Darkside Books lança Chronos: Viajantes do Tempo. Prepare-se para essa viagem!

Viagem no tempo é um assunto que sempre fascinou muitas pessoas, há inúmeras histórias sobre isso. Mesmo quando esse não é necessariamente o foco da narrativa, há aquelas que usam esse elemento em algum momento. Bom, se você é uma das pessoas que, assim como eu, curte viagem no tempo, o novo lançamento da Darkside vai te interessar bastante!

Chronos: Viajantes do tempo conta a história de Kate, que descobre que a avó é uma viajante no tempo. Como se não fosse o bastante, um alteração na linha temporal faz com que os pais de Kate sumam, então ela entra nessa aventura de voltar no tempo e impedir um homicídio que pode ser a solução para resolver tudo. O problema é que, como nós já sabemos, viagens no tempo sempre possuem custos altos e o risco de acabar com o presente que conhecemos.

A autora do livro é Rysa Walker, escritora americana. Chronos: Viajantes do tempo é o seu romance de estreia. Esse é o primeiro volume de uma trilogia, que também foi ganhador do prêmio Amazon Breakthrough Novel Award em 2013, além de ser muito elogiado pela crítica.  

Eu costumo dizer que viagem no tempo é um recurso narrativo que, apesar de ser muito divertido, também pode ser muito complicado. As regras das linhas temporais variam de acordo com o universo. Em Efeito Borboleta e Life is Strange, cada fato mudado afeta diretamente o futuro, já em Game of Thrones não importa o que você faça, nada poderá ser mudado. Então é fácil que o autor se perca nessas mudanças temporais, ainda mais quando isso é colocado junto de outros elementos. Rysa Walker não tem medo de juntar a viagem no tempo com uma investigação de assassinato, sempre tomando cuidado com as referências históricas.

Chronos: Viajantes do tempo também tem protagonismo feminino, a maioria dos personagens que viajam no tempo na ficção são homens, então é sempre bom ver uma mulher tomando esse espaço.

O livro tem 320 páginas, com aquela capa dura e linda da Darkside que todos amamos. A tradução foi feita por Fernanda Lizardo.

Para todos que já querem entrar nessa viagem, o livro já está disponível na Amazon!

DarkSide Books lança A longa viagem a um pequeno planeta hostil, de Becky Chambers, e nossos corações de sci-fi explodem!

Há alguns anos comecei a seguir um site chamado The Mary Sue, com certeza o site que iniciou minha educação sobre a questão da representatividade dentro da cultura pop que eu consumia tão ferozmente todos os dias. Lá conheci um monte de mulheres que escreviam sobre todo tipo de assunto nerd, uma delas justamente Becky Chambers, autora do lançamento da vez da editora Darkside: A longa viagem a um pequeno planeta hostil.

Becky é filha de uma especialista em astrobiologia e de um engenheiro espacial e neta de um dos participantes dos projetos Apollo da Nasa, ou seja: ciência é algo que corre em suas veias. E, como a gente bem sabe, para atravessar da ciência real para a ficção científica é um pulo. Apaixonada por Star Trek e pelo trabalho de Carl Sagan, todo esse universo de ficção e ciência só podia resultar numa escritora muito talentosa.

Em seu livro de estreia, Becky cria um romance que gira em torno da tripulação da nave Andarilha e da construção de um túnel espacial que vai permitir ao pequeno planeta do título fazer parte de uma aliança galáctica. Com personagens muito bem elaborados, com aliens que fogem do padrão “humanoide” que vemos aos montes dentro da ficção científica, A longa viagem a um pequeno planeta hostil entrega uma variedade de personagens e temas que faz o coração de qualquer apaixonada por sci-fi bater mais rápido.

Quer uma piloto reptiliana? Tem. Uma estagiária recém-saída da universidade e criada nas colônias de Marte? Tem. Médico de gênero fluido? Também tem. O livro aborda temas clássicos, como amizade, mas vai além, ao trazer questões como o racismo, o poliamor e variados conceitos de família. É muito amor dentro de um livro só! Em tempos conservadores como os que vivemos, é sempre incrível ver a ficção científica realmente tocar nesses assuntos, e fazer isso por meio de um grupo de personagens tão diferentes é ainda melhor.

O livro foi inicialmente financiado através do Kickstarter, e fez tanto sucesso entre os fãs e a crítica que acabou indicado a dois dos maiores prêmios da literatura de ficção científica: o Hugo Awards e o Arthur C. Clark Awards. Com cada vez mais se mulheres auto-publicando, é revigorante ver que o talento delas está sendo reconhecido e abraçado por editoras tradicionais. A longa viagem a um pequeno planeta hostil é o primeiro lançamento de ficção científica da linha DarkLove, que foca em produções escritas por autoras e que já possui títulos como The Kiss of DeceptionSó os animais salvam e Confissões de crematório.

A longa viagem a um pequeno planeta hostil, que chega dia 10 de agosto às prateleiras, tem a já tradicional edição capa dura da DarkSide352 páginas e tradução de Flora Pinheiro – sempre fico feliz quando vejo uma tradutora nos créditos.

Você já pode reservar o seu lugar nessa viagem espacial: o livro está em pré-venda na Amazon!

As sessões exclusivas de Mulher Maravilha não são sobre excluir homens.

Essa semana a internet ficou em polvorosa com o anúncio da Alamo Draft House, um dos cinemas mais tradicionais dos Estados Unidos, de que faria uma sessão exclusiva para mulheres do filme Mulher Maravilha. Os gritos de revolta vieram de todos os lados, mas o que mais ganhou voz foi o gripo dos pseudo-excluídos.

“Como assim uma sessão só para mulheres? Vai acontecer uma sessão só para homens? E a igualdade?”

A Alamo Draft House respondeu de maneira magnífica àqueles que vieram até a sua página reclamar do evento:

Teve o cara que tentou dizer que não ia fazer dinheiro – e a Alamo respondeu que a sessão esgotou logo nas primeiras horas de venda. XD
Esse tentou puxar pro Trump, dizendo que ia gerar muita raiva se o Trump fizesse uma sessão na Casa Branca (?) só para homens. A Alamo respondeu: “Se chama reunião de gabinete. Ou Reunião Sobre Saúde das Mulheres”. Burn.
Esse rapaz queria saber se vai ter uma sessão só para homens, de Thor: Ragnarok, ou uma sessão especial só para palhaços quando IT sair. A Alamo disse que talvez roube a ideia da sessão só para palhaços.
Essa pessoa tentou jogar a carta da igualdade. Alamo respondeu com a verdade: não é sore igualdade, é sobre celebrar uma personagem que representa muito, para um monte de mulheres, desde 1940.
Esse quis saber se ia ter uma sessão só para homens. A Alamo o lembrou que eles também fazem eventos privados, é só alugar o espaço. XD

Homens tem essa coisa de achar que absolutamente tudo é sobre eles. Mas por mais engraçado que seja ver essa quantidade de homem chorando um tsunami de lágrimas porque, por uma sessão (duas, já que a empresa confirmou uma sessão extra), eles não são o centro das atenções, isso não é sobre eles.

É sobre celebrar mulheres.

Sobre mulheres se encontrando num só lugar, para assistir juntas à primeira super-heroína feminina a ser a primeira super-heroína feminina a chegar aos cinemas através de um blockbuster. Fim.

Não é sobre homens, é sobre mulheres. E ninguém tá impedindo esses caras de irem nas outras milhares de sessões – são apenas essas duas que serão exclusivas para mulheres. Porque elas querem poder ir ao cinema sem ter que escutar comentários engraçadinhos sobre o filme, serem julgadas porque vão se emocionar e possivelmente chorar, sem ter que escutar homem falando que a MM está gostosa, sem ter que se preocupar com qualquer tipo de atitude tóxica masculina.

Porque durante aquelas duas horas, elas só querem aproveitar, celebrar a Mulher Maravilha e se emocionar.

Então, caras. Não é sobre vocês. O filme não foi feito exclusivamente para mulheres, mas por aquelas duas sessões, ele vai ser exclusivamente para mulheres. O mais doido é ver cara, aqui no Brasil, chorando por uma sessão que mesmo se fosse aberta, eles não iam conseguir assistir. Porque tá em outro país. Oo

Mas olha, eu tenho uma solução incrível para toda essa questão de sessões exclusivas, e algo que você, homem, pode fazer. Ao invés de sair por aí gritando que você se sente excluído e injustiçado, aqui vão cinco coisas que você pode fazer para mudar isso:

1) Entenda que o seu comportamento pode ser tóxico para mulheres, escute e leia mulheres que falam sobre isso – melhore.
2) Cobre dos seus amigos caras que eles também melhorem.
3) Vá ao cinema ver Mulher Maravilha junto com as suas amigas, incentive outras mulheres à irem ao cinema ver o filme.
4) Incentive amigos homens à ir ao cinema ver Mulher Maravilha, além de estar incentivando eles a consumir um produto protagonizado por mulher, talvez eles aprendam uma coisa ou outra sobre machismo no filme, e aí eles melhoram.
5) Comece a cobrar dos estúdios e editoras que elas dêem mais espaço para personagens femininas – só Mulher Maravilha e Capitã Marvel não é o suficiente, e nem de perto representam a totalidade das mulheres fãs de quadrinhos (nós somos mais do que brancas, magras, esbeltas e etc).

Então é isso. Não é sobre excluir homens, é sobre celebrar mulheres.

Até mais! 😉

(Prints via The Mary Sue)

As Primeiras Reações ao Filme da Mulher Maravilha são Fantásticas!

Segura coração, estamos a exatos 14 dias do lançamento de Mulher Maravilha! São duas semaninhas para vermos a amazona mais maravilhosa dos quadrinhos arrebentando as telas e as primeiras reações, de críticos americanos, já começaram a chegar à internet.

Eu, que depois de Batman v Superman e Esquadrão Suicida, me mantinha um tanto cética ao filme – mais uma maneira de auto-proteção do que qualquer outra coisa – estou cada dia mais na loucura pra esse lançamento. Mulher Maravilha é o primeiro longa de super-herói em que a protagonista solo é uma mulher, o que por si só já faz o filme carregar uma carga pesada de todos os sentimentos do mundo, mas ele é também visto como o possível ponto de virada para o Universo Cinematográfico da DC, o que também acumula muitas expectativas.

Muitos dos críticos destacam o quão corajoso e emocionante o filme é, eu espero de coração que isso queira dizer que eles fizeram um filme de guerra fantástico, e que a Diana esteja tão maravilhosa como nós sabemos que ela é. Eles também não cansam de elogiar Gal Gadot no papel – a gente já sabia que ela tava maravilhosa desde que roubou a cena em BvS, mas é sempre bom ler isso.

Caso você ainda não tá no trem do hype, estamos fazendo uma parada especial para você entrar.

Minha reação ao filme da Mulher Maravilha: emocionante, poderoso, corajoso, épico, simplesmente maravilhoso e – o melhor de tudo – absolutamente empoderador. -ReelVixen
Eu amei Mulher Maravilha. O primeiro ato é um pouco devagar, mas é otimista, emocional e engraçado. Melhor filme da DC até agora. – Bleacher Report
Feliz em reportar que Mulher Maravilha é incrível e Gal Gadot é fantástica. A queimica dela com Chris Pine é magnética. Absolutametne recomendado. – Collider
Estou finalmente liberada para dizer: Eu amei #MulherMaravilha! Eu chorei a vendo lutar. As Amazonas chutam bundas! #ElaéMulherMaravilha – Coming Soon
Mulher Maravilha é o filme da DC que eu vinha esperando. É emocionante, inspirador, engraçado e tem algumas verdadeiramente incríveis cenas de ação. – io9 e Gizmodo
Amei Mulher Maravilha. Ela me lembra do Superman de Christopher Reeve’s: verdadeiro super-herói, sem angústia ou cinismo, que é o que precisamos agora. – Uproxx
Estou muito feliz em reportar que #MulherMaravilha é o melhor filme da DC desde O Cavaleiro das Trevas. Já estou esperando para ver de novo. – Coming Soon
#MulherMaravilha é o melhor filme do DCEU até agora. O coração da Diana de Gal Gadot empodera ele, e a mudança de mítico para uma história da Primeira Guerra funciona muito bem. – Cinema Blend
Mulher Maravilha é ótimo. Meu favorito dos filmes recentes da DC. É destemido, engraçado, bem escrito e fodão. Gal Gadot arrasa. O seu laço é incrível. – Fandango
#WonderWoman é com certeza o melhor filme do DCU até hoje! O filme é TAO BOM. Eu absolutamente amei! Bravo! – The Wrap

De quebra, fiquem com esses dois pôsters do filme, um liberado ontem, o outro um pôster chinês que reune os principais personagens do filme.

Mulher Maravilha estréia, no Brasil, dia 1º de Junho.

(via io9)

Her Universe lança coleção da Mulher Maravilha, queremos todas.

Estamos no chão com esse lançamento da Her Universe para o filme da Mulher Maravilha – quero tudo, quero todas. As peças variam entre 30 – 90 dólares, salgadinho se você mora no Brasil e a loja até entrega no Brasil, mas fica ainda mais caro.

Vamos chorar juntas com essas lindezas.

Oi jumper, te quero. 
Apaixonada nessa jaqueta, que é ótima praquele clima nem frio nem quente da CCXP. Também quero ser Filha de Themyscira.
Pro inverno, jaqeuta de couro super estilosa que passe por civil tranquilamente.

Macacão básico do amor.

Pro dia que você quer ser guerreira, mas também quer ser diva.
Vestido para aqueles dias em que você quer sair de cosplay, mas não pode.
Ele é tão mágico que é VICE-VERSA <3 Praticidade nota 10.

A MINHA FAVORITA – QUERO ESS SAIA AGORA.
ELA BRILHA NO ESCURO, QUERO.
Meu aniversário é em julho. Só dizendo. ;)As pe

 

Crítica | Power Rangers (2017) – Fomos Surpreendidas Novamente.

Dizer que as minhas expectativas eram baixas é dizer pouco. Não porque eu tinha certeza que o filme ia ser ruim, mas porque eu realmente não esperava nada dele. Eu cresci assistindo Power Rangers, quis ser Kimberly quando criança e depois de mais velha vi Zordon morrer. Power Rangers no Espaço foi a última temporada que assisti, depois disso só acompanhei de longe um ou dois capítulos que apareciam em dias que eu não estava fazendo nada.

A adaptação que chega hoje aos cinemas conta com um elenco de relativamente desconhecidos assumindo o papel da equipe original:Dacre Montgomery (Jason/Ranger Vermelho), Naomi Scott (Kimberly/Pink Ranger), Ludi Lin (Zack/Ranger Preto) e Becky G. (Trini/Yellow Ranger). Além deles os atros Elizabeth Banks e Brian Craston encarnam Rita Repulsa e Zordon. Apesar de não ser um filme de qualidade artística alta, ele parece ser honesto com suas limitações e com a expectativa do público. Ao meu ver o filme tem dois pontos fortes, saber o tipo de filme que é e a diversidade dele.

Ele sabe muito bem o que é.

Quando saíram os trailers uma das coisas que pulavam aos olhos era a tentativa de fazer o filme se encaixar dentro do “padrão de sucesso” dos reboots: trazer algo mais adulto, mais viceral e obscuro. Se essa era a intenção da produção, então eles falharam astronomicamente. Mas eu realmente não acho que esse seja o caso, pois a grande força de Power Rangers é saber exatamente o que é e manter-se fiel ao seu público alvo: um filme pipoca da Sessão da Tarde – e não há nada de errado nisso.

Não há nada de estelar no roteiro do filme, que até tenta se aventurar por um caminho mais adulto ao “matar” um dos personagens e trazer um Zordon bem menos acolhedor que o original, mas sempre acaba voltando para momentos intencionais (ou não) de humor. Eu honestamente acho que essa é a escolha certa, Power Rangers nunca foi viceral, pesado ou qualquer coisa similar, muito pelo contrário. Se Power Rangers fossem garotas mágicas eles seriam Sailor Moon, não Madoka, e tá tudo bem.

Quando saí da sessão, fiquei me perguntando o que eu sabia sobre a história pregressa ou a personalidade dos primeiros Rangers – pouco ou quase nada. Neste quesito o longa faz um trabalho melhor do que a série fez em algumas temporadas. Os Rangers aqui não são só adolescentes que vão pra escola e, depois de zoar com Bulk e Skull, vão salvar a alameda dos anjos. O filme tira alguns momentos para tentar desenvolver um pouco mais a angústia interna deles, nada extraordinário e, talvez exatamente por ser um filme sessão da tarde, fica a sensação de que isso podia ter sido feito com mais calma e também melhor trabalhado.

A Diversidade de seus personagens.

Muito se falou nos últimos dias sobre Trini, a Ranger Amarela, ser uma representação LGBT. Há milhares de questionamentos em torno do tipo de representação que Trini trás, e de fato há um cansaço quando se noticia uma personagem lésbica mas isso é apresentado de maneira não tão evidente quanto nós gostaríamos. O arco da personagem é sobre descobrir quem ela é e, do ponto de vista narrativo, ela sendo uma adolescente parece coerente que ela ainda não tenha se rotulado como nada – ou que não queira se rotular. Isso não quer dizer que não precisaríamos de uma afirmação mais forte sobre isso.

Mas há mais do que isso. Billy, o ranger Azul, é autista. Além de quebrar a tradição de personagens negros serem os Rangers Pretos, Billy é uma representação um tanto caricata porém carinhosa de uma pessoa no espectro autista. Um acerto do filme, ao meu leigo ver, é que ele não é vitimado necessariamente por ser autista, e o filme não o mostra como alguém digno de pena, ele é super-herói como seus colegas, talvez dentre os cinco o que mais anseia por esse papel. O grupo se forma ao redor dele – é dele a decisão que coloca os cinco em contato com os cristais, é ele que une os cinco e é ele o primeiro a conseguir morfar.

O único personagem branco do filme é o Ranger Vermelho, ele é também o menos interessante e com o conflito interno mais desinteressante. É como naquele clipe dos Backstreet Boys em que cada um deles mostrava um drama em sua vida (problemas no coração, morte do pai, da irmã ou o vício com drogas) e o problema do Nick é que ele nunca tinha encontrado o amor. Perto dos outros personagens, Jason parece uma escolha questionável para liderança. A atriz que faz Kimberly é descendente de indianos e, apesar de isso não ser usado na história, ela está bem longe do padrão branco americano. Trini é latina, Billy é negro (e autista!) e Zack é de descendência asiática. A mãe de Zack, inclusive, não fala inglês, apenas chinês, levantando a pergunta que talvez ela seja imigrante – mas essa é uma extrapolação minha.

O ponto forte, apesar das falhas, é que esse é um filme focado em adolescentes, baseado em uma série de mais de 20 anos e que não se recusou a atualizar os personagens para padrões mais inclusivos.

Quase um ano atrás, quando saiu o primeiro trailer, eu falei sobre a presença de Boobie Plates e salto-alto no uniforme das personagens femininas. Eu continuo achando tudo isso:

https://www.youtube.com/watch?v=Ksy6VcsVI0I&list=PLdtQ7s_bzHMX7Scbld9_LpO2Xx0sYJ2Zv

Conclusão

Não espere atuações extraordinárias – esse não é o tipo de filme para isso. Como já era esperando, nem Elizabeth Banks, que interpreta a vilã Rita Repulsa, nem Bryan Cranston, que interpreta Zordon, vão ganhar indicações à prêmios por seus papéis. Banks parece se divertir interpretando a vilã, que tem a origem bem diferente da série original, e isso ajuda a manter o clima do filme no lugar certo. Também não espere John Wick ou Pacific Rim no que diz respeito às lutas e ao Megazord – anunciado como “mais centrado na realidade”, a realidade em questão aqui é o baixo orçamento e os limites técnicos.

Se você for ao cinema esperando uma versão mais adulta de Power Rangers vai gastar o dinheiro do ingresso a toa. O filme tem como público alvo adolescentes, visando começar no cinema uma franquia que já é sucesso na televisão há mais de vinte anos. Essa é a escolha mais acertada do filme, enquanto existem pequenos acenos aos fãs mais velhos, o filme não perde tempo com saudosismo ou auto-referência. Power Rangers entrega um clima e uma narrativa muito próxima da série original, com o coração no lugar certo, e momentos de humor interessantes. Não esqueça de ficar até o final dos créditos. 😉

Power Rangers estreou hoje no Brasil.

Passageiros, Alien e a Cultura do Estupro.

Filmes de sobrevivência no espaço geralmente ficam entre dois gêneros cinematográficos: suspense e horror/terror. Passageiros, infelizmente, procura ficar entre romance e suspense, ignorando os claros sinais de que essa era uma história de terror, e não uma história de amor.

A história

Passageiros segue a história de Jim Preston (Chris Pratt), um engenheiro que estava tranquilamente dormindo em criogenia no que seria a maior migração da humanidade para um planeta colônia. 120 anos de sono até acordar em um novo mundo, em uma nova vida. Infelizmente para Jim, faltando ainda 90 anos para a chegada, a nave passa por uma chuva de meteoros e, avariada, acaba acordando somente ele. Sozinho numa eternidade de nada, Jim começa a perder a lucidez.

Um dia, bêbado, ele esbarra no pod de criogenia de Aurora Lane (Jennifer Lawrence), uma escritora gratíssima por quem Jim fica obcecado. Ele assiste aos vídeos de Aurora, lê os livros que ela escreveu e se “apaixona” pela Bela Adormecida da Criogenia Intergalática. Começa então um conflito interno, enlouquecer sozinho ou acordar Aurora.

Obviamente a segunda opção é a vencedora.

Aurora acorda, sozinha nessa nave gigantesca, com apenas Jim e um robô garçom como companhia. Sem saber do que Jim fez, ela acaba se apaixonando e os dois passam a se relacionar. A vida é tão perfeita quanto ela pode ser dentro de uma espaço-nave indo numa viagem da qual eles nunca conhecerão o destino final. Até o dia em que o robô garçom, por alguma razão que o filme não se preocupa em explicar, conta para Aurora o que Jim fez.

A escritora se desespera. Presa eternamente em uma nave com o responsável pelo seu assassinato – sim, Jim assassinou Aurora, tirou dela a vida que ela queria, condenando-a a morrer no espaço. Não há como voltar à dormir, não é possível fugir daquela nave. Aurora evita Jim ao máximo, foge, se tranca em seu quarto, mas Jim precisa que Aurora entenda que ele estava enlouquecendo e que se apaixonou por ela antes mesmo de acordá-la. Jim, e o filme, quer que Aurora e o público entendam a posição dele. O filme eventualmente o perdoa, forçando Aurora a perdoo-lo também.

Porque Aurora?

Você acordou sozinho em uma espaço nave, 90 anos antes do planejado. Você possui conhecimentos básicos de engenharia, o suficiente para saber abrir uma câmara de criogenia com apenas o manual como guia. O que você faz? Procura entre os passageiros alguém que possa ajudar a resolver o problema da nave e talvez fazer você voltar a dormir, ou acorda a mina gata em quem você esbarrou enquanto bêbado?

A mina gata é escritora, ela tem exatos zero conhecimentos que podem te ajudar, mas ela é gata. E você passou os últimos meses stalkeando a vida dela, sentando ao lado dela enquanto ela dorme. Você criou uma imagem fantasiosa de quem essa mulher maravilhosamente congelada é. Aurora é a sua pixie dixie dream girl mixed com Bela Adormecida. E você sabe que ela é perfeita para você, e você perfeito para ela.

A escolha por acordar Aurora não é algo aleatório, é motivado pelo desejo sexual de Jim. Ele acorda Aurora porque ele acha ela gata e porque ele decidiu que eles são perfeitos um para o outro. Não há nada em Aurora além do desejo de Jim, e boy, isso é errado.

A escolha de Jim

O filme escolhe Jim como o personagem por que o público vai mais sentir empatia, é uma escolha narrativa clara desde o começo do filme. E num primeiro momento é absolutamente normal se identificar com Jim: sozinho para sempre no espaço, sem ninguém além de um robô garçom para conversar, sem contato humano, sem perspectivas e sem futuro. É um pesadelo espacial perfeito. Mas no momento em que Jim decide acordar Aurora ele deixa de ser o herói e torna-se vilão. O filme, no entanto, parece não se dar conta disso.

Morten Tyldum, diretor do filme, falou sobre porque ele perdoa Jim:

Porque eu também entendo ele naquele momento. Aquele momento, tão perdido. Eu acho que a solidão e o isolamento, como isso ia afetar você, e como você estaria disposto a fazer coisas questionáveis quando você está perdido o suficiente. Eu acho que isso é, na verdade, honesto. Eu acho que ele fez algo muito honesto que eu acho que muitas pessoas teriam feito se ele tivesse a oportunidade de fazer.

Por mais que eu tente, eu não consigo ou não quero acreditar que o que Jim fez foi algo natural, algo honesto. Honestidade teria sido se ele tivesse acordado Aurora e dito para ela a razão pela qual ele fez o que fez: porque ele podia. Não foi porque ele a amava e tinha certeza de que eles eram perfeitos um para o outro, ele fez porque ele se tornou obcecado por ela e porque ele tinha o conhecimento tecnológico para fazer. Então ele fez. O filme também não faz com que Jim realmente se desculpe com Aurora, ele usa o sistema de aviso da nave para força-la a escutar sua explicação do porque ele a acordou.

Courney Enlow, do site Pajiba, resumiu bem o porque um plot como o de Passageiros parece algo normal: cultura do estupro. É a cultura do estupro que permite ao diretor do filme acreditar que acordar a Aurora e sentenciá-la à morte é algo que todos estariam predispostos a fazer se estivessem na situação de Jim.

Eu acho que ele (Morten Tylden, diretor do filme) está certo. É errado que ele esteja certo, mas muitas pessoas iriam roubar alguém de seu futuro, dominar a existência de uma mulher e tomar para si mesmo, algo do qual ele tem direito e merece porque ela é uma coisa não-humana. É isso que a cultura do estupro é. Enquanto a cultura do estupro existir, enquanto as pessoas puderem entender e justificar a escolha dentro do filme, ele vai estar certo. (…)

Porque a escolha de uma mulher, sua própria vida, não importa tanto quanto o desejo de um homem de ter essas escolhas e vida.

Alien

Enquanto pesquisava e pensava sobre o filme eu, invariavelmente, voltava à franquia Alien. Também um filme de sobrevivência no espaço, Alien acompanha a Tenente Ripley enquanto ela tenta sobreviver, junto com seus colegas de viagem, de uma ameaça alienígena que quer usar seus corpos para se reproduzir. Um alienígena parasita, que usa suas vítimas para criar mais de si mesmo, não importando quem ele mate para conseguir.

Jim Preston é o Alien. Mas Aurora não é Ripley. Porque apesar do filme colocar na boca de Aurora “O que ele fez é assassinato”, em momento nenhum o filme desenvolve esse desespero, muito pelo contrário. Depois que Aurora fala isso o filme passa a construir sua reconciliação com Jim, culminando nela berrando para ele, que estava preso do lado de fora da nave “Se você morrer, eu morro”.

Vendo a semelhança entre as história de Aurora e Ripley, fica ainda mais forte o sentimento de que Passageiros resolveu contar a história errada, ou pelo menos no gênero errado. O que ele constrói como uma história de amor é, na verdade, um filme de terror. Uma mulher presa dentro de uma lata espacial, sem ter para onde fugir, com o responsável pela sua morte. Jim, assim como o Alien, não é o herói da história, mas o vilão. Passageiros não é uma história de amor, mas uma história de terror.

Os comentários do diretor sobre a motivação de Jim, o modo como Aurora se desenvolve na história e a incapacidade do roteiro de realmente discutir a escolha que Jim fez e as consequências dela e até o final feliz, em que Aurora decide continuar acordada ao lado de Jim, apesar deles terem descoberto um jeito de fazê-la voltar a dormir, mostram que Passageiros vê a narrativa de maneira retrógrada e honestamente machista. Esse não é um filme sobre uma mulher com síndrome de estocolmo que defende o homem que a mantêm refém, essa a história da fantasia masculina, da pixie dream girl, de como ele tem direito à decidir quem morre ou quem vive se ele considerar importante.

Papéis de gênero

Alguns anos atrás essa narrativa violenta passaria despercebida, compraríamos a história de amor e talvez nem questionássemos a escolha de Jim. Tudo daria certo, eles se apaixonaram e foi assim que o destino quis. Mas não é só ao contar uma história de terror como um romance que Passageiros é retrógrado, isso também acontece na escolha pelos papéis de gênero dentro do filme.

Jim é o engenheiro, aquele cujos conhecimentos serão cruciais para salvar a vida das 5000 pessoas que ainda dormem quando a nave entra em colapso. Aurora é uma escritora, responsável por puxar uma alavanca, chorar, e perdoar Jim. Entende onde eu quero chegar? Aurora é inútil para o conflito final do filme, sem Jim Aurora ia sentar num canto e esperar a morte inevitável. Porque é isso que eu, escritora, teria como opção. Não existe manual no mundo que me fizesse entender como um reator nuclear funciona, não o suficiente para consertar um deles.

Se Aurora fosse a engenheira e Jim o escritor, talvez o plot do filme pudesse soar menos nojento. Se Jim tivesse escolhido Aurora porque ela pode, no fim, salvá-lo, talvez eles tivessem conseguido contar uma história melhor. Mas não é isso que o filme faz, porque em todos os aspectos ele está preso a noções de gênero e de narrativa que parecem tiradas diretamente do século passado, um filme sessão da tarde das décadas de 80/90 onde o mocinho faz altas aventuras enquanto a namorada espera no canto.

Conclusão

Muito pouco dá para ser salvo em Passageiros. Se o filme queria ser uma opção de entretenimento despretensioso, falha miseravelmente ao tentar levantar uma discussão ética e nunca realmente entregá-la. Apesar da ação final do filme funcionar razoavelmente é impossível superar o absurdo que é a conclusão de que a escolha de Jim é entendível, ignorando todo o machismo e egoísmo que suportam a decisão, o filme não discute e nem mostra o sofrimento do protagonista o suficiente para que a gente realmente o entenda e perdoe.

O final de conto de fadas do filme em que Aurora não só perdoa Jim como decide ficar acordada com ele, em que os dois literalmente constroem uma fazendinha no meio do deque da nave e vivendo felizes “para sempre”. Aurora e Jim, o homem que a condenou a morte porque ele não queria sofrer sozinho, que a prendeu num bunker espacial de onde ela não consegue fugir. Tudo isso é justificado pela cultura do estupro.

Vamos falar sobre Mass Effect!

E aí gente, como é que vocês estão?

Hoje é dia de novidade no canal! Desde que comecei a fazer vídeos sobre Dragon Age, muita gente me pergunta se eu ainda vou falar de Mass Effect e hoje posso responder oficialmente que sim!

Estava esperando uma novidade sobre Mass Effect Andromeda e nessa quarta-feira a EA falou sobre uma nova data de lançamento para o jogo, então aproveitei o gancho para começar essa nova série de vídeos no canal do blog no youtube.

Assim como acontece com os vídeos de Dragon Age, podem fazer sugestões de temas para os vídeos de Mass Effect também.

Originalmente postado em Ideias em Roxo

Roteirista de Lumberjanes revive Os Fugitivos, da Marvel.

Já deixei bastante óbvio o quanto eu amo Lumberjanes, mas como não amar quando o quadrinho totalmente focado em personagens femininas tem como moto “amizade ao máximo”. Escorre sororidade das páginas da revista (mesmo da versão digital – que foi a que li).

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Muitos anos atrás, quando passava pela minha primeira crise com os quadrinhos de super-heróis norte americanos, me sentido mal representada, possessa com o modo que minhas personagens femininas preferidas estavam sendo descartadas surgiu Os Fugitivos (Runaways).

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Originalmente criado por Brian K. Vaugn (do muito foda Saga, Y: The Last Man) revista focava num grupo de adolescentes que descobria que seus pais faziam parte de uma organização secreta do mal e que, cada um deles, possuía um poder que os filhos também tinham. Decepcionados e decididos a fazer justiça aos erros dos pais, eles se uniam e o que saiu dessa premissa foi uma das melhores revistinhas que eu li na época.

Além de ser uma ótima porta de entrada para o universo de quadrinhos de super-heróis, Os Fugitivos tinha uma diversidade bem interessante nos seus personagens. Dos seis heróis originais cinco eram garotas – CINCO. Dentre elas Nico, a líder do grupo, é japonesa-americana – uma das primeiras líderes de grupos de super-heróis com essas características. Gertrudes, que tem um dinossauro como animal de estimação (FUCK YEAH), é uma daquelas poucas personagens de quadrinhos de super-heróis que não é magra, pelo contrário, ela é gordinha. Eu lembro de vê-la na revista pela primeira vez e pensar “finalmente!” Além das duas, Alex, um dos garotos do grupo é negro.

GERTRUDE MELHOR DE TODAS COM O DINOSSAURO AMOR <3
GERTRUDE MELHOR DE TODAS COM O DINOSSAURO AMOR <3

Pra mim, Os Fugitivos foi um marco não só por causa da representatividade em 2003 (ano em que a revista foi lançada), mas porque os personagens adolescentes e as tramas nas quais eles estavam envolvidos não diminuíam e não deixavam de ganhar complexidade por causa da pouca idade deles – como a gente vê acontecer muitas vezes. Nenhuma delas estava lá para ser salva pelos adultos – eles estavam exatamente lutando contra o controle dos adultos. Era lindo <3.

Mas o que Os Fugitivos tem a ver com Lumberjanes?

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Essa semana foi anunciado que a roteirista de Lumberjanes, Noelle Stevenson vai dar nova vida aos Runaways durante o evento Secret Wars. Você pode ler a entrevista completa do site Comic Book Resources, mas já vou adiantar um pouquinho. A série vai dar um novo início ao grupo, usando personagens adolescentes já clássicos da editora, mas eles vão estar em situações que não são tão tradicionais para eles. Apesar das mudanças a revista vai manter o tema de questionamento da autoridade, reavaliar quem você é independentemente de quem te criou. Eles vão todos estudar na mesma escola para jovens com dons, cujo objetivo é torná-los líderes e lutadores – um ambiente hostil, principalmente para os adolescentes que vêm lutando por algum tipo de glória pela maior parte de suas vidas. É de dentro dessa escola que eles começam a perceber que nem tudo é exatamente aquilo que parece.

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Sketch das versões Os Fugitivos da Jubileu e da Adaga, que vão integrar a nova equipe.

O grupo da nova versão, por enquanto, vai ser composto por Jubileu, Adaga, Manto, Skaar, Amadeus Cho e um personagem novo criado para o título. Ao que tudo indica alguns dos componentes originais d’Os Fugitivos vão aparecer nas novas histórias – e é legal comentar que a Nico vai integrar a equipe dos Vingadores formada apenas por mulheres. <3

Agora é esperar – e minhas mãos já estão coçando. :3

(via CBR)

Preview: Spider-Gwen #1

A MARVEL liberou hoje as primeiras imagens de Spider-Gwen #1, revista com previsão pra chegar às bancas americanas no inverno do hemisfério norte!

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Spider-Gwen teve sua história de origem durante os eventos que aconteceram na revista Edge of Spider-Verse, que reuniu todas as versões do Homem-Aranha para tentar destruir um vilão. Depois do sucesso que a personagem fez – teve até cosplay dela na CCXP 2014 (e tava incrível) – os fãs pediram e a editora atendeu. A revista tem a mesma equipe criativa que colocou ela no papel pela primeira vez, escrita de Jason Latour e arte de Robbi Rodriguez.

Com a iminente reestruturação do Universo Marvel, fica a dúvida de como a revista – e a personagem – vai se encaixar nisso tudo.

Via ComicBook Resources

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