Sapacoco, novo quadrinho da Netuno Press, será lançado na CCXP!

Falamos de quadrinhos de ação, terror, mas agora vamos dar uma sugestão de… Quadrinho sobre amigos imaginários. Pois é, CCXP está chegando e a variedade de quadrinhos disponíveis do beco dos artistas é grande! Vamos falar um pouco de Sapacoco.

O que acontece com um amigo imaginário quando ele não tem mais um amigo? Ele vira um imaginário? Esse é o ponto de partida de Sapacoco novo quadrinho de Márcio Moreira e Débora Santos (Pombos!), do selo Netuno Press.

Mauro e Sapacoco eram amigos inseparáveis, mas, nove anos depois, o garoto decide que está velho demais para ter um amigo imaginário. Agora, Sapacoco precisa lidar com a separação e decidir o que fazer da vida. Afinal, o que é um amigo imaginário quando ele não tem mais um amigo? Mas claro que as coisas não são tão simples assim e Sapacoco descobre que Mauro guarda um segredo… kawai!

Sapacoco é uma história sobre amadurecimento, perseguição de carros e um bar onde fantasias vão encher a cara. E só uma dessas três coisas é mentira! São vinte páginas de quadrinhos (e pelo menos um poema) impressas em risografia, nas cores azul e rosa, em formato mangá.

O quadrinho estará disponível na mesa H29 durante a CCXP 2017!

Sapacoco
24 páginas
13,5 x 20,5 cm
Impresso em risografia, azul e rosa
R$ 15,00
Selo Netuno Press
Lançamento na CCXP, mesa H29.

Primeiro capítulo de Carrion Song será lançado na CCXP 2017!

A CCXP 2017 já é semana que vem e, como vocês podem perceber, uma das nossas partes preferidas aqui no Collant é o Beco dos Artistas. Há vários artistas incríveis, inclusive mulheres, disponibilizando seus quadrinhos e trabalhos. Aqui vai uma sugestão para você que não sabe direito o que comprar por lá.

Carrion Song é um história em quadrinhos independente criada por Gabriela Birchal. O primeiro capítulo da história será lançado na CCXP 2017, na mesa D39 no Artist’s Alley, e conta a história de Corvo.
Corvo é uma mercenária amaldiçoada em busca de alguém muito importante para ela. A máscara é o estigma de sua maldição, o que a torna um pária. Ao receber um trabalho particularmente incomum, ela se vê acompanhada pelo bardo e mercenário Dorian, e deve adentrar uma torre para caçar uma terrível besta chamada Arque Lobo. No entanto, a caçada se mostra mais complicada do que o prometido e ambos deverão sair de uma cilada.
Gabriela é uma ilustradora e artista de concept e trabalha para video games, jogos de tabuleiro, capas de livro, dentre outros. Em 2017 resolveu voltar às raízes e escrever uma história própria. O primeiro capítulo foi feito de forma independente e, para a continuação da história, Gabriela conta com a ajuda de apoiadores no Patreon, uma plataforma na qual os criadores mantêm contato direto e oferecem conteúdo exclusivo para os fãs.
Se você não puder ir no evento, mas ainda estiver interessado no quadrinho, ele será vendido no http://gabrielabirchalart.iluria.com/
Título: Carrion Song
Autor: Gabriela Birchal
Formato: 17x26cm
Número de páginas: 36
Lançamento: Durante a CCXP 2017 nos dias 07,08,09 e 10 de Dezembro
Sites:

Bad Omen 2: Spitfire, de Alice Monstrinho, será lançado na CCXP 2017!

Há muita coisa para ver no Artist’s Alley da CCXP, inúmeros artistas talentosos, quadrinhos com histórias interessantes e artes que dá vontade de levar todas. Nós aqui no Collant sempre tentamos incentivar mais os trabalhos das mulheres que estão lá. Caso você esteja procurando por algo mais voltado para o terror, com lobisomens e brigas sangrentas, deixa eu te sugerir o Bad Omen.

Ano passado eu comprei e li o primeiro volume do quadrinho da Alice Monstrinho. Bad Omen começa contando a história de Kanayla, uma lobisomem que precisa lidar com os vampiros atacando a sua matilha. O quadrinho tem influência nos RPG de mesa de World of Darkness (Vampiro: A Máscara, Lobisomem: O Apocalipse, etc), e também de literatura de terror, como Edgar Allan Poe e Lovecraft.

A história tinha me ganhado quando eu soube que envolvia vampiros e lobisomens, mas mesmo tirando meu gosto pessoal por essas criaturas, é um quadrinho bom de ler. Além de ser curto, a protagonista tem uma jornada interessante, seu jeito sem paciência e desbocado deixa a história ainda mais divertida.

O segundo volume vai contar o passado de Barry, um caminhoneiro misterioso que aparece no primeiro quadrinho. Além disso, este volume vai contar com uma galeria de 11 artistas convidados, entre eles Alex Shibao, Priscilla Prips, Pietro Antognioni e André Meister.

Para quem ainda não tem o primeiro volume, a autora também vai estar vendendo a segunda edição dele na CCXP, com algumas mudanças e um making-off explicando o processo de criação de Alice Monstrinho. Eu recomendo muito que, caso você curta esse tipo de história, dê uma passada na mesa D39 e dê uma conferida no trabalho da Alice!

Bad Omen 2: Spitfire (segundo volume)
Lançamento: 06/12/2017
Autores: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho
Roteiro: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho e Humberto Garcia
Arte: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho
Formato: 17cm x 25,5cm
44 páginas, miolo preto-e-branco
Preço: R$30,00
Aonde comprar: Mesa D39 do artists’ alley da Comic Con Experience, de 6-10 de dezembro de 2017. Posteriormente online através do site rebelhound.weebly.com
Classificação indicativa: 14 anos (contém violência e linguagem imprópria)

Bad Omen (primeiro volume)
Lançamento: 01/12/2016 (primeira edição) e 06/12/2017 (segunda edição revisada)
Autores: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho
Roteiro: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho e Humberto Garcia
Arte: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho
Formato: 17cm x 25,5cm
40 páginas, miolo preto-e-branco
Preço: R$30,00
Aonde comprar: Mesa D39 do artists’ alley da Comic Con Experience, de 6-10 de dezembro de 2017. Posteriormente online através do site rebelhound.weebly.com
Classificação indicativa: 14 anos (contém violência e linguagem imprópria)

Sobre a autora:

Alice é uma artista de Florianópolis que adora monstros e busca dar um toque de estranheza, extraordinário e animalesco em tudo que faz. De criaturas radioativas a lobisomens, busca deixar sua marca monstruosa nesse mundo. Apaixonada por jogos eletrônicos desde criança, trabalhou como produtora de conteúdo no Portal Versus, na época o maior site sobre jogos de luta da América Latina, e no portal de notícias Garotas Geeks, que engloba matérias, cobertura de eventos geeks e vídeos de uma maneira divertida e informativa.
Fundadora do estúdio Rebel Hound em 2014, que fornece serviços de arte 2D, e formada em design de jogos pela Univali, trabalha com criação de personagens, concept art, quadrinhos e ilustração para diversas áreas de entretenimento há mais de 7 anos.
Já lançou duas publicações independentes: o artbook para colorir bilíngue Radioactive! e a história em quadrinhos de ação e terror Bad Omen, na temática de vampiros e lobisomens, que terá seu segundo volume – Bad Omen 2: Spitfire – lançado na CCXP em dezembro de 2017. A artista também leciona palestras e oficinas de pintura digital e criação de personagens em eventos como Campus Party, Olhares múltiplos Univali, SENAI, Bienal de Curitiba, Empreende Nerd e The Developers Conference.

Mulheres da DC Comics apoiam editora da Marvel, homens choram e girlpower ganha o dia.

Ontem a gente falou sobre como Heather Anton sofreu ataques no twitter apenas por ser mulher, feliz, trabalhar com quadrinhas e tomar um milkshake. Desde o dia dos ataques o twitter se encheu de leitores e profissionais dos quadrinhos mandando apoio à editora da Marvel.

Hoje a conta da DC Comics no Twitter postou a foto mais amor de todas:

Lembra aquele moço que tava tentando levantar a guerrinha Marvel vs DC? Deve estar chorando em posição fetal em casa – a DC também tem mulheres! O horror!

Garotas são demais. Fim.

😉

Machismo no meio nerd | Editora da Marvel toma Milkshake com colegas de trabalho, faz selfie e sofre assédio.

Heather Antos é uma das várias editoras da Marvel, ela trabalhou em The Unbelievable Gwenpool e atualmente trabalha com as revistas de Star Wars da editora americana. Antos também é a feliz detentora de uma conta no twitter e, assim como um bilhão de outras pessoas, costuma postar fotos do seu dia-a-dia por lá.

Uma dessas fotos, no entanto, recebeu uma onda de ódio gigante porque, imaginem só, como assim uma mulher se junta com outras mulheres, todas trabalhando com quadrinhos para a Marvel, e postam uma selfie tomando milkshake? E como assim elas se intitulam Milkshake Crew? Como assim elas sorriem e são felizes?

Essa não é a primeira nem a última vez em que uma mulher vai ser assediada e ameaçada na internet. Com mulheres que de alguma maneira estão envolvidas com o meio nerd/geek então, infelizmente estamos longe de chegar no dia em que só postar uma foto feliz ao lado do chewbacca não vai levantar perguntas e xingamentos. Chelsea Cain, Leslie Jones, Anitta Sarkeesian, Zainab Ankhtar e a roteirista nacional Petra Leão são só alguns exemplos de mulheres que foram atacas online apenas por serem mulheres e habitarem de alguma maneira o meio nerd/geek.

Marykate Jasper, autora no The Mary Sue, levantou uma questão importante:

Quando esse tipo de assédio acontece, os advogados do diabo aparecem para dizer que esses assediadores estão reagindo dessa maneira por causa das mudanças em seus personagens favoritos, estão legitimamente criticando políticas para mulheres ou simplesmente dando voz às suas opiniões. Isso sempre é uma tentativa óbvia de fornecer uma desculpa mais palatável para as agressões machistas e/ou racistas. Mas essa resposta à selfie de Anton deixa ainda mais óbvio a real motivação deles. É assédio por existir. Por ousar ser uma mulher, sorrir e se divertir enquanto trabalha com quadrinhos. É assédio que tem como combustível o ódio por ver um monte de mulheres que editam quadrinhos se divertindo enquanto trabalham.

E esse é o ponto aqui: mulheres trabalhando com quadrinhos. Felizes. Mulheres, no plural, que trabalham com quadrinhos.

Dá pra fechar um bingo com os absurdos tão comuns sobre ser mulher na internet:

Você posta uma foto com suas amigas e, enquanto um cara se sente no direito de avisar para você e para o mundo que ele sente atração sexual por uma das pessoas da foto (da maneira mais nojenta possível), o outro faz menção à estupro. Ser mulher na internet.

“Eu totalmente transaria com a garota da frente.” – “Melhor fazer ela assinar um formulário de consentimento, ela parece o tipo “falsa acusação de estupro”.

Através da foto os analisadores de currículo podem dizer sua formação e se você é habilitada o suficiente para fazer o seu trabalho – tudo isso sem entrar no seu Linkedin. Eles também conseguem saber a sua inclinação política e descobrir se você tem ou não uma conta no tumblr. Essa última eu acho particularmente interessante porque, veja bem, a maioria das pessoas acha que eu nunca teria uma conta no tumblr, quando na verdade eu estou por lá há mais de dez anos.

Você posta uma foto com as suas amigas e ela se torna imediatamente um statement sobre a sua possível inclinação à temas feministas, ela também é uma óbvia menção à luta por inclusão de personagens femininas dentro dos quadrinhos. Você foi tomar um milkshake, mas está na verdade tramando a dominação mundial. Também vira a guerrinha mais chata do milênio: Marvel vs DC. O mais interessante aqui é que esse moço provavelmente chorou o equivalente às Cataratas do Iguaçú quando a Batgirl foi remodelada, provavelmente fez a mesma coisa com a série da Supergirl e deve ter tido uma síncope com as piadas em Mulher-Maravilha.

Esse próximo twitte é o meu favorito, e é difícil conseguir chegar em como uma coisa está relacionada a outra, porque esse é o tipo de linha de raciocínio que nem o supercomputador de Guia dos Mochileiros das Galáxia conseguiria de fato fazer funcionar, mas eu vou tentar:

Um grupo de mulheres saíram para tomar milkshake. Todas essas mulheres trabalham para a Marvel. Porque elas saíram para tomar um milkshake as revistas da Marvel desenvolveram uma falta de qualidade crônica. Disserte.

Piadas a parte, isso serve para mostrar que porque mulheres que trabalham com quadrinhos saíram para tomar um milkshake e postaram uma selfie, elas recebem mensagens que variam de: acusações sobre serem responsáveis pela suposta falta de qualidade das revistas da editora para a qual trabalham (e aqui há a intenção de ligar a presença feminina à queda da vendas da Marvel – algo que já discutimos AQUI), até twittes sobre estupro.

Quando você é mulher e trabalha no meio nerd/geek, fala sobre representação ou feminismo de maneira geral, é comum que uma simples foto do que você está lendo no momento resulte em pessoas mirabolando razões feministas para você estar lendo aqui. Mesmo que você só esteja curtindo um momento de paz e colocando a leitura de Homem-Aranha em dia. Esse tipo de movimento vem de todos os lados, de quem não te conhece e de amigos, já que muitas pessoas não parecem entender que a gente pode só gostar das coisas, ou que a gente só pega umas coisas pra ler/assistir e ficar de boa. Mas mesmo que esse não seja o caso, mesmo que você não seja uma das mulheres ativamente discutindo representação, ainda assim existir como mulher dentro do meio nerd/geek é quase um ato político.

Você não pode ser mulher, ser feliz e e trabalhar com o que gosta. Porque mesmo que essa não seja a sua intenção, ser feliz vira um ato político por ser uma afronta à masculinidade frágil dos fãs de quadrinhos – como assim você é feliz com toda a merda que te rodeia? Como assim você ousa ser feliz enquanto trabalha? Estar dentro do meio nerd/geek impõe uma aura política em toda mulher que existe alí dentro. Mesmo que, no fim, você só queira tomar um milkshake com as suas amigas e registrar esse momento feliz.

Mas nem só de merdas vive essa história. Diversas pessoas, leitores e profissionais saíram em apoio à Anton e às garotas da Milkshake Crew.

Por aqui nós continuamos adorando MilkShake e lendo quadrinhos.

Nekojiru: Do breve sucesso ao cemitério dos mangás underground

Chiyomi Hashiguchi, conhecida pelo seu pseudônimo “Nekojiru” (“neko” de “gato”, em japonês; “jiru” de “sopa”), foi uma mangaká japonesa dos anos 90, que teve sua estréia na revista Garo. Mesmo com um futuro promissor, não conseguiu lidar com a pressão do mercado visceral, e cometeu suicídio aos 31 anos, no ápice de sua carreira.

Digital Garo vol. 1: Nekojiru (1996)

As obras de Nekojiru consistiam em mangás homônimos, geralmente seguidos de um nome de alguma comida, como Nekojiru Udon (sopa de macarrão japonesa), Nekojiru Manju (bolinho de arroz recheado com feijão) e Nekojiru Dango (bolinho feito de mochiko, massa de arroz); e em quase todos eles têm como personagens principais dois irmãos gato, Nyakko e Nyatta. Com seu humor extremamente ácido, satirizava e desconstruía padrões contidos em personagens “mascote”, como o Snoopy de Schultz, que fazem constatações sobre “as coisas como elas são” e a promessa de que dias melhores virão. É muito interessante e distópico como ela consegue reelaborar a relação com seus mascotes morbidamente carismáticos, e com eles desenvolver histórias simples, de ar cotidiano e inocente, mas com situações extremamente grotescas e surreais.

Os personagens principais se assemelham aos Maneki-Neko, mascote comum de ser encontrado em lojas kitsch de souvenires, que representa a sorte e a fortuna, com um rosto estático, cara de paisagem, olhar fixo e boca sempre sorridente.

Nekojiru era descrita pelos seus amigos como uma pessoa difícil de lidar, bastante breve e reservada (nunca quis aparecer na mídia ou ter seu nome real revelado, uma de suas únicas fotos é a imagem do início do post), com gostos muito peculiares e limitados; ao mesmo tempo que era uma pessoa de “inocência e pureza únicas, demais para conseguir viver neste mundo”, o que poderia justificar a recusa em crescer e sua misantropia, dois elementos que transpareciam bastante em suas obras. Era casada com Yamano Hajime, outro mangaká que publicava para a Garo, uma revista mensal de mangás alternativos e avant-garde. Com seu incentivo, desenvolveu melhor suas histórias e conseguiu fazer sua estréia com Nekojiru Udon, na mesma revista para qual o seu marido trabalhava. Com seu traço único e infantiloide, ao mesmo tempo misterioso, unido ao seu senso de humor negro, não demorou muito para que fizesse sucesso no Japão. Considerado como “abunakawaii” (“bonitinho/fofinho, porém perigoso”), seus personagens eram vendidos em forma de chaveiros, pelúcias e estampas de camisas; eram muito queridos principalmente entre as garotas colegiais. Durante um curto tempo, eles também fizeram aparições nas propagandas da Tokyo Electric (uma das principais companhias de eletricidade do Japão), mas que foram suspensas após sua morte, que se deu logo no ápice de sua carreira.

Tradução livre: No balão, “O qu-?! Manhã? Noite?”
“Eu liguei para o Bro’s Comics às 6 da tarde. Mas me responderam que meu editor só chegaria lá às 7… Bem… Eu estive vivendo sob meu próprio ritmo trabalhando 30 horas por dia e minha vida está destruída, então eu acho que não sou a melhor pessoa pra criticar os outros.”

Nekojiru já havia tentado tirar sua vida no passado e escrito diversas cartas de suicídio, porém a última delas era de anos atrás. Um dos trechos dizia: “Nenhuma discussão sobre os possíveis motivos”. Porém, uma das maiores suspeitas do que poderia ser a causa era a pressão sufocante dos prazos e números de vendas para se manter publicando. A profissão do mangaká, por mais que o mangá seja algo muito importante para a cultura pop japonesa, ainda assim é vista com maus olhos pela população, tornando-se muito desvalorizada, o que justifica a falta de reconhecimento e investimento, principalmente em trabalhos que saiam do encaixotado feito para o consumo das massas. É um meio muito difícil de se inserir, porém mais difícil ainda de manter-se ali, por isso é preciso uma busca constante de aprovação e a manutenção do interesse do público – o que certamente a adoeceu, pois nunca quis depender da opinião da mesma sociedade pela qual nutria tanto nojo e desprezo. Por isso – e também pelos seus problemas financeiros -, Nekojiru aceitava todo trabalho que lhe era oferecido, submetendo-se a um ritmo caótico de produção, o que resultou numa sobrecarga imensa. Em JiruJiru Diary, mangá onde relatava sobre coisas de seu cotidiano e retratava ela mesma como um gato, no mesmo ano em que tirou sua própria vida (1998), sua personagem comenta que chegava a trabalhar 30 horas por dia sem dormir e que sua vida estava “destruída”. Mas dois anos antes, na mesma série do seu diário, ela já demonstrava sinais em suas brincadeiras dizendo sobre o que poderia ser feito com o seu corpo caso ela morresse. No dia 10 de maio de 1998, aos 31 anos de idade, cometeu suicídio.Após sua morte, Yamano assumiu as publicações de Nekojiru, sob o pseudônimo de Nekojiru-Y, mas não conseguiu manter o sucesso. Uma adaptação em anime de Nekojiru Udon foi feita em forma de anime para a TV Asahi em 99, sob o título de Nekojiru Gekijou. E em 2001, foi feito também um OVA* experimental pelo diretor Tatsuo Sato e o animador/diretor Masaaki Yuasa, que foi vencedor de um prêmio do Japan Media Arts Festival na categoria de animação e consiste numa versão alternativa do universo criada pela autora. Mas infelizmente nada disso foi o suficiente para manter a memória de Nekojiru e deixar sua marca na cultura pop japonesa. Assim, tanto a própria Nekojiru quanto suas obras foram enterradas no cemitério dos mangás underground, que mal foram traduzidos para o ocidente, tendo os seus personagens substituídos por vários outros mascotes carismáticos.Porém, você pode encontrar alguns de seus mangás scaneados e traduzidos para o inglês nestes links:

http://mangafox.me/manga/nekojiru_udon/
http://mangafox.me/manga/nekojiru_dango/
http://translatingnekojiru.tumblr.com/
http://enjoynekojiru.tumblr.com/

 

Entrevista com Yoshiaki Yoshinaga, um dos amigos mais próximos de Nekojiru e seu marido, em inglês: http://www.pelleas.net/aniTOP/index.php/yoshiaki_yoshinaga_on_nekojiru (parte 1) e http://www.pelleas.net/aniTOP/index.php/yoshiaki_yoshinaga_on_nekojiru_pt_2 (parte 2)Todos os episódios de Nekojiru Gekijou, em inglês: https://www.youtube.com/watch?v=SWnkOvi4i6c&list=PL97DEF406969BC483

OVA Nekojiru-So (Cat Soup): https://www.youtube.com/watch?v=FOTasxTJXGM (está em inglês, mas quase não há diálogos)

 

 

*tipo de curta de animações japonesas que são lançados diretamente em VHS ou DVD, sem passar antes nos cinemas ou televisão.

Quadrinistas homens não vão ao Lady’s Comics, perdem a oportunidade de serem melhores.

Durante o primeiro fim de semana de Maio aconteceu o Encontro Lady’s Comics em São Paulo. O evento é encabeçado pelas meninas do Lady’s Comics, foi sediado e co-organizado pela Quanta Academia de Artes. O encontro, que está na sua terceira edição e primeira na capital paulista, trouxe nomes do quadrinho nacional e latino-americano para falar sobre todos os temas que envolvem a produção de quadrinhos, do roteiro até o jornalismo.

O Lady’s foi um encontro com oportunidades incríveis de aprendizado e aprofundamento, de entrar em contato com temas que nem sempre são abordados em eventos de quadrinhos e de se conectar com profissionais excelentes históricos diferentes. Foi inspirador ver todas aquelas mulheres palestrando e dividindo experiências, ver os futuros profissionais do quadrinho nacional, tanto homens quanto mulheres, participando do evento.

Infelizmente, muitos quadrinistas já reconhecidos que moram em São Paulo não compareceram e assim, não só refletindo o machismo inerente dentro do meio, mas também perdendo a oportunidade de melhorar os seus próprios trabalhos.

O que não falta no quadrinho nacional é a representação feminina reduzida à objeto e hipersexualização, a figura feminina é vítima constante do machismo e da misoginia, seja em quadrinhos de sci-fi ou fantasia, seja em quadrinhos que buscam representar a realidade (uma realidade geralmente masculina, heterossexual e branca, diga-se de passagem). Charges, tiras, coleções ou graphic novels – homens quadrinistas brasileiros adoram reduzir suas personagens femininas às suas fantasias sexuais pubescentes, mesmo que eles mesmos não se dêem conta disso.

Então, quando um evento como o Lady’s acontece, e eu vejo na programação palestras como a da incrível LoveLove6, “Desconstruindo o olhar masculino”, e a da Gabriela Borges, “A representação da mulher e os discursos de gênero”, eu fico desapontada, mas nem um pouco surpresa ao não ver esses quadrinistas nas cadeiras. Tirando os quadrinistas que estavam na equipe da Quanta, apenas dois ou três passaram por lá. Eles não comparecem provavelmente porque  acreditam que são tão superiores que não há nada para aprender, ou porque continuam achando que desenhar mulheres com peitos maiores que a cabeça é uma questão e estilo, não de machismo e mediocridade.

Como artista, uma das coisas mais difíceis de se enfrentar são as críticas ao seu trabalho, mas aprender a aceitá-las e a separar aquilo que é construtivo e o que é só hate é muito importante. Mas tão importante quanto isso é aprender a identificar onde os seus privilégios barram o seu trabalho de ser melhor, de ser maior. Existe, dentro da maioria dos artistas, um tipo de arrogância que vem da possibilidade de criar universos novos, é algo que a própria cultura artística infelizmente cultiva. Quando juntamos isso a percepção masculina de que apenas por serem homens eles têm uma suposta superioridade, a arrogância se torna burrice, que termina por ser opcional.

O privilégio masculino é algo que, para o próprio homem, é muito difícil de perceber, admitir ou fazer algo sobre. Essa dificuldade não o exime de culpa por não notá-lo e, no fim, esse mesmo privilégio acaba limitando aquilo que ele pode fazer com a sua própria arte. Por causa disso, eles não só acreditam que não há nada para aprender com profissionais mulheres, eles também não se dão conta que a escolha de “pular” um evento como Lady’s tem sim a ver com o gênero das palestrantes.

O Lady’s foca em convidadas mulheres, mas em momento nenhum exclui homens de participarem como espectadores ou apoiadores. Ele também não é um evento focado apenas em discutir gênero, tiveram mesas maravilhosas que nada tinham a ver com gênero – que, inclusive, representou a minoria dos temas abordados. A escolha de não participar vem única e exclusivamente deles e, mesmo que feita de maneira não-intencional, está sim baseada no gênero dos profissionais que ganham enfoque no evento.

Faz-se fila para aprender com os grandes nomes do passado, compra-se suas coleções e lotam salas de discussão – mas apenas se eles forem nomes masculinos como Ziraldo, Quirino ou Angeli. Ao que parece, quadrinistas homens não se interessam em aprender com nomes femininos que conseguiram driblar a censura e publicar tiras críticas durante a ditadura, como Ciça Pinto, ou com um dos nomes mais importantes da ilustração de imprensa, como Mariza Dias Costa.

Eles também não tem interesse em assistir palestra de profissionais de editoras, não se elas forem todas mulheres, e nem querem aprender um pouco mais sobre técnicas de pintura ou mesmo sobre como quadrinhos são utilizados dentro da sala de aula (uma ótima fonte de renda, diga-se de passagem). Eles também não querem entender ou aprender um pouco mais sobre maternidade e quadrinhos, muito menos sobre homoafetividade e quadrinhos – tá tudo bem, todo mundo viu Sense8.

Quadrinho é arte, mesmo o quadrinho de super-herói é uma forma de arte, porque ele nos conecta com temas e sentimentos, porque vivemos experiências novas ou já conhecidas através dos universos e personagens que encontramos. Porque, mesmo que inconscientemente, ele reflete a realidade à nossa volta. E é muito fácil para o artista, especialmente se ele é homem, se perder no seu próprio umbigo e acreditar que aquele mundo é o mundo à sua volta.

É assim que quadrinistas incríveis viram quadrinistas medíocres, porque acreditam que a história que estão contando, uma história que reflete apenas aquilo que eles acham ou acreditam, aquilo que eles veem apenas dentro da suas lentes míopes masculinas, aquilo que eles aprenderam apenas com outros homens é o melhor que eles podem fazer. Peitos maiores do que a cabeça, personagens femininas diminuídas a objetos sexuais ou subdesenvolvidas não é uma questão de estilo, é uma questão de mediocridade. E é uma mediocridade que existe apenas porque o artista é preguiçoso e se recusa a aprender e a olhar além do seu próprio umbigo.

Quando esses fabulosos quadrinistas já consagrados do quadrinho nacional decidem não comparecer à um evento como o Lady’s Comics, o mercado de quadrinho perde. Perde porque eles vão continuar fechados dentro de seus clubes do bolinhas, com suas broderagens e mesmo com o seu silenciamento frente ao machismo e a misoginia inerente ao mercado. Mas quem perde muito também são eles mesmos, já que limitam seu trabalho à visão masculina, como se a sua verdade fosse a grande e única verdade, como se não tivessem nada a aprender ou evoluir com visões diferentes. Eles próprios diminuem sua arte à mediocridade do olhar único. Espero que até o próximo Lady’s, ou quem sabe até o curso de verão da LoveLove6 que foi sugerido durante o encerramento do evento, esses quadrinistas decidam libertar o seu trabalho, e a sua cabeça, dessas correntes machistas que os impedem de ir além, de serem melhores.

Até mais.

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Para Ler Mais:

Broderagem, Mercado e Exclusão

O elefante na sala: Assédio no meio do quadrinho nacional. 

Como você, homem, pode ajudar a acabar com o machismo e o assédio no meio dos quadrinhos.

Facebook Live | Hipersexualização feminina X Hipermasculinização.

Na Live desta quarta-feira nós falamos sobre as diferenças entre hipersexualização feminina, hipermasculinização masculina e sobre a falsa simetria ao comparar hipersexualização feminina e masculina.

Caso você queira ler, aqui está o nosso guia para a Live! 😉

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Pra falarmos sobre isso tem algumas coisas que precisam ser estabelecidas:

1) MALE GASE – É o Olhar Masculino sobre uma personagem feminina, corriqueiramente isso termina nela sendo desenvolvida dentro de padrões de comportamento e de estética que são fetichizantes e objetificantes, determinando a existência dessa personagem apenas como um objeto criado para agradar a punhetice masculina. Elas também são desenvolvidas para não ofuscarem o personagem masculino e, assim, não parecerem mais importantes do que o leitor em si.

2) FEMALE GASE – É o olhar Feminina sobre um personagem masculino. Esse tipo de olhar é raro, e ainda mais raro é quando ele tende à sexualizar o personagem feminino em questão. Se formos falar sobre ele ser diminuído à um objeto eu realmente não sei se a gente consegue encontrar um único exemplo. Filmes e quadrinhos com um olhar feminino tendem a ser muito mais simpáticos com personagens masculinos do que o contrário.

2) FALSA SIMETRIA – É quando você tenta equiparar duas coisas que estão em situações diferentes. Por exemplo, a hipersexualização de personagens masculinos e femininos, a opressão sofrida por pessoas brancas e negras, etc.

Dito tudo isso, vamos às perguntas que não querem calar:

O Que é hipersexualização?

Quando uma personagem é diminuída e/ou objetificada.

Quando a sua sexualidade é utilizada para agradar o olhar do espectador, tirando dela qualquer humanidade ou senso de identidade. (Imagem Manara)

Quando se decide que um uniforme como esse (Imagem da Emma Frost) faz sentido – seja para lutar, seja em como diabos esse tecido funcionaria.

Quando se desenha uma personagem em uma posição ginecológica, que faz pouco ou nenhum sentido em uma cena de luta (ou em qualquer cena).

Quando todas as personagens femininas aparecem, em algum momento, com a bunda em evidência no pôster do filme – note que é quase contorcionismo ficar com peito e bunda no mesmo plano. (Viúva Negra)

Personagens Masculinos são hiperssexualizados?

Se permite sexualizar alguns poucos personagens femininos, mas nenhum deles é diminuído à isso. Gambit, Asa Noturna, Deadpool (?), Thor (nos filmes) e Amor são alguns dos poucos personagens cujas histórias e/ou imagens já os colocaram sob a female gaze, nenhum deles, no entanto, foi diminuído de sua humanidade, nenhum deles usa uniforme marcando as bolas, nenhum dos tecidos dos seus uniformes delinear o corpo deles como o tecido das personagens femininas o faz.

Eu tenho inclusive a teoria de que o Asa Noturno é eunuco, pq toda vez que ele aparece de perna aberta existe um vácuo no lugar de onde estariam as partes dele. (Imagem do Asa Noturna)

Não que eu queria ver as partes dele, mas as partes femininas né, tem gente que faz até sombra.

Mas e o Wolverine sem camisa? E o Sexy Ryu? E o Lobo? E o Thor dos quadrinhos?

É aqui que entra a diferença primordial quando se fala em personagens femininos e masculinos com pouca roupa: o público alvo.

Veja bem, Quando se desenha uma super-heroína com pouca roupa o público que o desenho quer atingir é o masculino – apela-se para a punhetagem desse público, vendendo sexo, vendendo o corpo feminino.

Quando se desenha um super-herói como o Wolverine, o Thor dos Quadrinhos, Batman e Superman sem camisa, com o corpo todo sarado, veias pulsando de todos os lugares, o público que esse desenho quer atingir é o masculino – apela-se para um ideal de masculinidade, um ideal de que homem é sinônimo de força física, de que masculinidade é sinônimo de violência. Não é no público feminino que se pensa quando Ben Affleck vira pneu em Batman vs Superman, é no carinha que vai olhar praquela cena e pensar “Fuck yeah macho man”.

Obviamente existem mulheres que gostam desse tipo de homem supersarado veias saltando, mas elas são um público acidental – elas não são a razão pela qual opta-se para mostrar esse tipo de físico masculino.

A hipersexualização feminina e a hipermasculinização do personagem masculino tem, no final, o mesmo público alvo: homens. E os dois ajudam a sustentar um sistema excludente e violento – tanto para as mulheres, quanto para os homens.

Do ponto de vista feminino, criar apenas esses tipos de padrões gera:

– Exclusão de uma porcentagem imensa de público. Pensando de maneira binária, homens e mulheres, esse tipo de construção pode gerar a exclusão de quase 50% de público que poderia estar pagando para consumir esses personages – é burrice editorial. Rebeca parou de comprar quadrinhos pq cansou. Voltou com a Thor.

– Cria padrões de beleza inaucansáveis – ninguém nunca vai ser a Vampira, ou a Mulher Maravilha. Isso afeta diretamente a auto-imagem que as mulheres tem delas, contribuindo para uma visão negativa que as mulheres tem dos seus próprios corpos.

– Segrega ainda mais a representação feminina: personagens não-brancas tendem a ser ainda mais hiperssexualizadas do que personagens brancas. Se elas tiverem origens africanas, nativo americanas ou asiáticas isso só piora, já que elas vão ser representadas sempre puxando para uma sexualidade fetichizante, que volta e meia cai em representações que incluem biquínis de oncinha.

Do ponto de vista masculino:

– Cria padrões de masculinidade que são tóxicos, pautados em violência e com corpos tão impossíveis quanto os femininos. Ao mesmo tempo que isso cria um ideal de masculinidade, esmaga a masculinidade dos caras que consomem essas imagens e histórias. Se você não é um homem forte e/ou violento, então não é homem.

– Diminui o seu público à um punhado de nerds punheteiros.

– Cria, na cabeça masculina, um ideal de mulher que é irreal e fetichizado. Isso não só contribui para a visão masculina de que mulheres são menos do que homens, como também para o comportamento violento masculino em relação à mulher.

Eu não estou dizendo, em hipótese alguma, que quadrinhos são culpados pela violência que o homem faz. Mas quadrinhos, assim como qualquer meio de comunicação e arte, não vive dentro de uma bolha onde seus consumidores não são afetados pelos sinais e pelos símbolos que eles ajudam a sustentar.

Como podemos mudar isso?

Mudanças já estão acontecendo, as editoras estão cada vez mais preocupadas com o modo como suas personagens femininas estão sendo retratadas, quais histórias e quais uniformes elas estão usando. Batgirl, MoonGirl, Kamala, a Thor e Miss Marvel são algumas dessas representações diferentes e mais positivas. Ainda existe muito chão pela frente, mas já estamos em um caminho interessante.

 

As Minas do Artists’ Alley da CCXP Tour Nordeste 2017!

Mal saímos de uma Comic Con Experience, já estamos chegando em outra – a CCXP Tour Nordeste! Infelizmente nessa edição o Collant não vai conseguir marcar presença e passar horas se perdendo nessa maravilhosidade de minas do Artists’ Alley! Mas, se você vai estar por lá, não deixe de passar nessas mesas incríveis! <3

O evento acontece nesta semana, de 13 à 16 de Abril, em Recife.

A13-14

Adriana Melo

Adriana Melo ingressou no mercado de quadrinhos depois de ter uma avaliação de portfolio, em uma convenção de quadrinhos em São Paulo, ainda aos 18 anos. Depois de um tempo treinando ao lado de outros desenhistas já ativos na industria, veio a primeira oportunidade: Homem de Ferro. A partir daí vários títulos se seguiram: Quarteto Fantástico, Surfista Prateado, Star Wars: Empire, Rose & Thorn, Witchblade, Sinestro Corps: Parallax, Miss Marvel, Birds of Prey e Catwoman entre títulos mensais e especiais. Atualmente, Adriana é a desenhista de “New Adventures of the Ninth Doctor” para a editora Titan Comics.

A16

Suu Hideto

Suu Hideto cursou publicidade e propaganda, trabalhou como professora de mangá na AreaE Escola de Artes, Escola de desenho Daniel Azulay e no Senac Bom Retiro como professora de desenho de moda utilizando o manga; Fez projetos independentes como a HQ “Peter Pan the Second Day”, e “Shoujo Mangá Dream” entre outros! Recentemente publicou pela editora Crás o livro “Lolita Fashion Japan” com Sandra Rybicki e Cecilia Cherullo. Pretende divulgar seus trabalhos mais recentes, a reedição de seu “Peter Pan”, “Sketchbook Suu Hideto”, o livro “Shoujo Manga Book”, e seu lançamento da light novel “Um segredo e o Gene MC1R” para esta edição do CCXP 2016 com prints de seus trabalhos aqui citados.

A18

Brendda Lima

Brendda Lima é ilustradora e colorista. Cearense, faz parte do coletivo Netuno Press e vai levar pra CCXP tour recife quadrinhos, prints e adesivos. Pra encontrar o trabalho dela, basta aparecer na mesa A18.

B07

Luna

Luna Bianca Guimarães Praun – ou simplesmente LUNA – é uma artista digital nascida e criada no Recife. Pegou gosto por desenhar quando criança e desde então não parou mais (e nem pretende). Tem preferência pela arte digital, mas se aventura por técnicas tradicionais como aquarela e gouache. Sempre gostou muito de criar histórias e agora quer mostrá-las ao mundo. Sua primeira HQ, “MOIRA”, será lançada em forma de fanzine na CCXP.

melik3scoffee.tumblr.com

facebook.com/lunapdraws

Laís M.

Recifense nascida e crescida nessa cidade. Curso design na UFPE e atualmente trabalho na Editora Universitária. Peguei gosto pelo desenho quando era ainda menor do que sou hoje (rs). Fui uma criança muito agitada, o que fez meus pais tentarem preencher todo o meu tempo e gastar toda minha energia com atividades físicas e artísticas, e foi assim que eu comecei a gostar de fazer arte. Por volta dos 11 anos eu já dominava a pintura a óleo (e também já era uma criança muito mais calma para alivio dos meus pais), mas só durante a adolescência descobri a pintura digital, a qual se tornou de longe minha maior paixão. Meus grandes objetivos são o trabalho como designer editorial e também a construção na carreira de quadrinista e ilustradora.

B11

Suzanne Cascardi

Olá! Sou Suzanne Cascardi, tenho 26 anos, nascida em São José dos Campos, interior de São Paulo. Sou Ilustradora digital, formada em Desenho e Animação. Trabalho como ilustradora freelancer desde 2010, me tornei um membro da Kinoene Arts e também do estúdio Tonnelada em 2013! Estarei na CCXP Tour Nordeste mostrando um pouco do meu trabalho. Encontrei na ilustração e nos quadrinhos um meio para me expressar e inspirar outros a seguir seus sonhos, levando isso em consideração estarei na CCXP Tour com meu primeiro Artbook: o LUME, um compilado de criações de personagens, ideias e releituras do mundo fantástico que sempre serviu como referência em minhas produções.

C05

Aline Lemos

Aline é natural de Belo Horizonte e produz quadrinhos e zines de forma independente desde 2013. Publicou o fanzine “Melindrosa – Folhetim erótico político fantástico do século XXI”, finalista no prêmio HQMix 2015 nas categorias Publicação Independente Edição Única e Novo Talento Desenhista. É colaboradora dos portais Lady’s Comics e Marsam Graphics e publica em sua página Desalineada. Nesta edição da CCXP, irá lançar seu livro Artistas Brasileiras em Quadrinhos.

C08

Nickyzilla

Formada em Design Gráfico, Monique Alencar sempre foi apaixonada por quadrinhos, games, cartoons, e arte em geral. Desde criança passava horas à fio desenhando constantemente seus personagens e universos favoritos, sempre tendo muito respeito e admiração por todos os profissionais envolvidos na área de ilustração (desenhistas, coloristas, arte-finalistas, etc). Em 2013 começou a trabalhar ativamente no ramo e desde então exerce o ofício como artista freelancer. Atualmente está organizando os projetos de dois quadrinhos diferentes e espera trazer a mesma alegria que sempre sentiu a outros futuros apreciadores e leitores.

C09-10

Cris Peter

Com 15 anos de experiência em colorização de quadrinhos, já trabalhou para as editoras DC Comics, Marvel, Dark Horse e Image, em títulos como “Superman/Batman”, “Astonishing X-Men”, “Quarteto Fantástico”, “Capitão América & Namor” e “Hawkeye vs Deadpool”. Em 2012, tornou-se a primeira brasileira indicada ao Prêmio Eisner. Seu trabalho também pode ser visto nas Graphic MSP “Astronauta – Magnetar”, “Astronauta – Singularidade” e “Astronauta – Assimetria”, com arte e roteiro de Danilo Beyruth. Escreveu o livro “O Uso das Cores” e atualmente desenvolve um projeto autoral “Patas Sujas”, com o coletivo Estúdio Complementares e a desenhista Érica Awano. Cris também está envolvida no selo Pagu Comics como autora do título “Quimera”. Participou da organização de painéis sobre diversidade, apresentados nas edições anteriores da CCXP, juntamente com Rebeca Puig e colaboradores.

Renata Rinaldi

Mineira, Ilustradora, publica quadrinhos desde 2013. Nasceu em cidade minúscula e cresceu em cidade pequena, mas atualmente vive e estuda em Brasília. É artista visual com o fervoroso desejo de contar histórias, pois possui o grande deslumbramento por narrativas de várias formas: ilustra, cria zines, livros-objetos, quadrinhos, desenhos e grandes planos mirabolantes. Esse desejo desembocou em aventuras diversas: fez tirinhas com selo Batata Frita Murcha, fundou e é atual integrante do coletivo de mulheres quadrinistas a Mandíbula, fez parte de diversas Antologias dentre elas o Jornal Pimba (Brasília – DF), a PLAF (Recife – PE), a Basídio (Uberlândia – MG) , a Mês (Brasília – DF), dentre outras. É integrante do selo PAGU, onde é desenhista do título trimestral D.A.D.A. publicado no Social Comics através da Editora Cândido, além das jornadas solo: Labirinto Em Linha Reta, O Pequeno Bapho e Last Rose, lançadas no cenário independente. Publica suas produções em sua página no Facebook e no instagram: @tintaderaposa. Entre um rolê e outro, gosta muito de assistir desenhos e tomar chá. <3

C11

Gio Guimarães

Giovanna Guimarães saiu rabiscando papéis e paredes desde criança. Aventurou-se na UFMG e mergulhou fundo no mundo da ilustração, quadrinhos e animação: suas paixões. Entre outros trabalhos, colorizou quadrinhos, criou capas e séries de cards para o mercado americano, e trabalhou em longas-metragens e séries de animação como o Irmão do Jorel na 2DLab e Copa Studio, no Rio de Janeiro. Atualmente reside em São Paulo, trabalhando como ilustradora sênior na Cool Mini Or Not, onde cria artes para games. Desenvolve projetos pessoais de ilustração, quadrinhos, animação e toy arts, e não consegue decidir se é mais viciada em Wacon e bytes ou em tintas e papéis.

C13

Senhoritas de Patins

“Senhoritas de Patins” é um estúdio independente de quadrinhos e ilustração fundado em 2014. As mentes conspiradoras desse projeto pertencem às amigas Fabiana Signorini e Kátia Schittine! Ambas são formadas em Cinema de Animação pela UFMG. Elas adoram desenhar, criar novas histórias e fazem trabalhos colaborativos de quadrinhos desde 2003! O nome “Senhoritas de Patins” é uma brincadeira com as traduções literais dos sobrenomes das artistas. Venha conhecer-nos e ao o nosso trabalho! http://www.senhoritasdepatins.com/

C14

Janaina Araujo

Sou colaboradora do Studio PBR, que foi fundado por alguns amigos meus, e estudo Design na Universidade Federal de Alagoas. Minha área de atuação é o Design Gráfico, especialmente em Histórias em Quadrinhos ou Arte Sequencial. Atualmente faço histórias em quadrinhos, ilustrações, tirinhas, roteiro, diagramação, entre outros, mas minha especialidade é a Arte Final. Desenho desde a adolescência, mas venho me profissionalizando desde 2012 até então.

D03

Ilustralu

Oi, eu sou a Luiza de Souza. Tenho 24 anos, cursei Comunicação Social na UFRN e larguei a vida de agência pra trabalhar com ilustração desde o início de 2014. Publiquei a HQ Contos Rabiscados para Corações Maltrapilhos em 2014 – que já está em sua 2ª edição, o zine Marcela Mulher Melhore em 2015 e comecei a web-comic Os Cool Kids em 2016. Fiz trabalhos para pessoas incríveis com histórias bonitas, agências de publicidade descoladas, portais de notícias locais e murais em diversos estabelecimentos comerciais do Rio Grande do Norte. Na CCXP Tour lançarei os zines “O Inventário Amoroso de Marcela” e “Shipp”. <3

Dessamore

Ilustradora profissional desde 2014. Iniciou na área artística por incentivo de amigos e familiares. Mesmo tendo pouco tempo na área, seus objetivos e sonhos sempre estão voltados para a área de ilustração. Fez seu primeiro zine no começo de 2017, que será lançado na CCXP. Um zine cheio de desafios para quem também gosta de ilustrar. Mantem um blog onde fala sobre a vida de ilustrador e materiais artísticos. Seus objetivos para o futuro são muitos e estão só começando.

D07

Marília Feldhues

Comecei minha vida profissional em 2007, trabalhando com arte para material educativo digital. Em pouco tempo comecei a trabalhar na área de jogos, animando e fazendo desenvolvimento visual. Como freelancer, paralelamente ao trabalho com jogos, já executei projetos na área de ilustração editorial para livros e revistas, ilustrações institucionais e projetos para quadrinhos. Em 2016 tive meu primeiro lançamento de quadrinho, o Cemitério dos Sonhos, roteiro do Miguel Peres. Faz um ano também que tenho trabalhado como diretora de arte para animação, área pela qual tenho imensa paixão. Recentemente comecei a produção do meu primeiro curta-metragem de animação, o “Adeus”, que será a minha estréia como diretora.

D11-12

Renata Aguiar

Desenhista desde muito pequena, criou vergonha na cara e começou a trabalhar profissionalmente com ilustração em 2013. É publicitária de formação, designer por opção e ilustradora por coração. Apaixonada por livros e ilustração infantil, juntou seus cadernos e lápis em uma sacolinha presa em um galho e cruzou o oceano para aprender mais. Adepta a desenhos com cores fortes e traços soltos, personagens com anatomia duvidosa, desproporcionais, cabeçudos, pernudos e extremamente fofinhos, juntando tudo isso criando o projeto “The Palette Challenge”.

D16

Atóxico (Renata Nolasco)

Atóxico (Renata Nolasco) é natural de Mossoró-RN e atua como Ilustradora e Quadrinista desde 2014. Com 21 anos, é formada em Jornalismo, porém a paixão pelos quadrinhos falou mais alto e vem trabalhando desde então com a proposta de tiras informativas. Está em processo de finalização de sua primeira novela gráfica ficcional, chamada “Apenas Ana”. Renata administra a página “Atóxico” no Facebook e Instagram, e publica seus quadrinhos no Medium (medium.com/@renatanolasco) e Tumblr (atoxicoemoral.tumblr.com). Seu trabalho tem como característica principal as cores vibrantes e traços caricatos que remetem ao estilo cartoon.

E03-04

Bianca Pinheiro

Formada em Artes Gráficas e pós-graduada em Histórias em Quadrinhos, Bianca Pinheiro começou a publicar webcomics em 2012. Sua obra mais famosa, Bear, está no terceiro volume e é publicada pela Editora Nemo desde 2014. A história narra as aventuras de uma menina perdida em busca dos pais e encontra um urso que se torna seu amigo. A quadrinista também é responsável pela graphic novel Mônica, do projeto Graphic MSP da Mauricio de Sousa Produções, e pelas HQs independentes Dora (2014) e co-autoria em Meu pai é um homem da montanha (2015). Além de algumas short comics independentes: Sustenido (2012), Adeus, Lourdes (2012), Ouro de Tolo (2012), Me Deixa Entrar, Mariana (2013), 24 Horas de Quadrinhos (2014), A Hora da Bruxa (2015) e O Instante (2015).

E09

Cristina Eiko

Cristina Eiko nasceu em São Paulo-SP e formou-se em Design Digital. Trabalhou com webdesign e, fã de animação, entrou no mundo da animação como assistente em “Asterix e os Vikings”, passando pelo “Segredo de Kells” e “Uma História de Amor e Fúria”. Viciada em quadrinhos, participou de um fanzine com amigos, fez tirinhas de dor-de-cotovelo e hoje em dia produz o “Quadrinhos A2”, criado com Paulo Crumbim em 2010, que conta com 4 volumes até agora. Também, junto com Paulo, fez “Penadinho – Vida”, uma das Graphics MSP, em 2015.

E10

Milena Azevedo

Milena Azevedo já foi professora de história e empresária, mas atualmente segue como roteirista de histórias em quadrinhos, integrando a equipe do Pagu Comics, com a HQ “Haole”. É resenhista do Universo HQ e colunista do Substantivo Plural. Já publicou quadrinhos em coletâneas regionais, nacionais e em Portugal. Em 2013, junto com o chargista Brum, fundou a MBP (selo independente de quadrinhos), lançando O Guarda-Vidas e as coletâneas Visualizando Citações (finalista por duas vezes consecutivas do Troféu HQ Mix) e Fronteira Livre (finalista do Troféu HQ Mix e do 42º Festival de Angoulême – categoria BD Alternativa). Organiza eventos de cultura pop na cidade do Natal, além de ser a curadora do setor de quadrinhos da FLiQ – Feira de Livros e Quadrinhos de Natal.

Blenda Furtado

Trabalho como Ilustradora e arte finalista, produção de artes encomendadas, ilustração institucional e editorial desde 2009. Atualmente venho participando com desenhos publicados em livros relacionados a quadrinhos, ilustração, RPG e outros. Minhas últimas publicações foram como Arte Finalista do Selo “Pagu Comics” do Streaming de Quadrinhos “Social Comics”, além de ilustrações para livros de RPG publicados nos livros “Só Aventuras V.04” e “Mundo dos Deuses” da Editora Jambô.

F02

Cris Camargo

Gaúcha radicada em São Paulo, Cris Camargo é formada em Comunicação e trabalha como editora e produtora de conteúdo digital, além de fazer freelances como ilustradora. Desenha desde que se conhece por gente. No momento, se dedica à produção e publicação da minissérie em quadrinhos “O Último Maranishi”, em versão digital e impressa.

F03

Azuos

Professora de Desenho Técnico e Artístico. Estudante de Licenciatura em Expressão Gráfica [UFPE]. Estagiou como mediadora, oferecendo cursos de ilustração para a Prefeitura do Recife, e como ilustradora em empresas de jogos educativos. Atualmente trabalha como ilustradora freelancer.

Amanda Aquino

Formada em Design / Mestranda em Design [UFPE]. Trabalhou em empresas de jogos e de publicidade. Atualmente trabalha como ilustradora e animadora freelancer. Apaixonada pela cultura japonesa, e também por quadrinhos e animações em geral, ela mal pode esperar por esse evento incrível!

F08

Anna Charlie

Anna Charlie é fruto do trabalho da Anna Maeda como ilustradora. A artista gosta de contar pequenas histórias e sentimentos por linhas e cores. Seus temas favoritos envolvem garotas, flores, animais e um toque de poesia. Anna aplica suas criações em diversas superfícies, como canecas, pratos decorativos, e no bom e velho papel.

F09

Dharilya

Dharilya desenha desde criança, e sempre gostou de explorar fantasia e terror de uma forma doce e delicada em seus trabalhos. Em 2014 publicou seu primeiro quadrinho, “Entre Monstros e Deuses” pela editora JBC na antologia “HENSHIN! mangá”. Em 2015 publicou de forma independente “A Lojinha Mágica de Medos” da coleção “Relicário HQ”, indicado ao Troféu HQMix em 2016. Atualmente ela trabalha em seu projeto pessoal, “Candy Machine” e acredita que 2017 promete bastante novidades.

Natália Prata

Ilustradora freelancer formada em Arquitetura e Urbanismo. Sou apaixonada por cultura pop, e esse amor reflete nas paletas de minhas ilustrações. Meu passatempo favorito é desenhar garotas de estética fofa. Além disso, prezo por uma melhor representação feminina na mídia.

G10

Ju Veríssimo

Ju Veríssimo é natural de Campina Grande/PB. Apesar da pouca idade, já participou de projetos onde trabalhou com desenvolvimento de identidade visual, diagramação e colorização. Lança Turma da Marieta em trabalho conjunto com seu pai, José Veríssimo.

H19

Thaïs Gualberto

Formada em Arte e Mídia pela UFCG, começou a se dedicar aos quadrinhos no fim de 2009, quando criou sua personagem “Olga, a sexóloga taradóloga”. Em 2010 formou o Coletivo WC com outros quadrinistas paraibanos, com quem publicou duas edições da revista Sanitário. Também integrou o projeto da revista Inverna, uma publicação pensada para divulgar o trabalho de quadrinistas brasileiras. Ministra oficinas na área de quadrinhos desde 2013, sendo a primeira “O processo de produção de quadrinhos para ‘não desenhistas’“ no SESC Ribeirão Preto. Participou de diversas exposições coletivas e teve uma exposição solo na Aliança Francesa de João Pessoa em 2014. Lançou seu quadrinho “Olga, a sexóloga” de forma independente em 2015 e publicou tirinhas nos jornais A União e Folha de S. Paulo. Atualmente é colaboradora do Lady’s Comics e coordenadora de quadrinhos da Fundação Espaço Cultural da Paraíba desde 2014, onde dá aulas, coordena os projetos “Espaço HQ”, “Tertúlia HQ”, “Quadrinhos Intuados – Encontro regional sobre histórias em quadrinhos” e é responsável pela Gibiteca Henfil, fundada por Henrique Magalhães em 1990.

Facebook Live | Respondemos a pergunta “A Diversidade Destruiu as Vendas da Marvel?” (Spoiler: Não.)

Ontem eu fiz uma Live no Facebook pra falar sobre essa questão da Marvel ter perdido dinheiro por causa da diversidade. Acabou que fiz toda uma pesquisa antes, então o vídeo está meio-que delineado/roteirizado em texto também.

Se não quiser assistir, pode ler o roteirinho – mas tá meio bagunçado!

——

A pergunta que não quer calar: O Excesso de Diversidade Fez as Vendas da Marvel Cair?

A resposta:

Não. 😀

Esse fim de semana o rolê dos quadrinhos veio a baixo com a notícia FALSA de que a Marvel estava perdendo dinheiro por causa da diversidade. A primeira coisa que eu pensei quando li isso foi que a Miss Marvel esteve diversas semanas consecutivas na lista de livros mais vendidos do New York Times.

Retrospectiva do que aconteceu:

– Em entrevista ao site ICv2 (se existe um jeito correto de falar esse nome eu não sei e não me importo) o Vice Presidente de Vendas da Marvel Comics disse o seguinte:

“O que nós escutamos foi que as pessoas não queriam mais diversidade. Eles não queriam mais personagens femininas. Isso foi o que nós escutamos, acreditemos ou não. Eu não sei se isso é a verdade, mas foi isso que nós vimos nas vendas.

Nós vimos a venda de qualquer personagem que era diverso, qualquer personagem que era novo, nossas personagens femininas, qualquer coisa que não era um personagem de origem da Marvel, as pessoas estavam virando o nariz para eles. Isso foi difícil porque nós tivemos muitas idéias novas e animadoras que estávamos tentando colocar no mundo e nada realmente funcionou.”

Isso bateu diretamente de frente com o que o que Editor Chefe, Alex Alonso, falou em uma entrevista liberada dois dias antes. Lá Alonso disse que a busca por diversidade tem mais a ver com negócios/dinheiro do que com política. Ele ainda falou sobre como o backlash que possa existir à diversidade tende a sumir assim que as revistas chegam às prateleiras. Para completar, o moço até contou sobre a história de como o seu sobrinho, que é americano de origem coreana, se identificou com a nova versão do Hulk, Amadeus Cho. De acordo com ele, mais audiências estão se conectando com a Marvel – visceralmente.

Depois que a polêmica se instaurou, Gabriel soltou uma nota diferente. Nela, ele disse que jolistas e fãs continuam felizes com os novos personagens e que Squirrel Girl, Ms Marvel, The Mighty Thor, Spider-Gwen, Miles Morales e Moon Girl continuam a provar isso. Disse que a Marvel tem orgulho em continuar introduzindo personagens que conversem com novas vozes e experiências, que se conectem com os seus heróis icônicos. Eles também escutaram o outro lado, pros lojistas que querem que a Marvel volte a dar mais espaço para os seus personagens de base, e eles estão trabalhando nisso também.

Antes da gente voltar nos problemas da fala do Gabriel, eu quero falar um pouco sobre polêmica.

POLEMICA

– Não é a primeira e não será a última vez que tiram uma informação e aumentam ela pra gerar click bati. Aconteceu lá fora, aconteceu aqui dentro.

– Eu tento ficar longe dessas polêmicas pq elas acabam gerando mais publicidade negativa do que positiva para a “causa da diversidade”, mas quando sites grandes começam a falar sobre isso eu me sinto obrigada a também discutir.

– Nunca imaginei que ia ter que escrever sobre o suvaco da Mulher Maravilha, mas né. Está aí, tive que fazer isso

– Quem é contra diversidade nunca vai perder a oportunidade de tentar criar intriga.  é um atraso pro mercado de maneira geral, porque ao invés de nós estarmos conversando e discutindo a qualidade das histórias nós precisamos perder tempo explicando pq diversidade é importante.

Mas vamos tentar destrinchar quais são os problemas da fala do Gabriel, VP de Vendas da Marvel.

SOBRE SAGAS, EVENTOS E TODAS ESSAS MIL REVISTAS

A Marvel teve 90 eventos, 350 cross-overs e mil revistas lançadas em dois anos. Aí você tá lá acompanhando o seu personagem favorito e do nada entra uma outra história no meio, dele POR ALGUMA RAZAO brigando contra o amiguinho, e a história do personagem mesmo fica em hold, esperando o evento acabar. Aí quando o evento acaba o personagem tá de outra maneira, descaracterizado e jesus sabe o que mais.

É difícil. É preciso resistência pra aguentar 20 eventos acontecendo ao mesmo tempo. É preciso dinheiro pra comprar todas essas revistas.

E mesmo que você compre todas essas revistas, você vai cair em histórias escritas por roteiristas que não conhecem o personagem e que vão descaracterizá-lo totalmente. Seja ele um personagem classificado como “diverso” seja ele o Capitão América – Olá Nick Spencer 😉

Se para os fãs mais antigos já é difícil acompanhar, pros novos fãs, que a Marvel tanto se esforçou pra trazer é mais ainda.

Essa quantidade de sagas, eventos e cross over também não atesta par aa qualidade das histórias. Sim, existem pérolas no meio disso tudo “Infinite Gautlet, por exemplo”, mas a grande maioria é uma sopa de letrinhas pasteurizada e confusa.

Digamos que você tenha a grana para as 27 revistas que o evento tá juntando. Beleza. Nem a pau que metade dessas 27 revistas vão ter histórias realmente boas. Você pode amar Guerra Civil, mas nem todas as revistas que aquele evento englobou foram boas.

Isso tudo assumindo que você deu sorte de estar acompanhando um dos protagonistas do evento. Pq se você tá acompanhando Justiceiro ou Amadeus Cho, tanto faz, e o Drax caiu na Terra e por alguma razão ele é o centro do rolê – ferrou. Seu personagem não tá no centro da história, mas pra entender a história do personagem que você tá acompanhando, você precisa ler sobre o Drax ou sobre o Dr. Estranho plantando flor na Austrália pq essa flor vai ser vital para o Drax no futuro.

É inviável.

SOBRE PESSOAS NAO QUEREREM MAIS DIVERSIDADE

-“Nós escutamos que pessoas não querem mais diversidade” – Eu escuto isso TODO SANTO DIA. E todo santo dia eu escuto o exato oposto também.

– Se tem uma coisa que o público de quadrinhos consegue ser é conservador. É um público que fica preso à forma original de personagens que foram criados há mais de 40, 50 ou 60 anos e que, muitas vezes, quer que os personagens inclusive regridam à algo que eles nunca foram.

X-Men – foram criados como representantes de minorias, era um monte de personagem para discutir o modo como a sociedade tratava minorias. Tem todo o rolê Professor X – Martin Luther King e Magneto – MAlcom X (que em si já é um absurdo). Os personagens de origem, no entanto, eram todos brancos e belos. Lá em 1950 talvez essa fosse a melhor maneira de apelar para um consumidor branco e botar um pouco de senso dentro das cabeças racistas, mas hoje os X-Men precisam melhorar muito no que tange diversidade étnica e de sexualidade se quiserem continuar fiéis à sua origem. Ainda assim tem fã de X-Men que fica irritado quando os personagens discutem diversidade, racismo, homofobia ou machismo.

– Gente sem noção sempre vai ter. Próximo.

SOBRE A VENDA DE PERSONAGENS DIVERSOS ESTAR RUIM

As vendas não estão lá essas coisas e ponto. Pra personagem nenhum da Marvel. Ano passado ela deixou de ser editora com maiores vendas, perdeu pra DC, algo que não acontecia fazia alguns anos já. E existem muitas razões pra isso.

– O número de lançamentos que ela jogou no mercado nos últimos dois anos. Foram muitos títulos novos, muitos que acabaram cancelados no meio do caminho, e muitos deles com narrativas que simplesmente não convenceram.

– All-New All-Different Marvel Now foi lançado em 2015 com todo um rolê de “Olha só toda essa mudança que a gente tá fazendo, olha só toda essa diversidade”. E eu não quero tirar o mérito da Marvel, pq ela realmente vem fazendo um trabalho de inclusão que talvez não tenha precedentes, com autores e personagens que a gente não tinha visto antes, mexendo com personagens clássicos e tudo mais. Mas All-New All-Different também manteve MUITAS das equipes criativas, e muitas delas eram formadas principalmente por caras brancos que, inevitavelmente, vão colocar a visão deles dentro do que eles escrevem. Ou seja, o all new não foi todo tão diferente assim.

– Ontem eu soltei um texto discutindo exatamente isso, como Nick Spencer, responsável por Capitão América: Sam Wilson conta a história do ponto de vista dele, e como isso acaba enfraquecendo o personagem e a narrativa, pq Sam não é Steve, e eu honestamente acho que Spencer não sabe que Steve é de verdade também.

O Comic Book Ressaouses fez um texto muito bom mostrando os dados dessa queda de vendas – e esses dados estão abertos na internet pra todo mundo que quiser comprovar. O que eles acharam foi que o problema não está só nos quadrinhos com diversidade, mas na Marvel inteira.

– Em fevereiro de 2017 só duas séries de super-heróis venderam mais do que 40.000 edições. The Amazing Spider-Man e  The Mighty Thor, e ainda assim é quase a metade do que na época pré-Secret Wars, em 2015. Só pra fazer o note: nessa época já era A Thor, beleza?

Dos TOP 10 livros mais vendidos da Marvel apenas três são estrelados por minorias – The Mighty Thor, que vem sendo carro chefe de vendas da Marvel há anos, Invincible Iron Man, e Black Panther. Todos os outros, que também tiveram a queda brusca na venda, são estrelados por homens ou equipes primordialmente masculinas. Eles também estão sendo desenhados e escritos por equipes massivamente brancas e masculinas.

É aqui que entra aquela questão: Se nós formos olhar os números como um todo, homem branco perde muito dinheiro. Dos 20 filmes que mais tiveram prejuízo em Hollywood 20 foram dirigidos por homens e 19 tiveram como público alvo principal, o masculino.

Porque só se leva em consideração 3 dessas 10 revistas? Pq são essas três revistas que vão dar força pra falácia que é narrativa de que diversidade fez as vendas caírem. Enquanto as outras 7 não, elas são pequenos milagres de jesus. Um escorregãozinho.

A história do mercado de quadrinhos conta outra coisa.

SOBRE O MERCADO E O PUBLICO DE QUADRINHOS

Nos EUA você não encontra edições únicas em nenhum lugar senão em Comic Book Shops, lojas especializadas. Você não entra numa livraria e sai com Homem-Aranha #20. Lá também só há um distribuidor, a Diamond, que é responsável pelo mercado americano, canadense e inglês. Ou seja, ou você está dentro da área de alcance dessas comic books, ou não está.

Quem já foi em uma Comic Book sabe o quão incríveis esses lugares podem ser, mas eles também são ambientes que ainda são extremamente excludentes. O que não faltam são histórias de garotas e outras minorias se sentindo excluídas e mal tratadas dentro desses espaços. Se aqui no brasil, que eu posso comprar meu gibi na banca, a comic shop ou na livraria, eu já tive que aguentar vendedor homem querendo me explicar sobre quadrinhos, imagina dentro de uma comic book americana? Quando a gente fala sobre homenxplicaação e o pedido de carteirinha nerd, muitas dessas histórias tem origens dentro desses ambientes.

Aí você tem livros que são destinados à essas minorias, que ou antes não habitavam esses ambientes, ou que ainda são excluídos dentro desses ambientes, e quer que elas vão até lá para comprar.

O mercado de quadrinhos nunca foi a coisa mais consistente do mundo – assim como nenhum mercado é.

Em 1993, quando o mercado de quadrinhos americano estava num momento de ascensão, Neil Gaiman foi convidado para falar num evento para lojistas, senão o mesmo, um muito similar ao que o VP da Marvel estava quando soltou a polêmica. Era um momento em que as Comic Shops explodiam, tudo estava aquecido e se viam as HQs como fonte infinita de dinheiro. Nesse discurso o Gaiman contou sobre a história da Holanda e as Tulipas, no século 17. Sobre como o país inteiro investiu loucamente em Tulipas, que pra eles era uma coisa muito importante, com o custo do kilo da Tulipa custando mais do que uma carruagem e, quando o resto do mundo não demonstrou o mesmo interesse, o país quebrou. Porque eles não se preocuparam em trabalhar a Tulipa, eles se preocuparam em fazer dinheiro.

Ninguém entende porra nenhuma. Alguns lojistas ficaram ofendidos com o que Gaiman disse mas, um ano depois, o mercado quebrou e com ele foram-se o sustendo e as lojas de diversas pessoas. O mercado levou quase dez anos pra se recuperar novamente.

Isso tudo pra dizer que não existe um tipo de quadrinho que vá vender bem 100% do tempo, ainda mais se você tiver expectativas irreais com o mercado.

O que Gaiman quis dizer ao contar essa história qfoi que não pode ser só sobre o valor do quilo da Tulipa, precisa ser sobre a qualidade dela. Ainda mais se você precisa concentrar as suas vendas em comic book shops.

No caso Tulipas são Quadrinhos. E quadrinhos com boas histórias, vendem. Porque as pessoas falam sobre elas, porque o vendedor vai ler e colocá-la no display em destaque. Mighty Thor taí pra provar. Muitas pessoas criticaram muito a revista por trazer uma mulher como Thor, mas a qualidade da história fez os leitores ficarem. O mesmo com Kampala Khan, Squirell Girl e Moon Girl.

PUBLICO NOVO FUNCIONA DE MANEIRA NOVA

O que a Marvel fez em todos esses últimos anos foi trazer um público diferente pra dentro da marca, mas ela ainda precisa aprender a entender os hábitos de consumo desse público. O que está acontecendo agora, como a autora da Kampala disse no post que ela fez durante o fim de semana, é o aumento dos quadrinhos para Jovens Adultos.

E esse é um público que vem dos livros, que segue os autores para onde eles vão – e alguns deles chegaram aos quadrinhos. Roxane Gay, que está escrevendo Wakanda, não é roteirista de quadrinhos originalmente. O Mesmo para o roteirista de Pantera Negra, que fez sucesso escrevendo sobre questões da comunidade negra, e a roteirista de América, que também é autora de livros YA com temática LGBT. A Marvel foi atrás de um público maior, e os alcançou.

Mas esse público ou não tem o costume de ir até uma comic book shop, ou não se sente confotável nesses espaços ou simplesmente acha melhor comprar os colecionáveis, as edições que compactam várias single issues.

Como eu disse lá no começo da Live a Miss Marvel ficou diversas semanas consecutivas no topo da lista de livros mais vendidos do New York Times – até que em novembro o jornal tirou os quadrinhos da contagem.

Mas esses colecionáveis não entram nesses números de queda ou aumento de venda – pq a Marvel ainda não aprendeu a lidar direito com eles, e nem com as vendas online se nós formos ser completamente sinceros aqui.