Cinco Garotas Adolescentes que Viajaram no Tempo!

A cultura pop está recheada de histórias sobre viagens no tempo. O que aconteceu no passado pode ser mudado? E o futuro, podemos mudá-lo também? Quais as consequências disso? Devemos evitar as grandes tragédias das gerações anteriores, ou deixar a história seguir o seu rumo? Todas essas perguntas aparecem em diferentes situações por um monte de universos ficcionais. E a gente adora!

Apesar de adorar trama com viagens no tempo uma coisa sempre me incomodou: são poucas as mulheres que realmente fazem esses passeios. Quando falamos sobre garotas adolescentes então, fica ainda mais difícil achá-las, mesmo em YA’s de sci-fi! Ainda assim, existem algumas garotas adolescentes que fizeram essas viagens não apenas como acompanhantes, mas como agentes centrais da história e de mudanças. Compilei algumas delas numa listinha que tem garotas viajantes do tempo para todos os gostos.

Kitty Pride – Dias de Um Futuro Esquecido

Em uma das fases mais clássicas dos X-Men, e que inspirou o último filme da franquia, Kitty Pride vivem num futuro distópico onde os mutantes estão presos em campos de concentração. Kitty então transfere a sua mente para uma versão mais jovem de si mesma e com a ajuda dos X-Men precisa evitar um momento crucial e fatal que serviu de estopim para a histeria anti-mutante. Tecnicamente é a Kitty adulta que viaja, mas como toda a ação principal acontece enquanto ela é adolescente, entrou na lista! Quando a história foi adaptada para o cinema ao invés de mandar a mente dela mesma, Kitty mandou a mente de Wolverine de volta para o Logan da década de 70.

Aqui no Brasil a Panini lançou a versão em quadrinhos (que você consegue comprar aqui), e a Novo Século lançou a novelização da saga (que você consegue comprar aqui).

Kate – Trilogia Chronos: Viajantes do Tempo

Imagina descobrir que a sua avó é uma viajante do tempo. E não só isso, que ela nasceu no futuro, de lá trouxe a tecnologia e que os segredos da sua família podem não só te transformar numa viajante no tempo, mas também te tornar responsável por impedir um desastre eminente? Kate é determinada a conseguir – e descobrir – tudo que ela quer, mesmo quando todos a sua volta aconselham o contrário. Mas como estamos falando de viagem no tempo ela precisa tomar muito cuidado para não alterar não só o futuro como conhecemos, mas para não apagar a sua própria existência. Chronos é um YA cheio de aventura, mistérios e romance!

O livro Chronos: Viajantes do Tempo, da autora Rysa Walker, é o último lançamento da DarkSide Books no selo Darklove. Você pode comprá-lo aqui.

Hagome/Kagome – Inuyasha

Imagina que um dia você cai, sem querer, num poço e quando se dá conta está na Idade Feudal Japonesa, uma era em que mulheres tinham ainda menos direitos e que, pra piorar tudo, está infestada por Yokais (demônios)? Eu pularia de volta no poço para nunca mais voltar, mas como Hagome não sou eu, ela não só fica num eterno ir e vir como também leva o almoço que a mãe dela faz para os amigos de outra era e assume uma posição central na luta contra os yokais. Inuyasha é bastante centrada no personagem título, mas eu sempre achei formidável o modo como Hagome caminha livremente entre uma era e outra, sem grandes preocupações e sempre correndo imenso risco de vida.

Puella Magi Madoka Magica

Eu não vou revelar qual personagem viaja no tempo porque esse é parte do mistério do anime, mas eu vou sempre pegar qualquer oportunidade para indicar um dos melhores desenhos que eu assisti em muito tempo. “Sailor Moon da bad infinita” é, talvez, o melhor resumo do que é Madoka Mágica. Uma série de garotas mágicas com uma pegada bem mais violenta, um tom mais macabro e realista, e uma animação inovadora, Madoka traz viagem no tempo como um recurso de narrativa que ajuda a sustentar a inevitabilidade trágica que é ser uma Garota Mágica em um universo que não é gentil como o da princesa da lua.

Você consegue assistir Madoka Magica no Netflix Brasil.

Max – Life is Strange

Depois de salvar acidentalmente a colega Chloe da morte, Max percebe que tem o poder de viajar no tempo. Inicialmente as viagens duram poucos segundos, que ela usa para mudar pequenos eventos, mas a medida que o jogo vai avançando, os poderes dela também vão aumentando. Max é uma adolescente introvertida e com poucos amigos, mas as escolhas do jogador acabam gerando mudanças nela e em suas relações. Ela entende a responsabilidade que tem com esse poder, mas acaba entrando em varias situações, inclusive algumas que saem de seu controle, culminando em decisões complexas. As escolhas de Max afetam tanto a sua vida, quanto a vida das pessoas ao seu redor, sendo que cada pequeno evento mudado pode alterar completamente a linha do tempo em que ela se encontra.

Life is Strange está disponível para Playstation, XBox e PC.

Consegue se lembrar de mais alguma garota adolescente que saiu por aí mexendo pelo tempo? Manda pra gente nos comentários!

Até mais! 😉

Este post é um oferecimento da Darkside Books.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Anne With an E”: Feminismo, erros e acertos.

Você deve ter ouvido falar da série “Anne With an E”, disponível na Netflix. A produção, que é de uma emissora canadense, estreou meio tímida, ganhou algumas repercussões, mas voltou ao silêncio. Aí fica aquela pergunta: vale apena assistir?

A série (com seus pequenos defeitos) é uma surpresa agradável para aqueles que gostam de produções com personagens femininas como protagonistas e ainda mais para aqueles que não conhecem a história de Anne Shirley, a adolescente que dá nome à série.

“Anne With an E”, mesmo que de forma tímida, consegue despertar a discussão de temas importantes sobre o que é ser mulher. Desde a criação de meninas para estudar ou cuidarem do lar, à “vergonha” da menstruação, por exemplo.

Antes de me debruçar sobre a série preciso deixar uma coisa clara: eu comecei a assistir “Anne With an E” sem saber que ela era baseada na história de Anne de Green Gables, livro de 1908 de Lucy Maud Montgomery. Talvez por isso o enredo tenha me chamado tanto a atenção e aqui é preciso fazer uma pontuação importante.

Há duas opiniões extremamente demarcadas sobre “Anne With na E”: para aqueles que conhecem a história da personagem Anne Shirley, a adaptação deixou a desejar tanto na construção da personagem principal como na forma de demonstrar o feminismo “intrínseco” dela; por outro lado, aqueles que não conheciam aprovaram os questionamentos e discussões abordadas na série.

Aqui, como não conhecia muito bem a história de Anne, primeiro vou expor minhas opiniões sobre a adaptação – mas no fim de tudo pontuo as críticas negativas.

 

“Anne With na E” – 🙂 

A minha surpresa (positiva) começou logo nos primeiros episódios, mas foi no 3º que eu percebi a intencionalidade da série de mostrar pinceladas de um feminismo. Nele, um grupo de mães se reúne para discutir a educação das filhas. O motivo? Elas acreditam que suas meninas merecem os mesmos direitos que os meninos. Em uma das cenas, inclusive, uma das mães faz menção ao “feminismo”, um termo que começava a ser descoberto.

A criação de meninas volta a ser discutida, e dessa vez com mais profundidade, quando Anne se recusa a ir para a escola e o padre local diz que não há problema, já que as meninas deveriam aprender a cuidar do lar para seus maridos no futuro.

Ele diz: “ela deve ficar em casa e aprender a cuidar do lar até que se case. E então o grande Deus disse: ‘não é bom para o homem ficar sozinho, eu devo fazer uma ajudante para ele’. Não há porque ela se preocupar com educação. Toda jovem deve aprender a ser uma boa esposa”.

Reprodução

Ou seja: ambas as cenas mostram a presença absoluta do patriarcalismo. Na cena com o padre, vemos a realidade da época, que apesar de ser anos atrás, é perceptível ainda hoje na sociedade. Na cena com as mães, percebemos um relance de resistência e, por causa dela, conseguimos contrapor as duas realidades para criarmos, fora das telas, um momento de discussão.

A frase do padre desperta em Marilla, que é a “mãe adotiva” de Anne, um sentimento de impotência. Ela entende, pela primeira vez, que foi criada sem opção. A vida inteira ela cuidou da casa e do irmão e achou que não tinha como mudar isso. Agora, além de ver que há, ela sente uma ponta de revolta por ser apenas a “ajudante” e receber somente esse reconhecimento: auxiliar do irmão que trabalha e leva todos os méritos.

Outro comportamento de 2 personagens também deixa claro o feminismo natural da série. Anne diz que, apesar de querer ser noiva, não quer ser uma esposa (no sentido de cuidar apenas da casa e do marido). Além disso, ela diz que só se casará caso haja atração por intelectual. Josephine, tia da melhor amiga de Anne, é um dos melhores exemplos femininos para a protagonista, que não só apoia essa decisão como a incentiva.

“Vou te dar dois conselhos. Primeiro: você poderá se casar em qualquer momento da sua vida, se assim desejar. Segundo: tendo uma carreira, você pode comprar um vestido branco, fazer do seu gosto e usar quando bem entender. Sou a favor de trilharmos nosso caminho no mundo”.

Tia Josephine (que nunca se casou e viveu a vida toda ao lado de sua “companheira”) se torna uma mentora de Anne e mostra para ela que é possível escolher a profissão que quiser sem abdicar da possibilidade de se casar, caso queira, e sem se tornar uma esposa “do lar”.

Outro momento da série que provoca um certo incômodo é quando Anne tem sua primeira menstruação. Na escola, suas amigas dizem que ela deve esconder isso, afinal: “o ciclo menstrual é algo vergonhoso”.

De fato, a menstruação é considerada um tabu até hoje. Mas a forma como as meninas explicam para Anne desperta aquela sensação de “isso não deveria ser assim”.

Aqui vale um parênteses: a atriz que vive Anne, Amybeth McNulty, consegue segurar mais do que bem a série mesmo nos momentos cansativos. A intensidade que ela dá a personagem faz com que até os momentos mais tensos ou maçantes de tornem interessantes e cômicos.

Reprodução

 

“Anne With na E” – 🙁      

O que mais incomoda na série é a forma como ela trata de assuntos densos, mas os aborda com a devida profundidade. Fica, no fundo, uma sensação de que a série é um tanto fraca nesse sentido.

Além disso, “Anne With an E” tem um lado excessivamente romantizado, o que também pode ser ruim. Tá certo que Anne Shirley é uma personagem extremamente sonhadora, mas o romance e o romantismo ao tratar de certos assuntos é invocado de forma errada.

Outro ponto negativo que não vou me alongar é a forma como “Anne With an E” “se esqueceu” de personagens femininas extremamente importantes para a formação de Anne, uma delas a sua professora, um exemplo de alguém que havia seguido os estudos. Na série, Anne tem um professor.

Aqui vou citar abertamente as críticas gringas que li. Todas, ao comparar a série com a história original, foram unânimes em criticar a forma com que o feminismo que é natural de Anne foi forçado a aparecer na tela.

Explico: é como se um comportamento empoderado e feminista só fosse possível em um ambiente extremamente patriarcal. Dessa forma, vários personagens masculinos da série foram construídos como sendo a “encarnação” desse sistema para que Anne pudesse ser durona e mostrar a forma de se bater de frente e passar por cima de qualquer padrão.

A parte ruim em relação a esse ponto é a crença de que só conseguimos visualizar modelos fortes e independentes de mulheres se elas são confrontadas. Elas não podem ter essa natureza sem que haja algo contra elas. É como se algo negativo fosse necessário para fazer despertar esse feminismo.

 

Mas afinal, vale a pena assistir “Anne With na E”?

Sim! A série cumpre um papel de fazer com que os espectadores se questionem sobre todos esses pontos (e muitos outros) que levantei e até abrir discussões ainda maiores.

Além disso, ela é um prato cheio para os sonhadores que adoram frases melodramáticas e nunca se cansam de deixar a imaginação voar.

Anne, claro, é um bom exemplo para as meninas com as suas frases: “meninas podem fazer tudo o que os meninos podem e ainda mais”; “eu quero ser a heroína da minha própria história”; “vou ser a minha própria esposa”.

Reprodução

 

 

As Minas do Artists’ Alley da CCXP Tour Nordeste 2017!

Mal saímos de uma Comic Con Experience, já estamos chegando em outra – a CCXP Tour Nordeste! Infelizmente nessa edição o Collant não vai conseguir marcar presença e passar horas se perdendo nessa maravilhosidade de minas do Artists’ Alley! Mas, se você vai estar por lá, não deixe de passar nessas mesas incríveis! <3

O evento acontece nesta semana, de 13 à 16 de Abril, em Recife.

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Adriana Melo

Adriana Melo ingressou no mercado de quadrinhos depois de ter uma avaliação de portfolio, em uma convenção de quadrinhos em São Paulo, ainda aos 18 anos. Depois de um tempo treinando ao lado de outros desenhistas já ativos na industria, veio a primeira oportunidade: Homem de Ferro. A partir daí vários títulos se seguiram: Quarteto Fantástico, Surfista Prateado, Star Wars: Empire, Rose & Thorn, Witchblade, Sinestro Corps: Parallax, Miss Marvel, Birds of Prey e Catwoman entre títulos mensais e especiais. Atualmente, Adriana é a desenhista de “New Adventures of the Ninth Doctor” para a editora Titan Comics.

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Suu Hideto

Suu Hideto cursou publicidade e propaganda, trabalhou como professora de mangá na AreaE Escola de Artes, Escola de desenho Daniel Azulay e no Senac Bom Retiro como professora de desenho de moda utilizando o manga; Fez projetos independentes como a HQ “Peter Pan the Second Day”, e “Shoujo Mangá Dream” entre outros! Recentemente publicou pela editora Crás o livro “Lolita Fashion Japan” com Sandra Rybicki e Cecilia Cherullo. Pretende divulgar seus trabalhos mais recentes, a reedição de seu “Peter Pan”, “Sketchbook Suu Hideto”, o livro “Shoujo Manga Book”, e seu lançamento da light novel “Um segredo e o Gene MC1R” para esta edição do CCXP 2016 com prints de seus trabalhos aqui citados.

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Brendda Lima

Brendda Lima é ilustradora e colorista. Cearense, faz parte do coletivo Netuno Press e vai levar pra CCXP tour recife quadrinhos, prints e adesivos. Pra encontrar o trabalho dela, basta aparecer na mesa A18.

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Luna

Luna Bianca Guimarães Praun – ou simplesmente LUNA – é uma artista digital nascida e criada no Recife. Pegou gosto por desenhar quando criança e desde então não parou mais (e nem pretende). Tem preferência pela arte digital, mas se aventura por técnicas tradicionais como aquarela e gouache. Sempre gostou muito de criar histórias e agora quer mostrá-las ao mundo. Sua primeira HQ, “MOIRA”, será lançada em forma de fanzine na CCXP.

melik3scoffee.tumblr.com

facebook.com/lunapdraws

Laís M.

Recifense nascida e crescida nessa cidade. Curso design na UFPE e atualmente trabalho na Editora Universitária. Peguei gosto pelo desenho quando era ainda menor do que sou hoje (rs). Fui uma criança muito agitada, o que fez meus pais tentarem preencher todo o meu tempo e gastar toda minha energia com atividades físicas e artísticas, e foi assim que eu comecei a gostar de fazer arte. Por volta dos 11 anos eu já dominava a pintura a óleo (e também já era uma criança muito mais calma para alivio dos meus pais), mas só durante a adolescência descobri a pintura digital, a qual se tornou de longe minha maior paixão. Meus grandes objetivos são o trabalho como designer editorial e também a construção na carreira de quadrinista e ilustradora.

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Suzanne Cascardi

Olá! Sou Suzanne Cascardi, tenho 26 anos, nascida em São José dos Campos, interior de São Paulo. Sou Ilustradora digital, formada em Desenho e Animação. Trabalho como ilustradora freelancer desde 2010, me tornei um membro da Kinoene Arts e também do estúdio Tonnelada em 2013! Estarei na CCXP Tour Nordeste mostrando um pouco do meu trabalho. Encontrei na ilustração e nos quadrinhos um meio para me expressar e inspirar outros a seguir seus sonhos, levando isso em consideração estarei na CCXP Tour com meu primeiro Artbook: o LUME, um compilado de criações de personagens, ideias e releituras do mundo fantástico que sempre serviu como referência em minhas produções.

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Aline Lemos

Aline é natural de Belo Horizonte e produz quadrinhos e zines de forma independente desde 2013. Publicou o fanzine “Melindrosa – Folhetim erótico político fantástico do século XXI”, finalista no prêmio HQMix 2015 nas categorias Publicação Independente Edição Única e Novo Talento Desenhista. É colaboradora dos portais Lady’s Comics e Marsam Graphics e publica em sua página Desalineada. Nesta edição da CCXP, irá lançar seu livro Artistas Brasileiras em Quadrinhos.

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Nickyzilla

Formada em Design Gráfico, Monique Alencar sempre foi apaixonada por quadrinhos, games, cartoons, e arte em geral. Desde criança passava horas à fio desenhando constantemente seus personagens e universos favoritos, sempre tendo muito respeito e admiração por todos os profissionais envolvidos na área de ilustração (desenhistas, coloristas, arte-finalistas, etc). Em 2013 começou a trabalhar ativamente no ramo e desde então exerce o ofício como artista freelancer. Atualmente está organizando os projetos de dois quadrinhos diferentes e espera trazer a mesma alegria que sempre sentiu a outros futuros apreciadores e leitores.

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Cris Peter

Com 15 anos de experiência em colorização de quadrinhos, já trabalhou para as editoras DC Comics, Marvel, Dark Horse e Image, em títulos como “Superman/Batman”, “Astonishing X-Men”, “Quarteto Fantástico”, “Capitão América & Namor” e “Hawkeye vs Deadpool”. Em 2012, tornou-se a primeira brasileira indicada ao Prêmio Eisner. Seu trabalho também pode ser visto nas Graphic MSP “Astronauta – Magnetar”, “Astronauta – Singularidade” e “Astronauta – Assimetria”, com arte e roteiro de Danilo Beyruth. Escreveu o livro “O Uso das Cores” e atualmente desenvolve um projeto autoral “Patas Sujas”, com o coletivo Estúdio Complementares e a desenhista Érica Awano. Cris também está envolvida no selo Pagu Comics como autora do título “Quimera”. Participou da organização de painéis sobre diversidade, apresentados nas edições anteriores da CCXP, juntamente com Rebeca Puig e colaboradores.

Renata Rinaldi

Mineira, Ilustradora, publica quadrinhos desde 2013. Nasceu em cidade minúscula e cresceu em cidade pequena, mas atualmente vive e estuda em Brasília. É artista visual com o fervoroso desejo de contar histórias, pois possui o grande deslumbramento por narrativas de várias formas: ilustra, cria zines, livros-objetos, quadrinhos, desenhos e grandes planos mirabolantes. Esse desejo desembocou em aventuras diversas: fez tirinhas com selo Batata Frita Murcha, fundou e é atual integrante do coletivo de mulheres quadrinistas a Mandíbula, fez parte de diversas Antologias dentre elas o Jornal Pimba (Brasília – DF), a PLAF (Recife – PE), a Basídio (Uberlândia – MG) , a Mês (Brasília – DF), dentre outras. É integrante do selo PAGU, onde é desenhista do título trimestral D.A.D.A. publicado no Social Comics através da Editora Cândido, além das jornadas solo: Labirinto Em Linha Reta, O Pequeno Bapho e Last Rose, lançadas no cenário independente. Publica suas produções em sua página no Facebook e no instagram: @tintaderaposa. Entre um rolê e outro, gosta muito de assistir desenhos e tomar chá. <3

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Gio Guimarães

Giovanna Guimarães saiu rabiscando papéis e paredes desde criança. Aventurou-se na UFMG e mergulhou fundo no mundo da ilustração, quadrinhos e animação: suas paixões. Entre outros trabalhos, colorizou quadrinhos, criou capas e séries de cards para o mercado americano, e trabalhou em longas-metragens e séries de animação como o Irmão do Jorel na 2DLab e Copa Studio, no Rio de Janeiro. Atualmente reside em São Paulo, trabalhando como ilustradora sênior na Cool Mini Or Not, onde cria artes para games. Desenvolve projetos pessoais de ilustração, quadrinhos, animação e toy arts, e não consegue decidir se é mais viciada em Wacon e bytes ou em tintas e papéis.

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Senhoritas de Patins

“Senhoritas de Patins” é um estúdio independente de quadrinhos e ilustração fundado em 2014. As mentes conspiradoras desse projeto pertencem às amigas Fabiana Signorini e Kátia Schittine! Ambas são formadas em Cinema de Animação pela UFMG. Elas adoram desenhar, criar novas histórias e fazem trabalhos colaborativos de quadrinhos desde 2003! O nome “Senhoritas de Patins” é uma brincadeira com as traduções literais dos sobrenomes das artistas. Venha conhecer-nos e ao o nosso trabalho! http://www.senhoritasdepatins.com/

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Janaina Araujo

Sou colaboradora do Studio PBR, que foi fundado por alguns amigos meus, e estudo Design na Universidade Federal de Alagoas. Minha área de atuação é o Design Gráfico, especialmente em Histórias em Quadrinhos ou Arte Sequencial. Atualmente faço histórias em quadrinhos, ilustrações, tirinhas, roteiro, diagramação, entre outros, mas minha especialidade é a Arte Final. Desenho desde a adolescência, mas venho me profissionalizando desde 2012 até então.

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Ilustralu

Oi, eu sou a Luiza de Souza. Tenho 24 anos, cursei Comunicação Social na UFRN e larguei a vida de agência pra trabalhar com ilustração desde o início de 2014. Publiquei a HQ Contos Rabiscados para Corações Maltrapilhos em 2014 – que já está em sua 2ª edição, o zine Marcela Mulher Melhore em 2015 e comecei a web-comic Os Cool Kids em 2016. Fiz trabalhos para pessoas incríveis com histórias bonitas, agências de publicidade descoladas, portais de notícias locais e murais em diversos estabelecimentos comerciais do Rio Grande do Norte. Na CCXP Tour lançarei os zines “O Inventário Amoroso de Marcela” e “Shipp”. <3

Dessamore

Ilustradora profissional desde 2014. Iniciou na área artística por incentivo de amigos e familiares. Mesmo tendo pouco tempo na área, seus objetivos e sonhos sempre estão voltados para a área de ilustração. Fez seu primeiro zine no começo de 2017, que será lançado na CCXP. Um zine cheio de desafios para quem também gosta de ilustrar. Mantem um blog onde fala sobre a vida de ilustrador e materiais artísticos. Seus objetivos para o futuro são muitos e estão só começando.

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Marília Feldhues

Comecei minha vida profissional em 2007, trabalhando com arte para material educativo digital. Em pouco tempo comecei a trabalhar na área de jogos, animando e fazendo desenvolvimento visual. Como freelancer, paralelamente ao trabalho com jogos, já executei projetos na área de ilustração editorial para livros e revistas, ilustrações institucionais e projetos para quadrinhos. Em 2016 tive meu primeiro lançamento de quadrinho, o Cemitério dos Sonhos, roteiro do Miguel Peres. Faz um ano também que tenho trabalhado como diretora de arte para animação, área pela qual tenho imensa paixão. Recentemente comecei a produção do meu primeiro curta-metragem de animação, o “Adeus”, que será a minha estréia como diretora.

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Renata Aguiar

Desenhista desde muito pequena, criou vergonha na cara e começou a trabalhar profissionalmente com ilustração em 2013. É publicitária de formação, designer por opção e ilustradora por coração. Apaixonada por livros e ilustração infantil, juntou seus cadernos e lápis em uma sacolinha presa em um galho e cruzou o oceano para aprender mais. Adepta a desenhos com cores fortes e traços soltos, personagens com anatomia duvidosa, desproporcionais, cabeçudos, pernudos e extremamente fofinhos, juntando tudo isso criando o projeto “The Palette Challenge”.

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Atóxico (Renata Nolasco)

Atóxico (Renata Nolasco) é natural de Mossoró-RN e atua como Ilustradora e Quadrinista desde 2014. Com 21 anos, é formada em Jornalismo, porém a paixão pelos quadrinhos falou mais alto e vem trabalhando desde então com a proposta de tiras informativas. Está em processo de finalização de sua primeira novela gráfica ficcional, chamada “Apenas Ana”. Renata administra a página “Atóxico” no Facebook e Instagram, e publica seus quadrinhos no Medium (medium.com/@renatanolasco) e Tumblr (atoxicoemoral.tumblr.com). Seu trabalho tem como característica principal as cores vibrantes e traços caricatos que remetem ao estilo cartoon.

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Bianca Pinheiro

Formada em Artes Gráficas e pós-graduada em Histórias em Quadrinhos, Bianca Pinheiro começou a publicar webcomics em 2012. Sua obra mais famosa, Bear, está no terceiro volume e é publicada pela Editora Nemo desde 2014. A história narra as aventuras de uma menina perdida em busca dos pais e encontra um urso que se torna seu amigo. A quadrinista também é responsável pela graphic novel Mônica, do projeto Graphic MSP da Mauricio de Sousa Produções, e pelas HQs independentes Dora (2014) e co-autoria em Meu pai é um homem da montanha (2015). Além de algumas short comics independentes: Sustenido (2012), Adeus, Lourdes (2012), Ouro de Tolo (2012), Me Deixa Entrar, Mariana (2013), 24 Horas de Quadrinhos (2014), A Hora da Bruxa (2015) e O Instante (2015).

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Cristina Eiko

Cristina Eiko nasceu em São Paulo-SP e formou-se em Design Digital. Trabalhou com webdesign e, fã de animação, entrou no mundo da animação como assistente em “Asterix e os Vikings”, passando pelo “Segredo de Kells” e “Uma História de Amor e Fúria”. Viciada em quadrinhos, participou de um fanzine com amigos, fez tirinhas de dor-de-cotovelo e hoje em dia produz o “Quadrinhos A2”, criado com Paulo Crumbim em 2010, que conta com 4 volumes até agora. Também, junto com Paulo, fez “Penadinho – Vida”, uma das Graphics MSP, em 2015.

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Milena Azevedo

Milena Azevedo já foi professora de história e empresária, mas atualmente segue como roteirista de histórias em quadrinhos, integrando a equipe do Pagu Comics, com a HQ “Haole”. É resenhista do Universo HQ e colunista do Substantivo Plural. Já publicou quadrinhos em coletâneas regionais, nacionais e em Portugal. Em 2013, junto com o chargista Brum, fundou a MBP (selo independente de quadrinhos), lançando O Guarda-Vidas e as coletâneas Visualizando Citações (finalista por duas vezes consecutivas do Troféu HQ Mix) e Fronteira Livre (finalista do Troféu HQ Mix e do 42º Festival de Angoulême – categoria BD Alternativa). Organiza eventos de cultura pop na cidade do Natal, além de ser a curadora do setor de quadrinhos da FLiQ – Feira de Livros e Quadrinhos de Natal.

Blenda Furtado

Trabalho como Ilustradora e arte finalista, produção de artes encomendadas, ilustração institucional e editorial desde 2009. Atualmente venho participando com desenhos publicados em livros relacionados a quadrinhos, ilustração, RPG e outros. Minhas últimas publicações foram como Arte Finalista do Selo “Pagu Comics” do Streaming de Quadrinhos “Social Comics”, além de ilustrações para livros de RPG publicados nos livros “Só Aventuras V.04” e “Mundo dos Deuses” da Editora Jambô.

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Cris Camargo

Gaúcha radicada em São Paulo, Cris Camargo é formada em Comunicação e trabalha como editora e produtora de conteúdo digital, além de fazer freelances como ilustradora. Desenha desde que se conhece por gente. No momento, se dedica à produção e publicação da minissérie em quadrinhos “O Último Maranishi”, em versão digital e impressa.

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Azuos

Professora de Desenho Técnico e Artístico. Estudante de Licenciatura em Expressão Gráfica [UFPE]. Estagiou como mediadora, oferecendo cursos de ilustração para a Prefeitura do Recife, e como ilustradora em empresas de jogos educativos. Atualmente trabalha como ilustradora freelancer.

Amanda Aquino

Formada em Design / Mestranda em Design [UFPE]. Trabalhou em empresas de jogos e de publicidade. Atualmente trabalha como ilustradora e animadora freelancer. Apaixonada pela cultura japonesa, e também por quadrinhos e animações em geral, ela mal pode esperar por esse evento incrível!

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Anna Charlie

Anna Charlie é fruto do trabalho da Anna Maeda como ilustradora. A artista gosta de contar pequenas histórias e sentimentos por linhas e cores. Seus temas favoritos envolvem garotas, flores, animais e um toque de poesia. Anna aplica suas criações em diversas superfícies, como canecas, pratos decorativos, e no bom e velho papel.

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Dharilya

Dharilya desenha desde criança, e sempre gostou de explorar fantasia e terror de uma forma doce e delicada em seus trabalhos. Em 2014 publicou seu primeiro quadrinho, “Entre Monstros e Deuses” pela editora JBC na antologia “HENSHIN! mangá”. Em 2015 publicou de forma independente “A Lojinha Mágica de Medos” da coleção “Relicário HQ”, indicado ao Troféu HQMix em 2016. Atualmente ela trabalha em seu projeto pessoal, “Candy Machine” e acredita que 2017 promete bastante novidades.

Natália Prata

Ilustradora freelancer formada em Arquitetura e Urbanismo. Sou apaixonada por cultura pop, e esse amor reflete nas paletas de minhas ilustrações. Meu passatempo favorito é desenhar garotas de estética fofa. Além disso, prezo por uma melhor representação feminina na mídia.

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Ju Veríssimo

Ju Veríssimo é natural de Campina Grande/PB. Apesar da pouca idade, já participou de projetos onde trabalhou com desenvolvimento de identidade visual, diagramação e colorização. Lança Turma da Marieta em trabalho conjunto com seu pai, José Veríssimo.

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Thaïs Gualberto

Formada em Arte e Mídia pela UFCG, começou a se dedicar aos quadrinhos no fim de 2009, quando criou sua personagem “Olga, a sexóloga taradóloga”. Em 2010 formou o Coletivo WC com outros quadrinistas paraibanos, com quem publicou duas edições da revista Sanitário. Também integrou o projeto da revista Inverna, uma publicação pensada para divulgar o trabalho de quadrinistas brasileiras. Ministra oficinas na área de quadrinhos desde 2013, sendo a primeira “O processo de produção de quadrinhos para ‘não desenhistas’“ no SESC Ribeirão Preto. Participou de diversas exposições coletivas e teve uma exposição solo na Aliança Francesa de João Pessoa em 2014. Lançou seu quadrinho “Olga, a sexóloga” de forma independente em 2015 e publicou tirinhas nos jornais A União e Folha de S. Paulo. Atualmente é colaboradora do Lady’s Comics e coordenadora de quadrinhos da Fundação Espaço Cultural da Paraíba desde 2014, onde dá aulas, coordena os projetos “Espaço HQ”, “Tertúlia HQ”, “Quadrinhos Intuados – Encontro regional sobre histórias em quadrinhos” e é responsável pela Gibiteca Henfil, fundada por Henrique Magalhães em 1990.

THOR feminista me fez voltar aos quadrinhos – e tá arrasando o Filho de Odin nas vendas.

Há uns 7-8 anos atrás eu parei de comprar quadrinhos de super heróis. Na época eu tinha amado a capa da Mulher-Maravilha em Crise de Identidade e detestado o estupro e posterior morte da esposa do Homem-Elástico. “DC se aproxima do realismo”, era o que os sites especializados comentavam sobre o plot audacioso do estupro dentro da Liga da Justiça. Pra mim, apesar de ainda não estar inteirada sobre o clichê das mulheres da geladeira e mesmo no feminismo, já me soava estupidez pura. Na mesma época eu estava querendo o pescoço do Chris Claramont por conta do que ele fez com a Vampira na sua última passagem pelos X-Men. Eu acabei parando de comprar quadrinhos de super-heróis.

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Pulamos para 2014.

Apesar de não comprar mais quadrinhos eu continuava acompanhando de longe em que pé as histórias estavam, apesar de não ler é sempre difícil abandonar aqueles personagens com os quais você cresceu. Fiquei afastada até o anúncio da nova Thor, Miss Marvel e Capitã Marvel – aí eu resolvi voltar a gastar dinheiro com super-heróis.

Depois de anos sem pagar por uma revistinha, e nem baixar nenhuma ilegalmente, eu assinei Thor na Comixology. Mais tarde veio a nova Batgirl. Capitã Marvel eu compro os encadernados que saem por aqui e ainda estou devendo me atualizar na Miss Marvel. Um movimento das editoras tão simples como dar importância e relevância à personagens femininas bem desenvolvidas me fez abrir a carteira na hora. Assim como eu, várias outras mulheres e garotas responderam bem ao se verem melhor representadas. Isso trouxe, obviamente, a revolta dos fãs mais apegados ao status quo dos super-heróis.

Hoje saiu a notícia (e eu inclusive compartilhei na fanpage do blog) que a revista da Thor feminista (como não amar esse adjetivo) está vendendo mais do que quando o Filho de Odin carregava o martelo. A estreia da antiga revista “Thor: God of Thunder” vendeu 65,513 mil cópias, enquanto a estréia da nova “Thor” bateu 150,862 mil. Além disso a revista atual tem vendido mensalmente cerca de 20,000 cópias a mais do que a anterior – mantendo a mesma equipe criativa, aliás.

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Não há um dado que diga que mulheres passaram a comprar mais a revista da nova Thor, mas julgando pelo mar de male tears que inundou a internet quando da notícia da troca do possuidor do martelo, acho que dá pra considerar que o título ganhou algumas fãs femininas sim e provavelmente perdeu alguns marmanjos chatos.

O que podemos tirar disso tudo? Primeiro que com histórias bem contadas e valorizando as personagens femininas o alcance das edições e títulos será muito maior, com representatividade maior mais pessoas estarão dispostas a gastar dinheiro por uma história que as represente e entretenha. Segundo que as editoras estão finalmente entendendo que nós somos um mercado pagante e exigente – os números só fortalecem o nosso discurso.

A revista, infelizmente, já está marcada para terminar durante a próxima Guerra Secreta que vai atingir o Universo Marvel, mas ao que tudo indica vai retornar após os eventos terem se encerrado. Thor com certeza tem números (e qualidade) para isso.

Thor ❤

Tem quadrinista incrível no catarse! – Navio Dragão, da Rebeca Prado.

Quem aqui nunca quis uma coleção de escalpos? A verdade é que desde Bastardos Inglórios “You own me a Hundread Scalps. And I want my scalps”, virou uma daquelas frases que eu solto as vezes quando estou falando sozinha. Nah. Eu sei que todo mundo tem um momento de falar sozinho no dia…

Mas e se a coleção de escalpos for de uma menina viking com um cãozinho chamado Carne e uma paixão particular por armas afiadas? Aí, nesse caso, a coleção seria da incrível Lif, do Navio Dragão.

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Como você pode ver na tirinha aí em cima, a Lif não é dada a muitas delicadezas e formalidades. Honesta, direta e com uma franqueza aterrorizante, a personagem criada pela SUPER TALENTOSA Rebeca Prado parece ter saído do fundo mal-humorado porém sincero que todas nós carregamos em algum lugar dentro da gente.

Eu conheci a Rebeca pelo Facebook graças à mesa da Comic Con (que não para de me fazer conhecer mulheres quadrinistas incríveis, aliás!), e a cada tirinha que aparece na minha timeline eu fico mais encantada com o seu trabalho. Seja a Lif com o seu jeitão carrancudo porém sincero, seja com os quadrinhos que brincam com aquelas situações pelas quais a gente sempre passa. Além de ser super persipicaz nas tiradas e nos comentários sobre o dia-a-dia, a arte da Rebeca é encantadora. Acompanhando o Instagram da artista a gente vê o processo insano de pintura por aquarela que ela dedica a cada quadrinho da Lif.

A Rebeca foi super querida e respondeu umas perguntinhas pra gente!

digitalizar0258Como e quando começou o seu interesse por desenho? 

Acho que eu sempre tive interesse por desenho. Sempre me diverti desenhando quando criança, e sempre fui “a que desenhava” da turma. Depois entrei em um curso e fui me especializando até entrar na faculdade e decidir trabalhar com isso!

Você acha que o seu trabalho é definido pela sua identidade de gênero? Ser menina definia o tipo de projetos pelos quais você se interessava quando estava começando? E agora?  

Olha, sinceramente? Eu fui criada sem essas coisas. Meus pais nunca ligaram pra “coisa de menino” e “coisa de menina”, então eu nunca filtrei nada sob essa perspectiva. Então quando eu fui escolher meus projetos e minha profissão, isso não interferiu efetivamente. Na Casa dos Quadrinhos eu era a única mulher da minha turma, e isso nunca me intimidou. Nos eventos era sempre eu e mais um tanto de caras, e eu me divertia do mesmo jeito. Mas recebo comentários “classificando” meu trabalho como “coisa de menina”.

De onde veio a inspiração para a Lif e para esse jeito tão peculiar da personagem?

A Lif é, pasmem, baseada em mim! Peguei uns aspectos da minha personalidade que as vezes me atrapalham e coloquei nela. Exagerando, é claro!

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Alguns dos quadrinhos da viking são particularmente perturbados – e por isso absurdamente engraçados – você tira inspiração de situações e pessoas do dia-a-dia para as situações?

De certa forma sim! Claro que não dá pra dizer que tudo é, mas as vezes acontecem umas coisas que eu penso “A Lif aqui ia se esbaldar!”, aí eu vou e escrevo uma tirinha!

Você trabalha com crianças também, como é ensinar desenho para os pequeninos? Eles te servem de inspiração?

É sensacional. Eles são carinhosos, sem vergonha (literalmente), engraçados e sinceros. E sempre me cobram muito de ver o meu trabalho. Quando falei que ia lançar um projeto no Catarse, eles mal sabiam pronunciar “Catarse”, mas me perguntavam toda aula se “meus quadrinhos já podiam ser comprados”. É um tipo de retorno que não tem preço.

Você considera a Lif, e seus outros quadrinhos, diversão que se mistura com trabalho? São projetos bastante pessoais? 

Olha, apesar de eu me divertir fazendo, eu considero como um trabalho mesmo. Eu tenho uma rotina pra produzir, tenho um cronograma e me obrigo a segui-lo com afinco. Mas faço com tanto carinho que mal percebo que estou trabalhando!

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Você tira umas férias de uns deles de vez em quando e fica desenhando outras coisas?

Hahahahaha, dizem que quando um desenhista não tem nada pra fazer, ele desenha! E é assim mesmo. Eu sempre desenho no meu tempo livre, meu Instagram (@incbeka) tem muita coisa que eu produzo fora dos quadrinhos.

Quais são os próximos planos? Algum projeto novo depois do Catarse?

Olha, o Catarse tem m tomado bastante tempo. Se for financiado (estou torcendo!) eu vou passar muito tempo me dedicando a isso. Mas todo semestre tem um Baleia novo, e eu pretendo ir em eventos, agora como quadrinista, pra ver como é! Eu sempre fui, mas ou como professora ou como visitante mesmo. Então estou me preparando psicologicamente pra isso! E pro ano que vem, mais quadrinhos! Muuuitos quadrinhos!

Pra quem quiser conhecer e acompanhar o trabalho da Rebeca, você pode curtir a página dela no facebook, a Ink.! E as tirinhas da Lif também estão no blog Navio Dragão.

O Navio Dragão está no Catarse com uma campanha já bem sucedida – mas eu não podia perder a oportunidade de mostrar pra vocês esse trabalho incrível! Corre lá e garanta uma das recompensas lindas que a Rebeca está disponibilizando. “Ah! Mas o catarse do projeto já até superou o valor pedido, pra que ajudar?” Apoiar o quadrinho nacional (e as moças que fazem quadrinhos) é sempre uma razão para “catarzear” os projetos – e quando o trabalho é lindo, divertido, de qualidade e tem recompensas insanas como serigrafias em preto e branco e aquarelas originais não tem como resistir. <3

tirinhaaa 😉

Um Filme de LEGO 2: mais “coisas femininas”. ¬¬

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Recentemente, durante uma entrevista à BBC, Phil Lord e Christopher Miller – os roteiristas do primeiro e do próximo LEGO MOVIE contaram um pouco mais sobre a sequência que está prevista para estreiar em 2018.

“É importante par nós que o filme atinja muitas pessoas, e que inspire jovens mulheres tanto quanto nós inspiramos jovens homens […] Você pode sentir que toda a cultura cinematográfica está começando a acordar para o fato de que metade da sua audiência é de mulheres […] Frozen é um reflexo disso – e eu acho que nós todos vamos encontrar um novo florescer de diretoras de cinema e de assuntos relacionados no futuro.”

 Eles falaram também sobre a quantidade de personagens femininas no próximo filme:

“Eu não quero contar spoilers, mas vamos ter mais personagens femininas e mais “coisas femininas”[…] Tem havido uma falta de [protagonistas femininas] em anos recentes e eu acho que será bastante diferente no futuro próximo.”

Por mais que MAIS PERSONAGENS FEMININAS me anime profundamente, eu não consigo não me preocupar com o conteúdo dessa entrevista, e o que ela pode significar para o filme.

Tem algo que eu noto muito constantemente nas entrevistas sobre o papel da mulher na indústria cinematográfica que me incomoda. Toda vez que se fala em mais protagonistas, mais personagens ou mais diretoras e outros cargos por trás das câmeras, ou mesmo mulheres como parte do público, sempre há um tom de “elas estão se interessando, elas estão finalmente se envolvendo com isso”. É como se até hoje nenhuma mulher tivesse se interessado por cinema, ou que a gente nunca quis trabalhar com isso antes. Vamos deixar uma coisa bem clara: nós estamos mais presentes hoje porque gritamos mais alto, à ponto de caras da indústria não conseguirem mais fingir que não nos vêm ou escutam. Não tem nada de florescer (e, porra, eu odeio esse termo), tem de exigirmos o espaço que nunca foi nos dado por razões de: machismo.

Ele completa:

”[…] Tem havido uma falta de [protagonistas femininas] em anos recentes”

Acho que a gente anda acompanhando a indústria cinematográfica de realidades diferentes, porque, colega, não é só em anos recentes que o número de protagonistas femininas é imensamente menor do que o de caras.

Eu adorei LEGO Movie, mas ele possui uns problemas meio complicados no que diz respeito a mulheres. E por mais que eu tenha brincado loucamente quando criança com os bloquinhos, a empresa em si adotou um viés muito sexista nos últimos 20 anos, centrando praticamente toda sua propaganda em torno de garotos. Quando eles se deram conta que existia uma parcela muito pouco contente com essa virada, eles soltaram isso:

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Muitos de vocês já devem ter visto destas imagem:

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É de uma propaganda dos anos 80, com meninas muito felizes por causa de Lego. Uma delas construiu um avião. UM AVIAO. Pode parecer besteira, mas nessa propaganda dá-se uma amplitude gigante para o que uma menina pode fazer, enquanto naquela monstruosidade lilás ela só tem uma escolha: ser uma “menininha feminina que obviamente só quer saber de amizades e coisas fofas. Pff, pra que construir prédios e usar a imaginação”. ¬¬ Empoderar meninas através da imaginação é uma das formas mais legais que a LEGO pode ajudar a combater essa visão misógina que ela mesma ajudou a propagar durante tantos anos. É triste ver essa mudança de visão e de abordagem sobre o mundo feminino infantil da empresa.

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Então quando escuto que os roteiristas do filme utilizarem “coisas de femininas”, eu lembro do final do filme, quando os “legos” da irmãzinha aparecem para destruir tudo, já que, como é mundialmente sabido, garotas estragam toda a diversão. ¬¬ Tenho certeza que o filme vai ser tão divertido quanto este primeiro, mas não posso evitar a preocupação de que essa visão binária – e sexista –  do que são “coisas de garotos” e “coisas de garotas” acabe estragando essa promessa de mais personagens femininas

Só pra deixar muito claro, caso ainda não tenha ficado, eu também gostava de montar prédios, fingir que o meu boneco de lego era o Batman (eram os anos 90, eu não tinha o boneco do Batman) e explodir espaçonaves feitas de blocos de plástico. 😉

LUMBERJANES – Meninas incríveis chutando a bunda de coiotes de três olhos e Yetis falantes.

Faz um tempo eu vinha acompanhando de longe um quadrinho chamado LUMBERJANES, ele sai lá fora pela BOOM! Studios, a mesma de Bee and Puppycat e Adventure Time. Aí resolvi realmente sentar e ler essa mini-série que eu espero que dure para todo o sempre da eternidade. <3

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Muito bem escrita por Grace Ellis e Noelle Stevenson, e desenhada à perfeição por Brooke Allen, Lumberjanes narra as aventuras de 5 melhores amigas durante o tempo que passam numa colônia de férias para meninas. Lá elas lutam contra coiotes de três olhos, yetis, estreitam os laços de amizade e fazem descobertas pessoais – tudo de uma maneira divertida e empoderadora. O lema da revista é “Friendship to the max!” algo como “Amizade ao máximo!” Então você já sabe o que esperar!

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Um dos detalhes de Lumberjanes que me chamou atenção foi a diversidade de tipos físicos e étnicos no design das personagens. Altona, baixinha, gordinha, branca, latina, ascendência árabe, a chefe de acampamento das meninas é negra – Lumberjanes tem tudo. É difícil ver personagens femininas desenhadas com uma variedade de personalidades e de tipos físicos nos quadrinhos (e nos desenhos, e nos live actions…¬¬), elas normalmente são magras e estereotipadas. É muito legal ver essa pluralidade numa história com garotas protagonistas, e que atinge um público bem variado.

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Outra coisa legal em Lumberjanes é que as meninas têm personalidades diferentes, e o humor que vêm de cada uma tem a ver com quem elas são. Seja por ser rata de livros, hiperartivas, tranquilas ou seja lá o que forem, cada uma delas têm espaço para crescer e fazem parte da trama – as escolhas delas ajudam a história a caminhar, e por ser fundamentada em quem elas são essas personagens a revista fica muito mais interessante.

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Lumberjane toca também na descoberta da sexualidade que acontece nessa fase da vida adolescente. Duas das protagonistas desenvolvem um romance muito bonitinho, e as criadoras conseguem passar a descoberta desse sentimento de maneira muito bonita e delicada. A maneira como a temática lésbica é abordada na série é muito interessante, e apresenta o relacionamento das duas de maneira natural – do jeito que deveria ser sempre todos os dias pra sempre. 😉

Se essa capa não é uma analogia à vagina, eu não sei o que é.
Se essa capa não é uma analogia à vagina, eu não sei o que é.

A série foi um sucesso lá fora, e cultivou uma fan-base na internet antes mesmo de ser lançada. Por aqui você consegue ter acesso à HQ através do site Comixology (obrigada, deusa, pela existência dessa maravilhosa máquina internética de acesso à quadrinhos lindos).

Então, fica a dica: se você procura girl power, história divertida, desenvolvimento de personagens, muita ação e chute de bundas de yetis falantes, Lumberjanes é definitivamente pra você. E se alguém precisa de uma ajuda pra exigir que as distribuidoras nacionais lancem um encadernado – tô aqui pra aumentar o coro.

Então bota a camisa flanelada e corre pra ler essa coisa linda. 😉

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Garotas, nerdices e o ódio da internet.

Videogames nasceram dentro de uma sala de computadores na década de setenta. É uma coisa muito louca, em que pessoas inserem números no computador e aparecem mundos lindos e divertidos pra gente apertar botões físicos e fazer o personagem digital pular. É lindo, é violento, é aventureiro, é inovador, é divertido, é sangrento, é mágico, pode até ser feio e também pode ser considerado arte. A única coisa que as pessoas não querem é que mulheres façam parte da parada.

Existem muitas – muitas mesmojogadoras de games online e offline. Existem muitas mulheres que trabalham na indústria, seja indie ou mainstream, como programadoras, roteiristas, designers, criadoras e afins. Existem inclusive várias personagens femininas nos mais diversos games. Mas, por alguma razão, toda vez que uma de nós dá uma opinião, ou mesmo produz alguma coisa, a comunidade online se agita e parte para uma onda de ódio que vai do mais puro e simples machismo nosso de todo dia até ameaças com perigo real à vida de quem ousou falar alguma coisa. Tá difícil ser mulher no mundo dos games hoje em dia.

Anita Sarkeesian, criadora da série de vídeos-maravilha Feminist Frequency, foi escrutinada e ameaçada depois que seu último vídeo, Women as Background Decoration (Part 2), foi lançado. A moça já estava acostumada a esse tipo de ódio, mas desta vez a divulgação de dados pessoais tornou tudo muito pior e o perigo se tornou real. Zoe Quinn, criadora do game ganhador de vários prêmios, Depression Quest, vem sofrendo com cyberbullying desde o lançamento do jogo no Steam. Mais recentemente, criou-se um hashtag chamado #GamersGate (uma alusão a Watergate), que tem a intenção de denunciar o jornalismo de games que é comprado. É claro que essa não é a real razão para a criação desse hashtag. Ele foi criado para ridicularizar, humilhar e expor Zoe depois que um ex-namorado resolveu slutshame a ex na internet, dizendo que ela dormiu com os jornalistas que falaram bem do seu game. De praxe, né, gente? A mina faz um game sobre como é viver com a depressão e o ex babaca resolve insultá-la e espalhar mentiras pela internet – mesmo sabendo o que as suas ações poderiam ocasionar.

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Zoe é guerreira e acabou dando a volta por cima. As acusações, ameaças e o ódio ainda a perseguem, mas ela criou um outro hashtag, #GameOverGate. Depois de três semanas recolhendo informações em fóruns online, ela expôs o mirabolante esquema de difamação que foi criado para humilhá-la. É difícil acreditar que esse tipo de coisa/gente exista, parece coisa saída de filmes sobre hackers, mas a ficção se espelha na realidade. Agora o caso está nas mãos do FBI e a gente torce para que os babacas que fazem essa merda toda sejam condenados.

Há uma coisa que me chama em especial a atenção quando falamos sobre esse tipo de ataque online. Sempre que alguém na internet faz uma merda dessas dizemos que são adolescentes e moleques. E por mais que eu acredite que adolescentes são muito bons com computadores, e que eles sejam capazes de fazer esse tipo de coisa, acho também que tá na hora de parar de assoprar no cartucho e dizer que tá limpo. Eles, os adolescentes, não estão sozinhos. Há caras adultos fazendo merda na internet, há membros do MRA (Men’s Right Ativism), há adultos babacas misturados nesses sites. Chamar de moleques as pessoas por trás de ameaças de morte e divulgação de dados pessoas, para que fique mais fácil estuprar, matar e abrir a vagina de uma mulher até ela rasgar, é fazer pouco caso. Há adolescentes? Sim. Mas eles não estão sozinhos, e não devemos passar a mão na cabeça deles.

Zoey Quinn fala um pouco sobre como é ser a pessoa mais odiada da internet.

Esses mesmos caras que se recusam a aceitar mulheres na comunidade gamer/nerd são os caras que se matam de rir quando acertam socos na mulher raptada do GTA, quando atiram no corpo morto de uma NPC, que não se importam – e talvez até se masturbem com a imagem – que o corpo feminino sem vida seja constantemente abusado e sexualizado nos games mais violentos. É por causa desses caras, e porque mulheres também são seres humanos, que precisa haver uma mudança no modo como os games veem e utilizam as personagens femininas – jogáveis ou não.

Claro, eu sei que muitos de vocês, gamers e desenvolvedores, não são assim. Mas o que esperar de uma comunidade que a cada semana parece lutar para excluir e destruir qualquer um que tenha opiniões diferentes? Phil Fisher, criador da fofura extrema FEZ, abandonou os games porque cansou da internet e dos gamers. Não estou dizendo que ele era o santo do cartucho maluco, apenas que um cara que dedicou muito tempo na construção de um dos games de maior sucesso dos últimos anos foi embora porque a comunidade gamer de ódio venceu. Mas esse ódio não é algo que acontece apenas nos games.

Mulheres sofrem com a misoginia em praticamente qualquer ambiente nerd. Nos últimos meses vimos uma enxurrada de casos em que criadoras sofreram com o assédio de seus colegas e superiores. O padrão quando elas resolvem falar sobre o assunto é sofrerem como Zoey e Anita. Desenvolvedoras de games, desenhistas e escritoras foram assediadas e, depois de reportarem os seus casos, sofreram bully online. Suas vidas são expostas, julgadas e ameaçadas por fãs. Elas temem pela sua posição profissional, elas temem a exposição que o caso terá. Quando reclamamos das capas sexualizadas do Manara, somos chamadas de feminazi para baixo. Quando reclamamos do assédio e da misoginia, somos vadias.

ww 1Cresci amando ficção científica, quadrinhos, livros, filmes, séries e videogame, mas mesmo assim sempre há uma barreira entre eu e o universo nerd porque eu sou mulher. É um porre, irritante, machista e arrogante. Quando eu era mais nova, achava que esse universo era acolhedor e divertido. Não tinha muitos amigos no colégio que dividissem esses interesses comigo, talvez um ou dois. Mas um grupo de alunos mais velhos, que eram aficionados por animes e mangas, me fazia achar que todo mundo era que nem eles: legais, de boa, amigáveis. Eu estava errada.

Ao contrário do que a minha ingenuidade queria acreditar, eu me deparei com uma comunidade que me odeia porque eu sou mulher e tenho uma opinião. Algumas semanas atrás, durante a crise Manara/Marvel/Mulher-Aranha, eu escrevi um texto sobre o absurdo que era aquele desenho existir. Os comentários nos lugares onde o texto foi compartilhado foram tão bonitos quanto você pode imaginar. O texto um rant que saiu de um lugar de raiva. Quando eu era mais nova, eu curtia muito quadrinhos americanos de super-heróis. Eu gastava boa parte do meu dinheiro na banca e nos sebos, montando uma biblioteca particular da qual eu tinha muito orgulho, até eu me desencantar e cansar dos estereótipos das histórias e dos desenhos.

Peitos maiores que cabeças, cinturas onde não caberia nem o menor dos rins, bundas que provavelmente causariam um problema de coluna. As editoras estavam pouco se fudendo para o que eu achava sobre como as mulheres eram retratadas – por que eu me importaria com eles? Eu cansei e parei de comprar. Tudo à minha volta me dizia que nesse meio as mulheres serviam apenas para serem mortas, serem escada para personagens masculinos, sexualizadas, idealizadas, tudo para que o verdadeiro público das editoras gastasse os quilos de  kleenex no escuro do seu quarto. Hoje o cenário mudou e, ao que tudo indica, as editoras se deram conta de que nós somos público. Ainda está longe do ideal, mas é importante lembrar desses passos que estão sendo dados agora, para que eles se estabeleçam e cresçam.

MirrorsEdge

De novo, eu sei que nem todos os garotos nerds são nerds imbecis e punheteiros, e que alguns de vocês vêm tentando mudar. Ei! Eu adoro nerds. Eu sou uma e nunca tive problema nenhum em dizer que gosto das coisas que gosto. E também não tenho nada particularmente contra você utilizar a sua mão para – você entendeu. Eu só estou cansada de escutar essa ladainha de que a gente faz tempestade em copo d’água. Que ameaça na internet não é realidade. Fala isso pra todas as pessoas que já sofreram, foram mortas ou se suicidaram depois de cyberbully.

A internet nerd quer me dizer que os games e os quadrinhos eram antes um lugar em que os caras iam para se sentir seguros, onde não tinha meninas, onde eles podiam agir como quisessem. Ninguém tá te colocando contra a parede. E francamente, esse papo de que games e quadrinhos sempre foram clube do bolinha é a maior merda que eu já escutei. A minha mãe, antes de eu nascer – e talvez antes de muitos de vocês nascerem também –, jogava videogame. Ela deu para minha irmã, no aniversário de um ano dela, um Intellivision. Eu disputava o controle com a minha mãe durante os horários de almoço e no começo da noite. Ela lia quadrinhos quando criança, eu lia quadrinhos quando criança. Meu nome não é Rebeca por causa da bíblia, é Rebeca por causa de um quadrinho.

Então, por mais que você queira que a gente junte as nossas trouxas e vá embora; por mais que você ameace e humilhe aquelas que fazem parte tão ativamente da criação nerd e a quem olhamos com tanta admiração, se acostuma, colega. A gente já tava aqui desde o começo – você que nunca tinha notado. 😉