Dois Pontos Positivos e Cinco Pontos Negativos da 2ª Temporada de Stranger Things.

[Todos os spoilers da segunda temporada!!]

Quando a segunda temporada de Stranger Things estreou eu estava receosa não só em assistir, mas também com o que eu ia achar da série. Essa sensação vem do fato de eu ter sido uma das poucas pessoas que eu conheço que não morreu de amores pela primeira temporada. Para mim, a série apresentava diversos buracos de roteiro, faltava substância para tanta referência, reforçava padrões de gênero negativos. Tudo isso podia ser resumido em um único problema: saudosismo demais prejudicou personagens e estrutura da história.

Infelizmente, e apesar de melhorar em alguns poucos pontos, a segunda temporada de Stranger Things sofre dos mesmos problemas da primeira, mas sem tantos elementos “cool” para disfarçar o estrago. Para simplificar as minhas críticas à série, eu resolvi pontuar 5 dos principais problemas e, honestamente, as duas únicas coisas positivas que eu vi na série. Vou começar pelos negativos para pelo menos terminar este texto numa nota positiva.

PONTOS NEGATIVOS

1) Falta substância, falta backstory – falta lore.

O combo Cidade Pequena + Laboratório Militar Secreto + Grande Mistério é uma construção clássica da ficção científica e está muito presente entre diversos filmes da década de 80/90. O imaginário americano sempre gostou de uma teoria da conspiração, seja sobre o assassinado de JFK, seja sobre o pouso do OVNI em Roswell. Tudo isso é ótimo e pode render histórias fantásticas, mas para isso acontecer é preciso construir o mistério – só o combo não se sustenta sozinho.

Uma das coisas mais importantes ao criar uma trama de mistério é não trair o espectador, ou seja, o público e os personagens podem não saber qual é o mistério – mas o criador da história precisa. Se o universo é construído em cima de alicerces fracos (referências, saudosismo e elementos superficialmente “cool”/legais), e se não se entrega qualquer tipo de informação sobre a história por trás do mistério, então o espectador provavelmente vai se sentir traído. Esse é um problema que eu observo em Stranger Things desde a primeira temporada, mas que lá ficou melhor disfarçado por causa do hype e das muitas referências facilmente reconhecíveis.

Do meu ponto de vista, existem dois tipos de possibilidades para a série e seu grande mistério: algo como Fringe (2008), em que a ciência é parte importante para o entendimento do mistério e do universo paralelo, ou como Arquivo X, onde o mistério se estende por longas (e nem sempre tão boas) temporadas, mas sempre entrega elementos substanciais para que o espectador não se sinta traído. Essa sensação vem do fato dos criadores da história saberem ao menos minimamente qual é o grande mistério por trás da sua trama e irem entregando periodicamente pequenas pistas. Um exemplo negativo, e do qual Stranger Things parece estar bem longe, é LOST, quando o excesso de informação sem resultado real acaba fazendo o espectador se sentir traído – os showrunners iam jogando mistérios sem saber qual seria a resolução final deles, e algumas vezes sem nunca realmente fechá-los.

Mesmo sem ser LOST, Stranger Things parece perdido num vazio de substância, tentando buscar significado em referências. A gente não sabe o que é o mostro gigante, mas sabemos que é algo como Cthulhu porque Dustin nos mostra em um livro. Toda a “ciência” por trás do laboratório secreto se resume a uma mesa de botões com luzes piscantes e lança-chamas. Além disso a série cria regras do universo apenas para quebrá-las no próximo episódio. Um exemplo disso é D’Art, o demogorgon-pet do Dustin: numa cena aprendemos que ele não aguenta a luz direta, na outra ele está caminhando em plena luz do sol apenas para, mais tarde, outra pessoa nos dizer que os demogorgons só saem durante a noite. Falta consistência, e falta consistência porque falta conteúdo.

A série deixa muitas perguntas em aberto e, por entregar tão pouco e de maneira tão vazia, deixa a sensação de que nem mesmo os showrunners sabem o que realmente é esse outro lado. Eu sei que muitas perguntas devem ser interpretadas através de metáforas e simbologia, mas quando não há conteúdo o suficiente, o que fica no lugar é um vazio de significado.

2) O laboratório secreto que não sabe o que a palavra SECRETO significa.

Tem câmera de segurança, mas não faz uma revista na bolsa da Nancy.

Este é um problema que é consequência do primeiro tópico. Se não há conteúdo o suficiente para preencher o universo, ficamos com uma casca, um esqueleto vazio de significado e sentido.

Na primeira temporada, o laboratório secreto já se mostrou muito pouco eficiente: Joyce e Hopper entraram escondidos nele com a mesma facilidade com que eu passo pelo portão do meu prédio. Não apareceu um guardinha para perguntar o que eles faziam ali e as câmeras de segurança só os encontraram quando era relevante para a trama. Na segunda temporada, lembrando da falha de segurança que eles tiveram no ano anterior, espera-se que o pessoal do laboratório tenha melhorado nessa coisa de ser um “laboratório secreto”. Mas não.

Nancy, uma garota de 16 anos, consegue se infiltrar lá dentro com um plano simples e relativamente esperto: ela usa um telefone grampeado para marcar um encontro com uma pessoa importante, para quem ela quer revelar informações confidenciais. Já dentro do laboratório, Nancy grava toda a confissão de culpa do responsável pelo local com seu gravador de voz GIGANTE. Não é um daqueles pequenininhos que cabe no bolso, não é um celular porque são os anos 80, é um gravador do tamanho de walkman.

Eu sei que é a década de 80, e que os sistemas de segurança não eram tão avançados como os de hoje em dia, mas uma simples revista nos pertences da adolescente que eles levaram presa porque queria revelar informações sigilosas e extremamente prejudiciais já teria resolvido o problema. A série martela no medo do governo e da população norte-americana dos russos descobrirem segredos de estado, inclusive falando isso para Nancy, mas não se preocupa em olhar dentro da mochila dessa garota tão esperta. Ninguém leu um livro da Nancy Drew quando criança?

Se tem uma coisa que eu tenho certeza é que a equipe deste laboratório está em último lugar no ranking de excelência dentro da agência secreta da qual fazem parte. Eles nunca serão a filial do mês.

3) Padrões e Representação Feminina.

Não tem nada mais empoderador do que maquiagem escura e a palavra “bitchin”.

Na primeira temporada Nancy parecia caminhar para um lugar reservado à Buffy Summers: uma garota “normal” que é forçada a um lugar de ação pelas circunstâncias sobrenaturais a sua volta. Ela perdeu a amiga, ela se sente culpada e vai passar por cima de todos que estão no seu caminho para reencontrar Barbs – mesmo que uma dessas pessoas seja o seu boy magia. Ao final da temporada Nancy termina em casa, com o boy que não é tão magia assim, namorando no sofá. Não é que eu queria que ela terminasse com Jonathan creepy-com-uma-câmara, é que eu esperava mais para ela. Veio a segunda temporada e, novamente, o que poderia ser um arco muito legal sobre uma garota procurando justiça para a amiga se tornou pano de fundo para um romance. Sai Steve, entra Justin. Ao final da temporada, quando Nancy decide deixar Mike para trás para ficar ao lado de Jonathan, os criadores jogaram o drama pessoal de Nancy (não estar presente para possivelmente ajudar a amiga) pela janela. Tendo passado por tudo que ela passou, faria muito mais sentido se ela tivesse ficado ao lado do irmão, ganhando a chance de se auto-redimir. Mas não, porque o que toda garota quer é um boy. Ou pelo menos é isso que a série diz.

Nancy tem Jonathan. Eleven/Jane tem Mike. Joyce tem Bob (e Hopper). Max tem Lucas. Faz sentido que Joyce, vivendo o que ela acredita ser um momento de calmaria na família, tenha encontrado amor. E é ótimo que ela tenha feito isso com um cara realmente legal como Bob. Mas ele não passa de um instrumento de roteiro para que nós tenhamos em Joyce, novamente, o modelo de mulher que pode tudo. Ela não só precisa salvar o filho do controle mental da criatura gigante, ela quer se vingar pelo homem que perdeu. Mas está tudo bem, porque ela tem Hopper ao seu lado. E eu quero acreditar que o relacionamento dos dois nunca vai passar de uma amizade verdadeira, mas a série me faz cada vez mais acreditar que eles estão caminhando os personagens para um romance.

Max é a personagem feminina mais legal dessa nova temporada. Ela anda de skate, joga videogame, não admite ser tratada com desprezo e sabe mostrar interesse por quem trata ela legal: Lucas. Esse relacionamento é, provavelmente, o relacionamento melhor construído da série inteira. E isso provavelmente acontece porque há verdade nas emoções infantis/jovens dos dois personagens. Infelizmente, esse romance também ficou marcado com o triste episódio em que a atriz foi obrigada a fazer uma cena de beijo que não estava acordada antes. E fizeram isso exatamente porque ela ficou desconfortável com a ideia da cena. Mais uma vez homens poderosos tomando decisões para coagir mulheres, só que desta vez coagir uma criança.

Max e Eleven/Jane são um dos pontos mais decepcionantes da série, porque ela parte do princípio de que duas mulheres sempre vão disputar de alguma maneira o espaço dentro de um grupo de homens. Eleven tem automaticamente uma rivalidade contra Max por vê-la conversando com Mike, uma rivalidade que é representada através de violência. Ao conhecer Eleven, Max tenta ser amigável, mas é recebida com rancor. Eu consigo entender que Eleven vinha se sentido excluída do grupo, e que o sentimento de ter sido substituída faria sentido, mas esse rancor é direcionado apenas à Max, a única outra menina do grupo. É só bastante frustrante ver, novamente, um dos tantos estereótipos negativos (e muito oitentista) sobre relacionamentos femininos.

Eleven/Jane sempre foi um ponto forte de discórdia entre eu e o resto da internet. Por mais legal que ela seja na primeira temporada, ao meu ver, ela não passa de uma personagem feminina forte: muito cool, pouca substância. E não é porque ela não tem elementos que podiam ser bem trabalhados, mas porque a série opta por mantê-la dentro do padrão “ela é nossa amiga e ela é louca”.

Na segunda temporada, nós vemos uma tentativa de desenvolver a personagem, com um episódio inteiro dedicado a desvendar o passado de Eleven/Jane. Infelizmente, é um episódio que, apesar de ter Cali e abrir um mundo de possibilidades para as duas irmãs, peca ao criar uma estrutura fraca e ao novamente subjugar Eleven/Jane aos padrões de feminilidade. Mais uma vez a personagem passa por um extreme makeover, só que desta vez ao invés da visão tradicional de menininha (peruca loira e o vestido rosa) entra o visual dark/punk, com gel no cabelo, maquiagem preta nos olhos e atitude “bitchy”.

A adultização da atriz Millie Bobbie Brown vem sendo tema de discussão nas últimas semanas, mas é importante notar que isso também acontece na série. Não só pela escolha do novo “look” da personagem, mas também ao modo como as emoções dela e de Mike são representadas. Isso, no entanto, já cabe dentro do nosso próximo tópico.

4) Crianças que não agem como crianças.

Mike, Eleven/Jane, Dustin, Lucas e Max estão naquele momento entre a infância e a adolescência, um lugar confuso e cheio de sentimentos e emoções que são muito particulares a este período. A primeira temporada da série tentou mostrar que eles, como um grupo, são capazes de funcionar melhor do que os adultos – e até certo ponto isso aconteceu principalmente por eles serem crianças e acreditarem no impossível (porquê eu acho que não funcionou até o final é assunto para outro texto). Na segunda temporada, no entanto, já está estabelecido para os adultos que o outro lado existe, é perigoso e pode matar. Seria de se esperar que os adultos em Stranger Things estivessem mais conscientes dos perigos e mais propensos a manter as crianças afastadas deles. Ledo engano.

A série, e os personagens adultos, parecem esquecer que as crianças são crianças e que os adolescentes são adolescentes. Joyce nem pestaneja ao levar os dois para tentar salvar Hopper das raízes/veias. Joyce e Hopper em momento nenhum pensam em desviar a rota um pouquinho e deixar Mike na casa dos pais deles antes de irem para o laboratório com Will. Não que os pais de Mike e Nancy se importem, já que é piada interna da série eles não saberem onde os filhos estão (o que, pensando na mãe dos dois na primeira temporada, não faz o menor sentido). Ninguém tenta manter as crianças realmente seguras e afastadas do perigo, pelo contrário, elas pegam na mão delas e correm em direção a ele. Eu sei que eles são, no fim, da onde sai grande parte do pseudo conhecimento do outro lado, mas a real é que eles são crianças. Dadas as circunstâncias era de se esperar que alguém se lembraria disso.

Mas a própria narrativa da série não se lembra, porque constrói em Mike e Eleven/Jane um relacionamento que possui sentimentos adultos, não infantis. Não vou mentir, já na primeira temporada eu achei o romance dos dois forçados. Eu sei que o primeiro amor pode ser algo forte, sei toda a carga dramática que existe depois do final da primeira temporada, mas nada no relacionamento desses dois pré-adolescentes diz “pré-adolescentes”. E por mais que eles tenham passado por um momento de crescimento rápido dadas às circunstâncias, ainda assim o arco dos dois, e também os personagens separados, acabam soando como adultos. Que tipo de garoto de 13 anos diz “Eu não quero te perder de novo?” para a namoradinha? Não é uma questão só de palavras, é uma questão de como esse relacionamento foi construído. E eu sei que Eleven/Jane passou por tudo que passou, mas faria mais sentido ver no relacionamento dos dois um comportamento ainda assim mais leve, mesmo que frente as adversidades que enfrentam.

Essa adultização não vem só dos adultos verem os dois como outros adultos, ou das roupas da Eleven/Jane, mas do modo como os sentimentos deles são apresentados na tela. Sim, Eleven é infantil ao ter ciúmes de Max, mas os dois conversam como um casal de adultos. Se colocarmos a relação de Mike e Eleven ao lado da relação de Lucas e Max, a diferença fica ainda mais gritante. Além disso, quando Eleven chora pela mãe, novamente me chamou atenção o modo como a garota chora – do mesmo modo que você esperaria uma mulher adulta chorar. Parece que ao tentar criar dois protagonistas consistentes, a equipe criativa da série esqueceu-se que esses são os protagonistas infantis, que por mais adversidades que eles tenham enfrentados, eles ainda têm apenas 12-13 anos.

5) Os adultos que a série não sabe que são creepies.

Completamente normal e engraçadinho esse creepy.

Logo no primeiro episódio me chamou atenção o modo como Hopper entra em casa, tira o cinto e o coloca sobre a mesa. Sabendo que há uma garota de 13 anos dentro daquela casa, eu não consegui não olhar aquilo com um olhar desconfiado. Eu sei que a série quer me dizer que Hopper está em casa, mesmo que aquela não seja a casa que nós vimos na primeira temporada. E eu sei que Hopper é um dos heróis da série, então ele não vai fazer nada de mal à Eleven/Jane, mas é uma questão de imagem e de simbolismo.

Hopper está tentando ser uma figura paterna para Eleven, um trabalho que não é fácil mesmo quando sua filha não tem superpoderes e não passou os primeiros dez anos de sua vida presa dentro de um laboratório. É de se esperar que seja um processo de adaptação difícil, principalmente se você acredita que a segurança dela está diretamente ligada ao confinamento dela. Mas, quando a série coloca Hopper e Eleven em conflito, ele assume um comportamento agressivo e violento, chegando a esmurrar a porta do quarto da menina. É de se esperar que Eleven se exalte e use seus poderes, porque ela se sente presa e com o comportamento de Hopper provavelmente se sente acuada e com medo. Toda a imagem que essa cena apresenta é de um homem sendo violento e abusivo com Eleven, um paralelo exato (e que a própria Eleven faz mais tarde, mas que a série não discute com profundidade) com o Papa. E por mais que a série esteja tentando me dizer que é apenas um homem tentando ser pai e uma garota tentando ser filha, que é uma briga normal, que é parte importante para que os dois encontrem o meio do caminho ideal para o relacionamento deles, o que a cena me mostra é um adulto gritando e esmurrando a porta de uma garota de 13 anos. Contar uma história não é apenas sobre o que você quer dizer, mas é sobre como você diz.

O outro homem adulto da série que ultrapassa todas as linhas de “creep alert” é Murray Batman, o “detetive” para quem Nancy e Jonathan entregam a gravação. A primeira imagem dele já é a descrição perfeita de um homem creepy: roupão aberto, óculos escuros que mora num buraco com uma alcova secreta. Não contente com tudo isso, ele ainda oferece vodca para menores de idade. Só isso já seria o suficiente para assustar qualquer um, mas, além disso, ele decide ter uma conversa extremamente desconfortável, invasiva e bizarra sobre a vida amorosa e sexual de Nancy e Jonathan – tanto antes, como depois deles passarem a noite juntos. A série sabe que este é um comportamento estranho e inapropriado para um homem adulto em relação a dois adolescentes? Eu acho que não, até porque todo este cenário é construído para tirar risadas, mesmo que nervosas, do espectador. Para terminar, ele ainda presenteia o casal com uma garrafa de vodca. Ah, os anos 80, essa década maravilhosa. (Altas doses de ironia)

Mas nem só de homens com comportamentos perturbadores vive a série, falemos de Karen Wheeler, mãe de Mike e Nancy. Não basta ter sua personagem reduzida consideravelmente ao papel de mãe relapsa que bebe vinho na banheira, o único momento de personagem que ela possui nos nove episódios é ao responder positivamente aos avanços românticos de um menor de idade. Não interessa o quão cretino Billy seja, ele ainda é um adolescente menor de idade. Ele pode ter uma visão perturbada do mundo onde ficar com uma mulher adulta seria maravilhoso, mas Karen não podia responder daquela maneira. Ela já é retratada como uma mulher que recebe pouca ou nenhuma atenção do marido, como uma mãe desinteressada padrão, aí quando vemos ela com sua sexualidade ativa, está direcionada a um menor de idade. Esse tipo de história sustenta o mito de que o garoto amadurece sexualmente mais rápido do que a garota, já que ele está apto a te rum relacionamento sexual com uma mulher adulta. Isso não só sexualiza um adolescente através de um olhar adulto, mas também ignora toda a carga emocional e a relação de poder dentro de um relacionamento entre um adulto e um adolescente, independente dessa relação ser entre um homem e uma garota, ou entre uma mulher e um garoto. Novamente, a série não parece querer discutir isso, já que a cena também é criada para tirar risos do espectador e, mais uma vez, Stranger Things cai no erro por causa do saudosismo, já que até há alguns anos atrás esse tipo de relação era vista como normal.

PONTOS POSITIVOS

1) Steve e as crianças.

Farrah Fawcett.

Steve Harrington, um dos personagens que eu mais detestei da primeira temporada, chegou na segunda para me surpreender. Ele não só é um dos poucos (senão o único) personagem com um arco de desenvolvimento claro e bem estruturado, como também se tornou parte central de um dos elementos mais importantes da trama: as crianças.

Steve começa a temporada tentando fugir de tudo que aconteceu na primeira temporada, ele não quer apenas tentar esquecer o que aconteceu com Barbs – ele quer esquecer tudo e viver uma vida normal. Mas, assim como deveria ser, Steve mora em Hawkins e logo que a história começa a se desenvolver, ele se vê ajudando Dustin, protegendo as outras crianças e tendo que lidar não com um demogorgon como na primeira temporada, mas com múltiplos (quando você ignora seus problemas, eles tendem a acumular). É um arco tão redondinho e tão bem construído que quase não parece acontecer em Stranger Things. Me perdoem, eu estou um pouco amargurada com a série.

Não é que tudo é mil maravilhas com Steve, não. Ele perdeu o seu lugar como “garoto legal” no colégio e, apesar de não parecer preocupado com isso, ainda carrega em si muito da masculinidade tóxica da primeira temporada (deixa a namorada bêbada na festa para outro cara levar para casa, fica colocando na cabeça de Dustin conceitos bizarros sobre o que as garotas querem, etc.). Mas é através do laço que forma com Dustin que ele vai aos poucos se redimindo e se tornando um personagem muito melhor do que na primeira temporada.

Ao tentar ajudar Dustin e ao se tornar responsável pela segurança do grupo de crianças, Steve se torna a única pessoa na série que vê as crianças como o que elas são: crianças. E o relacionamento entre eles funciona tão bem exatamente porque Steve caminha entre ser condescendente (como todo adolescente é quando fala com crianças), protetor e, ao mesmo tempo, tratá-los como iguais. Mas não é uma equidade que faz com que eles também sejam adultos – algo que nem Steve é – mas que faz os laços de amizade e respeito diminuírem o gap geracional que existe entre eles.

2) Max e Lucas.

Se eu tenho todos os problemas do mundo com Mike e Eleven/Jane, eu não poderia estar mais feliz com Max. Além dos atores serem incríveis, o elo que vai se formando entre os dois personagens, um elo de amizade e romance, é compatível com dois pré-adolescentes. Eles falam sobre morte e sobre o perigo da maneira que crianças falariam, eles se aproximam de maneira natural e encontram um no outro um lugar de tranquilidade – sem o peso descomunal de um diálogo adulto.

Lucas quer muito que Max faça parte do grupo, porque ele quer alguém com quem se conectar de verdade e porque ele obviamente desenvolveu um crush pela menina quando a viu andando de skate e jogando videogame. Por mais que isso seja também um estereótipo, eles são crianças, essa visão idealizada faz sentido para ele e logo em seguida é quebrada porque Lucas percebe que Max é mais do que “a garota legal”. A cena em que a família de Lucas está sentada na mesa e ele pergunta ao pai o que fazer é importantíssima, porque a mensagem que fica é que honestidade é sempre o melhor caminho num relacionamento.

Max vem de uma família no mínimo problemática, as únicas referências masculinas que ela tem presentes no seu dia-a-dia são violentas. Em Lucas ela encontra não só um amigo que conversa com ela em pé de igualdade, mas alguém que assim que a encontra, quer lhe acolher. Claro que ela vai ver nele uma figura positiva – porque ele é.

O relacionamento dos dois é natural e soa verossímil porque, apesar de lidar com todos esses temas pesados, (a morte eminente, a família violenta, o possível racismo do meio-irmão de Max, o monstro de outra dimensão querendo destruir tudo) faz isso através da ótica de duas crianças. Diferente de Eleven/Jane e Mike, o relacionamento de Max e Lucas não soa como a história contada do ponto de vista de um adulto, soa como duas crianças se conhecendo, encontrando a amizade e aprendendo sobre amor. E não tem nada mais oitentista do que isso.

Considerações Finais

Eu espero, do fundo do meu coração, que para a terceira temporada, os produtores da série tenham conteúdo o suficiente para apresentar um universo mais coeso e com mais substância. Stranger Things é uma série que me frustra exatamente por ter tanto potencial, mas entregar muito pouco. O pequeno comentário sobre as críticas que a primeira temporada sofreu, feito através de Max ao comentar a história que Lucas lhe conta, mostra que talvez os criadores ainda não estejam preparados para encarar críticas como algo construtivo. Mas fica a esperança.

Para a terceira temporada seria incrível ver mais sobre o outro lado, sobre o monstro gigante e sobre os personagens – que ao meu ver ficaram com o desenvolvimento meio sucateado nesta temporada. Também seria incrível ver a Eleven/Jane romper as amarras de feminilidade nas quais insistem em prendê-la. Ia ser formidável ter um laboratório militar secreto que realmente fosse ameaçador e com sistemas de segurança contundentes. Mas, acima de tudo, seria maravilhoso ver a equipe criativa da série entender que é possível fazer uma homenagem à década de 80 sem cair nos mesmos padrões e estereótipos negativos que foram tão difundidos naquela época.

Até mais! 😉

Mindhunter | Primeira Temporada

Mindhunter é uma série nova da Netflix que tem dado o que falar. Baseado em alguns relatos e pessoas reais, David Fincher já anunciou que quer fazer cinco temporadas da série. Nela, acompanhamos Holden Ford (Jonathan Groff), um agente do FBI que estuda Ciência Comportamental. Ele se junta a Bill Tench (Holt McCallany) e começa a entrevistar assassinos para tentar entender a mente deles e, se possível, ajudar as investigações futuras.

Assisti tudo no melhor estilo de maratonar série, um episódio atrás do outro e depois precisei tirar alguns minutos para pensar no que tinha assistido. Eu gosto do trabalho do David Fincher, adoro Seven, mas há outros trabalhos dele que não me pegam, como é o caso de Zodíaco, que não aguento (polêmica). Mindhunter teve momentos que me prenderam muito e outros que pensei “é isso do Fincher que eu não gosto”.

Eu já considero mérito uma obra audiovisual que me faz pensar além da história apresentada, nesse ponto Mindhunter acerta bastante. Assim como os assassinos vão entrando na pele de Holden aos poucos, inúmeros questionamentos começam a aparecer nas nossas cabeças enquanto assistimos.

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Star Trek: Discovery | Primeiras Impressões

Star Trek: Discovery é a nova série da franquia, que pode ser encontrada na Netflix. Ao contrário de outras que estão lá, os episódios de Star Trek: Discovery estão sendo lançados aos poucos, então só vai dar para maratonar caso você tenha alguma paciência para esperar todos saírem.

Criada por Brian Fuller e Alex Kurtzman, a história acontece 10 anos antes da série clássica. Os dois primeiros episódios são na verdade uma introdução do que acontecerá ao longo da temporada. Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) é a primeira oficial da capitã Philippa Georgiou (Michelle Yeoh). As duas percebem algo estranho em um cinturão de asteroides próximo de sua localização. Quando Michael vai investigar, ela descobre que acabaram de topar com os Klingons.

Por enquanto, assisti aos três primeiros episódios e vou falar um pouco das minhas primeiras impressões deles, sem spoilers.

Eu não assisti a série clássica, então falo como pessoa de fora do fandom de Star Trek. Para mim, o primeiro mérito é que Discovery consegue abraçar os fãs novos e que sabem pouco da história de Star Trek. Mesmo não sabendo alguns dos termos e informações desse universo, ao longo desses dois primeiros episódios já é possível aproveitar tudo que o roteiro apresenta sem ficar completamente perdido.

STAR TREK: DISCOVERY

Star Trek tinha rendido comentários por ter uma personagem mulher negra como protagonista. Nós não vemos muita diversidade em ficção científica, então Michael foi um dos primeiros motivos que me fez assistir a série. Acredito que, a partir do terceiro episódio, a série perde um pouco a chance de incluir mais representatividade, mas ainda assim é bem satisfatório ver uma tripulação que não é composta por pessoas completamente iguais.

Michael é uma personagem muito interessante. Ela foi criada em Vulcano, então preza a sua frieza e suas ações bem calculadas. Michael tem as melhores intenções, faz o que for preciso para completar sua missão, mas alguns acontecimentos fazem com que ela cometa erros que nem ela mesma esperava. Isso pode parecer incoerente com a personagem apresentada, mas eu particularmente acho muito humano da parte dela. Por mais controlados que sejamos, há sim situações de stress que podem tirar qualquer um do sério. É legal que a série permita que Michael erre e comece a tentar se reerguer, senti que dá mais veracidade para a personagem. Para mim, essa protagonista foi um dos pontos positivos. Os outros personagens são divertidos, mas por enquanto o destaque continua com Michael. Espero que os outros também tenham espaço para crescer e se desenvolverem.

O roteiro funciona, mas em certos momentos me incomoda um pouco. Primeiro pela questão dos flashbacks. Acho que esse é um artifício válido e, em certos momentos, funciona. É interessante saber o passado de Michael, até porque muito disso acaba conversando com as decisões atuais que ela está tomando, então eles têm motivo para estarem ali. O que incomoda é que eles aparecem muito de repente em certos momentos, quase como que quebrando o ritmo que está sendo estabelecido. As coisas pareceram melhores no terceiro episódio, então pode ser que essa sensação vá diminuindo ao longo da série.

Visualmente, Star Trek: Discovery está linda. A cena em que Michael vai até o asteroide é sensacional, mas a série toda merece esse mérito. Os efeitos especiais também estão bons, os episódios conseguem te transportar para a atmosfera de ficção científica com aventuras no espaço que esperamos de uma história como essa. E dá para perceber que há muito ainda a ser contado, principalmente depois do terceiro episódio, que fez meu interesse aumentar.

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Caso você esteja se perguntando se vale a pena ver, a resposta é sim. Você não vai conseguir ver tudo de uma vez, porque mesmo estando no Netflix, como já comentei, os episódios estão sendo liberados aos poucos, o que eu honestamente acho que atrapalha um pouco o ritmo, mas saberemos disso melhor no final. Porém, mesmo assim, é uma série que vale a pena dar uma chance se você for fã desses elementos falados acima.

Eu espero ver algumas coisas nos próximos episódios. Primeiro, quero cada vez mais descobrir e conhecer Michael. Como já disse, ela é uma personagem bem interessante, uma mulher negra, protagonista de uma série de ficção científica que tem espaço para mostrar vários lados da personagem. Mas também quero ver mais de outras pessoas da tripulação, principalmente as interações que a protagonista terá com elas.

Quanto ao roteiro, espero que o ritmo melhore e que os acontecimentos não fiquem com um ar tão repentino como aconteceu algumas vezes nos dois primeiros episódios, ainda mais quando o assunto é flashback. Há coisas bem interessantes sendo apresentadas, vamos ter que esperar para ver como elas serão tratadas.

As primeiras impressões de Star Trek: Discovery são positivas. A série tem sim pontos para melhorar, mas vem com bastante coisa divertida que vale o seu tempo. Não sei se todos os fãs de Star Trek concordam, mas para essa pessoa que conhece pouco do fandom, fiquei feliz e quero ver o que mais vem por aí.

Originalmente postado em Ideias em Roxo.

Emmy 2017, Mulheres e Minorias.

O Emmy de 2017 com certeza surpreenderam muita gente, mas a verdade é que quando se dá espaço para minorias contarem histórias, contarem as suas histórias do seu ponto de vista, então muitas coisas incríveis pode acontecer. Não me surpreende que em um ano com tantas produções focadas em histórias femininas e em histórias de outras minorias o prêmio tenha sido entregue para essas pessoas.

Então vamos às mulheres que fizeram história e ganharam prêmios ontem ontem! <3

Lena Waithe se tornou a primeira mulher negra a ganhar um Emmy de Roteiro de Comédia pelo episódio “Thanksgiving”, em Master of None. Esse é, de longe, o episódio mais amado da segunda temporada e um episódio que conseguiu mostrar, para muitas pessoas LGBT, o drama e o humor de “sair do armário” para a família. Ou seja, não é só que uma mulher negra ganhou o Emmy de comédia, uma mulher negra e abertamente lésbica ganhou um Emmy ontem. E por mais que ainda seja pouco e que nós queiramos mais, não tem como não ficar feliz por ver Lena lá em cima segurando o troféu!

Eu vivo um caso de amor e receio com Master of None. Eu amo a primeira temporada, a segunda temporada me levantou a sobrancelhas algumas vezes por causa de alguns tipos de representação, mas Master of None é, de longe, a comédia de meia hora mais bem escrita que eu assisti em alguns anos. É diferente das minhas favoritas como Brooklin 99 e a eterna amada Parks and Recreation, comédias ainda um tanto formulaicas, mas consegue acertar em cheio não só na narrativa mas também no casting.

Julia Louis-Dreyfus se tornou a pessoa com mais Emmys ganhos pelo mesmo papel em um mesmo seriado. Julia está na há sete temporadas interpretando Selina Meyer na série Veep e levou para casa o prêmio de Melhor Atriz em Série de Comédia pela SEXTA vez consecutiva!

Eu não sou a doida de Black Mirror no Collant (essa é a Clarice), mas San Junipero com certeza é, dos episódios que eu já assisti, o meu favorito. Uma visão positiva, bem escrita e de maneira geral alegre de um relacionamento entre uma mulher lésbica e uma bisexual não é exatamente fácil de se achar por aí. Por isso os prêmios de Melhor Roteiro para Série Limitada, Filme ou Especial Dramático e o de Melhor Filme para Televisão são tão significativos. E, da minha parte, me enche o coração de esperança saber que talvez o episódio mais feliz de Black Mirror tenha ganhado. Em tempos tão sombrios acho que a gente precisa de um pouco de esperança e coisas boas.

Um dos grandes campeões da noite foi The Handsmaid Tale, a série do Hulu que adapta para a televisão/VOD o livro “O Conto da Aia” de Margaret Atwood. A produção levou para casa OITO prêmios, entre eles o de Melhor Direção em Série Dramático, que ficou com Reed Romano. A diretora tem um longo currículo como fotógrafa, e além de The Handsmaid Tale também dirigiu episódios de Billions e Halt and Catch Fire e o longa Meadowland. É sempre incrível ver o nome de uma mulher na lista de diretores premiados, ainda temos um longo caminho pela frente, e ele definitivamente precisa ser liderado por mais mulheres.

A eterna Rory Gilmore, Alexis Bledel, levou o prêmio de Melhor Atriz Convidada em Série Dramática pelo seu papel como Ofglen. Confesso que fiquei contente de ver Rory levando o troféu pra casa.

A série também levou Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática, que levou o prêmio foi Ann Dowd, que interpretou a personagem Aunt Lydia na série. Além de Ann, Samira Wiley também estava indicada ao prêmio pelo seu papel como Moira.

Big Little Lies, da HBO, também levou para casa oito prêmios, entre eles Melhor Atriz Protagonista em Série Limitada ou Filme para Televisão, para Nicole Kidman. Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Filme para Televisão, para Laura Dern e Melhor Série Limitada.

Quando se fala de representação feminina é muito comum que ela caia dentro de um certo padrão de idade, então é muito legal ver que das seis mulheres que levaram estatuetas para casa, quatro delas estão acima dos 50. Papéis femininos bem construídos praticamente deixam de existir quando se chega à uma certa idade, diferente dos papéis masculinos que se tornam cada vez mais e mais complexos.

Espera-se, e assim parece, que esses papéis vão continuar a aumentar à medida que mais mulheres forem ganhando espaço no mercado, e à medida que nós formos dando valor para as mulheres mais velhas que já estão trabalhando há anos por trás das câmeras.

Algumas das atrizes não-brancas que estavam indicadas nas categorias de atuação também tinham mais de 50, como Viola Davis e Vanda Sykes, mas é importante notar que todas as ganhadoras dessas categorias deste ano foram brancas. Ainda temos um longo caminho no que diz respeito à protagonistas femininas não-brancas.

Mas nem só de mulheres foi feito o Emmy!

Sim, eu fiquei bem contente com todas as mulheres e séries com temática feminina que levaram o Emmy pra casa, mas não dá pra deixar de falar sobre alguns dos homens que também ganharam ontem.

  • Donald Glover (Community, Spider-man: De Volta ao Lar) levou Melhor Direção em Série de Comédia e Melhor Ator em Série de Comédia por Atlanta, a sua produção para o canal FX.
  • Riz Ahmed (Rogue One) ganhou como Melhor Ator em Série Limitada/Filme para TV por seu trabalho em The Night Of, da HBO. Ahmed também fez história ao se tornar primeiro homem do sul asiático à ganhar um Emmy de atuação.
  • Aziz Ansari é o co-roteirista do episódio “Thanksgiving” ao lado de Lena Waithe e, por isso, também é ganhador do Emmy de Melhor Roteiro para Comédia.
  • Sterling K. Brown levou pra casa o prêmio de Melhor Ator Protagonista em Série Dramática por This is Us e quebrou um hiato de dezenove anos desde que um ator negro ganhou esta categoria. Em 1998 Andre Braugher levou a estatueta por seu trabalho em Homicide: Life on the Street. O discurso de Sterling foi reduzido de maneira muito estranha, com até seu microfone sendo cortado. Mas, mais tarde, ele conseguiu terminar o discurso e agradecer a todo mundo que queria:

Então é. Os Emmys 2017 foram definitivamente uma vitória para a representação feminina e também de outras minorias, não apenas no que diz respeito à personagens mas também quanto à produção por trás das câmeras. Muitas pessoas esquecem, mas para uma série como The Handmaid Tale existir é necessário uma equipe de direção (dos cinco diretores, quatro eram mulheres) e uma sala de roteiristas (dos 11 roteiristas, 8 eram mulheres) trabalhando em conjunto e em coesão, para conseguir um trabalho não só merecedor de 8 prêmios mas que tenha agradado o público alvo como agradou. O mesmo pode ser dito de Atlanta, criada por Donald Glover, com a maioria de atores negros, a maioria de diretores e roteiristas que vem de minorias.

Há qualidade e diversidade no trabalho que não foca no homem branco padrão, ele só não recebia prêmios porque não se dava espaço para isso. Chegamos ao final do ano com uma premiação que dá um gostinho doce para uma realidade cada vez mais amarga.

7º Episódio: The Dragon and the Wolf | 7ª Temporada de Game of Thrones

Mais uma temporada de Game of Thrones chega ao fim. Com um episódio de uma hora e meia, The Dragon and the Wolf deixa tudo preparado para o grande conflito que vai dar um ponto final na história de Westeros. Arcos foram concluídos e muitas decisões foram tomadas, nem todas da melhor forma.

O episódio no geral é divertido, a segunda metade é melhor que a primeira. Infelizmente, The Dragon and the Wolf começa de forma mais maçante e, inclusive, com algumas incoerências, mas com o tempo vai melhorando o ritmo e chegando no final. Algumas coisas de fato foram bem previsíveis, mas certos pontos da trama só tinham um caminho para ir até agora.

Por mais que Game of Thrones, como já mencionei antes, saiba fazer um show, as incoerências de roteiro ainda fazem com que certas cenas percam a força. Em alguns momentos, é como se eles tivessem medo de escolher caminhos arriscados, que é uma das grandes característica da série, que faz tanta gente gostar de assistir Game of Thrones. Entre momentos ruins e outros que nos fizeram vibrar, a série conclui sua penúltima temporada.

A partir daqui o texto terá spoilers do episódio.

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“Anne With an E”: Feminismo, erros e acertos.

Você deve ter ouvido falar da série “Anne With an E”, disponível na Netflix. A produção, que é de uma emissora canadense, estreou meio tímida, ganhou algumas repercussões, mas voltou ao silêncio. Aí fica aquela pergunta: vale apena assistir?

A série (com seus pequenos defeitos) é uma surpresa agradável para aqueles que gostam de produções com personagens femininas como protagonistas e ainda mais para aqueles que não conhecem a história de Anne Shirley, a adolescente que dá nome à série.

“Anne With an E”, mesmo que de forma tímida, consegue despertar a discussão de temas importantes sobre o que é ser mulher. Desde a criação de meninas para estudar ou cuidarem do lar, à “vergonha” da menstruação, por exemplo.

Antes de me debruçar sobre a série preciso deixar uma coisa clara: eu comecei a assistir “Anne With an E” sem saber que ela era baseada na história de Anne de Green Gables, livro de 1908 de Lucy Maud Montgomery. Talvez por isso o enredo tenha me chamado tanto a atenção e aqui é preciso fazer uma pontuação importante.

Há duas opiniões extremamente demarcadas sobre “Anne With na E”: para aqueles que conhecem a história da personagem Anne Shirley, a adaptação deixou a desejar tanto na construção da personagem principal como na forma de demonstrar o feminismo “intrínseco” dela; por outro lado, aqueles que não conheciam aprovaram os questionamentos e discussões abordadas na série.

Aqui, como não conhecia muito bem a história de Anne, primeiro vou expor minhas opiniões sobre a adaptação – mas no fim de tudo pontuo as críticas negativas.

 

“Anne With na E” – 🙂 

A minha surpresa (positiva) começou logo nos primeiros episódios, mas foi no 3º que eu percebi a intencionalidade da série de mostrar pinceladas de um feminismo. Nele, um grupo de mães se reúne para discutir a educação das filhas. O motivo? Elas acreditam que suas meninas merecem os mesmos direitos que os meninos. Em uma das cenas, inclusive, uma das mães faz menção ao “feminismo”, um termo que começava a ser descoberto.

A criação de meninas volta a ser discutida, e dessa vez com mais profundidade, quando Anne se recusa a ir para a escola e o padre local diz que não há problema, já que as meninas deveriam aprender a cuidar do lar para seus maridos no futuro.

Ele diz: “ela deve ficar em casa e aprender a cuidar do lar até que se case. E então o grande Deus disse: ‘não é bom para o homem ficar sozinho, eu devo fazer uma ajudante para ele’. Não há porque ela se preocupar com educação. Toda jovem deve aprender a ser uma boa esposa”.

Reprodução

Ou seja: ambas as cenas mostram a presença absoluta do patriarcalismo. Na cena com o padre, vemos a realidade da época, que apesar de ser anos atrás, é perceptível ainda hoje na sociedade. Na cena com as mães, percebemos um relance de resistência e, por causa dela, conseguimos contrapor as duas realidades para criarmos, fora das telas, um momento de discussão.

A frase do padre desperta em Marilla, que é a “mãe adotiva” de Anne, um sentimento de impotência. Ela entende, pela primeira vez, que foi criada sem opção. A vida inteira ela cuidou da casa e do irmão e achou que não tinha como mudar isso. Agora, além de ver que há, ela sente uma ponta de revolta por ser apenas a “ajudante” e receber somente esse reconhecimento: auxiliar do irmão que trabalha e leva todos os méritos.

Outro comportamento de 2 personagens também deixa claro o feminismo natural da série. Anne diz que, apesar de querer ser noiva, não quer ser uma esposa (no sentido de cuidar apenas da casa e do marido). Além disso, ela diz que só se casará caso haja atração por intelectual. Josephine, tia da melhor amiga de Anne, é um dos melhores exemplos femininos para a protagonista, que não só apoia essa decisão como a incentiva.

“Vou te dar dois conselhos. Primeiro: você poderá se casar em qualquer momento da sua vida, se assim desejar. Segundo: tendo uma carreira, você pode comprar um vestido branco, fazer do seu gosto e usar quando bem entender. Sou a favor de trilharmos nosso caminho no mundo”.

Tia Josephine (que nunca se casou e viveu a vida toda ao lado de sua “companheira”) se torna uma mentora de Anne e mostra para ela que é possível escolher a profissão que quiser sem abdicar da possibilidade de se casar, caso queira, e sem se tornar uma esposa “do lar”.

Outro momento da série que provoca um certo incômodo é quando Anne tem sua primeira menstruação. Na escola, suas amigas dizem que ela deve esconder isso, afinal: “o ciclo menstrual é algo vergonhoso”.

De fato, a menstruação é considerada um tabu até hoje. Mas a forma como as meninas explicam para Anne desperta aquela sensação de “isso não deveria ser assim”.

Aqui vale um parênteses: a atriz que vive Anne, Amybeth McNulty, consegue segurar mais do que bem a série mesmo nos momentos cansativos. A intensidade que ela dá a personagem faz com que até os momentos mais tensos ou maçantes de tornem interessantes e cômicos.

Reprodução

 

“Anne With na E” – 🙁      

O que mais incomoda na série é a forma como ela trata de assuntos densos, mas os aborda com a devida profundidade. Fica, no fundo, uma sensação de que a série é um tanto fraca nesse sentido.

Além disso, “Anne With an E” tem um lado excessivamente romantizado, o que também pode ser ruim. Tá certo que Anne Shirley é uma personagem extremamente sonhadora, mas o romance e o romantismo ao tratar de certos assuntos é invocado de forma errada.

Outro ponto negativo que não vou me alongar é a forma como “Anne With an E” “se esqueceu” de personagens femininas extremamente importantes para a formação de Anne, uma delas a sua professora, um exemplo de alguém que havia seguido os estudos. Na série, Anne tem um professor.

Aqui vou citar abertamente as críticas gringas que li. Todas, ao comparar a série com a história original, foram unânimes em criticar a forma com que o feminismo que é natural de Anne foi forçado a aparecer na tela.

Explico: é como se um comportamento empoderado e feminista só fosse possível em um ambiente extremamente patriarcal. Dessa forma, vários personagens masculinos da série foram construídos como sendo a “encarnação” desse sistema para que Anne pudesse ser durona e mostrar a forma de se bater de frente e passar por cima de qualquer padrão.

A parte ruim em relação a esse ponto é a crença de que só conseguimos visualizar modelos fortes e independentes de mulheres se elas são confrontadas. Elas não podem ter essa natureza sem que haja algo contra elas. É como se algo negativo fosse necessário para fazer despertar esse feminismo.

 

Mas afinal, vale a pena assistir “Anne With na E”?

Sim! A série cumpre um papel de fazer com que os espectadores se questionem sobre todos esses pontos (e muitos outros) que levantei e até abrir discussões ainda maiores.

Além disso, ela é um prato cheio para os sonhadores que adoram frases melodramáticas e nunca se cansam de deixar a imaginação voar.

Anne, claro, é um bom exemplo para as meninas com as suas frases: “meninas podem fazer tudo o que os meninos podem e ainda mais”; “eu quero ser a heroína da minha própria história”; “vou ser a minha própria esposa”.

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Anna Diop será Estelar na série Titans – E algumas pessoas não sabem a diferença entre pele branca e laranja.

Ontem, no finalzinho do dia, ficamos sabendo que a atriz Anna Diop vai assumir o papel de Estelar na série Titans, que adapta os personagens dos Jovens Titãs para a televisão. Anna tem no currículo séries como Everybody Hates CrisQuantico e mais recentemente esteve em 24: Legacy.

Estelar foi criada por Marv Wolfman e George Pérez, e sua primeira aparição nos quadrinhos aconteceu na revista DC Comics Presents #86 em 1980. A personagem é a princesa herdeira do trono de Tamaran, um planeta no sistema Vegan. Ela chega ao planeta Terra depois de fugir das garras da irmã, Blackfire, que havia causado uma guerra no planeta. Estelar então se une aos Jovens Titãs depois de encontrar Robin, Dick Grayson.

Aqui no Brasil Estelar ficou conhecida pelo grande público com o grande sucesso que a série animada Teen Titans fez no começo dos anos 2000.

Com o anúncio que Anna Diop, uma atriz negra, ia assumir a personagem na versão Live Action as pessoas, elas perderam a noção. De um jeito que, para justificar o racismo, começaram a dizer que a Estelar era, na verdade branca.

Temos alguns pontos importantes a se levantar aqui.

O primeiro deles é que você pode dizer o quanto quiser que não é racista, mas se você precisa fantasia que uma personagem laranja é branca, então você precisa procurar se educar melhor e aprender que o que você sente é preconceito racial – não busca por fidelidade com os quadrinhos.

O segundo ponto é: Estelar não é humana. Sim, ela tem traços humanóides, mas isso não quer dizer que ela é um ser humano. Não, ela é uma alienígena e, por isso, tentar colocá-la dentro de padrões humanos é perda de tempo – e pode acabar mostrando que você é racista.

Ruth Negga, em Agents of Shield / Pom Klementieff e Zoe Saldanha em Guardiões da Galáxia.

O terceiro ponto é uma preocupação pessoal. Caso a produção da série resolva realmente pintar o corpo de Diop de laranja, o que faria sentido já que a personagem é laranja, então ela se juntaria à uma série de personagens femininas não-brancas em filmes de super-heróis que acabam sempre com o corpo pintado ou exotificado. Eu vou sempre celebrar o casting de mulheres não-brancas em séries e filmes de super-heróis, mas me incomoda um pouco o modo como elas muitas vezes acabam caindo em personagens que ou são de cores não humanas, ou acabam tendo um design que às retira do padrão humano, enquanto personagens femininas brancas são majoritariamente só humanas. Isso me levanta o sentimento de desumanização dessas personagens e de que essas mulheres não-brancas podem existir dentro do mundo live action de super-heróis, contanto que a sua etnia não seja muito aparente.

Obviamente, eu estou muito feliz com a escolha da atriz para a personagem. Vale lembrar que a DC, na televisão, possui uma representação negra bem interessante e não tem mostrado medo de trazer atrizes negras para interpretar personagens originalmente de outras etnias – vide Iris West. Obviamente o caso de estelar é um pouco diferente, já que ela é laranja, mas ainda assim é muito bom ver mulheres não-brancas assumindo papéis que tradicionalmente elas não receberiam.

Apesar de eu achar que é bem óbvio que a pele da Estelar é LARANJA, algumas pessoas ainda estão confusas sobre isso. Então aqui vai um exemplo que vai deixar tudo mais evidente. Nesta ilustração abaixo nós temos Donna Troy, branca, abraçando Estelar, LARANJA.

Até mais! 😉

 

Cinco KDramas pra assistir no Netflix.

Nos últimos meses o Netflix adicionou uma porção de Dramas asiáticos, dentre eles os meus tão amados Kdramas (doramas Coreanos). Pensando em facilitar a vida de quem não consegue decidir o que assistir, selecionei 5 títulos disponíveis no serviço de streaming que eu já assisti, e gostei.

Oh My Ghost!

Eu já falei sobre ele em uma outra lista: Na Bong-sun (Park Bo-Young) vê fantasmas e por isso tem sérios problemas para ficar acordada ou funcionar normalmente na sua vida social. Shin Soon-ae (Kim Seul-Gi, outra atriz favorita) é uma fantasma virgem que não se lembra porque morreu, mas acredita que está presa neste plano por nunca ter transado. As duas se encontram e acabam formando uma dupla para que Bong-sun consiga conquistar o seu interesse romântico, e para que Soon-ae consiga deixar de ser virgem e finalmente ascender – mas as coisas são bem mais complicadas do que elas esperam. Oh My Ghostess flerta com alguns erros gigantes, principalmente quando falamos sobre consentimento, mas consegue escapar dos piores deles. O interesse romântico é insuportável, mas o que vale mesmo nesse dorama é a relação da humana e da fantasma, que no final me fez chorar rios.

Hello, My Twenties!

Outro que eu já falei diversas vezes por aqui, mas não dá pra não falar porque ele com certeza é um dos meus favoritos! Hello, My Twenties! conta a história de cinco jovens mulheres que vivem juntas numa casa em Seoul, cada qual com o seu fantasma pessoal, cada qual com a sua história. É uma jornada de aprendizado, de crescimento e de muita sonoridade. É muito legal ver como as personagens são muito distintas umas das outras, como isso causa rixas entre elas e como isso também às aproximam. Nessa casa fala-se de tudo: de assassinato, de culpa, de mentiras, de prostituição e, principalmente, de como juntas elas são mais fortes. A segunda temporada começa agora dia 25 de agosto, mas não há previsão para entrar no Netflix.

I Need Romance 3!

Eu sei, o nome é um tanto bobo. Mas o mais legal dessa série de Doramas é que eles falam mais abertamente sobre sexo e sobre desejo feminino. I Need Romance 3 conta a história de Shin Joo-yeon (Kim So-Yeon), uma mulher de 33 anos que não confia no amor e trabalha numa empresa de compras pela televisão. Ela reencontra Joo-Won (Sung Joon), um rapaz de de vinte e poucos anos que ela costumava tomar conta quando os dois eram crianças. Além do romance entre uma mulher mais velha e um rapaz mais novo, a melhor amiga de Joo-yeon, Lee Myn-Jung (Park Hyeo-Joo), tem uma das histórias mais legais sobre mulheres mais velhas e solteiras, não quero dar muitos spoilers, mas a série faz um ótimo trabalho em não julgá-la pelas suas escolhas (mesmo que o final seja um pouco mais tradicional).

 

Gu Family Book

Pra quem gosta de séries de época e sobrenaturais, Gu Family Book. O plot do Dorama se desenvolve de maneira um pouco mais lenta do que eu gostaria, mas foi um dos primeiros Doramas de epoca que assisti com uma personagem feminina central que chutava altas bundas. A série segue a história de Choi Kang-Chi (Lee Seung-Gi), um rapaz de bom coração mas troublemaker que não sabe, mas é filho de uma humana com uma Raposa de Sete Caldas. A trágica história de seus pais acaba se repetindo com a família que o acolheu. Nesse meio tempo, Dam Yeo-wool (Suzy), uma misteriosa lutadora, aparece em tempo de salvá-lo. Esse não é um dorama perfeito, mas tem elementos muito legais.

Reply 1994

A série Reply é formada por três doramas diferentes, seguindo três grupos de famílias/personagens diferentes. Apesar de cair em alguns bons clichês, a série como um todo tem personagens femininas muito legais, inclusive mulheres mais velhas, e não foge de discussões como, por exemplo, menopausa. Todos os doramas da série giram em torno de uma pergunta: com quem a protagonista feminina vai ficar? Apesar de ser bastante comum, essa fórmula é apresentada através de flashforwards, tornando a revelação mais interessante no final. Reply 1994 segue a história da família Sung, dona de um tipo de albergue para estudantes, desde o começo do sucesso dos grupos de KPop, passando pela Crise dos Tigres Asiáticos até o começo dos anos 2000. No centro de tudo isso está Na Jung (Go Ara), uma jovem universitária nem um pouco preocupada com os padrões femininos coreanos, Trash (Jung-Woo) um residente de medicina que só sabe estudar e dormir e Chilbongi (Yoo Yeon-Suk), um jogador que é a promessa do beisibol coreano. Reply 1994 é o segunda da série, que tem ainda Reply 1997 (disponível no Netflix) e Reply 1989 (inexplicavelmente não disponível no netflix – e o melhor dos três).

Não esquece de vir contar o que achou depois de assistir! 😉

6º Episódio: Beyond the Wall | 7ª Temporada de Game of Thrones

Os sentimentos são mistos com Beyond the Wall. O penúltimo episódio da temporada é sempre um dos mais bombásticos, desde o começo esperamos por esse episódio para ver algo muito grande acontecer. De fato, Beyond the Wall teve muita coisa importante acontecendo, mas a execução delas não foi das melhores.

Por um lado, não tem como não vibrar com certas cenas, ou não ficar tenso esperando ver o que vai acontecer. O episódio é tecnicamente bem produzido, porque Game of Thrones erra em várias coisas, mas não no espetáculo que eles trazem. E esse episódio foi divertido, eu ri, eu fiquei bem emocionada, senti raiva e gritei. Está longe de ser um episódio parado.

Ao mesmo tempo, as coisas aconteceram de forma tão repentina e apressadas, que elas foram só legais e divertidas, quando vários desses momentos deviam ter sido mais do que isso. Talvez com um pouco mais de cuidado, com menos furos no roteiro, o episódio poderia ter sido impactante e não só entreter. Beyond the Wall entrega os momentos que propõe, mas ele poderia ter sido melhor e com menos furos.

A partir daqui o texto terá spoilers.

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Arya continua cutucando Sansa e esfrega na cara da irmã a carta que achou. Ela acusa Sansa de ter traído a família, de não ter feito nada para impedir Ned de ser morto. Arya ameaça mostrar aquela carta para os nobres, afinal ela acredita que a irmã quer tirar o lugar de Jon como rei do Norte e obviamente isso deixa Sansa tensa. Como ela mesma vai dizer mais tarde, esses nobres não precisam de muito para quererem trocar quem está no trono.

Há algumas coisas aqui que valem ser faladas. Arya e Sansa nunca se deram bem, eu entendo, mas então por que o primeiro reencontro delas foi tão amigável? Arya já estava provocando Sansa antes de encontrar a carta. Ela diz que se lembra bem do dia em que Ned morreu, insinuando que Sansa não fez nada. Arya devia checar sua memória, porque no dia da execução Sansa gritou, esperneou e implorou para que Ned não fosse morto, basta ver as imagens do episódio. E como Sansa bem pontuou, se Arya queria tanto que alguém fizesse algo, por que ela mesma não o fez? A resposta é óbvia e Sansa sabe: Porque não tinha como impedir aquilo, se elas tentassem, as duas morreriam.

Também vale lembrar que, quando Robb e Catelyn receberam a carta de Sansa, ambos sabiam que ela tinha sido forçada a escrever aquilo. Lógico que era, Sansa era uma adolescente apavorada, com medo pela própria vida e pelo resto de seus familiares. E sabe, eu entendo que a Arya não tenha essa facilidade em perceber isso, afinal ela também era uma criança e ela passou por coisas muito diferentes. Quando a dor é grande, ela ultrapassa a razão. Mas se tem uma coisa que eu não entendo é Arya julgar os outros por sobreviverem. Ela não passou por tudo que passou, conviveu com Tywin Lannister e fugiu para sobreviver? Sansa também, só que de formas diferentes.

A Arya do começo da série obviamente não entenderia que o que Sansa fez foi sobreviver também, se essa briga tivesse acontecido mais cedo, ou ao menos sem o primeiro encontro amigável, faria sentido. Mas do que adianta fazer uma personagem que não se desenvolve? Porque eu juro que essa Arya que eu estou vendo só é diferente da primeira porque sabe lutar, o resto me parece igual, só que mais arrogante. Eu fico feliz que Sansa respondeu, porque ela estava certíssima. Além de ter sido uma adolescente que foi abusada e forçada a fazer o que fez, foi ela que conquistou o Norte, se dependesse só do Jon eles teriam perdido para os Bolton. Faz sentido que Arya não entenda, ou nem se importe com essas questões, ela nunca gostou de Sansa e, por também ter sofrido jovem, pode estar descontando o trauma na irmã, mas não me convence da forma que está acontecendo.

Estar em Winterfell é reviver tudo para Arya, mas isso não a faz ter razão em acusar Sansa. Eu espero que isso seja construído de forma que mostre que Arya está errada nos próximos episódios. Do jeito que está acontecendo, parece que só Sansa avançou como personagem, mas que Arya ficou travada no seu arco, só aprendendo a lutar. Isso é uma droga, eu gosto muito de Arya, ela é a minha Stark favorita e desde a última temporada o tratamento dela tem sido bem ruim. Arya pode não entender de nobreza, pode ter ressentimentos com a Sansa e pode ser impulsiva, mas ela não é burra.

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Depois Mindinho tenta aconselhar Sansa sobre toda a história de Arya, falando sobre a promessa que Brienne fez de proteger as duas irmãs. No começo, achei que ele estivesse insinuando que Sansa devesse manter Brienne por perto, mas ela a manda para Porto Real, porque está certíssima em não ir até lá. Mas aí eu fico confusa, por que Sansa tomou essa decisão? Brienne fala que não confia em Mindinho e Sansa deveria ouví-la, mas ela ignora e Brienne vai para Porto Real. Independente do real motivo, toda essa troca ficou muito confusa, parece só mais uma desculpa para que as coisas funcionem do jeito conveniente para a história.

A última cena mostra Sansa encontrando as máscaras de Arya. A irmã mais nova chega bem nessa hora e, novamente arrogante, provoca Sansa. Ela pergunta sobre Jon e, quando Sansa não responde, explica o que são as máscaras. Por um segundo eu achei que Arya fosse tentar algo contra a irmã, mas ela apenas entrega a adaga. Eu estou até agora tentando entender o ponto dessa história toda. O que Arya quer que Sansa faça? Qual é o objetivo disso tudo? Honestamente, eu espero bastante que Sansa pare de confiar no Mindinho e que Arya desça do pedestal e fique mais humilde. Se as irmãs estão juntas de novo, não é para terem o mesmo conflito de antes, então realmente espero que a conclusão dessa briga leve esse núcleo para algum lugar relevante.

Em Pedra do Dragão, Daenerys e Tyrion falam de Jon. Esse diálogo é legal, porque começa divertido e depois toca em pontos importantes para a história. Tyrion insinua que Jon está interessado em Daenerys e eles começam a falar sobre o encontro com Cersei. Tyrion continua insistindo que Daenerys precisa ter mais que o medo das pessoas, que ela precisa balancear isso melhor e não queimar os outros como fez com os Tarly. Depois disso, ele questiona quem sentará o trono depois dela, já que seus únicos filhos são os dragões. Daenerys não gosta disso e fala que é algo que eles precisam se preocupar mais tarde, porque pensar a longo prazo fez com que eles perdessem alguns aliados.

Os dois têm pontos válidos aqui. Por um lado, Daenerys de fato precisa se preocupar antes em vencer, porque se perder a guerra, não tem porque pensar em qualquer pessoa para sentar no trono depois dela. Sem contar que se os White Walkers ganharem, não vai ter trono nenhum. Mas Daenerys é uma líder que vai para o combate, então Tyrion não está errado em pensar que, caso ela morra, a conquista dela estará completamente acabada e os que a seguiram vão sofrer. Como Daenerys não pode ter filhos, Tyrion sugeriu que ela olhasse o modo como a Patrulha da Noite e os Greyjoy escolhem sucessores. Isso é interessante, Daenerys sempre fala sobre quebrar a roda, que seria quebrar o sistema, mas ela assumir o trono não é acabar com o sistema. Agora, tanto a Patrulha da Noite como os Greyjoy usam o sistema de votação para escolher quem ficará no comando. Se Daenerys estabelece isso, aí de fato ela quebrará a roda, porque ao invés de uma monarquia, Westeros poderia chegar perto de uma democracia. De qualquer forma, Daenerys corta essa conversa porque quer se focar no agora.

O esquadrão suicida tem várias cenas ao longo do episódio, as primeiras mostram interações entre os personagens, o que torna esse núcleo mais interessante. Uma delas foi Tormund falando para Jon que o orgulho de Mance em não ajoelhar fez muitos deles morrerem. Isso é importante porque vai desdobrar numa escolha de Jon no final do episódio. Ele também conversa com Jorah e entrega Garralonga, espada dos Mormont, mas Jorah não aceita.

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Eles encontram um urso pólar zumbi e Thoros acaba sendo gravemente ferido, mas por enquanto ele sobrevive. Essa cena também vai ser relevante para outro ponto mais tarde. O esquadrão suicida monta uma armadilha para capturar um grupo específico de White Walkers, que nos dá uma nova informação sobre eles: Caso você mate um dos líderes, todos que foram transformados por esse primeiro vão ser destruídos. Que sorte que, quando o Jon atacou o líder, só sobrou um, não é mesmo? Mas ele faz tanto barulho que atrai os outros White Walkers. Percebendo que a coisa vai ficar muito ruim, Jon manda Gendry, o mais rápido, correr até Atalaialeste de novo e mandar um corvo para Daenerys. Ele até pode ser o mais rápido, mas nunca viu neve, então mandá-lo não era exatamente a melhor opção.

Obviamente essa ideia ia dar errado. O esquadrão suicida corre e se isola numa pedra no meio de um lago de gelo. A medida que os White Walkers vão correndo atrás deles, o gelo vai quebrando, e graças a isso eles conseguem ficar seguros por um tempo, mas completamente cercados por todos os lados. Enquanto isso, Gendry consegue correr e chegar em Atalaialeste antes de congelar e é recebido por Davos. De acordo com as contas que alguns fãs fizeram, parece que se passaram alguns dias, por volta de quatro, enquanto o esquadrão suicida preso. Thoros acaba morrendo congelado e Beric considera tentar alcançar os líderes dos White Walkers, incluindo o rei da Noite, para matá-los, assim os outros zumbis seriam destruídos ou pelo menos o número ia diminuir. Só que se eles conseguissem, o que era improvável, então qual é o ponto de buscar um deles para provar a história toda para a Cersei? Era mais fácil só matar todos e fim da história.

O corvo chega em Pedra do Dragão e Daenerys resolve pegar os três dragões e ir até o esquadrão suicida. Tyrion é contra, afinal teve toda a conversa sobre Daenerys morrer e não ter ninguém para ficar no lugar dela, mas ela ignora. Levar os três dragões não foi o mais inteligente, mas eu acho justo Daenerys enfrentar as próprias lutas. Eu sou da opinião que, se um rei ou rainha é capaz de lutar de alguma forma, eles devem se envolver nas batalhas.

Depois desses supostos quatro dias, o lago volta a congelar e os White Walkers atacam. Eu me pergunto se o rei da Noite não tinha como atacá-los mesmo antes. Mais tarde nós vamos descobrir que ele é ótimo em arremesso, então será que precisava mesmo ficar esperando? De qualquer forma, a luta começa. A batalha é tensa, os White Walkers estão vindo de todos os lados e não tem para onde correr. Por incrível que pareça, nenhum deles morre além de Thoros e eu acho que isso é um erro. Não que toda a história precise matar personagens sempre, mas Game of Thrones nunca teve medo de matar as pessoas. Na primeira temporada a série construiu Ned Stark como o principal para matá-lo no nono episódio. Inúmeros personagens de peso morreram em algum desses momentos, então o esperado era que isso acontecesse. Thoros morre, mas a morte dele não é tão impactante. A própria série sabe que precisava ter mortes na hora da luta em si, porque alguns figurantes, que nem foram apresentados, morreram. Tem uma cena que praticamente mata Tormund, mas no último segundo ele escapa. Achei que foi uma escolha covarde e até inacreditável. A situação era muito terrível, alguém ia cair naquela situação.

Daenerys ex machina aparece, mas eu vou perdoar um pouco esse porque, pelas contas dos fãs, de fato o tempo bate. Os três dragões chegam queimando tudo e é lindo, mas não só pela fotografia ou pelos efeitos. Aliás, se tem algo maravilhoso nesse episódio, é o quão bonito ele é. Os efeitos dos dragões estão incríveis. Mas também é lindo porque, pela primeira vez, gelo e fogo se encontram dessa forma literal. Os grandes símbolos de cada elemento se enfrentam, assim como Daenerys e Jon se viram nessa temporada, que são as personificações desses dois elementos. Se Daenerys tinha alguma dúvida sobre os White Walkers, não existe mais, porque não tem como discutir com essa batalha. Todos sobem em Drogon, mas Jon continua lutando… Por motivo nenhum. Ele se afasta sem razão alguma. Enquanto eles esperam Jon voltar, o rei da Noite acerta Viserion com uma lança e o dragão morre.

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Antes de falar dos furos dessa luta, deixa eu falar dessa cena específica. Eu quase chorei, eu fiquei arrasada, mesmo sabendo desde sempre que um dragão ia morrer. A cena em si foi muito boa, dá para ver nos olhos da Daenerys um misto de tristeza e até incredulidade. E eu adoro dragões, é um dos elementos de fantasia medieval que eu mais amo, então doeu muito ver Viserion afundar no lago. Daenerys é inteligente em mandar Drogon e Rhaegal irem embora sem Jon, porque se o rei da Noite, com uma lança, matou um dos dragões, ela não vai ficar lá dando sopa esperando ele arrumar outras lanças.

Eu acho perfeitamente plausível que o rei da Noite tenha uma lança que faça esse estrago contra dragões. Ele é a criatura mais temida e possivelmente mais poderosa de Westeros, ele é o chefão final desse jogo, se ele não tivesse um poder grande assim, o combate no futuro não seria tão tenso. O que eu não entendo é porque o rei da Noite não mirou no Drogon. Ele é o maior dragão, com gente montando nele e parado no meio do lago. Viserion estava voando e é um alvo menor, era muito mais fácil, e eficiente, ter acertado Drogon. Se Viserion tivesse ao menos tentado atacá-los diretamente, eu poderia acreditar que o rei da Noite é um cara rancoroso e não aceita desaforo, mas do jeito que foi é a conveniência do roteiro mesmo.

Jon consegue sobreviver, mas os White Walkers ainda não foram embora, então ele não está a salvo. Mas tudo bem, porque Benjen ex machina está chegando! E ele só aparece para alcançar Jon, entregar seu cavalo e mandá-lo sair dali, se sacrificando no final. Custava ter incluído ele no esquadrão suicida antes? Imagina, Jon gostava de Benjen, eles se reencontram, conversam no caminho, falam dos velhos tempos, mas Benjen não sobrevive. Isso é um exemplo do meu maior problema com essa luta toda. Foi divertida, teve momentos emocionantes e muita coisa estava em jogo, mas além de ter sido um plano muito burro e desnecessário, que poderia ter sido resolvido de inúmeras maneiras mais fáceis e com menos riscos, não foi bem construído. Sim, os momentos são legais, é incrível (e terrível) ver Viserion caindo do céu, mas parece que Game of Thrones está sofrendo, mais do que nunca, da crise da DC nos cinemas: Fazer coisas só porque é legal.

É óbvio que uma produção de entretenimento precisa ter elementos que as pessoas gostem. Não é um problema fazer algo que os fãs querem, é ruim quando isso é jogado. Há várias coisas nessa temporada que acontecem porque são legais, mas elas não são bem construídas, e com todos os furos, acabam sendo menos do que poderiam ser. Essa luta poderia ter sido muito mais impactante, até muito mais emocional, mas a situação toda parecia tão falsa do ponto de vista narrativo (sim, eu sei que dragões e White Walkers não existem, antes de vocês me acusarem de querer realismo), que só se torna um momento legal que tinha muito mais potencial.

Jon consegue chegar na Muralha antes de Daenerys ir embora, afinal ela ficou esperando por ele. Eles entram no barco e ela vê os ferimentos que mataram Jon. Agora sim vamos falar de Jonerys. Jon pede desculpas pelo que aconteceu com Viserion, mas ao menos agora ela acredita nele. Daenerys também ganhou um grande incentivo para matar o rei da Noite, afinal ele matou um de seus filhos. Os dois dão a mão e Jon até a chama de “Dany”. Ouvindo o conselho de Tormund, Jon anuncia que está se ajoelhando (porque ele está deitado e não pode, né), e jura servir a rainha Daenerys. Eles trocam um olhar bem fofo, que praticamente confirma qualquer última dúvida que restava sobre o casal.

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Eu resolvi parar e pensar em todas as interações desse ship. A relação tia e sobrinho sempre me atrapalhou para gostar desse casal, mas tentei pensar mais friamente nas interações deles. Eu ainda sinto que faltou uma coisa ou outra. Talvez uma interação a mais, um comentário que fizessem para Jon sobre os dois, assim como teve nesse episódio com Daenerys por parte de Tyrion. Eu não preciso de muito para aceitar um casal, não mesmo, mas pelo fato deles terem começado se desgostando e pelo ritmo estar tão acelerado, eu entendo porque as pessoas achem forçado, eu também acho que tem momentos que, por mais que meu coração shipper curta, minha cabeça acha muito acelerado. Mas, dito isso, olhando o ponto em que chegamos nesse episódio, não acho que a coisa foi tão corrida ou muito forçada quanto alguns falam. São pequenas coisas a mais (ou a menos) que, na minha opinião, melhoraria a percepção das pessoas, mas há pontos interessantes também.

Outra coisa que me incomoda é como Daenerys reagiu à morte de Viserion. Eu entendo perfeitamente que na hora ela não tenha perdido o controle, afinal ela estava no meio de uma luta, e ela é Daenerys, que controla muito suas emoções e como as expressa. Mas eu senti falta de ver algo depois da batalha, algum tipo de luto, nem que fosse na forma de raiva. Quando seus dragões foram sequestrados, Daenerys gritava, mas agora quando um deles morre ela mostra mais emoções por Jon? Eles ainda não tem uma relação forte para ter chegado nesse ponto. O fato de Jon ter chamado Daenerys de “Dany” também me fez sair um pouco da imersão fangirl. Isso sim eu achei forçado. Por que ele resolveu chamá-la assim? Ninguém nunca diz isso e, como eu disse, a relação deles ainda não está nesse ponto de intimidade. O clima já estava estabelecido, dá para ter calma com esses dois. Entendo que foi uma forma de falar que ele ia se ajoelhar, mas tinha outras maneiras de construir esse diálogo.

Mas a cena da mão não me incomodou como fez com algumas pessoas. Para mim a situação é: Os dois estavam começando a se entender e foram numa missão de vida ou morte. Ambos perderam pessoas com quem se importavam, Viserion e Benjen. Todo o stress da batalha e essas perdas faz com que eles fiquem sensíveis, e nessas situações, é esperado que as pessoas acabem encontrando consolo, e até mais, umas nas outras. Westeros é um mundo cheio de guerra e violência, talvez por esses elementos aparecerem tanto, nós esquecemos que são situações muito estressantes para esses personagens. E agora ambos fizeram algo que capturou a atenção do outro. Jon fez um ato heróico, que por mais que Daenerys ache burro, ela aprecia, é óbvio na forma em que ela lista os homens para Tyrion. Além do fato de Jon ter confiado nela quando ele foi na cara e na coragem até Pedra do Dragão. Jon não tem medo de fazer o que precisa e Daenerys viu isso. Já Jon foi salvo por Daenerys, ela acreditou o suficiente nele para ir atrás do esquadrão suicida, ela perdeu um dragão para salvá-lo e isso é muito grande.

Para terminar essa zona toda, o rei da Noite transforma Viserion no tão esperado dragão de gelo. É interessante que eles tenham mostrado um urso transformado no mesmo episódio, para lembrar a audiência de que animais também correm esse risco. Isso é gigante. Drogon e Rhaegal vão ter que lutar contra o seu irmão. Westeros vai ter que encarar um dragão do rei da Noite. Sim, os dragões serem de Daenerys é ruim para os inimigos, mas dá para conversar com Daenerys e não há papo com os White Walkers.

Por mais que eu tenha me divertido com o episódio, os furos de roteiro estão aparecendo mais do que nunca, o que corta parte da imersão. É uma pena, porque vários momentos desse episódio poderiam ter sido mais impactantes, assim como as relações teriam mais tempo para serem melhores construídas. Game of Thrones diverte e dá um show de produção, mas isso acaba deixando a qualidade do roteiro um pouco de lado.

Originalmente postado em Ideias em Roxo.

5º Episódio: Eastwatch | 7ª Temporada de Game of Thrones

Depois do último episódio, era bem provável que as coisas fossem acalmar antes de mostrar ao público outra batalha emocionante. Mas Eastwatch não tomou as melhores decisões. Talvez o episódio com o ritmo mais rápido da temporada, vimos muitas revelações, algumas legais e outras que apareceram de forma que nós nem imaginávamos.

Até o momento, apenas um lado da briga estava dando tiros certeiros, mas dessa vez a coisa fica mais balanceada. Alguns reencontros acontecem, certos personagens repensam algumas decisões e voltamos a falar dos White Walkers, em como eles são uma ameaça muito mais importante do que quem vai sentar no trono de ferro.

Com dois episódios para o fim dessa temporada, dá para ver que a produção de Game of Thrones estava correndo contra o tempo para amarrar todas as pontas. Ninguém quer ver enrolação na série, mas alguns pontos poderiam ter sido melhor pensados. No entanto, Eastwatch dá a deixa para um conflito que pode ser bem perigoso no próximo episódio.

A partir de agora o texto terá spoilers.

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Bronn, funcionário do mês da casa Lannister, conseguiu salvar Jaime e nadar com ele para longe. Fiquei um pouco chateada porque eles estavam a um passo de serem capturados, cercados por dothraki e um dragão. Eu queria muito ver o Jaime ser um prisioneiro da Daenerys, se bem que acho que seria mais fácil ela queimá-lo. Bronn diz o que todos nós pensamos no episódio passado: Por que Jaime foi correndo para cima de Drogon? Ele explica que pretendia acabar com a guerra. Jaime já deu fim em outra guerra matando um Targaryen e, se todos os indícios se concretizarem, é possível que ele acabe com essa também, mas matando outra rainha.

Daenerys junta todos os soldados Lannister que sobraram e faz o discurso de sempre: Ajoelhem-se ou serão queimados. Com um dragão gigante atrás dela, não é para menos que vários resolveram se ajoelhar. Randyll Tarly se recusa, dizendo que apesar dos problemas da Cersei, ela não é uma estrangeira que viveu fora a vida toda e chegou para dominar tudo. Ele não está completamente errado, dá para entender a escolha do personagem, por mais tolo que ele tenha sido. Seu filho, Dickon, também decide que não vai se ajoelhar e os dois são queimados por Drogon.

Há algumas coisas legais de se pontuar nessa cena. Tyrion ficou bem abalado durante a luta toda. Ninguém tinha visto, até aquele dia, um dragão destruindo tudo. Uma coisa é ler histórias de Aegon com seu dragão, outra bem diferente é de fato ver a herdeira dele fazendo tudo aquilo ao vivo. Nós sempre ouvimos histórias de guerra, das pessoas que lutam pelos seus países, mas a realidade das batalhas é muito mais cruel do que qualquer livro de história pode representar. Acho que esse acaba sendo um dos aspectos que mais gosto em Game of Thrones, o fato de que, apesar de ser uma história com muita guerra, também mostra que esses meios são cruéis.

Vemos no rosto de Tyrion o quão desconfortável ele está com a situação. Ele até tenta convencer Daenerys de prender Randyll Tarly, se não outra casa chegaria ao fim. Sem fazer muito esforço, consigo pensar em outras casas que acabaram nessa guerra dos tronos (Tyrell, Martell, Bolton). Qual é a necessidade de matar mais uma? Por que executar pessoas dessa forma? Por mais que eu pessoalmente entenda o que Tyrion quer dizer, eu também vejo sentido nas atitudes de Daenerys. Não que eu ache legal, mas faz sentido que a personagem tome essas decisões. Ela está dando uma escolha, se quando as pessoas decidem morrer ela mudar de ideia, isso será visto como sinal de fraqueza. Aegon fez igual, sempre deu escolhas para seus inimigos, os que se renderam conseguiram manter suas casas. A única família que conseguiu parar o avanço Targaryen foram os Martell. Então é compreensível que Daenerys vá por esse caminho, o que não quer dizer que Tyrion não tema que ela fique igual ao pai.

Jaime pegou o teletransporte de Westeros e chegou em Porto Real (eu vou falar melhor disso depois). Ele está completamente sem esperança de ganhar a guerra, e com razão, se Daenerys fez o estrago que fez com um dragão, imagina com três. Mas Cersei não está disposta a se render, eu acharia muito esquisito se ela estivesse. Para ela, todos os caminhos podem levar a morte, então prefere lutar e inclusive joga na cara de Jaime que ele deveria também. Eu achei curioso ela considerar se aliar com Tyrion novamente, não vejo a Cersei fazendo isso, mas acho que foi mais uma forma do roteiro de dar a chance para Jaime falar sobre Olenna. Ele conta para a irmã que na verdade foi a Rainha dos Espinhos que matou Joffrey, não Tyrion.

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Daenerys volta para Pedra do Dragão e Jon tem um momento com Drogon. Eles se encaram e ele consegue fazer carinho no dragão. Obviamente Daenerys ficou impressionada, porque não é todo mundo que consegue chegar perto dos dragões, ainda mais de Drogon, que é o mais feroz deles. Eu sei que não precisa ser um Targaryen para montar um dragão, mas isso é quase uma confirmação da própria criatura de que Daenerys não é a última de sua família.

Depois que Daenerys desce do dragão, ela aproveita para perguntar que história é essa de “levar uma facada pelo seu povo”. Jon foge do assunto, mas será que ele deveria? Eu entendo que ele vai passar por louco caso diga que voltou dos mortos, mas existem algumas testemunhas disso. Se o cara voltou dos mortos, ele não ganha alguns pontos para convencer a galera de que tem um exército de gelo vindo para Westeros? E considerando que as notícias voam em Westeros (também vou voltar nesse assunto logo), será que Daenerys não teria ouvido um boato do tipo ainda? Mas Jorah ex-machina surge para tirar Jon de uma saia justa. É fofo ver o reencontro dele com Daenerys, mas eu ainda achei fraco todo o arco de escamagris. Era uma doença muito incurável para ter a solução fácil que teve, o que só me dá muita certeza de que Jorah vai morrer em breve para se “sacrificar por Daenerys”.

Tyrion e Varys conversam sobre o que aconteceu na última luta. Ambos estão com receio do caminho que Daenerys pode tomar. Por mais que eles não estejam executando as pessoas eles mesmos, acabam se sentindo culpados também. Varys acredita que alguém precisa fazer Daenerys ouvir. Tyrion é bom nisso, mas talvez essa pessoa também passe a ser Jon em um futuro próximo, principalmente depois dele ter se dado bem com Drogon. Tyrion e Varys abrem a carta de Winterfell em que comunicam Jon sobre Atalaialeste e a chegada de Bran e Arya ao Norte.

A partir daí, eles decidem criar um esquadrão suicida para ir ao norte da Muralha e pegar “evidências” de que Jon está falando a verdade. Esse plano que eles organizam não faz muito sentido. É possível capturar um White Walker e levar até Cersei? Mesmo que seja, será que isso é o suficiente para fazê-la se aliar aos seus inimigos? Eu acho bem improvável que isso aconteça, ou que a missão suicida deles dê certo, mas pode ser que eles descubram outra coisa. Sem contar que a Muralha impede os White Walkers de atravessarem, até com alguma propriedade mágica, mas se eles forem capturados essa regra é anulada? Espero que nos próximos episódios isso seja explicado.

Tyrion decide que vai falar com Jaime, o que é bem arriscado, considerando tudo o que aconteceu, e Jon vai liderar a sua missão suicida. Daenerys não fica feliz, mas dessa vez parece que é bem mais no sentido de que ela se preocupa com ele. Tudo bem, eu me rendo, o ship vai acontecer. Eu ainda não sei se compro essa relação, talvez com o desenvolvimento dos próximos episódios, mas com essa preocupação de Daenerys e a atitude do Drogon, parece que a série vai por esse caminho mesmo. Eu tenho sentimentos mistos em relação a isso. Já falei que entendo o apelo, eles são os heróis, gelo e fogo, ambos são necessários para que as coisas em Westeros funcionem. Eu sei que as pessoas falam que o próprio Jon é a canção de gelo e fogo, mas eu acredito que sejam ambos trabalhando juntos, porque mesmo sendo filho de Rhaegar, ele representa o gelo. Sem contar que seria bem mais ou menos eles construírem uma personagem como a Daenerys para ficar na sombra de Jon. Ambos fizeram coisas incríveis e impossíveis. Só que nada até o episódio passado me deu um motivo para acreditar que os dois poderiam se apaixonar. E não digo isso pela história em si, nesse sentido eu vejo vários indícios, como acabei de comentar, mas quero dizer na atitude dos personagens. O momento entre Drogon e Jon foi o começo disso, mas acho que senti falta de mais alguma coisa, algum diálogo que fizesse Daenerys olhar Jon de outra forma, não só como um possível aliado.

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Jon pouco se importa se Daenerys deu permissão para ele ir embora ou não. Até porque agora que ele sabe que Bran está de volta, há uma nova opção de herdeiro para Winterfell. Jon fala sobre a confiança que depositou em Daenerys, sobre ir na cara e na coragem para uma rainha dragão pedir ajuda, correndo o risco de morrer, e esse é outro elemento que pode ajudar na relação entre os dois. Daenerys admira aqueles que são corajosos, então ela pode ter se tocado aqui de que Jon fez uma aposta muito grande aparecendo lá daquela forma.

Em Winterfell, Bran entrou em vários corvos para descobrir a localização dos White Walkers, é assim que ele consegue informar Jon sobre Atalaialeste. Ao que tudo indica, o Rei da Noite consegue perceber a presença de Bran, que pode ser porque ele é muito poderoso ou porque eles já se viram em umas das visões do corvo.

Sansa está tentando manter todas as casas felizes enquanto Arya apenas observa. Mais tarde, ela vai questionar Sansa sobre gostar de coisas chiques, e de como ela na verdade gosta de governar no lugar do Jon, que pensa em como seria caso ele não voltasse. Eu entendo essa cena em parte, mas não gostei muito. Primeiro eu queria saber quando foi que a Arya aprendeu a ler mentes. “Ah, mas é o treinamento de ninguém!” sim, eu sei que ela consegue ler certas coisas nas pessoas, mas Arya não tem o mesmo tempo de assassina que os outros tinham em Bravos, e mesmo que tivesse, eles ensinaram muita coisa, mas poder de X-Men não foi uma delas. Pode ser que ela estivesse botando medo na Sansa, mas por que Arya sentiria tanto essa necessidade de alfinetar a irmã? Ela já aprendeu a ser silenciosa, se ela realmente acha que Sansa está armando alguma, esfregar esse conhecimento na cara dela não é lá muito inteligente.

E além do mais, Sansa não está errada nessa história. É óbvio que ela não pode xingar todo mundo como Arya gostaria, se não perderia as alianças. Lembrando que se não fosse por aqueles nobres, e a aliança que Sansa fez com o Vale, Winterfell ainda estaria com os Bolton. Eu não espero que Arya entenda isso, o método de lutar dela é muito diferente do de Sansa, e é mais do que normal que elas briguem sobre isso, ainda mais considerando que nunca se deram bem. Mas o jeito que Arya falou parece que ela estava tentando ser mais maldosa do que o necessário de propósito, o que não me parece ser a melhor maneira de agir. Pode ser que Arya esteja subestimando as pessoas em Winterfell, agora que é uma assassina sem rosto, pode acreditar que está acima dos outros, mas a gente já vê nesse episódio que ela está errada.

Arya começa a perseguir Mindinho até encontrar uma carta que ele está escondendo. Era uma das cartas que Sansa mandou na época em que estava em Porto Real, pedindo para que Robb fosse ao sul e jurasse lealdade ao rei, que na época era Joffrey. Quando Arya sai dali, vemos que Mindinho estava armando para cima dela. Eu quero que ele exploda e que a Arya e a Sansa se toquem do quão babaca esse cara é, mas faz sentido que em um primeiro momento ele tenha a vantagem. Mindinho está há anos manipulando pessoas, por mais treinamento que Arya tenha, ela tem menos experiência no jogo dos tronos. Ela também não estava por perto na época em que a carta foi escrita, então não tem como saber que Sansa estava fazendo aquilo por estar sendo forçada, além de que era uma forma de tentar salvar o irmão. É, talvez Joffrey mandasse matar Robb, mas era uma chance dele não morrer em campo de batalha.

O que me deixa um pouco chateada com toda essa situação é que é fácil de resolver. Assim como na vida, se as pessoas nessa série, principalmente os Stark, parassem e conversassem, vários mal entendidos seriam resolvidos. Sansa e Arya provavelmente vão entrar em conflito por causa de Mindinho, mas se qualquer uma delas tivesse aproveitado aqueles momentos do episódio anterior, de entendimento, para falar sobre os últimos anos, Mindinho teria que ralar mais para criar uma guerra interna entre os Stark. Não é que eu não ache que deva haver conflito no Norte, isso deixa o núcleo mais interessante, porém as soluções para resolver essas questões são simples.

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Na Cidadela, os meistres têm uma reunião sobre a chegada dos White Walkers, achando que pode ser uma tentativa de afastar a atenção das pessoas da guerra que está acontecendo em Westeros. Sam tenta convencê-los de novo, mas sem sucesso. Mais tarde, Sam e Gilly estão lendo alguns documentos da Cidadela e ele desabafa sua frustração, resolvendo pegar suas coisas e sair de lá com Gilly. Mas acho que o mais importante dessa cena toda foi um detalhe. Sam interrompe Gilly enquanto ela lia um dos documentos, só que justamente o que ela estava lendo era a prova de que Jon Snow não é um bastardo, já que Rhaegar pediu para que seu casamento com Elia Martell fosse anulado, assim ele poderia casar com Lyanna Stark, tornando Jon um filho legítimo. Eu entendo que muita gente ficou animada, os fãs gostam do Jon, mas há algumas coisas nessas cena que não fazem muito sentido.

Veja bem, esse momento está estabelecendo que Jon teria um direito maior ao trono do que Daenerys. Um bastardo sempre vai ficar atrás da família legítima, mas se Jon não é bastardo, ele tem a preferência. Basta lembrar da briga entre Joffrey e Stannis. Oficialmente, por ser filho do rei Robert, Joffrey estava na frente dos seus tios, mas Stannis sabia que ele não era Baratheon, portanto ele era o próximo a assumir o trono. Isso é gigante, porque muda não só a questão política, mas também a possível relação entre Daenerys e Jon. E sendo uma informação desse porte, vocês juram que a melhor maneira de revelar isso era enquanto Gilly lia sobre janelas?! E ainda quando é interrompida?! A série tem um personagem que vê absolutamente tudo em qualquer momento da linha do tempo, mas é nesse detalhe que descobrimos essa informação?! Não é um problema isso estar na Cidadela, aliás era provável, mas isso é muito grande para surgir dessa forma.

E calma que as reclamações sobre isso não acabaram. Baseado nas regras do universo de Game of Thrones, um casamento assim só pode ser anulado se não for consumado, por isso que Sansa pode casar com Ramsay mesmo com Tyrion vivo. Rhaegar teve dois filhos com Elia, aquela união definitivamente tinha sido consumada, então como raios ele conseguiu anular tudo para ficar com Lyanna? Ainda há chances da série voltar nesse assunto, dizer que, sei lá, o meistre que fez isso abriu uma exceção porque, afinal de contas, Rhaegar era um príncipe, mas deixar esse fato jogado não faz sentido.

Voltando para Porto Real, Davos leva Tyrion para a capital para que ele possa conversar com Jaime. Particularmente, achei que os atores mandaram bem aqui, porque deu para ver como Jaime estava em conflito, assim como Tyrion queria muito que o irmão o escutasse, já que quase o viu morrer no último episódio. Por mais que Jaime tenha raiva de Tyrion por vários motivos, ele não o levou até Cersei. Faz sentido, eles se davam relativamente bem e Jaime acabou de descobrir que Tyrion não matou Joffrey. Depois dessa reunião, Jaime vai falar com Cersei. Eles ficam sabendo que Daenerys concordaria com uma trégua, provavelmente depois de toda a missão que vai provar que os White Walkers existem. É um pouco esquisito, considerando que na última batalha Daenerys mostrou que pode ganhar se usar seus dragões, mas esse pode ser o voto de confiança que ela está dando para Jon.

Nessa mesma conversa, a gente também descobre que Cersei está grávida. E aí eu me pergunto: Por que a série fez isso? O roteiro quer fazer Cersei perder mais um filho? Porque essa criança vai morrer, é fato, a profecia diz que ela só teria três filhos e acho bem improvável isso mudar de repente. Parece um artifício de roteiro para manter Cersei viva por mais um tempo, mas não é um muito interessante. Ela diz que não vai mais mentir sobre quem é o pai e isso pode vir a ser um problema no futuro.

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Davos anda por Porto Real e encontra Gendry trabalhando. Sim, o bastardo de Robert que sumiu há muito tempo. Davos brinca, falando que achava que Gendry ainda estava remando e eu só consegui pensar “Eu também”. Davos não precisa fazer muito esforço para convencer Gendry a ir com ele. O personagem voltou para a história do nada, e por mais que eu não goste de pontas aleatórias soltas, como era o caso de Gendry, eu prefiro que elas voltem com algum sentido. Pode ser que o motivo da volta de Gendry seja explicado nos próximos episódios. Quando eles estão voltando para o barco, dois guardas abordam Davos e Gendry. É bem divertido ver como Davos tenta despistar os dois, mas quando Tyrion aparece do nada, Gendry é forçado a usar seu martelo, que faz referência à arma que Robert usava.

O esquadrão suicida se une quando Jon chega em Atalaialeste com Jorah e Gendry. Lá, eles encontram Tormund, o Cão de Caça e a Irmandade sem Bandeiras. Os personagens começam a brigar entre si, afinal não estiveram sempre do mesmo lado, mas no final Jon lembra todos eles que há um inimigo mais perigoso vindo aí, então eles saem da fortaleza para tentar concluir o plano que muito provavelmente vai matar algumas pessoas no próximo episódio.

Já mencionei antes que esse plano não faz muito sentido, mas provavelmente a existência dele vai resultar em alguma coisa que é crucial para que a história continue andando, e acho que esse é o meu principal problema com esse episódio. É óbvio que quando criamos uma história, nós colocamos os acontecimentos para que as coisas andem para frente, é normal e esperado, mas esses pontos precisam ser bem encaixados com o contexto, para que acreditemos que esse é o fluxo natural das coisas. Eastwatchtem vários momentos que são muito convenientes, mesmo que não se encaixem com o resto ou com o que já foi estabelecido em Westeros antes.

Outra coisa que já me incomoda há algum tempo, mas que apareceu mais nesse episódio, é a linha do tempo. Não, eu não quero que cada viagem até um lugar diferente de Westeros leve três episódios, é normal que o “teletransporte” aconteça, porque se fica chado. Mas ela precisa, pelo menos, fazer sentido dentro do que é estipulado no mundo de Game of Thrones. Já tinha falado antes que não fazia sentido Bran demorar mais para chegar na Muralha do que Jon em Pedra do Dragão, mas aqui temos novos exemplos. Jaime chegou em Porto Real, Tyrion foi e voltou para Pedra do Dragão em um episódio só, Jon fez toda uma viagem para o Norte… Tudo isso no mesmo episódio. Eu nem vou entrar no mérito de no próprio episódio isso ficar muito acelerado. Enquanto todas essas viagens acontecem, onde estão os White Walker? Tudo bem, eles são zumbis, demoram para chegar na Muralha, mas jura mesmo que eles não chegaram depois de todo esse tempo que está passando na série? Porque por mais que as viagens da Daenerys sejam rápidas mesmo, afinal ela usa o Drogon, só as de Jon demoram bastante.

Isso também vale para a questão das mensagens dos corvos. Por que não avisaram Jon sobre Bran antes? Ou esse corvo se perdeu? Ou eles adivinharam que a Arya ia chegar, então resolveram economizar papel? E se o corvo demora algum tempo, por que a Cidadela ficou sabendo tão rápido do que aconteceu com os Tarly? E como essas fofocas de corvos nunca fizeram Daenerys descobrir que Jon morreu? Veja, eu não me importo deles saberem as coisas dessa forma. Eu também não ligo que todos esses assuntos que dependem da localização dos lugares sejam completamente realistas, é uma série de fantasia, tudo bem, o problema é que essa linha do tempo poderia ser arrumada com uma edição um pouco mais atenta. Quando reclamamos desses pontos, não queremos realismo, queremos que as coisas façam sentido dentro do universo criado, ao menos na maioria das vezes. Sim, eu nem vou falar que precisa ser em todo detalhe (apesar de que seria melhor), mas que ao menos não seja algo tão descarado que nos faça questionar o que raios os White Walkers estão fazendo para demorar tanto.

Eastwatch anda com a história, tem momentos bons, mas acaba deixando muita coisa de lado pela conveniência do roteiro. Espero que no próximo episódio eles possam ao menos consertar alguns desses pontos.