Como as fanfics me ajudaram a escrever melhor

Eu sei o que você pode estar pensando. Quando pensamos nesse assunto, o automático é que nossa mente vá para Cinquenta Tons de Cinza, um livro que acho que todos nós podemos concordar que é bem ruim. Para quem não sabe, a história veio de uma fanfic de Crepúsculo.

Por esse e outros motivos, criou-se essa imagem de que fanfics são sempre ruins, mal escritas e de pouca qualidade. Não que não existam fanfics ruins, todo mundo aí que já gastou madrugadas no AO3, procurando histórias do seu ship preferido, já encontrou histórias que dá vontade de desver. Mas a coisa legal do mundo das fanfics é que é todo um espaço mágico, com espaço para histórias ruins e, veja só, outras que de fato são boas.

Se você é, assim como eu, uma pessoa que de vez em quando passa um tempo caçando fanfic, você provavelmente já se deparou com uma história boa de verdade. Não só os fatos são bem colocados, mas a própria escrita em si era bem feita. Sim, elas existem, dá uma chance para o seu fandom e eu garanto que você vai achar alguma que vale a pena.

Piadas na internet a parte, e eu gosto sim de brincadeiras com fanfics, essa parte do fandom e a prática de escrever essas histórias podem ajudar futuros escritores mais do que você pensa. Pelo menos para mim eu sei que ajudou. Hoje eu estou trabalhando em um projeto original meu e, quando tudo der certo, eu vou saber que parte disso é porque eu pratiquei por algum tempo com as tais das fanfics.

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O poder de inclusão das microcomunidades femininas no universo gamer

Autora convidada: Sara Storrer.

Se você é frequentador do Collant, provavelmente já sabe que o universo gamer é majoritariamente  feminino. Ao menos no que diz respeito ao número de consumidores atuais. De acordo com uma pesquisa divulgada durante a Campus Party 2015, 52,6% do total de jogadores do Brasil* se identificam como mulheres. Esses 52% se repetem também ao elevar a pesquisa para nível internacional**.

Se somos maioria, por que então o titulo diz “microcomunidades”? Essa pergunta pode facilmente ser respondida por qualquer mulher que jogue videogames. A segregação de gênero tanto da indústria – quando opta por não incluir as mulheres como público alvo ou não garante representatividade -, quanto da própria comunidade, causa o isolamento das jogadoras. Você é mulher, logo não joga bem, logo não pode fazer parte do meu grupo. E, no fim, tudo aponta para você e diz: “jogue sozinha ou não jogue”.

Acontece que existe um movimento que sempre se opõe à exclusão: a resistência. E a resistência é um movimento lindo, porque é capaz de despertar nas pessoas um senso de identidade que as une e fortalece enquanto grupo. Isso acontece em todo lugar, todo o tempo, inclusive na comunidade gamer.

Enquanto se vê muito poucas mulheres em equipes de e-sports, por exemplo, existem milhares de outras que são filhas desse movimento de resistir e, quando se unem, formam comunidades só de mulheres. Não se engane, a resistência aqui vai além da luta por espaço que existe e é importantíssima. Essa resistência é principalmente sobre o exercício do direito básico e extremamente legítimo de poder ter acesso ao entretenimento negado em função do gênero.

Quantas coisas são negadas às mulheres? Você, mulher, o que já deixou de fazer por ser mulher?

Quando o feminismo usa o argumento da conquista (conquistar espaço, conquistar voz, conquistar direitos), o significado prático não deve ser compreendido como um posicionamento imperialista. Não é sobre se sobrepor a outros indivíduos para que se faça valer sua vontade. A conquista é sobre não ter mais suas necessidades e vontades controladas por outras pessoas.

Se temos mulheres se unindo pelo direito de jogar videogames em paz, conseguimos observar muito bem o quanto é possível melhorar a qualidade de vida de um grupo apenas permitindo que ele tenha tantos direitos quanto os outros. As microcomunidades de gamers mulheres tem essa função aparentemente fútil de tornar uma partida de multiplayer, por exemplo, possível, mas pense comigo: quantas liberdades são tiradas de uma pessoa quando se nega a ela uma futilidade? Liberdades demais.

As microcomunidades femininas garantem também tranquilidade. É seguro afirmar que quase toda mulher já se sentiu ameaçada, ofendida e/ou assediada pela comunidade gamer tradicional (também conhecida como: masculina). Estamos falando de uma comunidade que demonstra um atraso extremo no que se refere a direitos humanos: por onde você olha existe homofobia, racismo, xenofobia e, é claro, muita misoginia. Criar um ambiente seguro para as mulheres, melhor ainda se formado por mulheres, faz a diferença no momento da opção por este tipo de entretenimento e tem o poder de permitir a conquista do espaço gamer pelas mulheres. As estatísticas já afirmam que o espaço é nosso. Agora, unidas, nós vamos tomá-lo.

*https://www.pesquisagamebrasil.com.br/pesquisa-2015
**https://www.theguardian.com/commentisfree/2014/sep/18/52-percent-people-playing-games-women-industry-doesnt-know


Sara Storrer

Nerd feminista típica. Não aguenta três minutos de Resident Evil, mas acredita do fundo do coração que ajudaria a perpetuar a raça humana em caso de apocalipse zumbi.

Vilões que amamos, vilãs que odiamos

Muito já foi dito sobre o fascínio que vários fãs têm pelos vilões das histórias. Eles são espertos, charmosos e às vezes com histórias mais desenvolvidas que os protagonistas. É só olhar para Loki, Hannibal ou o Coringa, mesmo fazendo coisas horríveis, ainda há várias pessoas que são fãs desses personagens. Não há nada de errado em gostar desses personagens, eu mesma gosto dos três, mas há uma diferença gigantesca em gostar do personagem e endeusar seus atos. Vou falar disso ao longo do texto, mas na verdade é em outra questão que quero me focar.

 

Ao mesmo tempo que existem vilões amados pelos fãs, existe um tipo que geralmente são odiados, ou melhor, odiadas. Nessa lista entra Cersei, Vee e Regina, vilãs que, apesar de terem seus fãs, possuem uma lista muito grande de haters. A diferença entre elas e os outros três que mencionei antes é que elas são mulheres.

 

Há uma tendência em odiarmos personagens mulheres em geral, mesmo as que não fizeram nada de errado, como Sansa ou Riley. Porém, quando olhamos para os vilões, fica óbvio pra mim que há um tratamento muito diferente entre os vilões e as vilãs. Há sempre várias pessoas com inúmeros argumentos contra elas, mas qualquer um contra um dos vilões é diminuído por qualquer motivo que seja.

 

Então resolvi escrever um pouco sobre o que tenho observado sobre esses personagens e sobre como, mesmo entre o covil maligno dos vilões, existe machismo.

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