Sombras Urbanas – Novo RPG da Aester Editora entra na reta final de financiamento coletivo!

Um mundo sobrenatural repleto de conspirações, horror, prédios e arranha-céus povoado por vampiros, lobisomens, magos e seres feéricos. É dentro desse universo, que procura mostrar como o seu personagem vai se corrompendo cada vez mais, que acontecem as aventuras de Sombras Urbanas.

Nas palavras do release:

Sombras Urbanas é um RPG de fantasia urbana desenvolvido para lançar as personagens em um mundo mais sombrio que o nosso. Um mundo onde vampiros, lobisomens, magos, seres
feéricos e outras criaturas não só existem, mas andam por aí, tramando nas sombras. O jogo traz histórias em que as personagens encaram escolhas difíceis e, a cada caminho que se escolha trilhar, existem perigos, riscos, manipulações. A cada noite, as sombras que cobrem este mundo arrastam a todos com mais força para a escuridão. E como tudo nesse mundo, todas as personagens têm a sua própria sombra – magos e sua sede de poder, vampiros e sua sede de sangue, faes divididos entre este mundo e aquele a que verdadeiramente pertencem. O caminho fácil leva ao poder, mas o preço vale a pena?

Deixa eu ser bem direta aqui: eu não jogo RPG, então eu pouco posso dar uma opinião informada sobre o assunto. Mas eu queria falar sobre alguns pontos de construção de universo e narrativa que me chamaram atenção pelo que eu pude sentir da história do jogo.

Primeiro, eu adoro quando fantasia se mistura com a vida comum, por isso vampiros, lobisomens e principalmente os seres feéricos caminhando por um mundo como o nosso me chama atenção logo de cara. Esse, inclusive, é um tema que deve estar vindo a tona nos próximos meses com o lançamento de Bright, filme da Netflix estrelado por Will Smith e dirigido por David Ayer (Esquadrão Suicida, Dia de Treinamento).

Outro ponto que eu achei interessante é o fato do jogo ser focado em mostrar o quão corruptível o seu personagem é – quanto mais corrupto, maior é o seu poder. Olhando por cima pode parecer algo direto e até negativo, mas personagens e histórias bem construídas nem sempre são focadas apenas em características positivas. Fiquei curiosa para saber como as minhas escolhas vão avançar a história, e os tipos de discussões que uma narrativa assim pode abrir sobre poder e moral.

A Aster é uma editora independente capitaneada por duas mulheres, o que por si só já é muito legal. Mas não para por aí, elas fazem questão de trabalhar com ilustradores brasileiros e que tenham um trabalho bem diverso – fugindo do padrão branco bombadinho que a gente normalmente vê em universos de fantasia mais tradicionais. Isso já fica bem evidente nos cards dos personagens.

O jogo, que usa o sistema Apocalypse World Engine, fica em financiamento coletivo até o dia 08 de Dezembro, então você ainda pode garantir a sua edição completa (de 150 à 170 reais), edições menores (a partir de 65 reais) ou as edições digitais (a partir de 20 reais). Há também recompensas pra quem quiser apoiar com 10 ou 15 reais. Corre lá, garanta o seu ou compartilhe na sua rede – bora incentivar o trampo de mulheres! 😉

Bendita Cura – Quadrinho sobre homofobia e os efeitos da terapia de reversão.

Os últimos dias tem sido sombrios e controversos para a comunidade LGBT. Se você esteve na internet nos últimos dias provavelmente viu que no dia 18 de Outubro o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, cedeu uma liminar autorizando psicólogos a fazer terapias de reversão sexual com pacientes homossexuais. Essa decisão vai contra a OMS (Organização Mundial da Saúde) e contra o Conselho Federal de Psicologia, que veta tal prática. Por isso Bendita Cura: É Para o Bem Dele (Pt1), de autor Mário César Oliveira, chega em uma hora tão propícia.

O quadrinho acompanha a história de Acácio, desde a infância na década de 60, até os dias de hoje. Crescendo num lar conservador e homofóbico, Acácio teve a vida marcada por preconceito e terapias de conversão.

Mário César teve a idéia ainda em 2013, quando o pastor Marcos Feliciano assumiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O quadrinho é resultado de muita pesquisa e não é baseado em apenas um caso, mas em diversos depoimentos e reportagens que o autor teve contato ao longo dos anos. O primeiro roteiro ficou pronto em 2014 e agora passa por um processo de refinamento.

Vi que tinha um mote bom pra uma história que abordasse questões de orientação sexual e de gênero, me deparei com muitos relatos absurdos e fui montando o roteiro em cima disso. Nesse meio tempo fiz outras quadrinhos como o Púrpura e o Não existem super-heróis na vida real. Agora tô desenhando esse.

A idéia inicial era lançar a publicação no final do ano, mas com o que aconteceu nos últimos anos Mário sentiu que era o momento certo para fazer o lançamento. Não podia estar mais correto. Se passamos por tempos sombrios, os últimos dias começam a sentir como a idade média, e ter um trabalho assim em livre acesso para ser compartilhado e lido é muito importante.

Por enquanto você pode ler a metade do primeiro capítulo AQUI, Mário quer soltar o restante do quadrinho ou mensalmente, ou quinzenalmente – depende do que o fluxo de trabalho permitir. Quando o primeiro capítulo for terminado Bendita Cura também deve ficar disponível através da Social Comics, uma plataforma nacional de leitura de quadrinhos.

Você pode acompanhar o Bendita Cura por AQUI, Não Existem Super-heroís Na Vida Real está disponível na Amazon e você pode encontrar os outros trabalhos do Mário no site dele. Se você ainda não entendeu o problema da liminar, sugiro a leitura deste texto da Vice.

 

Emmy 2017, Mulheres e Minorias.

O Emmy de 2017 com certeza surpreenderam muita gente, mas a verdade é que quando se dá espaço para minorias contarem histórias, contarem as suas histórias do seu ponto de vista, então muitas coisas incríveis pode acontecer. Não me surpreende que em um ano com tantas produções focadas em histórias femininas e em histórias de outras minorias o prêmio tenha sido entregue para essas pessoas.

Então vamos às mulheres que fizeram história e ganharam prêmios ontem ontem! <3

Lena Waithe se tornou a primeira mulher negra a ganhar um Emmy de Roteiro de Comédia pelo episódio “Thanksgiving”, em Master of None. Esse é, de longe, o episódio mais amado da segunda temporada e um episódio que conseguiu mostrar, para muitas pessoas LGBT, o drama e o humor de “sair do armário” para a família. Ou seja, não é só que uma mulher negra ganhou o Emmy de comédia, uma mulher negra e abertamente lésbica ganhou um Emmy ontem. E por mais que ainda seja pouco e que nós queiramos mais, não tem como não ficar feliz por ver Lena lá em cima segurando o troféu!

Eu vivo um caso de amor e receio com Master of None. Eu amo a primeira temporada, a segunda temporada me levantou a sobrancelhas algumas vezes por causa de alguns tipos de representação, mas Master of None é, de longe, a comédia de meia hora mais bem escrita que eu assisti em alguns anos. É diferente das minhas favoritas como Brooklin 99 e a eterna amada Parks and Recreation, comédias ainda um tanto formulaicas, mas consegue acertar em cheio não só na narrativa mas também no casting.

Julia Louis-Dreyfus se tornou a pessoa com mais Emmys ganhos pelo mesmo papel em um mesmo seriado. Julia está na há sete temporadas interpretando Selina Meyer na série Veep e levou para casa o prêmio de Melhor Atriz em Série de Comédia pela SEXTA vez consecutiva!

Eu não sou a doida de Black Mirror no Collant (essa é a Clarice), mas San Junipero com certeza é, dos episódios que eu já assisti, o meu favorito. Uma visão positiva, bem escrita e de maneira geral alegre de um relacionamento entre uma mulher lésbica e uma bisexual não é exatamente fácil de se achar por aí. Por isso os prêmios de Melhor Roteiro para Série Limitada, Filme ou Especial Dramático e o de Melhor Filme para Televisão são tão significativos. E, da minha parte, me enche o coração de esperança saber que talvez o episódio mais feliz de Black Mirror tenha ganhado. Em tempos tão sombrios acho que a gente precisa de um pouco de esperança e coisas boas.

Um dos grandes campeões da noite foi The Handsmaid Tale, a série do Hulu que adapta para a televisão/VOD o livro “O Conto da Aia” de Margaret Atwood. A produção levou para casa OITO prêmios, entre eles o de Melhor Direção em Série Dramático, que ficou com Reed Romano. A diretora tem um longo currículo como fotógrafa, e além de The Handsmaid Tale também dirigiu episódios de Billions e Halt and Catch Fire e o longa Meadowland. É sempre incrível ver o nome de uma mulher na lista de diretores premiados, ainda temos um longo caminho pela frente, e ele definitivamente precisa ser liderado por mais mulheres.

A eterna Rory Gilmore, Alexis Bledel, levou o prêmio de Melhor Atriz Convidada em Série Dramática pelo seu papel como Ofglen. Confesso que fiquei contente de ver Rory levando o troféu pra casa.

A série também levou Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática, que levou o prêmio foi Ann Dowd, que interpretou a personagem Aunt Lydia na série. Além de Ann, Samira Wiley também estava indicada ao prêmio pelo seu papel como Moira.

Big Little Lies, da HBO, também levou para casa oito prêmios, entre eles Melhor Atriz Protagonista em Série Limitada ou Filme para Televisão, para Nicole Kidman. Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Filme para Televisão, para Laura Dern e Melhor Série Limitada.

Quando se fala de representação feminina é muito comum que ela caia dentro de um certo padrão de idade, então é muito legal ver que das seis mulheres que levaram estatuetas para casa, quatro delas estão acima dos 50. Papéis femininos bem construídos praticamente deixam de existir quando se chega à uma certa idade, diferente dos papéis masculinos que se tornam cada vez mais e mais complexos.

Espera-se, e assim parece, que esses papéis vão continuar a aumentar à medida que mais mulheres forem ganhando espaço no mercado, e à medida que nós formos dando valor para as mulheres mais velhas que já estão trabalhando há anos por trás das câmeras.

Algumas das atrizes não-brancas que estavam indicadas nas categorias de atuação também tinham mais de 50, como Viola Davis e Vanda Sykes, mas é importante notar que todas as ganhadoras dessas categorias deste ano foram brancas. Ainda temos um longo caminho no que diz respeito à protagonistas femininas não-brancas.

Mas nem só de mulheres foi feito o Emmy!

Sim, eu fiquei bem contente com todas as mulheres e séries com temática feminina que levaram o Emmy pra casa, mas não dá pra deixar de falar sobre alguns dos homens que também ganharam ontem.

  • Donald Glover (Community, Spider-man: De Volta ao Lar) levou Melhor Direção em Série de Comédia e Melhor Ator em Série de Comédia por Atlanta, a sua produção para o canal FX.
  • Riz Ahmed (Rogue One) ganhou como Melhor Ator em Série Limitada/Filme para TV por seu trabalho em The Night Of, da HBO. Ahmed também fez história ao se tornar primeiro homem do sul asiático à ganhar um Emmy de atuação.
  • Aziz Ansari é o co-roteirista do episódio “Thanksgiving” ao lado de Lena Waithe e, por isso, também é ganhador do Emmy de Melhor Roteiro para Comédia.
  • Sterling K. Brown levou pra casa o prêmio de Melhor Ator Protagonista em Série Dramática por This is Us e quebrou um hiato de dezenove anos desde que um ator negro ganhou esta categoria. Em 1998 Andre Braugher levou a estatueta por seu trabalho em Homicide: Life on the Street. O discurso de Sterling foi reduzido de maneira muito estranha, com até seu microfone sendo cortado. Mas, mais tarde, ele conseguiu terminar o discurso e agradecer a todo mundo que queria:

Então é. Os Emmys 2017 foram definitivamente uma vitória para a representação feminina e também de outras minorias, não apenas no que diz respeito à personagens mas também quanto à produção por trás das câmeras. Muitas pessoas esquecem, mas para uma série como The Handmaid Tale existir é necessário uma equipe de direção (dos cinco diretores, quatro eram mulheres) e uma sala de roteiristas (dos 11 roteiristas, 8 eram mulheres) trabalhando em conjunto e em coesão, para conseguir um trabalho não só merecedor de 8 prêmios mas que tenha agradado o público alvo como agradou. O mesmo pode ser dito de Atlanta, criada por Donald Glover, com a maioria de atores negros, a maioria de diretores e roteiristas que vem de minorias.

Há qualidade e diversidade no trabalho que não foca no homem branco padrão, ele só não recebia prêmios porque não se dava espaço para isso. Chegamos ao final do ano com uma premiação que dá um gostinho doce para uma realidade cada vez mais amarga.

Force Friday, as Irmãs Tico e Olha Essa Coisa Linda Chamada Representação!

Sim, sim. Eu sei. A Force Friday não passa de um evento para vender a maior quantidade de merchandising possível – no menor tempo possível. E eu mesma não saí de casa para virar a noite numa loja de brinquedos para comprar bonecos de Star Wars. MAS, isso não quer dizer que esse tipo de evento não pode resultar em coisas legais.

Como, por exemplo, algumas das reações à presença das Irmãs Tico na infinita seleção de brinquedos de Star Wars.

Eu acho que desde Pacific Rim (Círculo de Fogo) toda vez que eu vejo uma protagonista feminina chutar bundas, eu não consigo evitar o choro. Nas duas últimas vezes que eu fui ao cinema assistir Star Wars o filme nem tinha começado e eu já tinha os meus olhos cheios d’água. Furiosa me fez sair do cinema recarregada e de olhos inchados. O mesmo com Mulher-Maravilha. Eu sei o quão incrível é olhar para a tela e se ver representada, mas eu sou branca e só dessa listinha que eu fiz a maioria absoluta é de mulheres brancas.

Veja bem, Rose e Paige Tico não são protagonistas de Star Wars: Os Últimos Jedi (SOCORRO ESSA FALTA DE S ME MATA), mas elas são uma representação muito, mas muito difícil de se ver em filmes blockbusters de Hollywood – mulheres asiáticas. Diversas vezes nós vimos mulheres brancas assumindo papéis que originalmente deveriam ser de atrizes de ascendência ou origem asiática, então é mais do que só legal ver que elas vão sim estar na tela. Como DUAS IRMÃS REBELDES CHUTADORAS DE BUNDAS IMPERIAIS.

Tudo isso pra dizer que não tem como não achar legal a atriz Kelly Marie Tran, aka Rose Tico, abraçada em versões toys dela mesma! <3

Toda vez que alguém te disser que representação não importa porque nós deveríamos ser capazes de nos vermos em todo ser humano, manda essas fotos e pede pra conversar DEPOIS. Star Wars e todo o merchandising são sim produtos consumíveis, mas tentar dissociar esse tipo de representação da nossa sociedade é um tanto de ingenuidade. Agora é torcer, e cobrar, pra que cada vez mais Star Wars e os outros universos ficcionais que a gente tanto ama abracem mais e mais diversidade. Eu ainda quero ver a adaptação de Estrelas Perdidas. 😉

Star Wars: Os Últimos Jedi estréia no dia 15 de Dezembro (que não vai chegar rápido o suficiente).

Anna Diop será Estelar na série Titans – E algumas pessoas não sabem a diferença entre pele branca e laranja.

Ontem, no finalzinho do dia, ficamos sabendo que a atriz Anna Diop vai assumir o papel de Estelar na série Titans, que adapta os personagens dos Jovens Titãs para a televisão. Anna tem no currículo séries como Everybody Hates CrisQuantico e mais recentemente esteve em 24: Legacy.

Estelar foi criada por Marv Wolfman e George Pérez, e sua primeira aparição nos quadrinhos aconteceu na revista DC Comics Presents #86 em 1980. A personagem é a princesa herdeira do trono de Tamaran, um planeta no sistema Vegan. Ela chega ao planeta Terra depois de fugir das garras da irmã, Blackfire, que havia causado uma guerra no planeta. Estelar então se une aos Jovens Titãs depois de encontrar Robin, Dick Grayson.

Aqui no Brasil Estelar ficou conhecida pelo grande público com o grande sucesso que a série animada Teen Titans fez no começo dos anos 2000.

Com o anúncio que Anna Diop, uma atriz negra, ia assumir a personagem na versão Live Action as pessoas, elas perderam a noção. De um jeito que, para justificar o racismo, começaram a dizer que a Estelar era, na verdade branca.

Temos alguns pontos importantes a se levantar aqui.

O primeiro deles é que você pode dizer o quanto quiser que não é racista, mas se você precisa fantasia que uma personagem laranja é branca, então você precisa procurar se educar melhor e aprender que o que você sente é preconceito racial – não busca por fidelidade com os quadrinhos.

O segundo ponto é: Estelar não é humana. Sim, ela tem traços humanóides, mas isso não quer dizer que ela é um ser humano. Não, ela é uma alienígena e, por isso, tentar colocá-la dentro de padrões humanos é perda de tempo – e pode acabar mostrando que você é racista.

Ruth Negga, em Agents of Shield / Pom Klementieff e Zoe Saldanha em Guardiões da Galáxia.

O terceiro ponto é uma preocupação pessoal. Caso a produção da série resolva realmente pintar o corpo de Diop de laranja, o que faria sentido já que a personagem é laranja, então ela se juntaria à uma série de personagens femininas não-brancas em filmes de super-heróis que acabam sempre com o corpo pintado ou exotificado. Eu vou sempre celebrar o casting de mulheres não-brancas em séries e filmes de super-heróis, mas me incomoda um pouco o modo como elas muitas vezes acabam caindo em personagens que ou são de cores não humanas, ou acabam tendo um design que às retira do padrão humano, enquanto personagens femininas brancas são majoritariamente só humanas. Isso me levanta o sentimento de desumanização dessas personagens e de que essas mulheres não-brancas podem existir dentro do mundo live action de super-heróis, contanto que a sua etnia não seja muito aparente.

Obviamente, eu estou muito feliz com a escolha da atriz para a personagem. Vale lembrar que a DC, na televisão, possui uma representação negra bem interessante e não tem mostrado medo de trazer atrizes negras para interpretar personagens originalmente de outras etnias – vide Iris West. Obviamente o caso de estelar é um pouco diferente, já que ela é laranja, mas ainda assim é muito bom ver mulheres não-brancas assumindo papéis que tradicionalmente elas não receberiam.

Apesar de eu achar que é bem óbvio que a pele da Estelar é LARANJA, algumas pessoas ainda estão confusas sobre isso. Então aqui vai um exemplo que vai deixar tudo mais evidente. Nesta ilustração abaixo nós temos Donna Troy, branca, abraçando Estelar, LARANJA.

Até mais! 😉

 

Com licença. Mas é DOUTORA General Leia Organa, por favor!

Para começar o dia com uma notícia legal e divertida, parece que Leia Organa, a Princesa e General mais amada de Star Wars também era Doutora – do tipo que tem PhD.

Em uma thread do twitter, a Doutora Becca Harrison, da Universidade de Glasgow, chamou atenção para uma informação que ela notou e que, até então, parecia ter passado despercebida. No livro Superwoman: Gender, Power and Representation, a autora Carolyn Cocca trouxe a informação de que foi o próprio George Lucas que comentou sobre as conquistas acadêmicas de Leia Organa.

De acordo com o livro George Lucas disse, lá em 2004 enquanto falava sobre Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, que Leia é:

jovem, com dezenove anos, a mesma idade que Luke deveria ter, mas ao invés de ser meio idealista e ingênua como um garoto da fazenda no meio de lugar nenhum, ela é muito sofisticada, uma líder urbana, uma Senadora, então ela é uma política, ela realizou coisas, ela se formou, conseguiu seu PhD aos dezenove e lidera pessoas e é responsável por elas. [Eu precisava de uma atriz]  que pudesse ser jovem e brincar muito com autoridade… e empurrar esses caras para frente.

BAM. Leia não só é uma General-Princesa chutadora de bundas, ela também é uma cientista política badass com PhD e tudo. Quer dizer, eu imagino que o PhD dela tenha a ver com humanidades e política… Já que ela também é uma SENADORA.

Eu normalmente não fico animada com “filmes sobre a juventude dos personagens de Star Wars”, porque a juventude deles foi durante a primeira trilogia… Mas meu corpo está pronto pra história de como Leia se tornou a princesa badass que ela já era quando nós a encontramos.

Aliás, princesa não. Agora é Doutora Princesa General Senadora Leia Organa. 

 

Resenha: “Outros jeitos de usar a boca”

“Outros jeitos de usar a boca”, de Rupi Kaur, virou o livro de cabeceira de muita gente. Mais especificamente de 40 milhões de leitores ao redor do mundo. “milk and honey” (título original) de Rupi está, há semanas, como #1 da lista de mais vendidos do New York Times, e chegou no Brasil há pouco tempo, mas já virou best-seller aqui também.

Uma das razões pra esse sucesso gigantesco se deve ao fato da poesia dela ser clara, direta e curta. É simples de ler e ainda tem imagens – maravilhosas – da própria autora que facilitam a compreensão. Mas a temática em si não é fácil. Rupi abre seu coração e suas experiências de vida em “Outros jeitos de usar a boca” em quatro partes: “a dor”, “o amor”, “a ruptura” e “a cura”.

As 4 fases formam um arco narrativo subjetivo sobre as noções de abuso, relacionamento, perda, cura e feminismo. Mas por mais que sejam as experiências da Rupi, a maneira que ela escreve possibilita a abertura de uma discussão de micro pra macro, como o papel da mulher na sociedade, impunidade, amor próprio e até relações interpessoais com familiares e namorados(as). De certo modo, ela acolhe as leitoras com suas próprias experiências do que é a feminilidade, o que é ser mulher atualmente.

Os desenhos minimalistas do livro são da própria Rupi e já foram tatuadas nas peles de muitas mulheres. Assim como a linguagem escrita, a visual também é simples, delicada e forte. Desse modo, os desenhos complementam de uma forma essencial os próprios poemas. É desse jeito, por exemplo, que ela cria uma experiência completa para o leitor quando descreve a natureza feminina como algo lindo em “a cura”. Ela torna esse e vários outros tabus algo fácil de ler e compreender.

Hoje, a Rupi é uma escritora famosa e que usa diferentes formatos, não só o impresso, pra divulgar seus poemas. Ela também usa muito o Instagram como ferramenta. Inclusive foi ela que postou a foto menstruada com a calça e o lençol manchados e causou polêmica em 2015, abrindo a discussão sobre o tabu que se cria em cima de questões tão básicas da natureza feminina, como menstruação.

thank you @instagram for providing me with the exact response my work was created to critique. you deleted a photo of a woman who is fully covered and menstruating stating that it goes against community guidelines when your guidelines outline that it is nothing but acceptable. the girl is fully clothed. the photo is mine. it is not attacking a certain group. nor is it spam. and because it does not break those guidelines i will repost it again. i will not apologize for not feeding the ego and pride of misogynist society that will have my body in an underwear but not be okay with a small leak. when your pages are filled with countless photos/accounts where women (so many who are underage) are objectified. pornified. and treated less than human. thank you. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀ ⠀ this image is a part of my photoseries project for my visual rhetoric course. you can view the full series at rupikaur.com the photos were shot by myself and @prabhkaur1 (and no. the blood. is not real.) ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀ i bleed each month to help make humankind a possibility. my womb is home to the divine. a source of life for our species. whether i choose to create or not. but very few times it is seen that way. in older civilizations this blood was considered holy. in some it still is. but a majority of people. societies. and communities shun this natural process. some are more comfortable with the pornification of women. the sexualization of women. the violence and degradation of women than this. they cannot be bothered to express their disgust about all that. but will be angered and bothered by this. we menstruate and they see it as dirty. attention seeking. sick. a burden. as if this process is less natural than breathing. as if it is not a bridge between this universe and the last. as if this process is not love. labour. life. selfless and strikingly beautiful.

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No final das contas, o sangue não era real, mas faz parte do trabalho visual e militância dela, ambos aspectos muito fortes do que ela faz, inclusive em “Outros jeitos de usar a boca”.

Finalmente, o trabalho dela é incrível. Ao longo do livro se vê a alma dela aberta para o leitor, algo que requer muita coragem. E não à toa, aos 24 anos ela é autora de best-seller e a poesia dela já faz parte da literatura feminista. Inclusive, 40 milhões de exemplares vendidos de uma obra feminista vendidos no mundo só mostra o quanto o movimento está crescendo.

Se você quiser conhecer mais sobre a Rupi, assista ao TED dela sobre retomar o próprio corpo: 

Você também pode comprar “Outros jeitos de usar a boca” na Livraria Cultura por R$19,90.

Mulheres da DC Comics apoiam editora da Marvel, homens choram e girlpower ganha o dia.

Ontem a gente falou sobre como Heather Anton sofreu ataques no twitter apenas por ser mulher, feliz, trabalhar com quadrinhas e tomar um milkshake. Desde o dia dos ataques o twitter se encheu de leitores e profissionais dos quadrinhos mandando apoio à editora da Marvel.

Hoje a conta da DC Comics no Twitter postou a foto mais amor de todas:

Lembra aquele moço que tava tentando levantar a guerrinha Marvel vs DC? Deve estar chorando em posição fetal em casa – a DC também tem mulheres! O horror!

Garotas são demais. Fim.

😉

Blizzard vai “aumentar penalidades” para jogadores tóxicos em Overwatch.

Todo mundo que já jogou online sabe que a experiência do “chat” muitas vezes passa longe de ser algo positivo, principalmente se você uma mina. Racismo, machismo, misoginia e só o puro e velho ódio são presenças quase inquestionáveis quando se joga online, junte isso com as trollagens infinitas e jogar pode virar um pesadelo.

Lyllira, a community manager de Overwatch, postou no fórum oficial do jogo as melhorias ao sistema de denúncia de jogadores tóxicos.

Nós acreditamos que o nosso sistema para reportar e punir jogadores durante o jogo é uma das nossas ferramentas mais importantes, e é algo no que nós vamos investir bastante no próximo ano. Por isso, e começando imediatamente, nós vamos estabelecer um aumento nas penalidades para jogadores em resposta às denúncias verificadas de mau comportamento. Em Overwatch isso significa tudo entre conversas abusivas, assédio, inatividade e trollagem*. (…) Jogadores com mau comportamento poderão ser silenciados, suspensos ou até mesmo banidos do jogo.

Nós sabemos que fazer de Overwatch um ambiente realmente convidativo é um processo contínuo, e esse é apenas o primeiro passo. Nos próximos meses nós temos planos para trazer melhorias adicionais baseadas nos feedbacks de vocês, incluindo aumentar os banimentos em temporadas competitivas, um sistema de notificação que vai alertar você quando um jogador que você denunciou foi acionado, e funções que vão permitir que nós penalizemos mais agressivamente jogadores que tentem abusar do sistema de denúncia dentro do jogo.

O sistema de denúncia dentro do jogo só existe, por enquanto, na versão para PC. Mas eles prometem estar trabalhando para trazer esse mecanismo para os consoles.

Nós também continuamos comprometidos em trazer o sistema de denúncia para o PlayStation 4 e para o Xbox One. Como jogadores de consoles nós sabemos o quão frustrante é não ter essa funcionabilidade nas nossas plataformas. Nós estamos ativamente trabalhando no sistema e temos muitos elementos que já estão passando por testes. Nosso objetivo é implementar um sistema de denúncia similar ao disponível no PC, assim como qualquer melhoria que seja feita no PC desde agora até o sistema estar disponível (nos consoles).

Como doida por Overwatch que eu sou, fico feliz em saber que a Blizzard está ativamente trabalhando para transformar a experiência em algo mais positivo. Além de todo assédio e abuso verbal, poucas coisas me irritam mais do que aquele palhaço do meu time que pega a Mei e fica colocando parede de gelo no meio do meu caminho. Hunf.

Lupita Nyong’o se vestiu de Ranger Rosa durante a San Diego Comic Con.

Todo ano vários artistas se fantasiam de personagens para poder andar pelos corredores da San Diego Comic Con: Jhon Boyega já foi um Storm Trooper, Daniel Radcliff já foi de Homem-Aranha. Esse ano quem se fantasiou para caminhar como uma reles mortal pela feira foi a maravilhosa Lupita Nyong’o, que agora faz parte de duas das maiores franquias nerds do mundo: Star Wars e Marvel.

Ela escolheu a roupa da Ranger Rosa e parece ter se divertido horrores por lá.

Imagina você chegar em casa e descobriu que bateu foto, sem saber, com a Lupita? É muito maravilhosa.