chamar-la?

    Se você opta por chamar a personagem por “Doctor”, uma mudança difícil porém rápida vai ser necessária. Você vai precisar apenas de um conhecimento básico de gramática: altera-se o artigo. De O Doctor, você passa a usar A Doctor.
    Agora, caso você opte por chamar a personagem de Doutor, aí meu amigo, aperte o cinto que eu vou te levar nessa loucura que é a gramática. Para essa mudança nós vamos precisar de um conhecimento avançado de gramática, então caso você não seja muito com nisso, eu recomendo encomendar uma Gramática Escolar. Vamos lá: altera-se tanto o artigo como o gênero da palavra. Se antes era O Doutor, agora passa a ser A Doutora.

2) Eu sempre odiei os romances de Doctor Who. Isso quer dizer que agora está tudo apagado?

    Eu te entendo completamente, não há nada mais chato do que personagens que possuem sentimentos. E se tem uma coisa que a gente sabe é que mulheres são seres cheios de sentimentos. Exatamente por isso não dá pra dizer que todos aqueles momentos loucos de feels entre o 10th e a Rose, ou o 11th e a Clara vão ser apagados, muito pelo contrário. Eu diria até que ela vai passar a se lembrar com mais carinho desses momentos.

3) Mas… Isso quer dizer que o Doctor foi bissexual o tempo todo?

    Não dá pra dizer com certeza porque nós ainda não sabemos se vai acontecer romance na próxima temporada, e não sabemos nem quem vai ser a/o próxima companion. Mas se Time Lords podem mudar de gênero em regenerações, quem somos nós para julgarmos a sexualidade deles.

4) Mas e a origem da personagem? O Doutor nunca foi uma mulher!

    Thor nunca foi sapo, Homem-Aranha nunca foi porco mas tudo isso já aconteceu nos quadrinhos. Mas eu sei, eu sei, não é o mesmo universo!
    O que a gente sabe sobre os Time Lords é que eles são uma raça alienígena que tem o poder de se regenerar. E a gente sabe também que o primeiro crush/ grande vilão do Doctor, O Mestre, já se regenerou como mulher. E sim, eu sei que você odiou aquela história de Missy porque é um absurdo tão grande quanto o Doctor se regenerar para uma mulher – mas é assim que a regra do universo funciona. E é verdade absoluta que coerência nunca foi o forte da série, e é exatamente por isso que a gente a adora.

5) Mas isso muda tudo! E as histórias, como vão ficar as histórias agora?

    Essa é grande questão. Tendo em vista que o fato do Doctor possuir um pênis e ser homem era central para todas as histórias, fica realmente a questão. Lembra aquela vez que o Doctor derrotou os Cybermen com um só swing de suas partes íntimas? E quando ele fez o Doctor fez um Dalek tropeçar com essas mesmas partes. Como resolveremos todos esses problemas? Ela terá que usar uma vassoura no lugar? E ainda, lembra aquela vez que o Doctor passou um episódio inteiro falando “Mina Top”? Como vamos resolver a falta disso? Não há como saber até que a próxima temporada comece, o que podemos esperar, no entanto, é que ela vai continuar se aventurando galáxias a dentro, chutando bundas de alienígenas autoritários e rindo na cara do perigo.

6) Mas e os fãs de verdade da série? Os verdadeiros afetados por essas mudanças para agradar SJW?

    Se por os fãs de verdade da série você quer dizer “as pessoas que conhecem minimamente o lore da série”, então com esses a gente não precisa se preocupar. Porque esses sabem que essas mudanças nunca foram impossíveis, e esses sabem que vai ficar tudo bem pois o personagem continua existindo e a gente vai continuar assistindo as suas aventuras. A verdadeira preocupação deve vir daqueles que não conhecem a série e, por isso, se sentem traídos por mudanças que sempre foram possíveis. Esses fãs sim terão que aprender que se é pra descer pro play, tem que saber brincar.
Se tiverem mais dúvidas, é só manda que a gente adiciona ao nosso Guia Básico.
Até mais!
(Caso você não tenha notado, este post possui ALTAS DOSES DE IRONIA.)

Para conhecer e ler literaturas africanas – PARTE I

Erroneamente, é possível encontrar em festivais literários ou até mesmo em artigos de jornais a colocação de literatura africana como literatura marginal ou periférica. Isso ocorreu esse ano, na 12ª Feira Nacional do Livros de Poços de Caldas, que teve uma mesa-redonda nomeada por “Mulheres na Literatura Marginal/Periférica”, tendo como debatedoras Luz Ribeiro, Mel Duarte, Roberta Estrela D’alva – escritoras brasileiras que fazem parte da chamada literatura marginal ou periférica –, e Paulina Chiziane, escritora moçambicana que é considerada cânone tanto nos países de literaturas africanas em língua portuguesa quanto na tradição de escrita de autoria feminina africana.

O que leva um evento de tão grande porte colocar uma escritora como Paulina em uma mesa que pouco – ou nada – tem a ver com sua história literária? Talvez o motivo, de modo bastante preconceituoso, deva ser o fato de todas essas escritoras serem negras e, dessa forma, serem vistas e lidas com uma trajetória parecida.

É assim que retornamos à afirmação feita no começo do texto: é errôneo colocar literaturas africanas na mesma caixa da literatura marginal. Se isso é feito é porque, infelizmente, apesar de ser fácil encontrar livros de escritores africanos nas livrarias, ainda é difícil, mesmo com a lei 10.639/03, que fala sobre a obrigatoriedade do ensino de cultura e história africana e indígena nas escolas e universidades brasileiras, ver pessoas que se interessam por literaturas africanas. E literaturas africanas está no plural porque, afinal de contas, há 54 países no continente africano, cada um com inúmeras peculiaridades que os fazem diferentes entre e em si.

Além disso, não podemos nos esquecer de que o Nobel de Literatura já foi entregue para quatro escritores africanos, tanto da chamada África setentrional, a parte norte do continente, quanto da África subsaariana, que é toda a parte que se encontra abaixo do Deserto do Saara.

 

Os países com um livrinho foram os que receberam o Prêmio Nobel de Literatura: o nigeriano Wole Soyinka foi o primeiro, em 1986; o egípcio Naguib Mahfouz o segundo, em 1988; e os sul-africanos Nadine Gordimer e J. M. Coetzee foram, respectivamente, o terceiro, em 1991, e quarto, em 2003, a ganharem o Prêmio.

Sendo assim, para sair dessa nomenclatura um tanto preguiçosa que andam dando às literaturas africanas é que essa lista foi feita. Todos os livros aqui sugeridos podem ser encontrados em sebos ou livrarias:

 

1. Niketche, uma história de poligamia – Paulina Chiziane

Paulina foi a primeira mulher a escrever um romance em Moçambique. Enfrentou o preconceito da sociedade que não aceitava que uma mulher pudesse escrever. Ainda mais escrever sobre amor, sexo e desejo, algumas premissas que são encontradas em seus livros.

Infelizmente, só temos um livro publicado dela no Brasil, Niketche, uma história de poligamia, que mostra a protagonista Rami tentando reconquistar seu marido, o comandante de polícia Tony. Cansada de ser humilhada pelo marido, Rami decide ir atrás do que ela pensa ser o problema de seu casamento: Julieta, amante de Tony. Todavia, ao chegar na casa de Ju, Rami descobre que Tony possui outra amante e, indo de casa em casa, o que antes era uma monogamia, torna-se uma poligamia representada por um pentágono.

 

2. Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda é nigeriana e tem inúmeros livros publicados no Brasil, então não vai ser difícil encontrá-la! Aqui indicarei o primeiro que eu li e que me conquistou.

Americanah conta a história da nigeriana Ifemelu que se muda para os Estados Unidos para terminar os estudos. E é nesse país estrangeiro que Ifemelu se descobre como mulher negra e o que isso implica na sua vivência.

 

3. Amargos como os frutos: poesia reunida – Ana Paula Tavares

Como o próprio nome diz, Amargos como os frutos é uma antologia de toda produção poética da escritora angolana Paula Tavares, que também escreve crônicas. Sua poesia é marcada por um forte apelo erótico e por tratar da mulher mumuíla, da comunidade Mumuíla, na província de Huíla.

 

4. Mayombe – Pepetela

Assim como Paula Tavares, Pepetela é angolano. Mayombe foi escrito em 1971, ainda durante a guerra de independência de Angola contra a ocupação portuguesa. Apesar do momento eufórico de celebração para um futuro possivelmente melhor, o livro é marcado por uma espécie de disforia, o que dá o tom um pouco adivinhatório da desesperança que assolaria o país alguns anos após a independência. Além disso, ele foi publicado apenas em 1980.

A história narra o cotidiano de um grupo de guerrilheiros do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), mostrando os conflitos internos de cada personagem.

 

5. Aya de Yopougon – Marguerite Abouet

HQ que ganhou o Prêmio de Melhor álbum de estreia no Festival Internacional de HQ de Angoulemê, em 2006, Aya de Yopougon conta a história de três amigas que vivem em Yop City, subúrbio de Abidjan, capital da Costa do Marfim. Assim, saindo do clichê do continente africano marcado pela fome e guerra, vemos que a vida dessas três amigas, assim como de qualquer adolescente, é marcada por dilemas como amor e dúvidas sobre o futuro.

Infelizmente só duas edições foram publicadas no Brasil, mas mesmo assim vale muito a pena ler!

 

Aguardem a segunda parte da lista!

Fim De Semana | 4 Dicas de Filme, Séries e Quadrinho para curtir o sofá.

Eu tenho passado a semana embaixo de camadas de roupas e as noites em baixo de cobertores, a queda da temperatura foi tão drástica quanto a minha vontade de passar o fim de semana inteiro embaixo do edredons jogada no sofá. Mas, mesmo se você não mora num dos estados brasileiros onde a temperatura veio a baixo, ainda pode curtir algumas dessas dicas para ficar tranquilo no final de semana.

OKJA

Dirigido por Bong Joon Ho, e com uma lista gigante de atores famosos, Okja conta a história de Mija, uma menina que arrisca tudo para para salvar seu melhor amigo, um animal mutante chamado Okja, das garras de uma corporação multinacional que quer usá-lo como alimentação. Okja promete fazer você pensar sobre o modo como nos alimentamos, sobre a indústria alimentícia e também promete fazer você chorar rios. Bong Joon Ho é um dos meus diretores favoritos, e Okja é uma produção original Netflix.

Brooklyn 99

A série acompanha o a delegacia do distrito 99 do Brooklyn enquanto eles tentam desvendar assassinatos e outros crimes. A série tem, talvez, o elenco mais diversos dessas comédias de escritório e isso reflete muito na qualidade do humor apresentado. Dos meus criadores de The Office e Parks and Recreation, Brooklyn 99 com certeza é a pedida caso você queira passar o fim de semana rindo até a barriga doer. A terceira – e ótima – temporada acaba de chegar ao Netflix.

As Empoderadas

O quadrinho escrito e desenhado pela Germana Vianna, conta a história de três desconhecidas que ganham poderes espetaculares e precisam se unir para não só lutar contra o crime, mas também para conseguir manter suas vidas funcionando com essa virada do destino. O primeiro arco de história já foi terminado, e você pode ler essa belezinha através do Social Comics!

Chicago Typewriter

Vamos curtir a bad do friozinho debaixo da coberta? Então vamos. Chicago Typewriter conta a história de três amigos em duas encarnações diferentes. Unidos pela amizade e pelo amor pela Coréia, Soo Jin-O, Jean Seol e Han Se-Joo são três combatentes rebeldes durante a Segunda Guerra Mundial lutando contra a invasão japonesa. No presente, Han Se-Joo é um escritor de sucesso e Jean Seol é uma ex-esportista de tiro assombrada por memórias de sua vida passada. Um drama histórico, sobre amor, amizade e sacrifício que cai facilmente num TOP 3 dos meus doramas favoritos. Você pode assistir no Viki.com.

Bom Fim de Semana! 😉

Steam Summer Sale | Dicas de jogos para comprar!

A época de descontos do Steam é aquele momento que nós todos olhamos para nossas contas e já sentimos a dor. Não tem como não sofrer com essa variedade de jogos com vários descontos que valem a pena. Então se você, assim como eu, olha para os inúmeros jogos e não tem nem ideia do que comprar, aqui estão algumas dicas de jogos que eu já joguei e acho que você devia aproveitar os descontos para jogar também.

Limbo

Esse jogo é muito conhecido entre os indie e você provavelmente já ouviu falar. O jogador controla um menino que está em um lugar estranho que não parece nada amigável. Não sabemos nada sobre nosso protagonista ou o que ele procura, mas mesmo com isso e sem diálogos, Limbo constrói uma história envolvente e uma atmosfera que não te deixa largar o jogo.

Para atravessar esse lugar estranho, o protagonista precisa vencer inúmeros puzzles para passar por áreas perigosas e enfrentar monstros muito maiores do que ele. É um jogo bem divertido, que te faz pensar em como resolver os puzzles e te dá um final cheio de interpretações.

 

Life is Strange

Quando pensamos em jogos que se focam na história e deixam o combate de lado, Life is Strange é um dos mais lembrados. Já falamos dele aqui algumas vezes, tem até crítica do jogo, mas para quem ainda não sabe: Max, a protagonista, descobre que tem o poder de voltar no tempo e acaba usando esse dom para tirar ela e a amiga Chloe de vários problemas.

Life is Strange tem uma história muito legal, envolvente e não tem como não se apaixonar pelos personagens. As escolhas afetam o que acontece com Max ao longo da história e o final depende das suas ações, mas o jogo te dá a chance de usar o poder da Max e voltar atrás em alguns momentos. São cinco capítulos e vale bastante a pena.

 

Fallout 4

Um jogo maior que os dois primeiros, mas que está com um bom desconto. Esse é bem conhecido, mas caso você nunca tenha se interessado em saber do que ele se trata: Fallout 4 é um RPG da Bethesda, um mundo pós apocalíptico aberto em que seu personagem é livre para ser como você quiser e fazer o que você quiser. É uma boa para quem ama RPG.

Eu pessoalmente nunca consegui jogar Fallout 3, a jogabilidade me irrita. Ainda há coisas dela em Fallout 4, mas nesse eu acho que o jogo flui muito melhor, além da história e dos personagens parecerem mais interessantes. Mas você também pode simplesmente ignorar tudo e sair por aí com o seu cachorro apenas vivendo aventuras.

 

The Witcher 3 (e os outros dois também, por que não?)

Eu sei, um dos meus textos mais polêmicos foi exatamente falando sobre como as personagens mulheres da franquia The Witcher (nos jogos) são bem falhas. Porém, para quem de fato leu o texto, viu que apesar de tudo, eu adorei jogar The Witcher. No jogo, você controla Geralt, um caçador de monstros em um universo de fantasia medieval.

The Witcher é um dos melhores RPGs que eu joguei, mesmo com os problemas que já pontuei antes. Eu especifiquei o três porque é o melhor da trilogia e eu sei que muitas pessoas tem dificuldade para jogar os mais antigos, principalmente o primeiro. Mas se você estiver afim, pela história, vale jogar todos. Quem não aguentar o combate antigo pode ir direto para o terceiro, porque vale muito a pena e você não perde tanto da história.

 

Mass Effect 1 e 2

Não existe nenhuma lista minha de recomendações de jogos que não vá ter esse jogo. O único motivo pelo qual eu não estou incluindo o terceiro é porque não tem no Steam, mas os outros dois sim. Eu já escrevi um texto inteiro dando motivos para você jogar Mass Effect. Outro RPG, só que dessa vezde ficção científica, onde você controla o comandante Shepard, que está enfrentando inúmeras ameaças na galáxia.

Os jogos são incríveis, a história é ótima, os personagens são bem construídos, cada parte nova do jogo te prende mais e mais. O combate do primeiro me irrita, é verdade, mas mesmo ele sendo mais lento, vale muito a pena e no segundo as coisas melhoram. É a minha segunda franquia de jogos preferidos e vale muito a pena.

 

Dragon Age: Origins

Não existe nenhuma lista minha de recomendações de jogos que não vá ter esse jogo [2]. Assim como no Mass Effect, o único motivo para eu não ter incluído os outros jogos da franquia aqui é porque eles não estão disponíveis no Steam. Dragon Age: Origins é um RPG de fantasia medieval onde você controla um guardião cinzento, tentando impedir Thedas de ser destruída pelo Blight.

Novamente, o combate irrita, eu sei, mas a história, os personagens e toda a ambientação do jogo é tão boa que vale muito a pena aguentar o combate lento. Dragon Age, além de ter tudo isso que eu já falei, é um jogo que tem espaço para personagens mulheres incríveis. Eu já falei dele aqui, sem contar que é uma porta de entrada para jogar o resto da franquia, que você também devia. Essa é a franquia de jogos que eu mais gosto e o Origins é possivelmente meu preferido (é difícil escolher, me deixa).

 

Child of Light

É uma lista praticamente só com RPG? Sim, mas RPG é bom demais. Enfim, Child of Light é um jogo lindo, com uma história muito bem construída e personagens cativantes. Aurora acorda no mundo mágico de Lemuria, onde a rainha roubou o sol, a lua e as estrelas. Para voltar para seu mundo e seu pai, Aurora precisa recuperar o que a rainha roubou.

O jogo é um conto de fadas, que usa de poesia e imagens lindas para contar sua história, que é muito divertida. O combate é em turno, e eu sei que tem gente que não gosta (inclusive eu), mas você se acostuma rápido e entra de cabeça na aventura de Aurora. Sem contar que a trilha sonora é maravilhosa.

Menções honrosas: Acho que vale a pena dizer que também aproveitei a promoção para comprar Transistor e Wolf Among Us, jogos que não terminei, mas agora vai! Os jogos da franquia Tomb Raider também estão com preços ótimos! Vi muita gente aproveitando a promoção para comprar Borderlands, que eu sei que é querido para muitos e o preço está bom. Também sempre vale a pena dá uma fuçada nos seus gêneros preferidos no site do Steam e ficar de olho nas críticas dos jogadores, você sempre pode encontrar alguma coisa legal por lá que nem imagina.

Personagens LGBT+ também namoram

Hoje é dia dos namorados! Alguns ficam felizes com a data, outros não muito, mas querendo ou não é um dia em que as redes vão se encher de mensagens sobre estar namorando, amor e tudo o mais.

Nós sabemos que na ficção, muitas vezes os únicos casais que tem espaço para demonstrar seu amor um pelo outro são os considerados padrão: Um homem cis com uma mulher cis. Qualquer casal que escape disso, envolvendo ao menos uma pessoa LGBT+, geralmente são esquecidos. Já é difícil encontrar um personagem LGBT+ com uma representação interessante, então imagina um casal. Quando eles aparecem, tem um tempo de tela menor ou uma das pessoas morre, muitas vezes acabam não podendo ter finais felizes que pessoas hétero conseguem ter.

Mas já que é dia dos namorados e pessoas LGBT+ também namoram, resolvi listar alguns casais da ficção que não estão dentro desse padrão. Eu sei que não vai dar para listar todos aqui, mas esses são só alguns dos exemplos que eu já vi e acho legais de serem lembrados.

Continue lendo “Personagens LGBT+ também namoram”

Três Coisas que Eu Quero Muito Ver em Mulher Maravilha (2017)

Ainda estamos entrando em meados de Maio, mas o hype pra Mulher Maravilha já existia antes mesmo deles terem anunciado Gal Gadot como a princesa guerreira. Nesses últimos dias antes do lançamento mais aguardado do ano, eu me pego pensando em tudo que eu quero, e não quero ver em no longa. MAS, por hoje, eu resolvi enumerar apenas as três principais coisas que eu mais quero ver no dia 1 de Junho – mesmo que eu saiba que vai ser muito difícil de se concretizar.

Um Filme de Guerra

Quero ver a primeira guerra, quero ver guerra amazona. Quero ver aquelas minas tudo chutando todas as bundas, com lança, espadada, laço da verdade e tudo que se tem direito. Quero que as cenas sejam como seriam as cenas de guerra em filmes com protagonismo masculino, mas que elas levem em consideração que é uma mulher que está na guerra – sem diminuí-la à um símbolo sexual. E quando eu digo que é preciso levar em consideração que é uma mulher que está na guerra não é para deixá-la frágil ou como donzela em perigo, é para que o file realmente coloque a visão de uma mulher sobre toda aquela violência, não o que um homem acha que uma mulher veria naquilo.
Quero ver Diana salvando o Steve Trevor da morte iminente, quero vê-la salvar um bando inteiro de soldados. Quero ver uma história que seja original, mas que também se baseie na história real da guerra. Espero que a história não vilanize só um dos lados da primeira guerra que, em termos históricos, foi muito mais complexa do que o bem vs nazistas da Segunda Guerra Mundial.

Amizade Feminina


Os trailers mostraram que teremos muitas amazonas em cena, então nada mais normal do que esperar que nós vejamos todo tipo de amizade entre elas. O relacionamento de amizade entre mulheres é geralmente representado apenas de uma maneira: nós nos amamos, comemos e gritamos juntas. Mas existem tantos tipos de amizades femininas como de amizades masculinas, por isso eu espero ver Diana ter amigas que: vão correr para ajudá-la a qualquer hora, aquela que aparece só na hora de fazer guerrinha de espada, a outra que gosta de cavalgar na praia junto, aquela que gosta mesmo é de virar o tação de vinho ao luar, a mina que não gosta muito de você, duvida de você mas que na hora da porrada vai correr e matar ao teu lado. Tem também a Etta Candy que, pelos trailers, parece assumir o cargo de BFF da Diana quando ela chega ao continente. Acho que ela vai ser um pouco diferente da versão original da personagem, mas também tô doida pra ver o que eles estão fazendo com ela.

Uma Themyscira Que Não Seja Heterossexual


EU SEI, MAS ME DEIXA SONHAR, OK? Eu queria muito, mas muito mesmo ver a Themyscira que a gente sabe que ela é. Mulheres morando por séculos sozinhas, sem nenhum homem por perto e convivendo sozinhas é óbvio assumir que elas também estão há seculos desenvolvendo relacionamentos românticos entre elas mesmas. Ver a MM como bissexual seria mais uma cereja no bolo, mas eu acho que isso a gente não consegue ver nesse filme. Eu não sei qual a liberdade que a diretora teve de dar sugestões ao roteiro, e eu não sei quanto os roteiristas do filme puderam – ou tiveram a pré-disposição – de abordar essa faceta tão óbvia e esperada da ilha das amazonas, mas ia com certeza ser incrível ter Mulher Maravilha não só como o primeiro filme de uma super-heroína à chegar as telonas (sim, eu estou desconsiderando Elektra), mas também como o primeiro filme de super-herói à trazer uma representação de relacionamentos homoafetivos – no caso, lésbicas e bissexuais.

Muito se espera de Mulher Maravilha, mas por enquanto a gente fica só com as hipóteses e as nossas expectativas para o filme. O filme estréia dia 01 de Junho aqui no Brasil. <3