Bendita Cura – Quadrinho sobre homofobia e os efeitos da terapia de reversão.

Os últimos dias tem sido sombrios e controversos para a comunidade LGBT. Se você esteve na internet nos últimos dias provavelmente viu que no dia 18 de Outubro o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, cedeu uma liminar autorizando psicólogos a fazer terapias de reversão sexual com pacientes homossexuais. Essa decisão vai contra a OMS (Organização Mundial da Saúde) e contra o Conselho Federal de Psicologia, que veta tal prática. Por isso Bendita Cura: É Para o Bem Dele (Pt1), de autor Mário César Oliveira, chega em uma hora tão propícia.

O quadrinho acompanha a história de Acácio, desde a infância na década de 60, até os dias de hoje. Crescendo num lar conservador e homofóbico, Acácio teve a vida marcada por preconceito e terapias de conversão.

Mário César teve a idéia ainda em 2013, quando o pastor Marcos Feliciano assumiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O quadrinho é resultado de muita pesquisa e não é baseado em apenas um caso, mas em diversos depoimentos e reportagens que o autor teve contato ao longo dos anos. O primeiro roteiro ficou pronto em 2014 e agora passa por um processo de refinamento.

Vi que tinha um mote bom pra uma história que abordasse questões de orientação sexual e de gênero, me deparei com muitos relatos absurdos e fui montando o roteiro em cima disso. Nesse meio tempo fiz outras quadrinhos como o Púrpura e o Não existem super-heróis na vida real. Agora tô desenhando esse.

A idéia inicial era lançar a publicação no final do ano, mas com o que aconteceu nos últimos anos Mário sentiu que era o momento certo para fazer o lançamento. Não podia estar mais correto. Se passamos por tempos sombrios, os últimos dias começam a sentir como a idade média, e ter um trabalho assim em livre acesso para ser compartilhado e lido é muito importante.

Por enquanto você pode ler a metade do primeiro capítulo AQUI, Mário quer soltar o restante do quadrinho ou mensalmente, ou quinzenalmente – depende do que o fluxo de trabalho permitir. Quando o primeiro capítulo for terminado Bendita Cura também deve ficar disponível através da Social Comics, uma plataforma nacional de leitura de quadrinhos.

Você pode acompanhar o Bendita Cura por AQUI, Não Existem Super-heroís Na Vida Real está disponível na Amazon e você pode encontrar os outros trabalhos do Mário no site dele. Se você ainda não entendeu o problema da liminar, sugiro a leitura deste texto da Vice.

 

Os estereótipos dos personagens bissexuais na cultura pop

Dia 23 de setembro é o dia da visibilidade bissexual. Pois é, o B não é de banana, por mais que algumas pessoas insistam em ignorar as demandas dessa parte da comunidade LGBT+. Assim como as outras minorias, personagens bissexuais possuem um histórico cheio de problemas quando falamos de representação, então hoje vamos discutir um esses estereótipos na cultura pop.

Parece óbvio dizer que personagens bissexuais aparecem muito pouco na mídia. Com os anos, nossas opções para criar uma lista aumentam, incluindo alguns que realmente são positivos, mas ainda estamos muito longe de chegar em um ponto satisfatório. No relatório de 2016-2017 da GLAAD, foi estimado que apenas 4,8% dos personagens da televisão nos Estados Unidos eram LGBT+, ou seja, dentro desse número pequeno estão personagens gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, etc.

Entre esses, 30% foram considerados bissexuais, um total de 64 mulheres e 19 homens. Considerando o número de séries na televisão dos Estados Unidos, esse número é muito pequeno. Sim, se juntar cinema, quadrinhos, jogos e outras mídias, certamente esse número vai aumentar, mas tente comparar com a imensidão de personagens heterossexuais em todas essas mídias. A situação está muito longe de se tornar um cenário considerado igualitário.

A questão não são só os números baixos, mas também o estereótipo em que esses personagens são colocados sempre que aparecem. Esse texto é para pontuar clichês que sempre caem em cima dos personagens bissexuais, que colabora para uma imagem preconceituosa que é feita do B no LGBT+.

Como os números do GLAAD apontam, mulheres bissexuais possuem mais espaço na mídia do que homens. Isso dá uma falsa impressão de que mulheres são mais aceitas, mas basta ver a representação dessas personagens para perceber que isso não é verdade. Mulheres bissexuais ouvem com frequência que na verdade elas são hétero, que gostam mesmo é de homem e só beijam mulheres em baladas. O típico comentário de gente que acha que sabe da sexualidade de alguém mais que a própria pessoa, né? Mas voltemos aos estereótipos.

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Emmy 2017, Mulheres e Minorias.

O Emmy de 2017 com certeza surpreenderam muita gente, mas a verdade é que quando se dá espaço para minorias contarem histórias, contarem as suas histórias do seu ponto de vista, então muitas coisas incríveis pode acontecer. Não me surpreende que em um ano com tantas produções focadas em histórias femininas e em histórias de outras minorias o prêmio tenha sido entregue para essas pessoas.

Então vamos às mulheres que fizeram história e ganharam prêmios ontem ontem! <3

Lena Waithe se tornou a primeira mulher negra a ganhar um Emmy de Roteiro de Comédia pelo episódio “Thanksgiving”, em Master of None. Esse é, de longe, o episódio mais amado da segunda temporada e um episódio que conseguiu mostrar, para muitas pessoas LGBT, o drama e o humor de “sair do armário” para a família. Ou seja, não é só que uma mulher negra ganhou o Emmy de comédia, uma mulher negra e abertamente lésbica ganhou um Emmy ontem. E por mais que ainda seja pouco e que nós queiramos mais, não tem como não ficar feliz por ver Lena lá em cima segurando o troféu!

Eu vivo um caso de amor e receio com Master of None. Eu amo a primeira temporada, a segunda temporada me levantou a sobrancelhas algumas vezes por causa de alguns tipos de representação, mas Master of None é, de longe, a comédia de meia hora mais bem escrita que eu assisti em alguns anos. É diferente das minhas favoritas como Brooklin 99 e a eterna amada Parks and Recreation, comédias ainda um tanto formulaicas, mas consegue acertar em cheio não só na narrativa mas também no casting.

Julia Louis-Dreyfus se tornou a pessoa com mais Emmys ganhos pelo mesmo papel em um mesmo seriado. Julia está na há sete temporadas interpretando Selina Meyer na série Veep e levou para casa o prêmio de Melhor Atriz em Série de Comédia pela SEXTA vez consecutiva!

Eu não sou a doida de Black Mirror no Collant (essa é a Clarice), mas San Junipero com certeza é, dos episódios que eu já assisti, o meu favorito. Uma visão positiva, bem escrita e de maneira geral alegre de um relacionamento entre uma mulher lésbica e uma bisexual não é exatamente fácil de se achar por aí. Por isso os prêmios de Melhor Roteiro para Série Limitada, Filme ou Especial Dramático e o de Melhor Filme para Televisão são tão significativos. E, da minha parte, me enche o coração de esperança saber que talvez o episódio mais feliz de Black Mirror tenha ganhado. Em tempos tão sombrios acho que a gente precisa de um pouco de esperança e coisas boas.

Um dos grandes campeões da noite foi The Handsmaid Tale, a série do Hulu que adapta para a televisão/VOD o livro “O Conto da Aia” de Margaret Atwood. A produção levou para casa OITO prêmios, entre eles o de Melhor Direção em Série Dramático, que ficou com Reed Romano. A diretora tem um longo currículo como fotógrafa, e além de The Handsmaid Tale também dirigiu episódios de Billions e Halt and Catch Fire e o longa Meadowland. É sempre incrível ver o nome de uma mulher na lista de diretores premiados, ainda temos um longo caminho pela frente, e ele definitivamente precisa ser liderado por mais mulheres.

A eterna Rory Gilmore, Alexis Bledel, levou o prêmio de Melhor Atriz Convidada em Série Dramática pelo seu papel como Ofglen. Confesso que fiquei contente de ver Rory levando o troféu pra casa.

A série também levou Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática, que levou o prêmio foi Ann Dowd, que interpretou a personagem Aunt Lydia na série. Além de Ann, Samira Wiley também estava indicada ao prêmio pelo seu papel como Moira.

Big Little Lies, da HBO, também levou para casa oito prêmios, entre eles Melhor Atriz Protagonista em Série Limitada ou Filme para Televisão, para Nicole Kidman. Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Filme para Televisão, para Laura Dern e Melhor Série Limitada.

Quando se fala de representação feminina é muito comum que ela caia dentro de um certo padrão de idade, então é muito legal ver que das seis mulheres que levaram estatuetas para casa, quatro delas estão acima dos 50. Papéis femininos bem construídos praticamente deixam de existir quando se chega à uma certa idade, diferente dos papéis masculinos que se tornam cada vez mais e mais complexos.

Espera-se, e assim parece, que esses papéis vão continuar a aumentar à medida que mais mulheres forem ganhando espaço no mercado, e à medida que nós formos dando valor para as mulheres mais velhas que já estão trabalhando há anos por trás das câmeras.

Algumas das atrizes não-brancas que estavam indicadas nas categorias de atuação também tinham mais de 50, como Viola Davis e Vanda Sykes, mas é importante notar que todas as ganhadoras dessas categorias deste ano foram brancas. Ainda temos um longo caminho no que diz respeito à protagonistas femininas não-brancas.

Mas nem só de mulheres foi feito o Emmy!

Sim, eu fiquei bem contente com todas as mulheres e séries com temática feminina que levaram o Emmy pra casa, mas não dá pra deixar de falar sobre alguns dos homens que também ganharam ontem.

  • Donald Glover (Community, Spider-man: De Volta ao Lar) levou Melhor Direção em Série de Comédia e Melhor Ator em Série de Comédia por Atlanta, a sua produção para o canal FX.
  • Riz Ahmed (Rogue One) ganhou como Melhor Ator em Série Limitada/Filme para TV por seu trabalho em The Night Of, da HBO. Ahmed também fez história ao se tornar primeiro homem do sul asiático à ganhar um Emmy de atuação.
  • Aziz Ansari é o co-roteirista do episódio “Thanksgiving” ao lado de Lena Waithe e, por isso, também é ganhador do Emmy de Melhor Roteiro para Comédia.
  • Sterling K. Brown levou pra casa o prêmio de Melhor Ator Protagonista em Série Dramática por This is Us e quebrou um hiato de dezenove anos desde que um ator negro ganhou esta categoria. Em 1998 Andre Braugher levou a estatueta por seu trabalho em Homicide: Life on the Street. O discurso de Sterling foi reduzido de maneira muito estranha, com até seu microfone sendo cortado. Mas, mais tarde, ele conseguiu terminar o discurso e agradecer a todo mundo que queria:

Então é. Os Emmys 2017 foram definitivamente uma vitória para a representação feminina e também de outras minorias, não apenas no que diz respeito à personagens mas também quanto à produção por trás das câmeras. Muitas pessoas esquecem, mas para uma série como The Handmaid Tale existir é necessário uma equipe de direção (dos cinco diretores, quatro eram mulheres) e uma sala de roteiristas (dos 11 roteiristas, 8 eram mulheres) trabalhando em conjunto e em coesão, para conseguir um trabalho não só merecedor de 8 prêmios mas que tenha agradado o público alvo como agradou. O mesmo pode ser dito de Atlanta, criada por Donald Glover, com a maioria de atores negros, a maioria de diretores e roteiristas que vem de minorias.

Há qualidade e diversidade no trabalho que não foca no homem branco padrão, ele só não recebia prêmios porque não se dava espaço para isso. Chegamos ao final do ano com uma premiação que dá um gostinho doce para uma realidade cada vez mais amarga.

Videogames não precisam ser só tiro e soco

Relaxa, eu sei que games não são só isso. Senta, respira e dá uma chance para o meu argumento. Eu pretendia escrever este texto depois da E3, mas ainda bem que não fiz, porque nesses últimos tempos eu consegui pensar muito sobre o mundo dos joguinhos.

A minha linha de pensamento foi a seguinte: Costumo acompanhar há alguns anos os lançamentos da E3, inclusive já teve ano em que escrevi sobre o evento. Cada ano que passa, eu tenho mais a sensação de que não estamos fazendo nada de novo. Os jogos que são apresentados são sempre os mesmos, os grandes destaques são franquias que já estão aí há muito tempo: God of War, Zelda, Mario… Isso não é ruim, esses jogos têm um grande público e funcionam. Ainda assim, me deixa um pouco chateada ver que as empresas parecem se preocupar muito mais com esses jogos, evitando criar coisas novas.

Lembro que no ano passado, a franquia nova que realmente me deixou empolgada foi Horizon: Zero Dawn. Era um jogo grande, com elementos bacanas que não vemos tanto e tinha uma mulher como protagonista. Esse ano também tivemos jogos novos anunciados, como Anthem, o novo jogo da Bioware. Sim, se vocês me conhecem, sabem que se a Bioware está fazendo algo, eu estou de olho e completamente empolgada. Por mais que Anthem não seja exatamente meu estilo de jogo, eu tenho certeza que darei uma chance para a nova franquia. Porém, independente disso, o que a gente viu do jogo até agora é mais do mesmo. Posso estar errada, mas um cenário com aspectos futuristas, com armaduras gigantes que parecem robôs e foco no combate de tiro não é novidade.

Acredito que, quando entramos nessa discussão, também não dá para ser inocente. O que existe em comum em reciclar franquias antigas e usar fórmulas batidas é que, por mais que seja mais do mesmo, o público gamer consome. As empresas querem vender e lucrar, então faz sim sentido que eles sigam uma fórmula que dá certo. Porém, pessoalmente, sinto falta de outras histórias sendo criadas, novos mundos que os gamers possam explorar, que não me façam assistir a E3 com a impressão de que já vi tudo aquilo antes.

Ao mesmo tempo em que estava pensando nisso, comecei a pesquisar referências para projetos pessoais. Videogames sempre foram uma grande fonte de referência para mim, desde sempre, então eu comecei a procurar títulos que não conhecia. Eu não fazia questão de jogos grandes, só queria que eles fossem focados em história e tivessem um universo interessante. Nessa, acabei encontrando muito mais jogos indie que atendiam o que eu estava querendo.

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A Longa Viagem A Um Pequeno Planeta Hostil | Ficção-Científica, Diversidade e Representação.

Texto por Rebeca Puig e Clarice França

Uma das coisas engraçadas da ficção científica é como parte dos autores acaba reverberando conceitos tradicionais de sociedade, relacionamentos e protagonismo. Imagina-se que exatamente por serem sci-fi, essas obras deveriam abraçar a liberdade criativa que o gênero permite. Mas, em vez disso, é muito comum ver valores morais e sociais considerados retrógrados hoje presentes em obras de temática contemporânea. De certa forma, isso acabou me afastando um pouco de autores atuais, exatamente por insistirem em um conceito de narrativa e personagens conservadores.

 

Outra coisa que o sci-fi tem dificuldade de criar/representar, principalmente no cinema, são alienígenas que não se encaixem no conceito humano de beleza física ou mesmo que tenham uma cultura com moralidade diferente da nossa, humana. Quando vemos um alienígena que não é bípede, que poderia ser confundido com um inseto ou mesmo com um lagarto, ele muito provavelmente é um vilão ou capanga do vilão principal. É engraçado que, dentro de um universo tão gigante, com tantas possibilidades em química, biologia e física, nós só consigamos mostrar como positivo aquilo que é parecido com um bípede mamífero de inteligência mediana.

 

Talvez por isso eu tenha ficado tão encantada com a diversidade e a qualidade da representação dentro de A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil. Becky Chambers já começa com o básico, buscando equilibrar o gênero dos personagens dentro da Andarilha, a principal nave do livro. A tripulação, contando a I.A., é composta por nove sapientes – quatro mulheres, quatro homens e um sapiente não binário, o Doutor Chef. Além de ser quantitativamente uma visão mais igualitária, essa decisão de equilibrar os números mostra que esse não é um universo ficcional em que vou ser obrigada a, mais uma vez, ler sobre a disparidade entre os gêneros humanos. Não, sapientes femininos, masculinos e não binários não são discriminados por causa de gênero.

 

Além disso, se analisarmos mais de perto os personagens, podemos ver que temos uma variedade interessante de personalidades, culturas e valores morais, sem que nenhum deles seja considerado errado ou transgressor.

 

Um dos elementos que mais me deixou feliz com o livro foi o modo como o futuro da sociedade humana é apresentado, e como podemos ver isso muito bem através do capitão da nave, Ashby. Em outros livros do gênero, teríamos Ashby como um capitão militarizado, arma na cintura, quarto de armas no fundo da nave, um herói de aventura como Mal, de Firefly. Mas Ashby é o oposto disso, ele acredita verdadeiramente que não precisa ser violento ou usar força física para ser o capitão de uma nave como a Andarilha; pelo contrário, ele repudia armas e é muito consciente quanto à capacidade humana de se corromper diante do perigo e da insegurança. No universo de Chambers, os humanos precisaram encarar sua inferioridade intelectual frente às raças alienígenas, aceitaram suas diferenças, olharam para toda a destruição que criaram e aprenderam a ser melhores. Além de ser uma representação masculina que não cai no tropo da masculinidade tóxica, o capitão da Andarilha é uma visão esperançosa de como nós, como sociedade, podemos evoluir.

 

A nave possui quatro humanos a bordo, entre eles Jenkins e Rosemary. Quero destacar esses dois porque eles possuem elementos que normalmente não são representados dentro do sci-fi, especialmente Space Óperas. Rosemary é negra, de origem rica, uma personagem que chega à Andarilha cheia de mistérios, mas que possui, só nessas duas características – ser negra e rica – uma história que pouco é usada pela cultura pop de maneira geral. Além de tudo isso, claro, Rosemary é uma personagem interessante, um tipo de novata espacial, o que a torna a nossa personagem de entrada no universo, outro fato quase inédito quando falamos de personagens femininas e negras.

 

Jenkins é outro personagem que, enquanto eu ia descobrindo mais sobre sua história, mais interessante ficava a visão da autora sobre o que a humanidade poderia se tornar no futuro. Jenkins é anão, não por mágica, mas por ter nascido assim. Em um futuro em que todo tipo de alteração e aprimoramento genético está disponível, descobrir por que ele chegou à idade adulta sem ter recorrido a eles, o papel de sua mãe nisso e o nível de fanatismo a que o ser humano consegue atingir foi um dos pontos altos do livro. Além de ser uma representação pouco vista – um humano anão e negro -, Jenkins é responsável por trazer dois temas muito pertinentes sobre nosso futuro: Quanto nós podemos ou devemos interferir geneticamente numa criança, e o que nos torna humanos: carne ou inteligência? Sua amizade com Lovely, a inteligência artificial da nave, é mostrada de maneira natural, ao mesmo tempo levantando questões válidas sobre até que ponto seres sapientes podem bancar Deus e criar uma vida nova. É a partir de Jenkins que surgem as questões do livro mais eticamente complexas.

 

Sissix é a personagem que pilota a nave. Ela é uma aandriskana, bem diferente dos humanos, tanto nos costumes quanto na aparência. Os aandriskanos demonstram afeto de forma física muito mais aberta que outros, além de terem vários núcleos familiares. Entre os aandriskanos, a família que eles escolhem estar, que cuida deles durante seu crescimento, é mais importante que a família de sangue. Além disso, Sissix é uma das representações mais positivas na ficção de personagens com relacionamento poliamoroso. Pessoas que optam por relacionamentos não monogâmicos ainda são mal vistas em nossa sociedade, e os poucos personagens da ficção que se encaixam nesse modelo são considerados vilões ou não confiáveis. Com Sissix, temos uma personagem complexa, com uma família muito amorosa e relacionamentos fortes que não se encaixam em nosso padrão mais conservador, e esses aspectos nunca são usados para diminuir a personagem. Talvez, de todas as pessoas da Andarilha, seja Sissix  a que tem a maior estabilidade familiar e de relacionamento. Ao contrário do que podem imaginar acerca das pessoas que optam por relacionamentos parecidos com os de Sissix, através da personagem vemos que ela entende perfeitamente que nem todo mundo é obrigado a tomar as mesmas decisões que ela. Felizmente, quando Sissix se envolve romanticamente no livro, em vez de ela mudar seu jeito pelo “verdadeiro amor”, vemos que as pessoas respeitam e aceitam seus costumes.

 

Outro personagem interessante para a diversidade do livro é Dr. Chef. Ele conta para Rosemary sobre sua raça, os Grum. Para eles, o gênero é algo que muda ao longo da vida, eles começam como mulheres, passam a se identificar como homens e em seus últimos anos se entendem como não binários. Em nenhum momento ele é questionado sobre isso, desrespeitado ou desmerecido pela maneira como entende seu gênero. A dúvida de Rosemary em relação ao assunto existe por ela ser nova no espaço e não conhecer muito sobre as outras raças, mas a partir do momento em que aprende passa a chamar Dr. Chef da maneira que o personagem prefere.

 

Além da variedade, um dos grandes acertos do livro é fazer que essas questões de representatividade não sejam o ponto principal do arco dos personagens. É óbvio que é interessante uma história em que uma mulher vence em uma sociedade machista, mas Becky Chambers construiu um universo inteiro no futuro em que os problemas são outros. O arco de Rosemary nunca é sobre ela ser uma mulher negra. Para nós, leitores, isso é importante, porque não vemos isso com frequência, porém pessoas que não se encaixam no padrão da sociedade também possuem outras questões além daquilo que os torna uma minoria. É muito bom ler um livro com personagens tão diversos no qual eles podem ser mais do que apenas um elemento, em que os problemas de sua vida são relacionados a todo tipo de questões que você encontraria em um protagonista padrão.

 

Há outros personagens que valem a pena ser notados. Kissy é uma engenheira, uma função que normalmente vai para o personagem homem. Corbin é o único que faz um comentário racista no livro, e é imediatamente repreendido por sua atitude. Becky Chambers usa o gênero de ficção científica da melhor forma possível para mostrar que as histórias podem ter muito mais que o homem padrão, que os conflitos não precisam ser clichês e que há valor e oportunidade quando estamos abertos para a diversidade. Há inúmeras possibilidades de construção de personagens, ainda mais na ficção científica, e todo mundo que insiste em uma narrativa e em personagens conservadores tem um pouco a aprender com Becky Chambers.

A Torre Negra – Se fosse da década de 80, hoje seria um clássico.

Se você veio até aqui achando que eu ia cavacar desculpas para dizer que eu gostei do filme, sinto muito. A Torre Negra é um filme medíocre, com uma narrativa cheia de exposição, com personagens femininas estereotipadas, caindo em todos os clichês e que não traz absolutamente nada de novo ao mundo das histórias que misturam sci-fi e fantasia. Pelo que eu conheço da história do livro, A Torre Negra é também uma péssima adaptação.

Dito tudo isso, se esse filme tivesse sido lançado na década de 80, hoje ele seria considerado um clássico geracional. O pôster, daqueles que são novos, mas têm a marquinha digital para fingir que é velho, ia estar emoldurado na parede de muito marmanjo nerd. Porque no fundo, A Torre Negra é a cópia cuspida e escarrada dos clássicos infanto-juvenis da década de 80. Os clássicos para garotos, obviamente.

O plot pode ser resumido em: Um adolescente desajustado, mas que na verdade possui um grande poder/habilidade, encontra um adulto/ser mágico/extraterrestre, os dois ficam amigos, lutam contra o mal e vencem. Existe algum tipo de moral aí no meio.

Te lembrou de alguma coisa? A mim também.

The Last Starfighter, Back To The Future, Masters of The Universe, Terminator 2 e DragonSlayer. Eu sei que Terminator 2 é de 1991, mas vocês entenderam. Optei por manter Star Wars de fora porque não estou procurando Treta. Oh, pera. Droga.

Obviamente ser uma cópia perfeita de qualquer plot de filmes da década de 80 não é sinônimo de qualidade. Eu saí do cinema com a sensação de que, fosse A Torre Negra uma obra original e não uma adaptação e, tivessem os produtores/roteiristas aproveitado melhor o clima nostalgia e saudosismo, teríamos aí o novo Stranger Things.

O universo da A Torre Negra tem um monte de elementos legais que, bem feitos, entregariam um clima muito “maneirinho oitentista”. A arma do Pistoleiro é feita do ferro da espada do equivalente ao Rei Arthur do seu mundo, quão maneiro é isso? Toda a fala dos Pistoleiros com o rolê “quem mata com a mão esqueceu o rosto do seu pai, eu mato com o coração” é ridiculamente legal e vai ficar grudada na minha cabeça na mesma proporção do Juramento do Lanterna Verde. São muitos elementos legais, mas mal utilizados. Talvez, se eles tivessem abraçado essa versão como algo alternativo ao livro, do ponto de vista de Jake, então eles tivessem conseguido alcançar um público específico que se interessa por narrativas de contos de fadas masculinos com cowboys…?

Se você foi uma das pessoas que achou que os problemas da adaptação começaram quando escalaram Idris Elba no papel de Roland/O Pistoleiro, você está errado (além de provavelmente ser um pensamento de base racista). Elba faz milagre com o pouco que lhe deram de roteiro e história que, mesmo com os milhões de diálogos de exposição, consegue entregar um personagem relativamente interessante. E ninguém, absolutamente ninguém, ficaria tão cool quanto ele ao recarregar aquela arma. Socorro. Matthew McConaughey, por outro lado, esqueceu em casa a cartilha de atuação e resolveu que ia só levantar e abaixar sobrancelhas, maneirar no sotaque e é isso. Flag tem tanta emoção ou complexidade quanto o abajur da minha sala, só que o meu abajur pelo menos tem uma função factível e com a qual é possível se relacionar.

SPOILER: Esse filme é tão década de 80 que eles terminam o filme comendo um cachorro-quente em NY.

Uma das coisas nas quais A Torre Negra mais encaixa nesse clima “filme da década de 80” é na representação feminina. Eu posso estar errada mas, pelo menos no primeiro livro, Jake Chambers mal fala da família e da mãe. No filme optou-se por ter uma mãe (a maravilhosa Katheryn Winnick, de Vikings) e matá-la como maneira a motivar Jake – motivação essa desnecessária, já que desde que descobriu o seu chamado ele sentou na primeira fileira do trem do heroísmo e escolheu a janela. Mas o que é um filme de sci-fi/fantasia sem uma personagem feminina ser queimada vida, não é mesmo? Temos também o clichê/estereótipo da mulher asiática mística na presença de Arra, uma personagem que tem poderes similares ao de Jake, que é literalmente a “gatekeeper” e que também morre pelas mãos de Flag. Bingo! o/

Vale a pena assistir A Torre Negra? Olha, ver Idris Elba gigante numa tela de cinema sempre vale a pena. Verdades a parte, se você colocar de lado que é uma adaptação, e entrar na história com a mentalidade de que esse é um filme medíocre da década de 80 que hoje virou clássico só porque os meninos gostaram quando criança, então talvez. Caso contrário, é melhor esperar até os direitos do livro estarem novamente no mercado e alguém fazer uma adaptação em série de televisão para a HBO. Fica aí a dica, que tal substituir Confederate por A Torre Negra?

Toda Frida – Representatividade e Girl Power em Linha de Roupas!

Quando você é nerd, ou só gosta de um filme/quadrinho/série, e quer comprar uma camiseta com a sua personagem feminina favorita, essa missão pode acabar se tornando um grande fracasso. Por isso, aqui no Collant, a gente adora a Toda Frida.

Pra quem não está ligando “o nome à pessoa”, a Toda Frida é a loja que transforma as ilustrações maravilhosas do Fight Like a Girl, da Kaol Porfírio, em camisetas e moletons. A coleção traz uma variedade imensa de personagens, cobrindo tanto o mundo dos filmes, como séries de televisão, animes, animações, quadrinhos, videogames e mulheres reais também!

Uma das coisas mais legais da marca é que ela se preocupa de verdade com representatividade. Além de usar modelos “reais”, mulheres que caminham entre nós mortais, que não nos encaixamos no padrão passarela de corpo, ela também tem do tamanho PP até o 3G!

A gente fez uma seleção das nossas estampas favoritas, todas transbordando GRL PWR!

Crystal Gems

Para o dia em que você precisa dazamigas para vencer o mal.

Nina Simone

Para o dia em que você acorda no clima de música e inspiração.

Max e Chloe

Para quando você lembra que apesar de tudo… Amor. <3 

Kamala Khan

Para o dia em que você acorda super-heroína, mas com os problemas de uma adolescente normal.

Hermione

Para o dia em que você acorda mágica, mas sabe que vai precisar de mais do que isso na prova da faculdade.

Mulher Maravilha

Quando você sabe que é poderosa, maravilhosa e chuta bundas como ninguém.

Arya Stark

Para os dias em que você vai precisar de muito mais do que a sua carinha bonita pra vencer a lista de to-dos.

Rey

Para os dias em que vão parecer jornadas inteiras em galáxias distantes. 

Tempestade

Porque você é a rainha da p***a toda e todo mundo sabe disso.

Marie Curie

Para os dias em que você sente que vai deixar um rastro de descobertas fabulosas.

011

Para o dia em que sair da cama precisa da força de atravessar para um outro universo.

Commander Shepard

Para os dias em que você está no clima de salvar a galáxia – e fazer isso com estilo.

Malala

Para o dia em que tudo parece ruim e você precisa de um pouco mais de esperança.

Lá no site da Toda Frida tem mais um monte de opções de heroínas – reais ou não! Então corre lá e já garante a sua!

Force Friday, as Irmãs Tico e Olha Essa Coisa Linda Chamada Representação!

Sim, sim. Eu sei. A Force Friday não passa de um evento para vender a maior quantidade de merchandising possível – no menor tempo possível. E eu mesma não saí de casa para virar a noite numa loja de brinquedos para comprar bonecos de Star Wars. MAS, isso não quer dizer que esse tipo de evento não pode resultar em coisas legais.

Como, por exemplo, algumas das reações à presença das Irmãs Tico na infinita seleção de brinquedos de Star Wars.

Eu acho que desde Pacific Rim (Círculo de Fogo) toda vez que eu vejo uma protagonista feminina chutar bundas, eu não consigo evitar o choro. Nas duas últimas vezes que eu fui ao cinema assistir Star Wars o filme nem tinha começado e eu já tinha os meus olhos cheios d’água. Furiosa me fez sair do cinema recarregada e de olhos inchados. O mesmo com Mulher-Maravilha. Eu sei o quão incrível é olhar para a tela e se ver representada, mas eu sou branca e só dessa listinha que eu fiz a maioria absoluta é de mulheres brancas.

Veja bem, Rose e Paige Tico não são protagonistas de Star Wars: Os Últimos Jedi (SOCORRO ESSA FALTA DE S ME MATA), mas elas são uma representação muito, mas muito difícil de se ver em filmes blockbusters de Hollywood – mulheres asiáticas. Diversas vezes nós vimos mulheres brancas assumindo papéis que originalmente deveriam ser de atrizes de ascendência ou origem asiática, então é mais do que só legal ver que elas vão sim estar na tela. Como DUAS IRMÃS REBELDES CHUTADORAS DE BUNDAS IMPERIAIS.

Tudo isso pra dizer que não tem como não achar legal a atriz Kelly Marie Tran, aka Rose Tico, abraçada em versões toys dela mesma! <3

Toda vez que alguém te disser que representação não importa porque nós deveríamos ser capazes de nos vermos em todo ser humano, manda essas fotos e pede pra conversar DEPOIS. Star Wars e todo o merchandising são sim produtos consumíveis, mas tentar dissociar esse tipo de representação da nossa sociedade é um tanto de ingenuidade. Agora é torcer, e cobrar, pra que cada vez mais Star Wars e os outros universos ficcionais que a gente tanto ama abracem mais e mais diversidade. Eu ainda quero ver a adaptação de Estrelas Perdidas. 😉

Star Wars: Os Últimos Jedi estréia no dia 15 de Dezembro (que não vai chegar rápido o suficiente).

Resenha | A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil

Há algumas semanas, anunciamos que a Darkside lançaria A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, de Becky Chambers. A editora nos mandou uma cópia do livro e agora podemos contar um pouco do que achamos! Pode ler tranquilo, porque não vai ter spoilers.

Rosemary é uma guarda-livros humana que mora em Marte. Ela é enviada para trabalhar na Andarilha, uma nave especializada em abrir “túneis” de um ponto a outro no espaço. Lá, ela conhece o Capitão Ashby e sua tripulação, composta de várias pessoas diferentes, tanto por serem de várias raças alienígenas como também por terem costumes e opiniões variadas. Enquanto ela está se adaptando ao novo emprego, Ashby recebe uma proposta de trabalho para a Andarilha. Essa jornada os levará até Hedra Ka, o tal pequeno planeta hostil. É uma viagem perigosa, já que a raça que vive lá está em guerra, porém é um trabalho tão bem remunerado que Ashby não vê porque eles não devem tentar. Afinal, a Andarilha não é uma nave de guerra – essa conexão, inclusive, poderia fazer a paz entre as raças da Gallatic Commons (GC) e as que vivem nessa região.

A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil tem tudo o que os fãs de ficção científica mais amam: Longas viagens intergalácticas, alienígenas, alta tecnologia e até interação com IAs (inteligência artificial). Becky Chambers nos apresenta esse universo gigantesco, cheio de coisas novas e interessantes para o leitor mergulhar nelas. Uma das minhas maiores críticas à literatura de ficção científica é como as diferentes raças são apresentadas e explicadas. Quando estamos em um meio audiovisual, ou até num quadrinho ou videogame, o fator visual nos ajuda a entender essas novas raças, mas na literatura ficamos apenas com a descrição. Não é muito difícil que um autor apenas jogue informações no livro, deixando confuso para quem não conhece o universo criado e que vai ficar sem entender quem são esses alienígenas. Em A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, a autora consegue nos apresentar sem problemas às raças que cruzam o caminho de Rosemary, falando sobre sua aparência, cultura e diferenças em relação aos humanos. Obviamente, no começo você fica um pouco perdido, mas Becky Chambers consegue encaixar esses momentos de exposição de forma divertida e interessante.

Talvez exatamente pela autora tomar esse tempo para explicar, os momentos “senta que lá vem história” acontecem com alguma frequência. Momentos de exposição muito longos podem ser um problema, mas em pouquíssimos deles me peguei ficando distraída da leitura, porque o conteúdo é tão interessante que queremos realmente sentar para ouvir a história. Por mais que os nomes sejam complicados, cada raça alienígena é tão distinta e com características tão marcantes que podemos até não saber direito pronunciá-los, mas lembramos os fatores importantes. Isso também vale para os momentos em que novas tecnologias são explicadas. Alguns deles são um pouco longos, mas a autora consegue explicar bem como esses aspectos funcionam nesse universo.

Os personagens são fantásticos. A Andarilha é composta por nove tripulantes, incluindo sua IA. Em um grupo grande de personagens, é esperado que alguns deles acabem ficando de lado. Becky Chambers de fato dá mais foco para uns do que para outros, mas ela consegue balancear tão bem o momento de cada um deles que acabamos conhecendo nove personagens densos, complexos e com arcos bem interessantes. Até personagens que eu considerava chatos se tornaram muito mais legais quando tiveram seu momento no holofote. Nenhum deles é uma cópia do outro, por mais que compartilhem o objetivo de terminar seu trabalho – cada um tem um conflito interno que aparece e recebe uma conclusão ao longo do livro.

 

Isso acaba resultando em um dos poucos pontos negativos do livro. Becky Chambers escolhe dar foco para os personagens, mas a história principal em si, a jornada até o planeta hostil, acaba ficando em segundo plano. Eventualmente, esse conflito “principal” tem sua conclusão, mas acaba sendo algo muito menor do que a história de cada um dos personagens. Por mais que eu encare isso como um defeito, essa escolha não afeta em nada a qualidade do livro, porque os personagens são tão ricos e seus conflitos tão interessantes, que o que importa de fato é ver como eles vão se virar e reagir diante das inúmeras coisas que vão acontecendo emseu redor, mesmo que as mais banais.

Muitas vezes vemos a ficção científica ser um lugar com muito mais espaço para personagens homens padrão do que qualquer outro tipo de personagem mais diverso. Em A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, vemos todos os tipos de personagens. Boa parte da tripulação é composta por mulheres, todas elas bem diferentes e fugindo de qualquer estereótipo. Mesmo os homens da tripulação possuem representações interessantes, longe da masculinidade tóxica que conhecemos. Há também personagens negros, variedade de sexualidades, um personagem não binário e até a representação de relações poliamorosas.

Além de personagens incríveis, outro ponto muito bom do livro é a mensagem geral que ele passa. Por existirem inúmeras raças vivendo juntas, há toda uma discussão sobre aceitar o outro, buscar entender o que é diferente, respeitar a pessoa que está a seu lado e sobre como preconceito é algo que não deve ter espaço na sociedade. Quando algum personagem é preconceituoso, os outros em seu redor não perdem tempo em repreendê-lo. Em tempos como os atuais, em que uma onda conservadora ganha força em vários pontos do mundo, em que discursos perigosos e preconceituosos ganham cada vez mais espaço, é importante que a cultura pop esteja disposta a mostrar que a intolerância não é o caminho. A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil mostra que, para vivermos em sociedade com pessoas diferentes, devemos ser tolerantes, respeitar e ter empatia.

A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é um livro muito bom. Recomendo bastante que todos leiam, e mesmo quem não é muito fã de ficção científica deveria dar uma chance. Além de ter um universo muito rico e interessante, é muito divertido acompanhar o desenvolvimento dos personagens. Sem contar que, nesses tempos atuais, precisamos de mais obras que falem sobre pessoas tendo empatia e conseguindo criar sociedades melhores.

O livro já está a venda pela Darkside.

7º Episódio: The Dragon and the Wolf | 7ª Temporada de Game of Thrones

Mais uma temporada de Game of Thrones chega ao fim. Com um episódio de uma hora e meia, The Dragon and the Wolf deixa tudo preparado para o grande conflito que vai dar um ponto final na história de Westeros. Arcos foram concluídos e muitas decisões foram tomadas, nem todas da melhor forma.

O episódio no geral é divertido, a segunda metade é melhor que a primeira. Infelizmente, The Dragon and the Wolf começa de forma mais maçante e, inclusive, com algumas incoerências, mas com o tempo vai melhorando o ritmo e chegando no final. Algumas coisas de fato foram bem previsíveis, mas certos pontos da trama só tinham um caminho para ir até agora.

Por mais que Game of Thrones, como já mencionei antes, saiba fazer um show, as incoerências de roteiro ainda fazem com que certas cenas percam a força. Em alguns momentos, é como se eles tivessem medo de escolher caminhos arriscados, que é uma das grandes característica da série, que faz tanta gente gostar de assistir Game of Thrones. Entre momentos ruins e outros que nos fizeram vibrar, a série conclui sua penúltima temporada.

A partir daqui o texto terá spoilers do episódio.

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