Como as fanfics me ajudaram a escrever melhor

Eu sei o que você pode estar pensando. Quando pensamos nesse assunto, o automático é que nossa mente vá para Cinquenta Tons de Cinza, um livro que acho que todos nós podemos concordar que é bem ruim. Para quem não sabe, a história veio de uma fanfic de Crepúsculo.

Por esse e outros motivos, criou-se essa imagem de que fanfics são sempre ruins, mal escritas e de pouca qualidade. Não que não existam fanfics ruins, todo mundo aí que já gastou madrugadas no AO3, procurando histórias do seu ship preferido, já encontrou histórias que dá vontade de desver. Mas a coisa legal do mundo das fanfics é que é todo um espaço mágico, com espaço para histórias ruins e, veja só, outras que de fato são boas.

Se você é, assim como eu, uma pessoa que de vez em quando passa um tempo caçando fanfic, você provavelmente já se deparou com uma história boa de verdade. Não só os fatos são bem colocados, mas a própria escrita em si era bem feita. Sim, elas existem, dá uma chance para o seu fandom e eu garanto que você vai achar alguma que vale a pena.

Piadas na internet a parte, e eu gosto sim de brincadeiras com fanfics, essa parte do fandom e a prática de escrever essas histórias podem ajudar futuros escritores mais do que você pensa. Pelo menos para mim eu sei que ajudou. Hoje eu estou trabalhando em um projeto original meu e, quando tudo der certo, eu vou saber que parte disso é porque eu pratiquei por algum tempo com as tais das fanfics.

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Bendita Cura – Quadrinho sobre homofobia e os efeitos da terapia de reversão.

Os últimos dias tem sido sombrios e controversos para a comunidade LGBT. Se você esteve na internet nos últimos dias provavelmente viu que no dia 18 de Outubro o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, cedeu uma liminar autorizando psicólogos a fazer terapias de reversão sexual com pacientes homossexuais. Essa decisão vai contra a OMS (Organização Mundial da Saúde) e contra o Conselho Federal de Psicologia, que veta tal prática. Por isso Bendita Cura: É Para o Bem Dele (Pt1), de autor Mário César Oliveira, chega em uma hora tão propícia.

O quadrinho acompanha a história de Acácio, desde a infância na década de 60, até os dias de hoje. Crescendo num lar conservador e homofóbico, Acácio teve a vida marcada por preconceito e terapias de conversão.

Mário César teve a idéia ainda em 2013, quando o pastor Marcos Feliciano assumiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O quadrinho é resultado de muita pesquisa e não é baseado em apenas um caso, mas em diversos depoimentos e reportagens que o autor teve contato ao longo dos anos. O primeiro roteiro ficou pronto em 2014 e agora passa por um processo de refinamento.

Vi que tinha um mote bom pra uma história que abordasse questões de orientação sexual e de gênero, me deparei com muitos relatos absurdos e fui montando o roteiro em cima disso. Nesse meio tempo fiz outras quadrinhos como o Púrpura e o Não existem super-heróis na vida real. Agora tô desenhando esse.

A idéia inicial era lançar a publicação no final do ano, mas com o que aconteceu nos últimos anos Mário sentiu que era o momento certo para fazer o lançamento. Não podia estar mais correto. Se passamos por tempos sombrios, os últimos dias começam a sentir como a idade média, e ter um trabalho assim em livre acesso para ser compartilhado e lido é muito importante.

Por enquanto você pode ler a metade do primeiro capítulo AQUI, Mário quer soltar o restante do quadrinho ou mensalmente, ou quinzenalmente – depende do que o fluxo de trabalho permitir. Quando o primeiro capítulo for terminado Bendita Cura também deve ficar disponível através da Social Comics, uma plataforma nacional de leitura de quadrinhos.

Você pode acompanhar o Bendita Cura por AQUI, Não Existem Super-heroís Na Vida Real está disponível na Amazon e você pode encontrar os outros trabalhos do Mário no site dele. Se você ainda não entendeu o problema da liminar, sugiro a leitura deste texto da Vice.

 

Toda Frida – Representatividade e Girl Power em Linha de Roupas!

Quando você é nerd, ou só gosta de um filme/quadrinho/série, e quer comprar uma camiseta com a sua personagem feminina favorita, essa missão pode acabar se tornando um grande fracasso. Por isso, aqui no Collant, a gente adora a Toda Frida.

Pra quem não está ligando “o nome à pessoa”, a Toda Frida é a loja que transforma as ilustrações maravilhosas do Fight Like a Girl, da Kaol Porfírio, em camisetas e moletons. A coleção traz uma variedade imensa de personagens, cobrindo tanto o mundo dos filmes, como séries de televisão, animes, animações, quadrinhos, videogames e mulheres reais também!

Uma das coisas mais legais da marca é que ela se preocupa de verdade com representatividade. Além de usar modelos “reais”, mulheres que caminham entre nós mortais, que não nos encaixamos no padrão passarela de corpo, ela também tem do tamanho PP até o 3G!

A gente fez uma seleção das nossas estampas favoritas, todas transbordando GRL PWR!

Crystal Gems

Para o dia em que você precisa dazamigas para vencer o mal.

Nina Simone

Para o dia em que você acorda no clima de música e inspiração.

Max e Chloe

Para quando você lembra que apesar de tudo… Amor. <3 

Kamala Khan

Para o dia em que você acorda super-heroína, mas com os problemas de uma adolescente normal.

Hermione

Para o dia em que você acorda mágica, mas sabe que vai precisar de mais do que isso na prova da faculdade.

Mulher Maravilha

Quando você sabe que é poderosa, maravilhosa e chuta bundas como ninguém.

Arya Stark

Para os dias em que você vai precisar de muito mais do que a sua carinha bonita pra vencer a lista de to-dos.

Rey

Para os dias em que vão parecer jornadas inteiras em galáxias distantes. 

Tempestade

Porque você é a rainha da p***a toda e todo mundo sabe disso.

Marie Curie

Para os dias em que você sente que vai deixar um rastro de descobertas fabulosas.

011

Para o dia em que sair da cama precisa da força de atravessar para um outro universo.

Commander Shepard

Para os dias em que você está no clima de salvar a galáxia – e fazer isso com estilo.

Malala

Para o dia em que tudo parece ruim e você precisa de um pouco mais de esperança.

Lá no site da Toda Frida tem mais um monte de opções de heroínas – reais ou não! Então corre lá e já garante a sua!

Com licença. Mas é DOUTORA General Leia Organa, por favor!

Para começar o dia com uma notícia legal e divertida, parece que Leia Organa, a Princesa e General mais amada de Star Wars também era Doutora – do tipo que tem PhD.

Em uma thread do twitter, a Doutora Becca Harrison, da Universidade de Glasgow, chamou atenção para uma informação que ela notou e que, até então, parecia ter passado despercebida. No livro Superwoman: Gender, Power and Representation, a autora Carolyn Cocca trouxe a informação de que foi o próprio George Lucas que comentou sobre as conquistas acadêmicas de Leia Organa.

De acordo com o livro George Lucas disse, lá em 2004 enquanto falava sobre Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, que Leia é:

jovem, com dezenove anos, a mesma idade que Luke deveria ter, mas ao invés de ser meio idealista e ingênua como um garoto da fazenda no meio de lugar nenhum, ela é muito sofisticada, uma líder urbana, uma Senadora, então ela é uma política, ela realizou coisas, ela se formou, conseguiu seu PhD aos dezenove e lidera pessoas e é responsável por elas. [Eu precisava de uma atriz]  que pudesse ser jovem e brincar muito com autoridade… e empurrar esses caras para frente.

BAM. Leia não só é uma General-Princesa chutadora de bundas, ela também é uma cientista política badass com PhD e tudo. Quer dizer, eu imagino que o PhD dela tenha a ver com humanidades e política… Já que ela também é uma SENADORA.

Eu normalmente não fico animada com “filmes sobre a juventude dos personagens de Star Wars”, porque a juventude deles foi durante a primeira trilogia… Mas meu corpo está pronto pra história de como Leia se tornou a princesa badass que ela já era quando nós a encontramos.

Aliás, princesa não. Agora é Doutora Princesa General Senadora Leia Organa. 

 

Lupita Nyong’o se vestiu de Ranger Rosa durante a San Diego Comic Con.

Todo ano vários artistas se fantasiam de personagens para poder andar pelos corredores da San Diego Comic Con: Jhon Boyega já foi um Storm Trooper, Daniel Radcliff já foi de Homem-Aranha. Esse ano quem se fantasiou para caminhar como uma reles mortal pela feira foi a maravilhosa Lupita Nyong’o, que agora faz parte de duas das maiores franquias nerds do mundo: Star Wars e Marvel.

Ela escolheu a roupa da Ranger Rosa e parece ter se divertido horrores por lá.

Imagina você chegar em casa e descobriu que bateu foto, sem saber, com a Lupita? É muito maravilhosa.

Doctor é uma mulher, e agora? – Guia Básico para sobreviver à barbárie!

O absurdo, o inimaginável aconteceu: um alienígena com poderes de regeneração, cuja raça já havia estabelecido a possibilidade de mudar de gênero entre regenerações, regenerou-se como uma mulher. Mudanças no cerne do personagem terão que ser implementadas agora que o Doctor passou a ser a Doctor. Chegamos à barbárie.
Para ajudar os fãs nessa difícil transição entre regenerações, nós desenvolvemos um Guia Básico com 6 das principais dúvidas que intrigaram os fãs após o anúncio.

1) Como eu vou chamar-la?

    Se você opta por chamar a personagem por “Doctor”, uma mudança difícil porém rápida vai ser necessária. Você vai precisar apenas de um conhecimento básico de gramática: altera-se o artigo. De O Doctor, você passa a usar A Doctor.
    Agora, caso você opte por chamar a personagem de Doutor, aí meu amigo, aperte o cinto que eu vou te levar nessa loucura que é a gramática. Para essa mudança nós vamos precisar de um conhecimento avançado de gramática, então caso você não seja muito com nisso, eu recomendo encomendar uma Gramática Escolar. Vamos lá: altera-se tanto o artigo como o gênero da palavra. Se antes era O Doutor, agora passa a ser A Doutora.

2) Eu sempre odiei os romances de Doctor Who. Isso quer dizer que agora está tudo apagado?

    Eu te entendo completamente, não há nada mais chato do que personagens que possuem sentimentos. E se tem uma coisa que a gente sabe é que mulheres são seres cheios de sentimentos. Exatamente por isso não dá pra dizer que todos aqueles momentos loucos de feels entre o 10th e a Rose, ou o 11th e a Clara vão ser apagados, muito pelo contrário. Eu diria até que ela vai passar a se lembrar com mais carinho desses momentos.

3) Mas… Isso quer dizer que o Doctor foi bissexual o tempo todo?

    Não dá pra dizer com certeza porque nós ainda não sabemos se vai acontecer romance na próxima temporada, e não sabemos nem quem vai ser a/o próxima companion. Mas se Time Lords podem mudar de gênero em regenerações, quem somos nós para julgarmos a sexualidade deles.

4) Mas e a origem da personagem? O Doutor nunca foi uma mulher!

    Thor nunca foi sapo, Homem-Aranha nunca foi porco mas tudo isso já aconteceu nos quadrinhos. Mas eu sei, eu sei, não é o mesmo universo!
    O que a gente sabe sobre os Time Lords é que eles são uma raça alienígena que tem o poder de se regenerar. E a gente sabe também que o primeiro crush/ grande vilão do Doctor, O Mestre, já se regenerou como mulher. E sim, eu sei que você odiou aquela história de Missy porque é um absurdo tão grande quanto o Doctor se regenerar para uma mulher – mas é assim que a regra do universo funciona. E é verdade absoluta que coerência nunca foi o forte da série, e é exatamente por isso que a gente a adora.

5) Mas isso muda tudo! E as histórias, como vão ficar as histórias agora?

    Essa é grande questão. Tendo em vista que o fato do Doctor possuir um pênis e ser homem era central para todas as histórias, fica realmente a questão. Lembra aquela vez que o Doctor derrotou os Cybermen com um só swing de suas partes íntimas? E quando ele fez o Doctor fez um Dalek tropeçar com essas mesmas partes. Como resolveremos todos esses problemas? Ela terá que usar uma vassoura no lugar? E ainda, lembra aquela vez que o Doctor passou um episódio inteiro falando “Mina Top”? Como vamos resolver a falta disso? Não há como saber até que a próxima temporada comece, o que podemos esperar, no entanto, é que ela vai continuar se aventurando galáxias a dentro, chutando bundas de alienígenas autoritários e rindo na cara do perigo.

6) Mas e os fãs de verdade da série? Os verdadeiros afetados por essas mudanças para agradar SJW?

    Se por os fãs de verdade da série você quer dizer “as pessoas que conhecem minimamente o lore da série”, então com esses a gente não precisa se preocupar. Porque esses sabem que essas mudanças nunca foram impossíveis, e esses sabem que vai ficar tudo bem pois o personagem continua existindo e a gente vai continuar assistindo as suas aventuras. A verdadeira preocupação deve vir daqueles que não conhecem a série e, por isso, se sentem traídos por mudanças que sempre foram possíveis. Esses fãs sim terão que aprender que se é pra descer pro play, tem que saber brincar.
Se tiverem mais dúvidas, é só manda que a gente adiciona ao nosso Guia Básico.
Até mais!
(Caso você não tenha notado, este post possui ALTAS DOSES DE IRONIA.)

Com Imagens dos Curtas, Fã Cria Trailer de Série de Televisão de Overwatch!

Eu adoro como sempre tem alguém para fazer montagens divertidas e fazer nascer hypes que a gente nem sabia que estavam dormentes dentro da gente.

Se você acompanha o Collant sabe que eu AMO Overwatch, então já dá pra imaginar que super comprei a onda desse fake trailer. O autor do vídeo ainda sugere o Netflix como produtora. O que vocês acham?

Vendo o vídeo ainda fiquei com a vontade do jogo mesmo adicionar um modo onde você pode team-up mesmo com um parceiro de jogo, como um combo onde, por exemplo, o Genji sobe em cima do Mecha da Diva para pontos extras. Ou algo assim. Meio que o Colossus arremessando o Wolverine. XD

O Sucesso de Mulher-Maravilha Pisou Em Toda a Negatividade – E Em Todos os Male Tears.

Começo dizendo que foi o pisão mais gostoso que eu já levei na minha vida. Nas últimas duas-três semanas eu entrei no trem do hype e sentei na janela, mas a verdade é que antes disso eu só estava com muito medo de ver a estréia de uma protagonista feminina ter o mesmo tipo de narrativa de Batman v Superman ou Esquadrão Suicida. Não, eu não duvidava de Gadot ou de Patty Jenkins, eu duvidava da capacidade da DC de deixar a diretora fazer o que ela queria fazer. Eu sou a pessoa mais feliz do mundo em dizer que eu estava errada e que Mulher-Maravilha é, de fato, maravilhoso – é só ler a minha crítica para provar.

Mas Mulher-Maravilha também pisou com muito gosto em cima dos que acreditavam que, por ser uma protagonista feminina e por ser uma diretora, o filme não tinha como ter sucesso de bilheteria, nem de crítica nem de público – e MM foi os três.

Se os especialistas inicialmente esperavam 83 Milhões de Dólares no final de semana de estréia, Mulher-Maravilha fez 100 Milhões só nos Estados Unidos – 223 Milhões de dólares globalmente. Os 100 Milhões quebra o recorde antes conseguido por uma diretora nos EUA, Sam Taylor-Johnson com 50 Tons de Cinza havia feito 93 Milhões. Ele também deixa Mulher-Maravilha na frente de Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador.

Para os que continuavam a acreditar que mulher não vai ver filme de ação/herói, MM entregou prova definitiva de que eles não sabem do que estão falando. Filmes de super-heróis geralmente ficam na casa dos 60% para o público masculino, Mulher-Maravilha alcançou 52% de público feminino. Olha só, parece que nós estamos realmente gastando dinheiro com produtos que nos representam. QUEM DIRIA NÃO É MESMO?

No Rotten Tomates, site que junta as críticas tanto de público quanto dos críticos profissionais, Mulher-Maravilha  está com 93% de aprovação do público, 94% de aprovações dos críticos e também 94% de aprovações dos Top Critics. Essas porcentagens colocam MM ao lado de O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro, e na frente de todos os outros filmes de Super-heróis produzidos até hoje. Eu sei que tem homem chorando pelo twitter que “Rotten Tomatoes não tem respaldo”, mas o site reune o parecer de profissionais da crítica especializada, se eles não tem respaldo, com certeza não é youtuber que tem. E não, você não precisa concordar com todas as porcentagens do site – eu discordo de algumas, mas você também não precisa achar que só porque não tá de acordo com o que você acha, é inválido.

Teve muito homem chorando os números que Mulher-Maravilha fez – inclusive alguns fãs da DC, que por Diana eu não consigo entender, reclamando que os críticos gostaram de MM, mas continuam achando o Universo Cinematográfico da DC até então, ruim. Teve crítico falando que o filme tem homenxplicação, para aí explicar para a gente o que é homenxplicação e porque o filme não pode ser considerado feminista. Teve também aquele moço que mandou um e-mail pro prefeito de Austin – TX reclamando sobre a sessão exclusiva do filme. Parece que as pessoas pagam a internet pra passar vergonha.

No fim, Diana sapateou em cima de todo mundo e colocou um pontinho de esperança de que o futuro da DC nos cinemas pode ser um pouco mais vivo, que ele pode ser tudo aquilo que a gente sonha que ele seja.

Her Universe lança coleção da Mulher Maravilha, queremos todas.

Estamos no chão com esse lançamento da Her Universe para o filme da Mulher Maravilha – quero tudo, quero todas. As peças variam entre 30 – 90 dólares, salgadinho se você mora no Brasil e a loja até entrega no Brasil, mas fica ainda mais caro.

Vamos chorar juntas com essas lindezas.

Oi jumper, te quero. 
Apaixonada nessa jaqueta, que é ótima praquele clima nem frio nem quente da CCXP. Também quero ser Filha de Themyscira.
Pro inverno, jaqeuta de couro super estilosa que passe por civil tranquilamente.

Macacão básico do amor.

Pro dia que você quer ser guerreira, mas também quer ser diva.
Vestido para aqueles dias em que você quer sair de cosplay, mas não pode.
Ele é tão mágico que é VICE-VERSA <3 Praticidade nota 10.

A MINHA FAVORITA – QUERO ESS SAIA AGORA.
ELA BRILHA NO ESCURO, QUERO.
Meu aniversário é em julho. Só dizendo. ;)As pe

 

Oportunismo Machista: Como Quatro Twittes sobre as axilas da Mulher-Maravilha se Tornaram a Polêmica da Vez

Quando vi o link falando sobre o backlash contra o filme da Mulher-Maravilha eu ri. “Deixa eles chorarem sozinhos, eu pensei” – vida que segue. Não deu um dia completo e começaram a surgir novos links falando sobre “as críticas”, “as feministas” e o tal “backlash” contra o filme da MM. Aí eu suspirei e me perguntei PORQUE DIABOS VOCES QUEREM ME FAZER FALAR SOBRE O SOVACO DA DIANA, CARAMBA?

MAS, aqui estou eu.

A primeira coisa a se considerar sobre isso tudo é que QUATRO TWITTES não são “crítica” da maneira que os títulos de posts tentam fazer soar e muito menos são backlash. Backlash é aquilo que acontece quando um filme com protagonistas femininas fora do padrão donzela ousa ser lançado, é quando um bando de homens brancos desocupados resolvem fazer um grupo em chan pra dar dislike em trailer de série ou para dar nota baixa pra um filme que ainda não foi lançado.

O que aconteceu com Dear White People, Ghostbusters e tantos outros é backlash. Quatro twittes… Não.

“Trailer de ‘Mulher-Maravilha’ é alvo de crítica por conta das axilas depiladas de Gal Gadot” Não.

Eu só resolvi tocar no assunto porque, obviamente, os blogs e sites nacionais não poderia deixar passar esse FURO JORNALSTICO e também escreveram sobre o assunto. E assim como se espalha ódio, se espalha desinformação, por isso acho importante responder a esse tipo de situação.

Longe de mim querer dizer o que a mídia deve reportar ou não, mas sei lá. Quatro twittes perdidos não me parece ser assunto de verdade, que de fato ofereça algum tipo de credibilidade em relação à críticas. Porque né, são quatro twittes de quatro pessoas desconhecidas, sem nenhum tipo de alcance midiático.

A relevância desse perfil. O número de seguidores. O reconhecimento regional e mundial. Avassalador.

Vou dar um exemplo de twittes similares e que nunca se tornaram headlines. Um tempo atrás eu falei sobre Dorama no twitter, dizendo que não tinha paciência para dramas de mais de 20 episódios. Felizmente ninguém me levou a sério e não surgiu a manchete “Doramas recebem críticas por ter mais de 20 episódios”. Sabe porque? Porque não tem absolutamente nada de click baiting em noticiar meus twittes sobre dorama. Não tem nada que possa ser difamado com essa notícia. Mas ao dizer que o filme da Mulher Maravilha sofreu críticas/backlash por axilas depiladas sabe quem é que recebe o alvo grudado nas costas? Feministas e mulheres que OUSAM criticar cultura pop.

Não acredita em mim? Olhem esses comentários em um dos textos nos sites nacionais:

Não dava pra deixar passar sem cobrar a carteirinha, não é mesmo?

Quando discutimos representação feminina dentro de um universo que se construiu em alicerces machistas e misóginos – e foi assim que os quadrinhos de super-heróis se sustentaram por anos – nós sabemos o que é receber ataques apenas por sermos mulheres ou por criticarmos esses mesmos alicerces. Tudo isso pesa, mas vale a pena quando olhamos para as mudanças que a indústria vem apresentando nos últimos três anos, com o número de personagens femininas aumentando e com a melhora da representação dessas mesmas personagens. Uniformes hiperssexualizados são substituídos, posições ginecológicas trocadas por posições empoderadoras, o aumento de mulheres na produção desses mesmos produtos – todas vitórias muito importantes. Vitórias que todo mundo esquece à primeira menção do suvaco depilado da Mulher-Maravilha.

Não interessa o quão grande é o avanço, não importa o quão felizes nós estejamos com as mudanças – sempre vai ter alguém para pegar QUATRO TWITTES e transformar em polêmica. Sempre vai ter alguém para culpar feministas, essas mesmas que conseguiram com muita luta melhorar a representação feminina, por uma polêmica que NEM EXISTE DE VERDADE. É assim que o machismo e a misoginia se propaga: com aqueles que estão dispostos à fazer qualquer coisa por um clique. Pela audiência. Ao invés de apontar dedos para feministas, ao invés de inventar que “grupos feministas criticaram filme da Mulher-Maravilha”, que tal criticar os portais que resolveram criar polêmica a partir de quatro twittes.

Os twittes da discórdia:

Essas duas contas foram apagadas.


Aos blogueiros/jornalistas/whatever nacionais que deram ibope pra quatro twittes:

Sabe quem ia ficar decepcionada com os infelizes que resolveram fazer de quatro twittes polêmica? Essa mesma, Diana Price – aka Mulher-Maravilha. Porque o que está se fazendo nada mais é do que vitimando uma discussão muito importante dentro da cultura pop e dos quadrinhos, representação feminina, e usando feministas como bode expiatório. É tão infantil e tão bobo que eu só resolvi escrever sobre isso depois de ver o alcance que um dos textos nacionais havia recebido.

A única coisa real que vocês conseguem com esse tipo de comportamento é fomentar e sustentar uma cultura de ódio que vitima diversas mulheres todos os dias. Seja porque vocês sustentam a desinformação sobre o que é feminismo e sobre o que as feministas consideram pauta, seja porque vocês dão voz ao ódio que persegue e ameaça mulheres todos os dias na internet e nas ruas.

Pelo amor da Amazona Sagrada – SEJAM MENAS. Parem de passar vergonha na internet e sei lá, ao invés de ficar criando click baite, produzam matérias interessantes para o site de vocês. Isso é só uma dica. Parem de achar que uma – ou quatro – pessoas falam pelo movimento feminista. E, principalmente, LEIA A DROGA DA THREAD INTEIRA. Se tivesse feito isso teriam visto que um dos twittes era uma piada. Sei lá, talvez se vocês soubesse que eram só três twittes não achariam que dava pauta.

Até mais.

**Este texto foi atualizado em 23/03/2017 para adicionar imagens dos quatro twittes da discórdia e informações extras.