Eu li (E acho que você deveria ler também): Quando Tudo Começou, de Bruna Vieira e Lu Caffagi.

Ontem de noite eu li Quando Tudo Começou, da Bruna Vieira e da Lu Caffagi e, como bem disse o moço na Livraria Cultura “os desenhos parecem feitos de algodão doce”. Fofo é pouco para descrever o quão perfeito é o traço da Lu.

Não sei dizer se é bem um quadrinho ou alguma outra forma de contar histórias que fica entre literatura, livros interativos e a nona arte, mas Quando Tudo Começou me lembrou um pouco animes Shoujo Slice of Life. Em parte por causa do desenho do quarto de Bruna (um quesito bastante abstrato, eu sei), em parte porque o livro não chega a ser uma história fechada, é mais um relato desse primeiro pedaço da vida de uma garota do interior.

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Eu cresci numa cidade pequena (5000 habitantes não é muito, né?), troquei de escolar aos quinze, mas, diferentemente da Bruna, eu mudei de escolar com alguns amigos – além disso, minha irmã tinha acabado de sair dessa nova escolar para a faculdade. E digamos que a minha irmã sabe deixar a presença dela na memória das pessoas (de uma maneira positiva, sempre.) Mas fica aquela pressãozinha de “o que as pessoas vão pensar de mim”- o tipo de sensação que acompanha a gente mesmo quando já somos adultas.

Quando Tudo Começou é um retrato honesto e delicado sobre como a gente deixa a nossa insegurança bater mesmo quando estamos fazendo algo que queremos muito, algo que temos certeza ser o melhor para nós mesmas. Mudar nunca é fácil, e quando isso vem numa época como a adolescência tudo parece ainda mais difícil e assustador (alô todos aqueles sonhos em que você chega na escola e alguém te avisa que você está nua na frente de todos os seus colegas o/ – no meu caso quem me avisou foi o Pernalonga, o sonho aconteceu logo depois de assistir Space Jam no cinema. Longa história…).

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Se você gosta de histórias sobre momentos da nossa vida, daquele tipo que na hora é a maior coisa do mundo e você sente como se fosse se desmanchar, mas que depois entende que é parte de crescer, eu te aconselho a ler Quando Tudo Começou. O livro conta a história do momento em que Bruna começou a escrever, mas podia ter sido tantos outros momentos de tantas outras adolescências. Fofo, delicado, honesto e acolhedor.

PS: Para as meninas que gostam de desenhar quadrinhos, no finalzinho do livro tem uma parte em que a Lu Caffagi mostra um pouco dos desenhos iniciais para o projeto.

Saiu o prêmio Will Eisner 2015 – e as minas arrasaram. o/

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Esse fim de semana saíram os vencedores do Will Eisner 2015, que premia a produção norte-americana de quadrinhos e as mulheres MANDARAM MUITO na premiação! 😀

Minha amada Lumberjanes, com a equipe criativa inteiramente feminina formada pelas super talentosas Shannon Watters, Grace Ellis, Noelle Stevenson, Brooke A. Allen levou Best New Series e Best Publication for Teens.

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Lumberjanes acompanha as aventuras de um grupo de amigas durante o acampamento de verão, onde descobrem um monte de aventuras supernaturais. A série tem uma ótima representação de etnia e sexualidade – é <3 e amizade ao máximo!

Saga, escrita por Brian K Vaughn, Best Continuous Series e Fiona Stapple, desenhista da série, ficou com Best Penciller/Inker.

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Saga é um quadrinho de Space Opera/fantasia que acompanha o casal Alana e Marko enquanto eles fogem dos dois lados de uma Guerra e tentam cuidar da filha recém nascida, Hazel. A série é replete de representações femininas incríveis, Alana é uma mãe muito badass e tanto a arte quanto o roteiro são muito inteligentes.

A quadrinista de Horror Emily Carrol levou dois prêmios, Best Short Story pelo seu auto-publicado When Darkness Presses e Best Graphic Album – Reprint Through The Woods.

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When Darkness Presses, que pode ser lido aqui, acompanha a história de uma garota que fica de caseira durante o verão. Ela é perturbada por sonhos estranhos de alguém batendo e gritando por detrás de uma misteriosa porta.

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Três irmãs deixadas sozinhas por três dias numa cabana de inverno, cada uma visitada por um estranho que as atrai para a neve. Uma jovem noiva que descobre algo macabro nas paredes da casa de seu novo marido. Through The Woods é uma coletânia de cinco contos de terror que exploram contos de fadas que deram errado.

Mariko Tamaki e Jillian Tamaki levaram Melhor Graphic Novel por This One Summer, que já ganhou A 2015 Caldecott Honor Book e o 2015 Michael L. Printz Honor Book.

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Todo verão Rose vai com seus pais para a casa no lago em Awago Beach. É o refúgio, um escape. Windy, amiga de Rose também está sempre lá, a irmã mais nova que ela nunca teve. Mas neste verão é diferente. Os pais de Rose não param de brigar, e quando Rose e Windy tentam fugir do drama elas se envolvem em um monte de problemas… Problemas que podem custar vidas.

Jill Thompson e Evan Dorkin levaram Best Single Issue (One Shot) por Beasts of Burden: Hunters and Gatherers.

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No livro de história única, de uma série já bastante premiada, a cidade de Burden Hill é defendida dos monstros e de um homem louco por uma corajosa equipe de cachorros, gatos e um híbrido de lobisomem. Oo

Ariel Cohn, junto com Aron Nels Steinke, levou Best Publication for Early Readers por The Zoo Box.

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The Zoo Box conta a história de dois irmãos que, após abrirem uma caixa misteriosa no sótão da casa e liberarem um monte de animais, precisam descobrir como resolver um problema: os animais agora possuem um zoológico de humanos!

Cece Bell levou Best Publication for Kids (Ages 8-12) com El Deafo.

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El Deado é a história de uma garotinha tentando fazer amigos enquanto precisa lidar com um aparelho auditivo desajustado. QUE QUADRINHO LINDO, e eu ainda nem lí.

Além disso tudo, o vencedor do Best Scholarly/Acadamic Work: Graphic Details, Jewish Women’s Confessional Comics in Essays and Interviews, um trabalho com artes e entrevistas com 18 mulheres artistas judias, foi editado por Sarah Lightman.

Que ano incrível para o Eisner. Muita mulher, muita lindeza muito talento. A participação feminina nos quadrinhos vem, cada vez mais, ganhando força e é muito legal ver isso refletido nos prêmios. Aqui no Brasil um monte de quadrinistas mulheres incríveis estão batalhando duro com projetos lindos e interessantes, mas a representação delas nesses prêmios ainda deixa à desejar.

Que nos próximos anos o Eisner continue tão incrível quanto foi esse ano. E parabéns para todas as vencedoras.

Eu Li (E acho que você deveria ler também): Gata Garota, de Fefê Torquato.

Hoje começa uma série de posts em que faço reviews dos quadrinhos que recebi da Editora Nemo – e começo com Gata Garota (da fofura esbelta eterna – subtítulo que eu inventei agora), da Fefê Torquato.

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Sou de uma família de gateiros. Eu tenho um, minha irmã dois e minha mãe três – fora os que já passaram lá por casa mas que o tempo não deixou eles ficarem. Dos nossos seis gatos, quatro são pretos. O Darth Vader, meu gato, é tudo aquilo que um gato é: preguiçoso, brincalhão, assustado, corajoso, bravo, carinhoso, dengoso e folgado.

A Gata Garota é tudo isso também.

Quadrinho escrito e desenhado pela Fefê Torquato, Gata Garota conta a história de Gigi, uma pessoa-gato muito esperta que se transforma em gata-garota sempre que lhe é conveniente, seja para conseguir um afago de um estranho na rua, seja para conseguir que o jantar saia o mais rápido possível ou para torturar uma barata por horas. O começo da história narra acontecimentos cotidianos da vida de uma pessoa-gata, como as transformações dela afetam de maneira divertida e inconveniente as pessoas a sua volta, inclusive seu namorado humano, Danilo. Ao longo do livro vemos um pouco mais sobre esse universo curioso das pessoas-gatas, com alguns vislumbres da origem desse tipo de pessoa.

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É muito legal ver como a escritora não se apressa em estabelecer um universo em que todos os amigos de Gigi acham absolutamente normal ela se transformar em gato de uma hora para outra. Em determinado momento, logo no começo, fiquei na dúvida se ela era realmente uma garota ou só uma gata mesmo – e isso é parte da diversão. Eu estou constantemente identificando comportamentos assustadoramente humanos no Vader, como vir me chamar no quarto para assisti-lo comer. ¬¬

É muito legal ver a reação de Danilo aos costumes felinos da família da namorada, o estranhamento é construído de uma maneira divertida, com pitadas de humor sombrio como quando Danilo se depara com verdades do tipo “minha tia comeu seus filhotes”.

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Gata Garota é também uma história de origem. Nem Gigi parece saber direito, mas ela tem um potencial para ser heroína. Além de precisar lidar com a líder da família que pode estar enlouquecendo (alter ego muito engraçado da escritora), momentos de crise e perigo parecem se aproximar e a protagonista precisa começar a ver a vida além do seu mundinho fechado, desenvolver empatia e assumir responsabilidades que antes Gigi nem cogitava.

Eu já falei que amo o traço da Gata Garota? O quadrinho é muito lindo, as páginas são de tirar o fôlego e a opção por manter tudo em preto e branco ajuda a sustentar o tom sombrio/divertido do universo felino, ao mesmo tempo em que dá destaque para o design da personagem. A leitura passa muito rápido, então não se ache doida se você voltar desde o começo e passar as páginas mais três ou quatro vezes só para admirar o traço lindo da Fefê.

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Originalmente uma webcomic, o livro é o primeiro volume que compila as páginas já lançadas online. Você pode acompanhar o trabalho da Fefê pelo tumblr dela, e acompanhar as novas aventuras no tumblr da Gata Garota, enquanto espera (ansiosamente) pelo Volume 2. 😉

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Kill it With Fire – Batgirl 41, a polêmica capa alternativa de Rafael Albuquerque.

Eu não ia escrever sobre a bendita capa alternativa da Batgirl 41 que o Rafael Albuquerque fez a pedido da DC para a comemoração dos 75 anos do vilão Coringa. Honestamente, achei que a essa altura do campeonato a discussão ia morrer rápido e a gente ia seguir as nossas vidas. Mas como hoje cheguei a ser chamada de conservadora por questionar a capa – porque, veja bem, não tem nada mais conservador do que uma mulher questionando anos de mulheres sendo vitimadas em prol de personagens masculinos e leitores homens –, resolvi que vale um post de discussão sobre esse rolê todo.

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Como nós já falamos inúmeras vezes, o mercado de quadrinhos norte-americano de super heróis foi, durante anos, centrado no público masculino branco, hetero e cis. Hoje, nós vivemos um momento de mudança, em que as grandes editoras começam a se dar conta de que existe toda uma camada de fãs pagantes que pagariam ainda mais se fôssemos bem representados. Esses fãs também começaram a se tornar mais vocais quanto às reivindicações e quanto ao conteúdo ofensivo que acaba sendo publicado – mesmo que a intenção dos autores não seja de ofensa.

Gente, isso não é conservadorismo, isso é mudança – e mudança é uma coisa boa. A nossa sociedade é plural e o mercado é grande o suficiente para todo mundo ter representação. Quando um grupo de fãs vocaliza a sua insatisfação com uma capa por conta do que ela representa para a personagem que está no centro, o correto é escutar – não xingar e ameaçar. Conservadorismo é quando alguém que foi historicamente diminuído consegue espaço para mostrar a sua insatisfação e a horda de fanboys injustiçados cai matando em cima. Conservadorismo é não questionar o status quo dos quadrinhos que sempre foi o de vitimar e diminuir as personagens femininas em prol dos personagens e fãs masculinos.

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A capa de Albuquerque, apesar de linda, remete ao clássico A Piada Mortal de Alan Moore e Brian Bolland. A edição apresentava uma história em que a Batgirl era alvejada pelo Coringa e sofria violência nas mãos do vilão. A página em questão é de um grafismo horroroso e culminou numa discussão que dura até hoje sobre se o Coringa estuprou ou não a Bárbara. Independentemente de quão incrível seja a história do quadrinho, não dá para negar que em A Piada Mortal, Bárbara é vitimada única e exclusivamente para que a história pessoal do Batman com o Coringa atingisse um determinado patamar. Além disso, as fotos de Bárbara sendo machucada foram exibidas à força para seu pai, o Comissário Gordon, representando mais uma vez o clichê da violência contra mulher apenas para motivar um personagem masculino.

Muita gente veio me dizer que depois disso a Bárbara se tornou a Oráculo, e que isso foi muito legal. Sim, de fato a Oráculo é uma daquelas célebres personagens de quadrinho que são fodas, que trazem uma representação muito legal de mulheres e outras minorias, e que formava uma equipe de super-heróis feminina. Mas vale lembrar que a revista foi inicialmente pensada para ser um stand alone, uma história que não entraria no cânone, ou seja – a violência que Bárbara sofreu não foi pensada para uma transformação própria, mas sim para a transformação do Batman dentro daquela trama, que seria isolada.

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Voltando à capa da edição comemorativa. Hoje a revista da Batgirl segue uma linha editorial muito mais leve do que com a sua equipe criativa anterior, e mesmo que alguns dos fãs não gostem das voltas que a revista deu, o fato é que a Bárbara Gordon que está correndo as ruas de Gotham nessas edições não é a mesma que corria com Gail Simone no comando. Uma coisa não diminui a outra. A reestruturação da revista buscou trazer um público mais jovem ao título, com histórias mais descontraídas e que – de acordo com a própria equipe criativa – buscava afastar a personagem do episódio d’A Piada Mortal. É sob esse contexto, de uma revista com tom mais leve e mirando um público mais jovem, que essa capa simplesmente não faz sentido.

Particularmente, eu não acho positivo celebrar um vilão, não importa o quão foda ele seja, prestando homenagem com uma capa que novamente vitima uma personagem feminina numa cena que ficou icônica não só pela qualidade da história, mas pela violência contra a Bárbara. Esse episódio é um dos mais simbólicos quando falamos de “Mulheres na Geladeira”: Bárbara não morreu, mas sofreu bastante para valorizar o arco de seus colegas masculinos.

Outra coisa que tem se falado muito é que o desenhista foi censurado. Colegas, não, né? Uma parte do público vocalizou o seu descontentamento – o que fazia tanto sentido que até a equipe criativa da Batgirl afirmou posteriormente que também falou contra a capa quando ela foi apresentada – e o artista compreendeu que o descontentamento não era particular a ele, mas sim à existência da capa que, apesar de bem feita, não cabe dentro do contexto atual da revista. Se o artista parece não ter considerado o descontentamento algo pessoal, porque alguns dos fãs ficam tão ofendidos?

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via The Out Housers

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yak7T7GEu nem sei mais quantas vezes já entrei em discussões com fãs que ficam ofendidos quando qualquer tipo de mudança é feita para acolher os outros fãs que não tinham espaço anteriormente. Eu adoro quando eles usam o “mas você está estragando a minha infância” – ai amigo, pára que tá feio. Personagens de quadrinhos, principalmente os mais clássicos, tem décadas de história, eles estão passando por transformações constantes. Eu já falei sobre isso antes, mas vou ressaltar que a sociedade em que vivemos hoje não é a mesma na qual os personagens foram criados – os quadrinhos precisam caminhar junto com a evolução da sociedade, senão se tornam obsoletos, e aí sim vão perder público. Simples assim.

Também muito se falou sobre o Coringa ser um psicopata lunático e que isso não deveria ser ignorado por causa de uma única personagem – a capa deveria mostrar o personagem como ele é no seu cerne. Sabe, o Coringa é sim um lunático, mas ele também tem outras facetas que já foram trabalhadas nos quadrinhos, no cinema e na televisão. Por que essa recusa em aceitar capas que não se apoiem somente nessa loucura psicopática violenta dele?

Isso tudo quer dizer que a Batgirl nunca deveria ter tido uma capa alternativa de comemoração dos 75 anos do Coringa? Não. Apesar de eu achar que a história do A Piada Mortal é muito mais pesada do que o tom das edições atuais (e isso não quer dizer que as atuais são menores ou piores por isso), a capa podia ter sido feita sim mas, ao invés de colocar a personagem numa posição de vítima, colocá-la numa posição de empoderamento perante um dos maiores traumas da sua vida. O mais louco é que na edição Batgirl Endgame #1, que precede a comemorativa, o próprio Rafael Albuquerque fez uma capa que faz referência ao episódio e não diminui a personagem.

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Sabe o mais absurdo disso tudo? Com o comunicado que a DC soltou, os fãs entenderam que as ameaças foram dirigidas ao desenhista Rafael Albuquerque. Mas, adivinha? Para surpresa de zero mulheres, a realidade é bem diferente: as ameaças foram direcionadas a quem ousou criticar e questionar a escolha da capa. Ah! E teve o pessoal que usou o bom e velho “mas A Piada Mortal é um clássico! Alan Moore é um Gênio! Rafael Albuquerque é foda. Quem são vocês para falar de uma das grandes obras dos quadrinhos de super-heróis”. Praqueles que insistem nesse discurso, eu digo o seguinte: até o Alan Moore já disse que não gosta d’A Piada Mortal. Então supera aí e fica de buenas.

Eu não quero excluir da discussão da capa os fãs masculinos, mas eu espero que a discussão que vem deles seja fundamentada não em seus orgulhos de fanboy feridos, mas numa análise do momento pelo qual o mercado editorial de quadrinhos está passando agora. Assim como eu acho que a escolha foi pobre e completamente equivocada, teve fã mulher que amou a capa e a compraria. A diferença entre uma discussão com uma mina que gostou e um cara que tá torrando o saco com as lembranças de infância dele, é que essa fã mulher provavelmente sabe o quão chato é estar lendo um quadrinho e ver a sua personagem favorita ser vitimada em razão de: homens. Então, moços, peço o seguinte: vamos escutar o que as minas falam, vamos tentar entender o que a gente passa e porque esse tipo de situação pode ser ofensiva. É simples assim – MESMO.

Ainda falta um longo caminho até que gente consiga questionar uma posição machista sem que uma revoada de ódio e indignação venha para cima – mas a posição que o Rafael Albuquerque assumiu (e a quantidade de lágrimas que isso acarretou) mostram que estamos no caminho certo.

Atualização: o Cameron Stewart, roteirista da revista, soltou esses dois twittes gênios.

Tem quadrinista incrível no catarse! – Navio Dragão, da Rebeca Prado.

Quem aqui nunca quis uma coleção de escalpos? A verdade é que desde Bastardos Inglórios “You own me a Hundread Scalps. And I want my scalps”, virou uma daquelas frases que eu solto as vezes quando estou falando sozinha. Nah. Eu sei que todo mundo tem um momento de falar sozinho no dia…

Mas e se a coleção de escalpos for de uma menina viking com um cãozinho chamado Carne e uma paixão particular por armas afiadas? Aí, nesse caso, a coleção seria da incrível Lif, do Navio Dragão.

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Como você pode ver na tirinha aí em cima, a Lif não é dada a muitas delicadezas e formalidades. Honesta, direta e com uma franqueza aterrorizante, a personagem criada pela SUPER TALENTOSA Rebeca Prado parece ter saído do fundo mal-humorado porém sincero que todas nós carregamos em algum lugar dentro da gente.

Eu conheci a Rebeca pelo Facebook graças à mesa da Comic Con (que não para de me fazer conhecer mulheres quadrinistas incríveis, aliás!), e a cada tirinha que aparece na minha timeline eu fico mais encantada com o seu trabalho. Seja a Lif com o seu jeitão carrancudo porém sincero, seja com os quadrinhos que brincam com aquelas situações pelas quais a gente sempre passa. Além de ser super persipicaz nas tiradas e nos comentários sobre o dia-a-dia, a arte da Rebeca é encantadora. Acompanhando o Instagram da artista a gente vê o processo insano de pintura por aquarela que ela dedica a cada quadrinho da Lif.

A Rebeca foi super querida e respondeu umas perguntinhas pra gente!

digitalizar0258Como e quando começou o seu interesse por desenho? 

Acho que eu sempre tive interesse por desenho. Sempre me diverti desenhando quando criança, e sempre fui “a que desenhava” da turma. Depois entrei em um curso e fui me especializando até entrar na faculdade e decidir trabalhar com isso!

Você acha que o seu trabalho é definido pela sua identidade de gênero? Ser menina definia o tipo de projetos pelos quais você se interessava quando estava começando? E agora?  

Olha, sinceramente? Eu fui criada sem essas coisas. Meus pais nunca ligaram pra “coisa de menino” e “coisa de menina”, então eu nunca filtrei nada sob essa perspectiva. Então quando eu fui escolher meus projetos e minha profissão, isso não interferiu efetivamente. Na Casa dos Quadrinhos eu era a única mulher da minha turma, e isso nunca me intimidou. Nos eventos era sempre eu e mais um tanto de caras, e eu me divertia do mesmo jeito. Mas recebo comentários “classificando” meu trabalho como “coisa de menina”.

De onde veio a inspiração para a Lif e para esse jeito tão peculiar da personagem?

A Lif é, pasmem, baseada em mim! Peguei uns aspectos da minha personalidade que as vezes me atrapalham e coloquei nela. Exagerando, é claro!

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Alguns dos quadrinhos da viking são particularmente perturbados – e por isso absurdamente engraçados – você tira inspiração de situações e pessoas do dia-a-dia para as situações?

De certa forma sim! Claro que não dá pra dizer que tudo é, mas as vezes acontecem umas coisas que eu penso “A Lif aqui ia se esbaldar!”, aí eu vou e escrevo uma tirinha!

Você trabalha com crianças também, como é ensinar desenho para os pequeninos? Eles te servem de inspiração?

É sensacional. Eles são carinhosos, sem vergonha (literalmente), engraçados e sinceros. E sempre me cobram muito de ver o meu trabalho. Quando falei que ia lançar um projeto no Catarse, eles mal sabiam pronunciar “Catarse”, mas me perguntavam toda aula se “meus quadrinhos já podiam ser comprados”. É um tipo de retorno que não tem preço.

Você considera a Lif, e seus outros quadrinhos, diversão que se mistura com trabalho? São projetos bastante pessoais? 

Olha, apesar de eu me divertir fazendo, eu considero como um trabalho mesmo. Eu tenho uma rotina pra produzir, tenho um cronograma e me obrigo a segui-lo com afinco. Mas faço com tanto carinho que mal percebo que estou trabalhando!

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Você tira umas férias de uns deles de vez em quando e fica desenhando outras coisas?

Hahahahaha, dizem que quando um desenhista não tem nada pra fazer, ele desenha! E é assim mesmo. Eu sempre desenho no meu tempo livre, meu Instagram (@incbeka) tem muita coisa que eu produzo fora dos quadrinhos.

Quais são os próximos planos? Algum projeto novo depois do Catarse?

Olha, o Catarse tem m tomado bastante tempo. Se for financiado (estou torcendo!) eu vou passar muito tempo me dedicando a isso. Mas todo semestre tem um Baleia novo, e eu pretendo ir em eventos, agora como quadrinista, pra ver como é! Eu sempre fui, mas ou como professora ou como visitante mesmo. Então estou me preparando psicologicamente pra isso! E pro ano que vem, mais quadrinhos! Muuuitos quadrinhos!

Pra quem quiser conhecer e acompanhar o trabalho da Rebeca, você pode curtir a página dela no facebook, a Ink.! E as tirinhas da Lif também estão no blog Navio Dragão.

O Navio Dragão está no Catarse com uma campanha já bem sucedida – mas eu não podia perder a oportunidade de mostrar pra vocês esse trabalho incrível! Corre lá e garanta uma das recompensas lindas que a Rebeca está disponibilizando. “Ah! Mas o catarse do projeto já até superou o valor pedido, pra que ajudar?” Apoiar o quadrinho nacional (e as moças que fazem quadrinhos) é sempre uma razão para “catarzear” os projetos – e quando o trabalho é lindo, divertido, de qualidade e tem recompensas insanas como serigrafias em preto e branco e aquarelas originais não tem como resistir. <3

tirinhaaa 😉

Preview: Spider-Gwen #1

A MARVEL liberou hoje as primeiras imagens de Spider-Gwen #1, revista com previsão pra chegar às bancas americanas no inverno do hemisfério norte!

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Spider-Gwen teve sua história de origem durante os eventos que aconteceram na revista Edge of Spider-Verse, que reuniu todas as versões do Homem-Aranha para tentar destruir um vilão. Depois do sucesso que a personagem fez – teve até cosplay dela na CCXP 2014 (e tava incrível) – os fãs pediram e a editora atendeu. A revista tem a mesma equipe criativa que colocou ela no papel pela primeira vez, escrita de Jason Latour e arte de Robbi Rodriguez.

Com a iminente reestruturação do Universo Marvel, fica a dúvida de como a revista – e a personagem – vai se encaixar nisso tudo.

Via ComicBook Resources

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Painel “O que elas querem? Um olhar sobre a mulher na Cultura Pop” na CCXP!

Finalmente! Depois de muito arranca rabo com o editor de vídeos, está no ar o vídeo com o painel da Comic Con Experience “O que elas querem? Um olhar sobre a mulher na Cultura Pop“!

https://www.youtube.com/watch?v=b2n7AAtr3hk

2014 foi um ano com muitas coisas legais, mas talvez a experiência mais divertida e inspiradora desse ano, pelo menos para mim, foi ter participado da elaboração do painel da Comic Con Experience. Além de conhecer mulheres incríveis, a participação no painel fez reacender em mim a paixão pelos quadrinhos e, de certo modo, essa movimentação também é responsável pela coragem de tornar um blog pessoal em algo maior. Quando a gente junta um monte de mulheres juntas, a sensação de força e coragem é tão mais forte.

As conversas começaram alguns meses atrás quando iniciamos uma discussão sobre a participação feminina nas Con, e a conversa acabou fluindo para a formação dessa mesa linda na Comic Con Experience 2014. Foram uns bons meses conversando sobre quem poderia estar na mesa, quais tópicos discutir, como discutir, como e quando divulgar. No final, nem todo mundo que ajudou na elaboração da proposta conseguiu estar presente por lá. E eu sou tchosca, fiquei nervosa, e acabei esquecendo de agradecer todo mundo na hora.

Fica aqui então meu agradecimento para Ana Luiza Koehler, Diane Araújo, Thaís Gualberto, Katzen, Martins de Castro, Cristina Eiko, Ariane Rauber, Aline Cruz, Bianca Pinheiro, Samanta Coan, Samanta Horta e Fefê Torquato. Todo mundo que tá lá no Awesome Mix vol. 1! 😉

Fica o meu obrigado também para todo mundo que tirou uma horinha do último dia de Comic Con pra vir discutir conosco esse tema tão importante.

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Pretty Deadly

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Por mais que eu seja fã das HQs norte-americanas de super-heróis, de tempos em tempos preciso dar uma pausa na leitura delas. Ainda mais hoje em dia, com tantas adaptações sendo lançadas no cinema – que eu, geralmente, vejo logo na estréia.

É difícil me comportar apenas como leitor ou espectador, desligar a parte do meu cérebro de roteirista que trabalha com estruturas, personagens etc. São poucas as HQs e os filmes que me trazem uma experiência realmente surpreendente, que sufoca meu lado racional e analítico – e me força a pensar nessas coisas só depois. Geralmente, mesmo que eu esteja me divertindo pra caramba, estou antecipando coisas que logo mais vão acontecer, uma próxima virada (ou a ausência dela), ou calculando que daqui a tantos minutos ou páginas a história vai chegar no meio da trama e o que isso significa.

Essa minha visão, por mais bizarra que possa parecer, é relativamente normal. A maior parte das histórias que conhecemos seguem algumas determinadas estruturas, clichês e tudo mais, e quanto mais se estuda esse tipo de coisa, mais esse conhecimento passa a fazer parte do seu próprio entendimento de qualquer obra.

Por isso, o que me faz parar de tempos em tempos minha leitura de HQs de super-heróis não é necessariamente um cansaço. Mas sim uma noção muito forte da repetição dos mesmos temas, estruturas e arquétipos – e a necessidade natural que sentimos de nos aventurar por outras paragens, descobrir novas maneiras de contar histórias.

Enfim, todo esse preâmbulo pra explicar por que, afinal, decidi sentar e ler Pretty Deadly, que está sendo lançada pela Image Comics.

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Fazia um tempo que estava ouvindo falar muito bem do trabalho da escritora Kelly Sue Deconnick. A fase atual da Capitã Marvel, escrita por ela, está sendo bem elogiada. Mas Pretty Deadly também anda chamando bastante atenção (Kelly Sue foi indicada ao Prêmio Eisner pelos roteiros) – e no meio de uma das minhas pausas de super-heróis, encontrar uma HQ que mistura feminismo, faroeste, simbologia maluca e violência gráfica era pedir pra viciar mesmo.

Além disso, a equipe criativa de Pretty Deadly conta com a desenhista Emma Rios (que também é a capista), a colorista Jordie Bellaire e o letrista Clayton Cowles. Ou seja, é uma HQ que vem fazendo sucesso de público e crítica, cuja equipe criativa só tem um homem – o que, infelizmente, ainda é a exceção da exceção no mercado norte-americano. Mais um ponto muito positivo, pra incentivar todo mundo a ler agora mesmo.

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A primeira coisa que me chamou atenção, logo nas primeiras páginas, foi o jeito como a história é narrada. Sem entregar muito, até porque eu teria dificuldades de resumir a trama sem estragá-la, acompanhamos a história através das palavras de uma borboleta, que está narrando os acontecimentos para um coelho morto. A partir daí, encontramos um universo de faroeste, ordenado por uma mistura de mitologia e magia, que aos poucos vai se revelando.

O clima e o tom da HQ me lembraram alguns arcos d’Os Invisíveis do Grant Morrison, Sandman do Neil Gaiman – enfim, há um clima meio Vertigo, mas que não se deixa levar pelo pessimismo dark que tantos quadrinhos com essas influências têm.

E como outros quadrinhos meio Vertigo, há em Pretty Deadly uma releitura do gênero da história. Mais do que seguir os elementos clássicos do faroeste, a HQ se volta para a gênese de um universo situado no faroeste, mas cuja mitologia principal não é aquela da Conquista do Oeste, do heroísmo do homem branco desbravador contra o índio selvagem – John Wayne, aqui, nunca seria um herói, muito menos um exemplo. É muito clara a evocação da voz feminina, que geralmente é silenciada nas histórias desse gênero, e a maneira como Pretty Deadly retrata questões como abuso, violência contra as mulheres etc é bem interessante.

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Os desenhos da Emma Rios são espetaculares. Fazia tempo que eu não abria edições cujo arte e, principalmente, a disposição dos elementos na página são tão fluídos, narram tão bem e casam tanto com a história. Seria impossível imaginar Pretty Deadly com outro traço.

Algo muito legal do olhar da Emma Rios é o jeito como ela retrata os corpos e as expressões das pessoas. Mesmo a nudez de uma prostituta, que seria algo tão lugar-comum em tantas revistas por aí, é de uma beleza e sensibilidade marcantes. A forma como a HQ mostra a sensualidade deveria ser estudado por alguns quadrinistas eróticos famosos.

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As cores também estão muito bem trabalhadas. O clima que a palheta Jordie Bellaire evoca é uma mistura de clássicos como Meu Ódio Será Tua Herança (tem uma cena em específico que é uma citação à sequência inicial deste filme), as cores Technicolor de filmes como Rastros de Ódio e aquele clima sobrenatural além da realidade que os quadrinhos do Grant Morrison pra Vertigo adoram ilustrar.

O primeiro arco da revista já terminou, foram cinco edições. E já existe a promessa de que a série vai continuar. O que é animal, porque eu estou morrendo pra saber o que vai acontecer com Ginny, a filha da Morte, e sua (talvez, depende) meia-irmã Sissy, a filha do sangue, da dor e da violência.

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É, acho que deu pra sacar que Pretty Deadly é épico pra caramba. E imperdível.

LUMBERJANES – Meninas incríveis chutando a bunda de coiotes de três olhos e Yetis falantes.

Faz um tempo eu vinha acompanhando de longe um quadrinho chamado LUMBERJANES, ele sai lá fora pela BOOM! Studios, a mesma de Bee and Puppycat e Adventure Time. Aí resolvi realmente sentar e ler essa mini-série que eu espero que dure para todo o sempre da eternidade. <3

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Muito bem escrita por Grace Ellis e Noelle Stevenson, e desenhada à perfeição por Brooke Allen, Lumberjanes narra as aventuras de 5 melhores amigas durante o tempo que passam numa colônia de férias para meninas. Lá elas lutam contra coiotes de três olhos, yetis, estreitam os laços de amizade e fazem descobertas pessoais – tudo de uma maneira divertida e empoderadora. O lema da revista é “Friendship to the max!” algo como “Amizade ao máximo!” Então você já sabe o que esperar!

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Um dos detalhes de Lumberjanes que me chamou atenção foi a diversidade de tipos físicos e étnicos no design das personagens. Altona, baixinha, gordinha, branca, latina, ascendência árabe, a chefe de acampamento das meninas é negra – Lumberjanes tem tudo. É difícil ver personagens femininas desenhadas com uma variedade de personalidades e de tipos físicos nos quadrinhos (e nos desenhos, e nos live actions…¬¬), elas normalmente são magras e estereotipadas. É muito legal ver essa pluralidade numa história com garotas protagonistas, e que atinge um público bem variado.

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Outra coisa legal em Lumberjanes é que as meninas têm personalidades diferentes, e o humor que vêm de cada uma tem a ver com quem elas são. Seja por ser rata de livros, hiperartivas, tranquilas ou seja lá o que forem, cada uma delas têm espaço para crescer e fazem parte da trama – as escolhas delas ajudam a história a caminhar, e por ser fundamentada em quem elas são essas personagens a revista fica muito mais interessante.

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Lumberjane toca também na descoberta da sexualidade que acontece nessa fase da vida adolescente. Duas das protagonistas desenvolvem um romance muito bonitinho, e as criadoras conseguem passar a descoberta desse sentimento de maneira muito bonita e delicada. A maneira como a temática lésbica é abordada na série é muito interessante, e apresenta o relacionamento das duas de maneira natural – do jeito que deveria ser sempre todos os dias pra sempre. 😉

Se essa capa não é uma analogia à vagina, eu não sei o que é.
Se essa capa não é uma analogia à vagina, eu não sei o que é.

A série foi um sucesso lá fora, e cultivou uma fan-base na internet antes mesmo de ser lançada. Por aqui você consegue ter acesso à HQ através do site Comixology (obrigada, deusa, pela existência dessa maravilhosa máquina internética de acesso à quadrinhos lindos).

Então, fica a dica: se você procura girl power, história divertida, desenvolvimento de personagens, muita ação e chute de bundas de yetis falantes, Lumberjanes é definitivamente pra você. E se alguém precisa de uma ajuda pra exigir que as distribuidoras nacionais lancem um encadernado – tô aqui pra aumentar o coro.

Então bota a camisa flanelada e corre pra ler essa coisa linda. 😉

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Nova Batgirl: Preview (errado) das dez primeiras páginas!

O que você fez essa madrugada? Eu li as dez primeiras páginas da nova revista da Batgirl! Dormir é para os fracos. (Minhas olheiras não vão concordar com isso amanhã…)

Essa reedição de uma heroína clássica causou um certo alvoroço no mundo dos quadrinhos alguns meses atrás quando saíram as primeiras imagens do novo uniforme. Enquanto alguns gritaram de ódio porque a capa da revista via uma das personagens mais inteligentes da DC tirando uma selfie no banheiro e outros só conseguiram notar o quão incrível é o uniforme novo.

Eu fiz parte dessa última leva.

Pra encurtar a história: O uniforme é prático, possui bolsos de apoio, uma aparente mobilidade que também leva em consideração a necessidade de proteção, é fofo :3, botinas amarelas, remete às cores clássicas do universo Batman e… Não é sexualizado! Viu, Manara/Marvel? Tem como não amar? <3 O próprio desenho lançado pela desenhista Babs Tars já deixa bem claro o que ela queria dizer com o re-design. Ele fez tanto sucesso que assim que foi lançado a internet se encheu de fanarts!

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Ontem foi o último dia para as lojas especializadas fazerem o pedido da revista, e por isso eles mesmo liberaram um preview de dez páginas da revista! No entanto, o Cameron Stewart (escritor da revista) já avisou que esse preview é bem diferente do que vai ser lançado no mês que vem.

Caso você, como eu, ainda queira matar a curiosidade, corre matéria do Bleeding Cool sobre o preview dá uma lida. Mas depois volta!

Voltou?

Eu não sei o que eles acham que há de tão errado nesses quadrinhos que eles sintam que não está correto. Logo nas dez primeiras páginas já é possível ver temas que são muito importantes e atuais no que diz respeito a ser mulher. Olhem essa primeira página:

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Wow. Oito quadrinhos e nós já temos pelo menos três temas animais:

  1. Alysia, ex-roomate de Bárbara, que além de ser uma mulher trans, é ativista e não pode comparecer a festa naquela noite porque vai protestar contra um cara babaca que—
  2. Descobriu o telefone celular dela após um outro protesto apenas para mandar uma mensagem que muito provavelmente é um dick photo.
  3. Esse mesmo cara possui um site chamado Black Book, que já soa como um antro de machismo (e slut-shaming) e, pelas pistas que a gente vê na capa, vai fazer parte de pelo menos o primeiro arco de histórias.

Depois, nós vemos Bárbara aparentemente muito confortável com a sua sexualidade. Ela conhece o cara com quem estava se amassando na noite passada e por mais que fique sem graça por não lembrar o nome dele (Troy), não aparenta se arrepender ou se culpar. O fato dela não se lembrar – e o vômito já ná página 8 – nos leva a crer que Barbara sabe festejar e ela não quer saber a sua opinião sobre isso. <3 Quem nunca acordou de ressaca e depois teve que lutar contra o crime, minha gente?

Além disso temos uma breve apresentação da atual situação acadêmica/financeira de Bárbara através da leitura de e-mails, o que ajuda a dar um pouco mais de profundidade a história da personagem nas páginas iniciais. Prepara para o que vão ser os problemas pessoais dela, enquanto o encontro com a Canário Negro não só retoma assuntos mal-resolvidos, como também inicia o primeiro conflito da Batgirl na revista.

Aqui tem uma entrevista bem legal com a desenhista.

E o Tumblr dela  e do roteirista!

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Por mais que sejam dez páginas cheias de vitória, ainda é cedo para saber se esse tom vai realmente se manter ao longo das deus-sabe-quantas edições a equipe criativa vai durar. E vale ressaltar que alguns dos questionamentos inciais são muito válidos: Alycia é uma personagem muito querida pelos fãs, e o afastamento dela tem causado desconforto, já que ela foi a primeira personagem trans de destaque criada de maneira proposital nos quadrinhos contemporâneos. A equipe por trás da revista reiterou algumas vezes que manter a diversidade é uma das principais preocupações deles. Agora é esperar e ver como Barbara Gordon vai se sair!

Particularmente,eu não sei o que pode estar errada nessas dez primeiras páginas, mas essa revista me deixou com vontade de voltar a passar na banca toda semana. 😉