“Alguém está prestes a começar um incêndio!”- Gail Simone faz predições sobre a nova leva do mercado americano de quadrinhos.

Gail Simone é talvez a roteirista de quadrinhos de super-heróis mais conhecida no mundo. Com trabalhos tanto nas duas maiores editoras, como em editoras menores, Gail foi responsável recentemente pela reformulação de personagens como Vampirella e escreveu um dos arcos mais famosos da Batgirl. Gail também foi a criadora do termo Mulheres na Geladeira (Women in Refrigerators), um dos grandes responsáveis por aquecer a discussão da representação feminina nos quadrinhos de super-heróis.

No último dia 23 Gail soltou alguns twittes onde fazia uma predição sobre o que vai acontecer com o mercado americano de quadrinhos de super-heróis, principalmente sobre como uma nova leva de criadoras não-brancas vai revolucioná-lo. É importante lembrar que para a visão norte-americana toda brasileira é não-branca, então ela também fala sobre o trabalho de quadrinistas que aqui dentro nós consideramos brancas.

Ela disse:

Eu vou fazer uma predição. E isso não vem de um desejo liberal, mas da simples observação.

Okay. Eu disse por anos que mulheres iam começar a escrever quadrinhos mainstream de novo e finalmente aconteceu, certo?

Quase todo título que gerou buzz nos últimos dois anos tinha uma mulher escrevendo, editando, ilustrando ou como protagonista, exceto pelos títulos tradicionais.

Então a maioria das coisas novas e interessantes tinha pelo menos uma mulher profundamente envolvida, nas duas maiores empresas e nos indies. Bom. Mas…

Minha predição é que a próxima grande onda vai começar em 2017, e vão ser mulheres não-brancas.

Isso não é querer demais. Eu estou viajando o mundo visitando CONS por anos, e o número de mulheres não-brancas criadoras está explodindo.

E a paixão por quadrinhos de leitoras em lugares como Shangai, Cidade do México e Belo Horizonte foi palpavelmente intenso.

Alguém está prestes a começar um incêndio.

Elas podem não estar recebendo apoio e encorajamento dos que já estão estabelecidos. Mas essa é a questão, elas não precisam mais.

Elas tem umas às outras, elas tem a internet, elas podem construir os seus próprios sistemas de apoio e bases de fãs antes da sua primeira publicação.

Imagine a maior parte da música, arte ou cinema americano sem pessoas não-brancas. É muito chato para se considerar.

Mas imagine o que um grande fluxo de talentosas mulheres não-brancas vai fazer para deixar os quadrinhos (de super-heróis) incríveis.

As pessoas não vão mais reclamar que os quadrinhos são todos iguais e repetitivos. Eu prometo.

Nós vamos ter uma infusão de criadoras dedicadas e incríveis, de países onde eles estão apenas descobrindo o amor pelos quadrinhos americanos.

Eu sei que muitas pessoas pensam que eu estou sendo sonhadora. Eu não estou. Essa é a realidade.

Ninguém acreditou no que eu disse durante que estava voltando na época do Mulheres na Geladeira e, se muito, eu mesma subestimei.

Assista e veja. Vai acontecer, e os quadrinhos vão ser mil vezes melhores por isso.

Em Shangai, a fila de mulheres e garotas que queriam fazer quadrinhos no estilo americano não tinha fim. Não tinha fim.

E na arte delas elas misturavam estilos asiáticos e ocidentais, e o resultado era maravilhoso. Crianças americanas comprariam em peso.

No Brasil, o número de criadoras de quadrinhos passa com uma boa margem o número de criadores. E eu nunca, nunca vi tanta diversidade de material.

Tudo desde mini-quadrinhos com fotos até épicos imensos e pintados. Só um esmagador dilúvio de talento.

Adicione à isso as destemidas mulheres dos EUA que querem fazer quadrinhos… Vai ser incrível.

Na Cidade do México, as criadoras já tem a sua própria cultura. Eu vi u monte de artistas que poderiam trabalhar para a Marvel ou Image amanhã.

E isso é só fora dos EUA. Tem um monte de mulheres que eu conheci em CONS que já estão no caminho, e serão imparáveis.

Você pode ler o thread original AQUI.

Para mim faz sentido que Gail veja o mercado internacional de quadrinistas como potencial bolsão de talentos para o mercado americano, o Brasil exporta talentos já há mais de 20 anos. O número de mulheres brasileiras que trabalham para o mercado americano é bem menor do que o o número de homens que fazem isso.

Não sei confirmar se as criadoras são realmente a maioria do mercado nacional, mas é certo que nos últimos anos elas vieram com muita força e com trabalhos de qualidade tanto narrativa quanto artística. Vendo os títulos de maior sucesso nos EUA tanto no mercado de super-heróis quanto no indie, é possível entender que as predições de Gail não estão assim tão longe da verdade. Seria incrível ver ainda mais nomes femininos brasileiros trabalhando no mercado americano.

Fica o desejo que a profecia de Gail realmente aconteça, e que nós acompanhemos essa mudança editorial dentro dos Super-heróis nos próximos anos! <3

As Minas do Artists’ Alley da CCXP 2016

Faltam 20 dias para Comic Con Experience 2016 e por aqui nós já estamos começando a planejar não só a nossa cobertura, mas também quais são as mesas do Artists Alley que nós vamos visitar primeiro. No artists’ Alley você encontra quadrinho, ilustrações, adesivos, livros e mais um monte de coisas que a gente não encontra em nenhum outro lugar – e ainda dá pra curtir os artistas! <3

Todos os anos eu faço um primeiro tour pelas mesas que tem mulheres, é lá também que eu deixo a maioria do dinheiro que eu gasto nos quatro dias de evento. É importante apoiar o trabalho das mulheres que estão produzindo no meio dos quadrinhos e da cultura pop, porque é assim que a gente mostra não só para as que já estão no mercado, mas também para as que ainda vão entrar, que elas não estão sozinhas e que elas vão ter apoio. É assim que a gente pode ajudar a tornar o espaço mais inclusivo e saudável.

Pensando nisso, e no fato do beco dos artistas estar gigantesco, eu resolvi fazer uma listagem, um mapa da onde estão as mulheres que estão participando da CCXP deste ano. A listagem está dividida de acordo com as ruas em que cada uma delas está! 😉

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As mulheres ainda são minoria no artists’ alley da CCXP, mas elas também são muito talentosas e tem uma produção muito diversa. Do fofo ao terror. Do mangá ao traço europeu. Tem para todos os gostos! E esse ano o espaço vem com a adição não só de ilustradoras e quadrinistas, nós também temos escritoras e até cosplayers!

** Se você conhece ou é uma das meninas que não estão com descrição e/ou arte aparecendo aqui, manda um inbox para a nossa página no facebook! **

*** O post anteriormente marcava Gabriela Passos como presente na Mesa D 35, mas ela não é a artista presente na mesa.***

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Ana Charlie

Anna Charlie é fruto do trabalho da Anna Maeda como ilustradora. A artista gosta de contar pequenas histórias e sentimentos por linhas e cores. Seus temas favoritos envolvem garotas, flores, animais e um toque de poesia. Anna aplica suas criações em diversas superfícies, como canecas, pratos decorativos, e no bom e velho papel.

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Lorena Kaz

Lorena Kaz nasceu em 1983 no Rio de Janeiro e é formada em design pela Puc-Rio. Ilustrou “O museu da Emília”, de Monteiro Lobato, ed. Globinho, e “A Princesa Preguiçosa e o Príncipe Acordadão”, ed. 5W. Em 2014 mudou-se para São Paulo, onde ilustra livros didáticos. Sua página do facebook, “Uma lhama por dia”, gerou seu primeiro livro autoral “Uma lhama no cinema”, ed. Conrad. Seu projeto “Morrer de amor e continuar vivendo”, de histórias em quadrinhos sobre dependência emocional e pressões sociais, foi exposição na Casa das Rosas e no Salão de humor de Piracicaba. Lorena também produz a página “Projeto Morrer de amor – Apoio emocional” no Facebook e realiza uma oficina para mulheres sobre histórias de relacionamentos e expressão artística.

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Renata C B Lzz

Renata C B Lzz, 24 anos, lançou, em 2012, sua primeira HQ “O Dente da Chapeuzinho Vermelho” junto com um grupo de estudantes de enfermagem da São Camilo. Em 2014, participou da e-zine “Truko 3”, com a HQ “Mosquinha” e no final do ano finalizou a HQ “Morteu por Morgan Etrom”, fruto de seu TCC, para ser publicada em 2015. No ano seguinte, publicou no Social Comics a HQ “Pitadas de Areia”, além de participar na revista digital “Que diferença faz?” com a HQ “Imigrantes”. Este ano, também no Social Comics e em formato físico, lançou a “Andarilha” e “Pimpão” (será lançada em formato físico na CCXP). Também tem dois zines o “Voando” e “Escuridão”, que foi desenhada em 2009.

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Germana Viana

GERMANA VIANA (Recife-PE), mora em São Paulo. É quadrinista e trabalha como letrista e designer para editoras como Panini e Jambô. Germana é autora de Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço (Jambô Editora, 2014), de uma das histórias da coletânea SPAM (Zarabatana Books, 2015), de Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço 2 – A Volta de Capeta (Jambô Editora, 2016) e atualmente, está escrevendo e desenhando As Empoderadas, título exclusivo da Social Comics.

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Erica Awano

Erica Awano está na área desenhando quadrinhos e fazendo ilustrações há um tempão, atua tanto no mercado nacional quanto no exterior. Trabalhou em projetos nacionais como Street Fighter Zero, Holy Avenger, Dbride, Os 25 anos do Menino Maluquinho, MSP50, Memórias do Maurício e internacionais como Warcraft Legends e The Complete Alice in Wonderland.

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Cris Peter

Cris Peter

Cris Peter trabalha com colorização digital de histórias em quadrinhos no mercado internacional há mais de 14 anos para editoras como DC, Marvel e Image. Já coloriu títulos comoSuperman/Batman, Astonishing X-Men, Fantastic Four, Captain America & Namor, “Hawkeye vs Deadpool” e foi indicada ao prêmio Eisner em 2012 por seu trabalho no título Casanova. Seutrabalho de colorização também pode ser visto nas Graphic MSP Astronauta – Magnetar e “Astronauta – Singularidade”, com arte e roteiro de Danilo Beyruth. Como escritora lançou seu livro teórico “O Uso das Cores”, e atualmente tem um projeto autoral junto ao coletivo Estúdio Complementares e a desenhista Érica Awano chamado Patas Sujas, também está envolvida no selo Pagu Comics como autora do título Quimera. Contribui também com a programação a CCXP em painéis sobre raça, gênero e o papel da mulher na cultura pop.

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Prips

Artista formada em Design Gráfico pela Belas Artes de São Paulo, trabalha desde 2009 para a IDW, desenhando e colorindo quadrinhos, em títulos como Transformers, GI Joe, Godzilla e Jem e as Hologramas. Foi colorista na graphic novel Turma da Mônica: Laços, da Mauricio de Sousa Produções. Além de HQs, foca em ilustração de embalagens (package art para a Hasbro, nas linhas de Transformers e GIJoe), e arte conceitual de personagens, assim como designs para camisetas. Trabalhou em jogos mobile, desenvolvendo personagens e backgrounds; fez ilustrações para a apresentação de uma Skin do jogo League of Legends, da RIOT. De vez em quando se aventura pelo mundos dos quadrinhos independentes, como o autoral My roomie, the Dark Lord.

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Sabrina Eras

Sabrina Eras é ilustradora autodidata. Frequentou escolas livres de arte e trabalhou em agências de comunicação visual, além de fazer trabalhos para o mercado editorial. Participou do livro comemorativo dos 50 anos da Turma da Mônica e expôs em galerias brasileiras e do exterior. Já firmou parcerias com Zupi, Faber-Castell e Pixel Show. Também é professora e ministra aulas de pintura, ilustração e aquarela, além de workshops na Sala Ilustrada, Quanta, Guará Estúdio e Zupi Academy.Atualmente, aceita trabalhos comissionados para o Brasil e exterior, além de ministrar cursos e oficinas de aquarela, presencialmente e a distância. Seu trabalho pessoal possui influências do mórbido e do sexy, assim como elementos da natureza e cultura pop.

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Ariane Rauber

De Porto Alegre, RS, participa do coletivo Estúdio Complementares, organizando workshops e projetos pessoais, com mais 4 artistas gaúchas. Atua como ilustradora e designer das publicações do estúdio. Trabalha na área de Design Gráfico, sendo ilustração e quadrinhos duas paixões.

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SulaMoon

Ursula Dorada começou sua carreira como ilustradora publicitária, onde atuou por quase 8 anos antes de decidir se especializar na área de entretenimento, de onde não pretende mais sair. Já atendeu clientes como Riot Games, Hex TCG e Devir, onde pode abraçar o realismo fantástico que tanto adora. Também atua na área de quadrinhos com projetos independentes, e mais recentemente como colorista de capas na DC Comics. Apaixonada por todas essas histórias, gasta todo seu tempo fazendo fanarts, que estarão disponíveis no evento. Esse ano trabalhou em uma série especial de Sailor Moon, que estará disponível apenas na CCXP. Vem Conferir!

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Luiza McAllister (2Minds)

Ilustradora com foco em pintura digital, quadrinista e co-fundadora do 2Minds. Este ano trabalhou com a Blizzard Entertainment, Riot Games e AEG. Além disso é uma das sócias do portal Garotas Geeks, um blog sobre cultura pop e nerd. Nesta edição da CCXP a artista vai lançar a continuação da sua HQ independente Plumba, além de prints e produtos exclusivos vendidos apenas no evento. Essa será sua terceira participação consecutiva na CCXP! Sua mesa será dividida com o Thiago Lehmann, a outra metade do 2Minds.

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Mika Takahashi

Mika Takahashi começou a carreira trabalhando em séries animadas para produtoras de animação e publicidade como a Birdo Studio, Digital 21 e BlankBr. Passeou em alguns estúdios de design e ilustrou livros para as editoras Biruta, Rocco e Melhoramentos, e revistas para as editoras Abril e Globo. Em 2014 lançou sua primeira publicação autoral “Ink Stories” (PINGADO-PRÉS), em 2015 participou do “321 Fast Comics – vol2 de Felipe Cagno e “A Samurai” de Mylle Silva. Atualmente é professora de ilustração da Quanta Academia de Artes. Este ano lançará na CCXP sua primeira publicação autoral em quadrinhos “Além dos Trilhos”.

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Shiau

Formada em Design pela Universidade Mackenzie, atua no mercado como freelancer e se dedica à arte da caligrafia.

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Suzanne Cascardi

Olá! Sou Suzanne Cascardi, tenho 26 anos, nascida em São José dos Campos, interior de São Paulo. Sou Ilustradora digital, formada em Desenho e Animação. Trabalho como ilustradora freelancer desde 2010, me tornei um membro da Kinoene Arts e também do estúdio Tonnelada em 2013! Estarei pela primeira vez na CCXP mostrando um pouco do meu trabalho. Encontrei na ilustração e nos quadrinhos um meio para me expressar e inspirar outros a seguir seus sonhos, levando isso em consideração estarei na CCXP com meu primeiro Artbook: o LUME, um compilado de criações de personagens, ideias e releituras do mundo fantástico que sempre serviu como referência em minhas produções.

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Lita Hayata

Ilustradora e quadrinista, autora de BETE VIVE.

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Julia Bax

Julia Bax, ilustradora de livros e histórias em quadrinhos, cresceu no interior de São Paulo, mas mora na capital. Formada em Economia pela USP, resolveu abandonar as cifras e se concentrar nas artes. Trabalhou por um tempo para o mercado americano de quadrinhos (Marvel, Devil’s Due, Boom), e ilustrou livros e revistas para as maiores editoras do Brasil. Durante 2 anos publicou uma tirinha mensal no caderno Folhateen da Folha de São Paulo. Hoje, Julia divide seu tempo entre publicações para o mercado brasileiro, onde publica indepentendemente (Remy, Quina), e o mercado francês pela editora Le Lombard (Pink Daiquiri, Princesse Caraboo).

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Ana Cardoso

Sou Ana Cardoso, natural de Belo Horizonte/MG, Artista Gráfico graduada na Escola de Belas Artes (UFMG) em 2013. Atuo como Sócio-diretora, Ilustradora e Designer na empresa Estúdio Black Ink. Lancei meu primeiro quadrinho independente We Pet no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) em 2015. Atualmente crio cachorros, pulgas e encrencas para novos projetos visuais.

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Virgínia Froes

Graduada em Artes Visuais pela UEMG e entusiasta das artes sequenciais, fiz diversos cursos e participei de projetos relacionados a quadrinhos e sua linguagem. Já ilustrei diversos livros infantis e como docente em artes, atuei em muitas escolas de Belo Horizonte com workshops de quadrinhos e ilustração para crianças e jovens. Em 2013, participei na publicação coletiva Inkuadrinhos e, em 2015, lancei no FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos a saga Dinastia dos Magos, que conta a história do príncipe Eiri e os obstáculos para assumir o trono herdado por ele. E agora em 2016, estarei lançando a coletânea em mangá Lollipop, que contará estórias sobre doces típicos brasileiros.

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Carol Zara

Carol Zara é a escritora e personagem “humana” principal de Alien Toilet Monsters®. Seu trabalho como personalidade da internet ficou conhecido em 2009 quando participou de programas da G4TV, um canal de TV dos EUA voltado para o público geek. Ela estará vindo ao Brasil pela primeira vez em quase 10 anos com seu parceiro Eric Barnett, artista e escritor Canadense, e criador de Alien Toilet Monsters®. Nos últimos anos, Eric trabalhou como um artista conceitual, ilustrador, editor e diretor, sendo esta a sua primeira aventura no mundo dos quadrinhos. Eric tem também desenvolvido uma linha de brinquedos utilizando os personagens originais e emocionantes de ATM. Ele está muito animado para fazer sua primeira aparição no CCXP.

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Ciça Porto

Ciça Porto é uma ilustradora freelancer carioca focada em arte digital, trabalha com ilustração de livros e concept art. Ama desenhar cachorros (muitas vezes com perucas), divas pop e o que mais dá na telha.

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Alexandra Moraes

Alexandra é autora da série “O Pintinho”: quadrinhos feitos no Paint que nasceram e cresceram na internet. Da web, os quadrinhos saltaram para as páginas dos livros “O Pintinho – Mais um filho de mãe brasileira” (2013), “O Pintinho 2 – Para sempre classe média” (2014) e “Pinte o Pintinho – Livro de colorir e atividades de estresse” (2015), todos pela editora Lote 42, além de aparecer também na “Folha de S.Paulo”.

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Lucy Fidelis

Ilustradora e Artista Plástica – Brasileira, nascida em Santo André, São Paulo. Estudei em várias instituições de artes, entre elas, Paris College of Art, ABRA, Quanta Academia de Artes, Gonzalo Carcamo Studio, Maria Pacca Studios e Sesc. Tive meus trabalhos publicados em websites, livros e revistas fora do Brasil, Europa e USA – Blizzard, Udon Studios, LUG, DC Comics, entre outras. Dentro do Brasil publiquei livros para Daemon Editora e ilustrações para pequenas produtoras de Games, como SR Games, Games Games Games, entre outras. Produzo materiais de publicação própria e em conjunto com meu marido Roe Mesquita, no selo LIKE A SIR PRESS.

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Amanda Barros

Me graduei em Design Gráfico pela PUC-PR e fui ganhadora do 4º Prêmio Ibema de Gravura em 2014, sou diretora de arte do Ursereia Estúdio e Editora. Me dedico a escrever e desenhar a série “Cassandra & The Flaming Puppies”, além de fazer o projeto gráfico das HQs de outros autores.

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Samanta Hit

Ilustradora e co-autora da webcomics “Sapos e Fadas” e do livro impresso “Sapos e Fadas – Volume Um”, lançado em 2015 na CCXP. Participou da coletânea “Fliperamas”, HQ lançada pela Webcomics Brasil.

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Aline Lemos/Coletivo Mandíbula

Aline Lemos (MG) convida o Coletivo Mandíbula, grupo formado por quatro quadrinistas espalhadas pelo Brasil: Catharina Baltar (DF), Isadora Zeferino (RJ), Laura Athayde (AM/MG) e Renata Rinaldi (MG/DF). Nós nos unimos para realizar produções coletivas e dinâmicas experimentais de criação de quadrinhos, com a publicação diária de histórias a partir de temas improvisados. Aline é quadrinista independente desde 2013 e publica em sua página Desalineada. Publicou o fanzine “Melindrosa – Folhetim erótico político fantástico do século XXI”, finalista no prêmio HQMix 2015 nas categorias Publicação Independente Edição única e Novo Talento Desenhista.

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Laura Athayde

Laura Athayde é advogada por profissão e desenhista por teimosia. Após terminar a pós graduação em Direito Tributário, em 2014, passou a dedicar-se à ilustração e aos quadrinhos. Participou de diversas publicações coletivas e lançou também dois zines individuais, que podem ser lidos online em http://issuu.com/lauraathayde. Em novembro de 2015, durante o Festival Internacional de Quadrinhos, lançou Arquipélago, sua primeira HQ longa, em parceria com a Editora Tribo. Como se não bastasse fazer quadrinhos, decidiu escrever sobre eles na coluna de HQ Arte do portal MinasNerds.com.br; também colabora com a RevistaCapitolina.com.br, produzindo quadrinhos e textos voltados para meninas adolescentes.

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Rayanne Cardoso

Rayanne Cardoso é artista visual, nascida e residente em Manaus desde sempre! É estudante de Artes Visuais na Universidade Federal do Amazonas e uma entusiasta de todo tipo de arte (já adorava rabiscar paredes ainda criança). Sua produção está direcionada para a ilustração e ela já participou de diversas exposições e eventos em Manaus como Virada Sustentável, Malaba Jam Festival,Exposição Não Tenha Medo do Escuro, Exposição Poder Feminino, a exposição A Voz do Fogo além de realizar diversos trabalhos em conjunto com outros artistas.

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Raquel Fukuda/ Blue Heart

A Blue Heart nasceu do encontro entre três mulheres com interesses em comum: animação, histórias em quadrinhos, arte, livros e filmes. Somos um coletivo que gosta de experimentar em inúmeras mídias, sempre nos atentando para cada detalhe do processo e colocando a vontade conjunta e o senso de coletividade acima de tudo, sem hierarquias, e sim tentando descobrir e explorar nossos talentos e criatividade para o crescimento do grupo. Desde o ano passado, começamos a nos aventurar pelo mundo das HQs, lançando a primeira edição do “Âmbar Gris”, com três histórias que tinham em comum mulheres por protagonistas, expondo seus conflitos internos. Debutamos com “Âmbar Gris” em 2015 na FIQ e na CCXP. Este ano, na CCXP 2016, mais um lançamento!

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Yumi Tashiro

Ilustradora freelancer, começou a desenhar ainda criança influenciada pelo estilo mangá. Trabalha com design, estamparia, lettering e ilustração de livros infantis digitais. Em 2014, fez a arte e a cor de uma das 5 histórias da hq Thanatos, de Renan Nuche e Rodrigo Estravini. www.yumitashiro.com

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Alice Monstrinho

Alice adora criaturas e busca dar um toque de estranheza, extraordinário e animalesco em tudo que faz. De seres radioativos a lobisomens, ela busca deixar sua marca monstruosa nesse mundo. Fundadora do Rebel Hound Studios e formada em design de jogos, trabalha com criação de personagens, concept art e ilustração para diversas áreas de entretenimento há 7 anos. Após o lançamento de sua primeira publicação independente, o artbook para colorir bilíngue “Radioactive!”, Alice continuará sua obra expondo seu novo quadrinho “Bad Omen”, com lançamento na CCXP 2016 e cuja história abordará o terror obscuro que habita o mundo dos lobisomens e vampiros.

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Alex Griffin

Alex é escritora da HQ Whooped, ela vai estar presente na CCXP no sábado para assinar a revista ao lado do desenhista André Meister. Você pode acompanhar o trabalho dela através do seu site, Um Grifo Me Contou.

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Cris Nikolaus

Cosplayer Profissional e Youtuber, Cris Nikolaus é escritora por amor desde os seus 18 anos, sempre teve o sonho de publicar suas histórias, já escreveu um livro e realizou seu sonho Publicando a HQ Grakorius. A HQ tem sua estrutura baseada no livro que está sendo produzido em paralelo por ela e faz uma síntese da história. Além do amor por quadrinhos, Cris é amante da vida Geek e Gamer, tem um canal no youtube chamado Cris Nikolaus Vlog onde publica semanalmente vídeos de Gameplays. O começo de seu trabalho como Cosplayer profissional foi junto com a primeira CCXP, no Stand da Escola e Faculdade de Animação Melies.

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Anna Giovannini

Formada em artes visuais e história da arte pela Brown University. Atualmente trabalha como ilustradora e quadrinista independente no Pumpkin Hour Studio, produzindo Mercenário$, Anima, a HQ Online Never Ending Road e outros títulos menores, e através da agência Glasshouse Graphics no título Pet Noir e Gates of Midnight (páginas extras) da Editora Kymera Press nos Estados Unidos.

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Fran Briggs

Em parceria com a roteirista Petra Leao roteirizou as HQs: Holy Avenger Especial (01, 02), Dado Selvagem e Victory 2.Roteirizou em trabalho solo a HQ Holy Avenger Especial 41 e 42.Traduziu/adaptou os mangas Tenjo Tenge (volumes 1- 18) e Fairy Tale (volumes 1-15) ambos pela editora JBC. Autora e roteirista de Mercenario$ e Anima (lançados na CCXP2015).

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Kaol Porfírio

Atua com produção de jogos digitais, é co-fundadora da desenvolvedora de jogos Kuupu e ilustradora. No início de 2015 iniciou o projeto Fight Like A Girl, um série de imagens que homenageiam personagens fortes do universo geek/pop. A série ‘Fight like a girl’ é publicado na página do Facebook chamada ‘Kaol Porfírio’.

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Ale Presser

Alexandra Presser é ilustradora, com uma tendência aos traços limpos, cores sólidas e fofuras. Nasceu em Porto Alegre, mas mora atualmente em Florianópolis com o marido e uma gata extremamente antissocial. Fazia fanzines na adolescência, mas acabou indo para o mercado de design gráfico quando terminou o ensino médio. Quase 20 anos, uma faculdade de publicidade e um mestrado em Design depois, sentiu falta dos quadrinhos e resolveu voltar a produzir. Em março de 2016 publicou, então, a revista independente “Arroz”, que estará disponível na CCXP. Atualmente, está estudando, freelando e planejando sua próxima HQ! Confira o portfolio online!

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Danielle Pioli

Meu nome é Danielle Pioli. Sou designer de personagens e ilustradora, de São Paulo. A arte, a mente e o espírito formam o caminho que sigo em meu trabalho e em minha vida. Drawing Joy é minha mensagem. Trazer alegria através da minha arte é meu propósito. Keep Drawing Joy!

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Luísa Furukawa

Trabalhei para 2Dlab, Boutique FIlmes, CineFilm, Mixer e Hook Up Animation. Atuo em projetos como Storyboarder, Ilustradora e Quadrinista. Atualmente co-fundadora da empresa Dokan Studio com David Mussel.

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Giovanna Guimarães

Giovanna Guimarães saiu rabiscando papéis e paredes desde criança. Aventurou-se na UFMG e mergulhou fundo no mundo da ilustração, quadrinhos e animação, suas paixões. Entre outros trabalhos, colorizou quadrinhos, criou capas e séries de cards para o mercado americano, e trabalhou em longas-metragens e séries de animação como o Irmão do Jorel na 2DLab e Copa Studio, no Rio de Janeiro. Atualmente reside em São Paulo, trabalhando como ilustradora sênior na Cool Mini Or Not, onde cria artes para games. Desenvolve projetos pessoais de ilustração, quadrinhos, animação e toy arts e não consegue decidir se é mais viciada em Wacon e bytes ou em tintas e papéis. Na CCXP 2016 estará apresentando novos prints e artbooks em seu projeto, a Bohemian Fox.

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Gabriela Birchal

Sempre gostei de criar mundos imaginários, seja através dos RPGs, das brincadeiras, mas principalmente através do desenho. Atualmente trabalho como ilustradora freelancer para empresas como a Fantasy Flight Games e a Hex Enterteinament, e também já trabalhei como cenarista para séries animadas como o Tromba Trem, Concept Artist para jogos, colorista de HQ e ilustrei um livro infantil. Sou formada em pintura na UFMG, cursei o Imaginism In-House Workshop e estou sempre estudando arte. A história contada em uma ilustração é muito importante pra mim e é algo que almejo mostrar em minhas imagens. Espero que tenhamos uma ótima experiência durante a CCXP. Até lá!

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Gis Almeida

Giselle Almeida é carioca, nasceu em 1990, é auto-didata, e iniciou sua vida artística aos 17 anos de idade. Aos 18, trabalhou com manipulação de fotos na Platinum FMD, em seguida trabalhou para Estudio Icone, FinalBoss e atualmente ilustra no Copa Studio. Já fez freelance para ilustrações editoriais e tem um projeto em desenvolvimento chamado Avaris, de onde provém a maioria de suas ilustrações pessoais. Apaixonada por games, tem como a principal temática de suas ilustrações recentes vários de seus jogos favoritos.

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Bianca Pinheiro

Bianca Pinheiro é autora da série Bear, que começou a ser publicada pela Editora Nemo em 2014 e hoje está em seu terceiro volume. É também responsável pela Graphic MSP da Mônica intitulada Força, lançada em 2016, e pelas HQs independentes “Dora” e “Meu pai é um homem da montanha”. Ganhou em 2015 o Troféu HQ Mix de “Novo Talento – Roteirista”.

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Cristina Eiko

Cristina Eiko nasceu em São Paulo-SP e formou-se em Design Digital. Trabalhou com webdesign e, fã de animação, entrou no mundo da animação como assistente em “Asterix e os Vikings”, passando pelo “Segredo de Kells” e “Uma História de Amor e Fúria”. Viciada em quadrinhos, participou de um fanzine com amigos, fez tirinhas de dor-de-cotovelo e hoje em dia produz o “Quadrinhos A2”, criado com Paulo Crumbim em 2010, que conta com 4 volumes até agora. Também junto com Paulo, fez “Penadinho – Vida”, uma das Graphics MSP, em 2015.

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Fabiana Shizue

Cursou técnico em desenho e se formou em Design Gráfico. Há mais de 10 anos trabalha como ilustradora freelancer em seu próprio estúdio. Faz ilustrações para sites, agências de design e editoras, onde já ilustrou livros infantis, juvenis e didáticos. Há alguns anos intercala seu tempo trabalhando no estúdio de animação Tv Pinguim. Fez direção de arte de longa metragem do Peixonauta e desenvolve cenários para o seriado Show da Luna, entre outros projetos. Em seu estúdio também desenvolve trabalhos pessoais, ilustrações normalmente manuais e preto e branco, algumas vezes com aquarela. Aplica seus desenhos em alguns produtos como sketchbooks, prints, livros, calendários, jóias e canecas. E durante o ano participa de algumas feiras.

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Gabriela Gil

Ilustradora e designer, trabalha com livros e publicações para o público infantil e juvenil. Graduada em Artes Visuais pela UNESP, e pós -graduada em Design Gráfico pela FAAP, onde se especializou em livros infantis e narrativa visual. Já ilustrou para a Caramelo, Revistinha da Cultura e Revista Sáude, YOYO, Sesc, Revista Sorria.Participou de algumas feiras de publicações independentes como a Miolo(s), Tinta Fresca, Parque Gráfico, Parada Gráfica, Tijuana, Ugrazine fest e Pixel Show.Lançamentos de 2016: fotozine Cidades imaginárias, o zine Qual é o bicho? e os posters Dinossauro e Oceano, jogo Mistureba e em breve o livro Onde fica o beleléu? Site Instagram

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Laura Fernandes

Designer e ilustradora, sonhando acordada a maior parte do tempo e apaixonada por unicórnios. Formada em Design de Moda pela Anhembi Morumbi, trabalhava com estamparia quando descobriu o amor pela ilustração infantil. Cursou Desenho e Ilustração na Quanta Academia de Artes e está cursando Projeto de Livro Ilustrado na Guará Estúdio, pretende estrear um dos projetos na CCXP. Tem um canal no YouTube que abriga suas paixões: unicórnio, livros e ilustrações. Além dessas inspirações, ama cultura oriental, contos de fadas e universos fantásticos e jogos. Busca na CCXP a chance de levar todos para seu mundo açucarado, onde unicórnios correm pelo arco-íris. Site Instagram Youtube 

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Adriana Melo

Adriana Melo ingressou no mercado de quadrinhos depois de ter uma avaliação de portfolio, em uma convenção de quadrinhos em São Paulo, ainda aos 18 anos. Depois de um tempo treinando ao lado de outros desenhistas já ativos na industria, veio a primeira oportunidade: Homem de Ferro. A partir daí vários títulos se seguiram: Quarteto Fantástico, Surfista Prateado, Star Wars: Empire, Rose & Thorn, Witchblade, Sinestro Corps: Parallax, Miss Marvel, Birds of Prey e Catwoman entre títulos mensais e especiais. Atualmente, Adriana é a desenhista de New Adventures of the Ninth Doctor para a editora Titan Comics.

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Lady’s Comics

O site e coletivo Lady’s Comics (ladyscomics.com.br) foi criado para falar sobre mulheres e quadrinhos, em 2010. O site reúne pesquisas e diversos textos sobre profissionais que atuam na produção de Histórias em Quadrinhos (no Brasil e no mundo) e repensa a representação na mulher neste meio. Nesses 6 anos, já fez o primeiro evento da América Latina sobre mulheres nos quadrinhos, o Encontro Lady’s Comics (2014 e 2016) e lançou o banco de dados de mulheres quadrinistas – BAMQ!, em 2015. A primeira revista do coletivo, a RISCA!, continua o trabalho de resgate histórico e divulgação das autoras por meio de entrevistas, reportagens e quadrinhos inéditos com o tema central Memória e Política das Mulheres nos Quadrinhos.

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Rebeca Prado

Rebeca Prado é quadrinista e ilustradora. Além de atender os mercados editorial e publicitário, é autora do livro Navio Dragão, lançado em 2015 e que conta a aventuras da pequena viking Lif, Também é autora dos gibis Carne!, Baleia #1 e Baleia #2. Seu último trabalho é o livro Baleia #3, lançado e 2016, e que retrata na foma de tiras as dores e delícias da vida adulta.

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Carol Cunha

Carol Cunha é ilustradora, quadrinista e animadora. Formada em Cinema de Animação pela UFMG em 2015, onde realizou o curta Romance Zumbi. Também é professora de Roteiro, Narrativa e História em Quadrinhos na Escola Técnica de Artes Visuais Casa dos Quadrinhos. Começou trabalhando com pixel art. Já colaborou para sites de quadrinhos e cinema como Terra Zero, Cinema em Cena e Lady’s Comics. Alguns dos seus quadrinhos autorais publicados são História de Amor – 2013, Dandelion – 2015 e a história Valenti@ para a Coletânea da Campanha “Que Diferença faz” – 2015. Seu trabalho foca em abordar, de forma pessoal e reflexiva, temas cotidianos e da cultura pop em geral. Também faz parte do coletivo Marca Rubra, com a quadrinista Nanako Nagase.

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Nanako Nagase

Pernambucana de nascimento, mas mineira de coração. Formada em publicidade e propaganda, e tendo começado a desenhar em 1996 inspirada pela onda de animes e mangás, desencadeada por Cavaleiros do Zodiaco, na extinta Tv Manchete, Nanako Nagase é uma iniciante no mercado de quadrinhos, lançando “O Cão e a Maré”, seu primeiro trabalho, na CCXP 2016. Nanako Nagase também participou da equipe do curta animado “Romance Zumbi” e da produção de “Dandelion”, ambos da quadrinista Carol Cunha, com quem tem parceria no selo de quadrinhos Marca Rubra.

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Cecília Marinho

Mineira, 24 anos, Cecília começou sua paixão por quadrinhos com revistinhas da Turma da Mônica. Este ano ela inicia sua jornada como ilustradora e roteirista lançando seu primeiro quadrinho, Contos Trocados, com o artista Valdo Alves na CCXP 2016.

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Isadora Zeferino

Ilustradora freelance, aluna do curso de design da UERJ e eterna fã de cultura pop. Seja no Rio de Janeiro (onde mora) ou exilada em Delta Vega, provavelmente vai estar carregando um estojo com aquarelas e um sketchbook cheio de sereias, estrelas e fatias de pizza. Até dezembro, você pode acompanhar seu trabalho em:http://facebook.com/imzeferinohttp://instagram.com/imzeferino

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Kawa Keiko

Patricia Keiko Kawati é paulista, e atualmente divide seu tempo livre entre ilustração, um gato e dois tamagochis. O oriente, a natureza e a fantasia são temas frequentes em suas ilustrações, que são feitas com nanquim, aquarela e guache, além de muita paixão.

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Amanda Duarte / Limetown Studios

Em 2011, Amanda Duarte e Gustavo Lima resolveram largar seus empregos e fundar a Limetown Studios, um estúdio de ilustração e concept art com o objetivo de trazer à vida os tipos mais variados de ideias, de personagens e mundos para games e ilustrações, para livros e campanhas publicitárias, oferecendo uma visão única e soluções originais de alta qualidade. Desde então o portfólio da Limetown conta com mais de 40 jogos publicados no Brasil e no mundo, para tudo quanto é plataforma física e digital; sem contar a atuação do estúdio nos mercados de publicidade e editorial, criando para campanhas de alcance nacional e ilustrando material didático para algumas das maiores editoras do país.

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Eliana Oda

Ilustradora de São Paulo, atuou como artista 2D em projetos de jogos e atualmente faz trabalhos de ilustração como freelancer. Faz parte do grupo Owlcat junto de Lívia Chauar e lançará na CCXP2016 o pré logo de seu mangá autoral, “ECHOES”.

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Lívia Chauar

Designer e ilustradora de São Paulo, apaixonada por café e chocolate. Atualmente trabalha como freelancer para jogos e livros infantis. Faz parte do grupo OwlCat, junto de Eliana Oda, e esse ano lança na CCXP 2016 a primeira edição de Adien, seu projeto pessoal de mangá e o livro ilustrado “Uma Estranha Visita”.

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Má Matiazi

M. Matiazi é escritora, ilustradora e quadrinista, nascida e plantada nas terras geladas de Curitiba, Paraná. Autora de Três, publicado pela editora Biblioteca 24horas em 2013, e da saga “O Feiticeiro”, cujo primeiro volume foi lançado em novembro de 2015 de forma independente. Como quadrinista, é autora da série de webcomics “O Abismo” e esse ano lança sua primeira graphic novel, “Morte Branca”. Trabalha como ilustradora freelancer desde 2011 com clientes espalhados pelo mundo todo.

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Mary Cagnin

Mariana Cagnin é de São Paulo, formada em Artes Visuais pela Unesp, e atualmente trabalha como ilustradora freelancer. É autora do quadrinho Vidas Imperfeitas, publicado pela editora HQM, e de Black Silence, sua primeira obra de ficção científica, que será lançado na CCXP. Além disso, também produz conteúdo para seu canal do Youtube, onde posta dicas e tutoriais sobre arte, carreira, desenho, quadrinhos e principalmente aquarela. Foi a partir do seu canal que passou a ministrar cursos e workshops na área.

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Chairim

Chairim é paulista, mas vive no interior de São Paulo, em Limeira. Formada em Design Gráfico, trabalhou em Agências de Publicidades por vários anos até largar tudo e viver de Quadrinhos – bem, não é bem assim. Mas um dia quem sabe, não? Atualmente trabalha como ilustradora, colorista e com tatuagem. Criadora das webcomics Purple Apple e As Aventuras da Bruxinha Mô, Chairim sempre foi apaixonada por quadrinhos e animações, desenhando e ilustrando sempre! Esse ano no CCXP estará lançando a HQ de Terror: “Mare Rosso, Histórias e Contos de Vampiros”. Site Facebook. Instagram Twitter 

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Mochi

Fala, galera! Aqui é a Mochi :3 Estudante de Design Gráfico, Youtuber, Cosplayer e, principalmente, ilustradora. Amo coisas expressivas, gatos, batatas fritas e pudim! Minha intenção é causar risadas com minhas tirinhas e vários “oown” com meus Chibis <3 No mais, espero que curtam meu trabalho e se divirtam comigo :3 Kissus!

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Tetisuka

Pesquisadora de quadrinhos, professora, ilustradora, quadrinista, artesã, maid e entusiasta. Trabalhando atualmente com o lado fofo e sexy das ilustrações e tentando quebrar aquela visão de que o lado porn da força seja feio e sujo. Também trabalhando com o minizine infantil sobre animais.

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Cah Poszar

Cah Poszar é ilustradora, quadrinhista e designer. Influenciada por títulos como Sakura Card Captors, Rurouni Kenshin, Full Metal Alchemist, jogos de RPG, livros de aventura e mitologia, começou a produzir suas próprias histórias, tendo publicado de forma independente tanto em formato físico quanto online. Seus trabalhos mais recentes, Teerra & Windy e A Torre estão inclusive disponíveis em duas línguas, inglês e português, atingindo números bastante expressivos mundo a fora. Além da produção de quadrinhos, também trabalha para a área de licenciamento, ilustrando Style Guides de personagens famosos como Barbie, Polly, Hotwheels, Moranguinho entre outros.

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juliane Macedo, nasceu em 1984 em SP. Desenhista, cartunista, fã de anime/mangá, amante de dramas coreanos e japoneses. Mother of Cats assumida (mamãe de 6 lindos gatinhos!). Como ama gatos, criou uma página de tirinhas sobre gatos no Facebook chamado “Gaturnos!”(https://www.facebook.com/Gaturnos), Onde debutou seu primeiro livro infantil na CCXP 2015. Também participa da Revista “As Periquitas”, juntamente com grandes desenhistas brasileiras, na qual concorreu no quesito “Publicação Independente de Grupo” pelo Troféu HQMIX. Visite o blog para saber mais. DevianArt. 

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Pri Wi

Ilustradora e Quadrinista. Trabalho há 11 anos com desenho e sou nova nessa aventura de publicar páginas de Quadrinhos. Estarei vendendo meus quadrinhos, prints e originais, junto com meus colegas do canal Bate Papo Ilustrado. Sejam bem-vindos à nossa mesa e levem doces.

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Marilia Bruno

Formada em design gráfico pela UFRJ, é uma das sócias do escritório de Design e Ilustração TypoStudio, atuando em projetos de criação das mais diversas naturezas do design gráfico, ao lado de profissionais e parceiros da área. Lançou seu primeiro quadrinho de forma independente, “Cara, eu sou legal”, em 2014; seguido por “Pensamentos Babacas” (2015), e a coletânea culinária “Guia Culinário do Falido”, lançado pela Balão Editorial e vencedora do Prêmio HQMix de Publicação de Humor de 2016. Atualmente produz tirinhas para a campanha digital “Mulheres Autênticas”, da marca O.B. e está trabalhando em seu novo projeto autoral.

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Fernanda Chiella

Natural de Porto Alegre, Fernanda mora em Florianópolis e trabalha na área de jogos como concept artist. Faz quadrinhos quando os planetas se alinham e quando a Kiki tem tempo pra ajudar. Webcomic: Supersynch! Behance Instagram Facebook

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Samanta Flôor

Ilustradora e cartunista de Porto Alegre – RS, participou do terceiro livro de homenagem ao Mauricio de Sousa: “MSP Novos 50”. Em 2014 lançou dois gibis independentes: Click e Três. Em 2015 o livrinho infantil “O astronauta de pijama” pela editora Marsupial . Participa do “Guia Culinário do Falido”, pela Balão Editorial, com Fernanda Chiella, Felipe Horas, Marilia Bruno e Leo Finocchi, vencedor do troféu HQMix 2015 na categoria de humor. Participa do livro “SPAM”, pela Zarabatana, com outras autoras, com a HQ “aumente seu pênis”Lançou com Diogo Cesar “Chance” pela editora Polvo Rosa. Em 2016 participa do “Memórias do Mauricio” livro de comemoração dos 80 anos de Mauricio de Sousa e lança “A canção de Ada”, sua primeira webcomic.

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Ju Loyola

uliana Loyola é formada na Escola Panamericana da Arte e Design. Trabalhou como cleanup/intervalações de animação para produções como “Fúria & Amor” (2007/2008). E atualmente começou a produzir HQs independentes de Narrativa Visual e sem roteiro (história silenciosa), como “Perdida na Floresta”, “The Witch who loved” e as algumas histórias curtas. Freelancer designer/ilustradora e quadrinista aspirante.Facebook: https://www.facebook.com/worksandsketchs

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Dharilya

Dharilya é ilustradora, quadrinista e luta por um mundo mais lilás. Junto com seu parceiro Pedro Leonelli já realizou alguns sonhos! Participou da antologia “Henshin!Manga” pela editora JBC com “Entre Monstros e Deuses”, lançou em 2016 de forma independente “Sobre Desejos e Destinos” na coleção “Relicário HQ”, além de fazer participações em algumas coletâneas de quadrinhos pelo Ceará a fora!

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Suu Hideto

Suu Hideto cursou publicidade e propaganda, trabalhou como professora de mangá na AreaE Escola de Artes, Escola de desenho Daniel Azulay e no Senac Bom Retiro como professora de desenho de moda utilizando o manga; Fez projetos independentes como a HQ “Peter Pan the Second Day”, e “Shoujo Mangá Dream” entre outros! Recentemente publicou pela editora Crás o livro “Lolita Fashion Japan” com Sandra Rybicki e Cecilia Cherullo. Pretende divulgar seus trabalhos mais recentes, a reedição de seu “Peter Pan”, “Sketchbook Suu Hideto”, o livro “Shoujo Manga Book”, e seu lançamento da light novel “Um segredo e o Gene MC1R” para esta edição do CCXP 2016 com prints de seus trabalhos aqui citados.

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Joyce Chin

Joyce Chin também marcará presença na CCXP 2016. A quadrinista está no mercado de HQs desde 1995, quando desenhou Guy Gardner: Warrior para a DC Comics. Passando por diversas editoras, desenhou diversos números de Vampirella, Xena e Superman: Silver Banshee, Spider-Man, Hulk, Tomb Raider e Red Sonja, além do cross-over entre as editoras Top Cowe Dynamite Entertainment, chamado de Monster War. Recentemente, Joyce desenhou capas, para Marvel e DC, de personagens e séries como Mulher Maravilha, X-Men, Ms. Marvel, Capitão América e Homem de Ferro.

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Rê Marcia

Ilustradora e colorista, formada em Design de Moda pela FAP-NASSAU, atualmente é responsável pela colorização da HQ “Nerunda, Quando os Pássaros Voam” lançada no FIQ ( Festival Internacional de Quadrinhos ) em Belo Horizonte-MG que poderá ser encontra na CCXP junto ao lançamento do seu próximo volume, em parceria do artista Antonio Cardoso.

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Mylle Silva

Mylle Silva é escritora, roteirista, editora e artesã. Trabalha com quadrinhos desde 2013 e participou ativamente na elaboração das HQs MAKI, Batsuman – Ano Um (e dois também) e PAF PAF. Em 2015, junto com Yoshi Itice, deu início ao estúdio Manjericcão, onde editou a coletânea Fliperamas e desenvolveu o primeiro volume de A Samurai. Atualmente dedica-se ao projeto A Samurai: Yorimichi, do qual é roteirista. Os quadrinistas participantes do projeto são Vencys Lao, Gustavo Borges, Herbert Berbert, Bianca Pinheiro, Mika Takahashi, Leonardo Maciel (também responsável pela capa), Guilherme Match e Yoshi Itice. Em 2014, publicou seu primeiro trabalho, um livro de contos intitulado A Sala de Banho, encadernado artesanalmente por ela.

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June Chung

Colorista premiada, na DC Comics foi colorista da mini-série Batman: Jekyll and Hyde e das capas das revistas Birds of Prey, Manhunter e Batman: Gotham Nights. Na MARVEL trabalhou em diversos títulos como Marvel Zombies vs Army of Darkness, Ultimate Fantastic Four Annual, Marvel Divas, Ultimate X-men, Annihilation: Silver Surfer entre outros.

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Ana Cristina Rodrigues

Ana Cristina Rodrigues é escritora/historiadora/tradutora/editora e mais algumas coisas, além de mãe de um adolescente hiperativo e duas gêmeas recém-chegadas a este mundo louco. Contista com vários trabalhos publicados em antologias no Brasil e no exterior, acabou de escrever um romance sobre um deserto e um cavalo sem nome que ainda procura uma editora.

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Andressa Aboud

Nasceu em São Paulo, e desde criança alimentou uma paixão enorme por animação e pelos mundos mágicos da Disney e do Studio Ghibli. Somente no fim da faculdade foi descobrir que desenhar podia, sim, ser uma profissão e desde os 20 anos vem se envolvendo nesse mercado. Trabalhou com a criação de jogos mobile desde 2012 e, em 2016, embarcou no universo de animação como maruja no Dino Aventuras. Virá para o evento com diversos prints bacanas e seu primeiro livrinho ilustrado – Fairies.

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Camila Torrano

Artista Plástica por formação, açougueira-enfermeira por maldade. Nasceu e cresceu em São Paulo. Terror é o seu tema predileto para pesquisas e experimentações visuais. Seja nas ilustrações, seja nos quadrinhos. Adora desenhar monstros, enfermeiras e procedimentos cirúrgicos; sonha em trabalhar em um game de terror. Tem medo de alguma criança fantasma puxar o seu pé à noite. Twitter  Site

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Netuno Press

A Netuno é uma editora formada por um monte de gente incrível. Aqui, além de encontrar Mayara & Anabele Vol III (que é escrita por dois caras, mas que é amor puro), você também vai encontrar Lua Cheia e Pombos, da Debora Santos e  os trabalhos da Brendda Lima, colaboradora do Collant, Silêncio Manual de Sobrevivência à Vida Adulta. 

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Verônica Saiki

Artista plástica e designer gráfico editorial, recentes trabalhos: primeiro livro autoral em quadrinhos – ‘Verdugo o inacreditável – Procurados’, projeto, ilustrações e diagramação do livro em quadrinhos ‘Grandes Enfermeiras – Florence Nightingale e Anna Nery’ da autora Onã Silva, ilustração no livro ‘85 vezes Silvio Santos’, ilustração nas amostras ‘A Turma do Chaves’ em SP, e ‘Homenaje a Chespirito’ no Panamá e México, escultura na exposição ‘Elas por Elas – As atletas brasileiras por nossas artistas’ em Niterói – RJ, ilustração na amostra ‘Sorridente Con La Monna Lisa’ em SP e Arezzo na Itália. Lançando seu primeiro livro infantil ‘Boa noite, Maria!’.www.veronicasaiki.com.br www.verdugooinacreditavel.com.br

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Luah Garcia

Manara, Cho e a Tal da Subversão do Tabu

E quem já não cansou do choro do Frank Cho? Se você acompanha o Collant então você sabe que Frank Cho já virou piada interna. E se você esteve pela “internet dos quadrinhos” de super-heróis ontem então você muito provavelmente, e infelizmente, deve ter se deparado com esta atrocidade:

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Eu continuo achando que Cho é o maior palhaço vitimista carente do mercado de quadrinhos americano, mas tem algumas coisas que a existência dessa foto, e o contexto no qual ela foi anunciada, faz com que sejam muito importantes de discutir.

Sobre censura.

Caso você ainda não saiba: Crítica não é censura. E como eu já escrevi um texto inteiro dedicado a mostrar a diferença entre uma e outra, então vou deixar aqui um trecho:

Se uma pessoa retira o livro da prateleira, se ele toma a caneta da mão do autor, se ele impede de alguma maneira que o autor publico sua arte, e que a população tenha acesso à ela, isso é censura. Mas se a pessoa apenas tece críticas sobre o trabalho que o autor criou, então isso é uma crítica. Censura precisa vir de alguém com poder para censurar, e isso normalmente vem do Estado ou das Instituições. Pessoas e movimentos sociais raramente tem esse tipo de poder.

Ninguém tirou a caneta da mão de Frank Cho ou Milo Manara, e nem vão tirar. A decisão da Marvel e da DC de não comercializar as capas variantes, ou de editar o trabalho de Cho, são decisões editoriais, baseadas na resposta do público aos seus produtos. E não é isso que sempre dizem? Que é o público que decide se vende ou não, pois é.

É interessante notar que enquanto Cho chora pelas redes sociais pagando de vítima de censura ele foi convidado por uma Con internacional para falar sobre representação feminina. Ele ganhou uma painel só para ele poder discorrer lágrimas de injustiçado sobre como é um transgressor de tabus, um subversivo que nada contra o politicamente correto.

O cara que se diz censurado ganhou um painel só para ele. Para falar sobre mulheres. Numa Con. Em outro país. Como isso configura como censura, eu nunca saberei. Se isso representa alguma coisa é como ainda há muito espaço para um cara como Cho, que se recusa a crescer e deixar a sua adolescência punheteira para trás.

Cho desistiu de continuar a desenhar as capas alternativas de Mulher Maravilha porque sentiu que estava sendo censurado. Ele pode fazer o que quiser, isso já está bem claro, mas quando você desenha capas alternativas, e quando a editora já passou por problemas semelhantes, então mesmo você ó-senhor-bonzão precisa se submeter a editoração da equipe criativa da revista. Foi isso que aconteceu, o conteúdo de Cho não cabia dentro da proposta da revista. Todo artista passa por um processo de edição.

Sobre a tal quebra de tabu.

Milo Manara tem um trabalho muito importante para o cenário de quadrinhos eróticos, e eu realmente acredito que para alcançar mais público e evoluir como forma de arte os quadrinhos precisam ocupar todos os espaços de criação. O que eu não compro é esse papo de que Manara e Cho estão subvertendo tabus.

Talvez lá nas décadas de 70/80 o trabalho de Manara realmente tenha ajudado a quebrar tabus sobre o corpo e sobre a sexualidade feminina. Mas hoje? Não. Porque os tabus que precisam ser quebrados vão ser destruídos por mulheres, não por homens desenhando mulheres. 

Não tem nada de transgressor e subversivo no Manara desenhar até os detalhes da vagina da Mulher Aranha, isso é só machismo. Esse desenho é criatura como a de Frankstein, o resultado de homens com liberdade e sensação de poder. É a criatura que resulta do machismo e da misoginia que permite que desenhistas homens hipersexualizem personagens femininas ao extremo sem nenhum tipo de consequência ou consciência, mas que permite que mulheres criadoras sejam perseguidas por criar personagens femininas decentes. É fruto da indústria.

E sim, eu usei a palavra misoginia, porque só o ódio à figura feminina permite que esse tipo de imagem, nesse tipo de contexto, aconteça. Um ódio à mulher que insiste em tomar de volta para si a sua representação, a mulher que questiona a objetificação do seu corpo. A verdadeira liberdade de expressão sexual feminina vem das mãos das mulheres, e não tem nada que homens como esses caras odeiem mais do que um grupo de mulheres que quere assumir o controle sobre a sua sexualidade e sobre o modo como ela é representada. Não tem nada mais ameaçador e amedrontador para um homem do que uma mulher que sabe quem é e o que quer – principalmente se for sobre a sua sexualidade.

Se você quer ver, descobrir e quem sabe aprender um pouco sobre a sexualidade feminina então você pode acompanhar o trabalho de inúmeras quadrinistas mulheres que falam e desenham sobre isso. Aqui no Brasil tem a LoveLove6 com a Garota Siririca, a Sirlanney do Magra de Ruim, tem a Beliza Buzolo no Na Ponta da Língua.  Lá fora tem Filthy Figments, Alison Betchel e Oh Joy Sex Toy, da Erica Tomen. Tem muito mais também, a quadrinista Aline Cruz fez até uma listinha sobre isso na TRIP.

Não é que homens não possam desenhar ou discutir sobre a sexualidade feminina, é que não vão ser eles que vão quebrar tabus ou subverter o tema. Principalmente enquanto eles continuarem a ver a sexualidade e o corpo feminino com um olhar objetificante e desumanizador, como essa ilustração.

Não é subversão, é status quo. 

A representação feminina nos quadrinhos de super-heróis já melhorou bastante, mas isso não quer dizer que já estamos no ideal – bem longe disso. E é exatamente por ainda termos um longo caminho pela frente que esse papo de subversão cai por terra. Personagens femininas são hipersexualizadas constantemente. Esse é o status quo dos quadrinhos. Quadrinistas e jornalistas são perseguidas e ameaçadas por simplesmente produzir ou por criticar a indústria. Esse é o status quo dos quadrinhos.

Hoje, se você quer subverter a representação feminina, se você quer ser o transgressor de padrões, então você desenha e escreve mulheres como elas são: humanas complexas. Você não as expreme dentro de mini-uniformes, não as coloca em posições ginecológicas e não desenha mamilos, bundas e até os lábios da vagina como se o uniforme fosse pintura corporal – você faz o seu trabalho direito.

O cenário de quadrinhos independente americano vem trazendo aos holofotes nomes de quadrinistas, mulheres e homens, que criam personagens femininas interessantes e humanizadas. Os maiores nomes, aqueles sobre os quais mais se fala, hoje são nomes femininos ou atrelados à personagens femininas e de outras minorias. Ghosts e Drama, livros da quadrinista Raina Telgemaire, estão respectivamente à 6 e 167 semanas seguidas na lista de graphic novels best sellers do The New York Times. Ela possui outros dois livros na lista.

Muitos desses nomes indies estão migrando para o mercado tradicional, como Noelle Stevenson, de Nimona e Lumberjanes, que assumiu a responsabilidade de trazer de volta o título The Runaways da Marvel. São quadrinistas que criam personagens incríveis como a adolescente Miss Marvel/Kamala Khan, que fazem re-designs épicos de uniformes o da Batgirl, que aprende com seus erros, que desenvolvem personagens fortes, complexas e seguras da sua sexualidade como a Harpia (Mockingbird) e a Capitã Marvel. São essas pessoas que vão conseguir conversar com a sexualidade feminina.

No meu mundo ideal a Marvel vai entender o desenho com quem Manara presenteou Frank Cho, e o ato de fazer um grande caso sobre isso como o que ele realmente representa: uma afronta a sua política de inclusão, a transformação pela qual a editora vem passando. Uma violência contra os seus criadores e contra o seu público que há anos vem construindo e lutando por uma representação feminina decente. Uma violência contra a personagem, porque esse não é um desenho fanmade perdido nos submundos da internet, é uma ilustração feita para chocar e ofender o público que a editora tanto quer alcançar.

Não tem nada de transgressor em desenhar os lábios da vagina e o ânus de uma super-heroína. Isso é só mais um exemplo desesperado de como esses caras, que um dia foram considerados peixes grandes da indústria, agora começam a se debater na areia a procura de atenção.

Para alguns é mais fácil morrer na praia do que continuar a nadar.

Ask me about my feminist agenda: Chelsea Cain, assédio e a verdadeira agenda do meio dos quadrinhos.

Eu não saberia te informar quantas mulheres foram expulsas do twitter porque homens ligados aos quadrinhos acham que tem o direito de assediar mulheres na rede social simplesmente porque elas escrevem sobre um tema que não lhes agrada. Eles também parecem não entender que assédio e crítica são duas coisas completamente diferentes. Eu uso o termo “expulsa” porque é bem isso que acontece, já que o assédio e as ameaças são tão grandes que a mulher não vê outra escolha senão abandonar o twitter.

A última mulher a passar por isso foi Chelsea Cain.

Após este twitte…

Mockingbird está cancelada. Mas nós precisamos garantir que a @Marvel abra espaço para mais títulos por mulheres com mulheres chutando bundas.
Mockingbird está cancelada. Mas nós precisamos garantir que a @Marvel abra espaço para mais títulos por mulheres com mulheres chutando bundas.

Ela recebeu twittes deste nível:

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Eu não vou traduzir, a imagem é horrível o suficiente.

Chelsea é uma escritora Best Seller de romances que fez sua estréia nos quadrinhos na revista especial em comemoração aos 50 anos da SHIELD, Mockingbird. Devido ao sucesso que a edição especial fez, a revista ganhou uma série, que chegou ao fim este mês, em sua oitava edição.

Mockingbird, que conta a história da personagem Harpia, tinha uma equipe criativa composta maioritariamente por mulheres, e isso transparecia muito bem no papel, com personagens femininos e masculinos bem escritos, desenhos que brincavam com a nossa percepção de sexualização e quebrava alguns estereótipos de gênero. Um ótimo exemplo de como uma equipe criativa com mulheres pode resultar em mais acertos do que erros.

O twitter no qual anunciava o cancelamento da revista, e pedia por mais espaço para títulos criados por mulheres e com personagens femininas acabou gerando um onda de ódio. Ela respondeu assim:

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Minha fala não foi um pedido de atenção. Mesmo. Eu já cansei daqui. Eu estou impressionada com a crueldade que os quadrinhos fazem aflorar nas pessoas.
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“Eu te amo” – mensagem que a minha filha de 11 anos me mandou, pq eu estou no escritório lidando com bullies misóginos no twitter ao invés de…

Depois disso sua conta explodiu e a autora acabou saindo do twitter.

Chelsea não disse absolutamente nada demais, apenas pediu para que os fãs continuem cobrando da Marvel uma postura mais inclusiva, postura essa essa que permitiu que Mockingbird fosse criada.

O que também despertou a fúria dos trolls e dos fãs machistinhas de quadrinhos foi a capa da última edição. Essa maravilhosidade aqui:

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Eu acho engraçado como nós não podemos falar sobre temas como representação feminina, e feminismo nem mesmo com humor, mas devemos achar ok a capa de uma revista que hipersexualiza uma personagem negra e adolescente. Diferente da capa de J Scott Campbell, e eu uso esse exemplo porque ele é o mais recente, a capa de Mockingbird #8 dialoga perfeitamente com o conteúdo e com a personagem título da revista.

Não é uma capa ofensiva, é uma capa que lida de maneira bem-humorada com um tópico tão ~polêmico~ dentro dos quadrinhos: o machismo. Não se enganem, nós tivemos muitos avanços nos últimos anos, mas ainda são as autoras, ilustradas e executivas do meio que são expulsas do twitter, não os homens.

Muitos vão comparar as críticas que J. Scott Campbell recebeu com o assédio moral que Chelsea Cain recebeu, mas nem de perto é a mesma coisa. Enquanto Campbell foi criticado e questionado sobre seu trabalho, as ofensas direcionadas à Cain foram de nível pessoal e ofensivo. Crítica não é censura e assédio não é crítica, é violência.

Brian Michael Bends respondeu ao twitte de Chelsea imediatamente, mas digamos que não foi a melhor resposta que ele poderia ter dado.

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Bendis explicou, em outro twitte, que a intenção era dizer que não era um problema unicamente de quadrinhos. Mas aqui nós temos uma mulher que nunca precisou bloquear ninguém no twitter até começar a trabalhar com HQs, isso por si só já é justificativa o suficiente para ela acreditar que o meio dos quadrinhos é o problema. E ela não está completamente errada. Apesar de machismo e misoginia ser uma constante em todas as outras frentes da cultura pop, como games, RPG e mesmo literatura, os quadrinhos tem sim um problema gigante, um problema que editoras e grandes autores se recusam a reconhecer.

Em um post no seu site, Chelsea explicou porque deixou o twitter e como as coisas se sucederam. Ela não chegou a ler toda onda de ódio contra ela, porque cansou muito antes disso de acompanhar todos os twittes que recebia, ela não saiu do twitter por causa dos piores twittes, aqueles que vieram durante a noite e depois que começou-se a falar sobre eles, mas por causa dos que representam o machismo velado.

Mas saibam que eu não sai do twitter por causa de ameaças de estupro ou porque alguém postou meu endereço, ou alguma das coisas realmente vis que você lê sobre. Eu sai do twitter por causa do abuso diário, com o qual eu decidi que não quero mais conviver. O nível básico de grosseria e machismo. Claro, quando eu desativei minha conta na quinta pela manhã, tudo tinha explodido. E eu aposto que uma parte dos milhares de posts no meu feed foram realmente vis. Mas eu não sei.

E essa é a questão. Não é só quando trolls e fãs misóginos resolvem atacar em massa que essas mulheres são perseguidas no twitter, é sempre. É diário e é sintomático da indústria.

Leth Merenghi, roteirista de Vampirella, fez uma série de twittes comentando como o meio dos quadrinhos continua a fomentar esse tipo de comportamento agressivo. leth-merenghi

Mulheres nessa (e em muitas outras) indústrias sabem que nós precisamos ficar juntas e ajudar umas as outras porque, quem mais vai nos apoiar? Homens que são publicamente conhecidos por assédio, por agarrar, por MORDER, ainda estão empregados. Não existe consequência para eles. Se a gente fala, se dizemos não, a culpa é nossa. Criadoras de confusão. Não sabemos jogar em equipe. Ela é difícil de trabalhar… etc. Então além de ter que viver com o conhecimento que a sua segurança, e a segurança de outras mulheres ao seu redor, não é da preocupação dos poderosos, você também precisa lidar com o assédio dos “fãs”, num nível muito pior do que a maioria dos homens vai um dia saber. E precisa fazer isso com um sorriso. Então imagine o quanto nós amamos o nosso trabalho, para aguentarmos TANTO só para trabalhar. Você não pode ficar surpreso quando alguém desiste. Eu sei que eu falei muito, desculpe. Eu só estou cansada do status quo dos quadrinhos, e ter que lutar tanto por tão pouco.

Nós já falamos diversas vezes sobre como o mercado de quadrinhos, nacional ou americano, trabalha para excluir as mulheres do seu mercado, seja através da broderagem, seja quando não se fala ou não se faz nada contra os homens assediadores da indústria. Tudo isso colabora para criar ao redor dos quadrinhos um ambiente de permissividade quando o assunto é agressividade masculina direcionada à mulher.

Desde o começo da polêmica Mockingbird se tornou #1 em vendas online, o que é ótimo. E, claro, muitos homens sentiram a necessidade de desmerecer o movimento de apoio falando que a melhor maneira de apoiar uma autora é comprando as suas revistas, não através de “posts de tumblr”. E sim, nós precisamos comprar revistas feitas por mulheres, mas ainda é difícil saber quais são tais revistas, já que títulos como Mockingbird não possuem, nem de perto, o mesmo tipo de publicidade que os grandes títulos das editoras possuem. Grandes títulos esses que são majoritariamente escritos e ilustrados por homens. Além disso, com tantas autoras e ilustradoras sendo expulsas das redes sociais fica difícil para elas entrarem em contato com o seu público, uma outra maneira de fazer os seus títulos ficarem mais conhecidos. As coisas realmente não são tão transparentes como alguns editores da marvel parecem achar.

Em resposta à onda de ataques contra Chelsea, muitos fãs e profissionais dos quadrinhos passaram a utilizar a hashtag @IStandWithChelseaCain, e a twitter a capa de Mockingbird #8.


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Gail Simone, inclusive, fez uma thread inteira sobre o assunto, e vale muito a pena ler e acompanhar o pensamento da roteirista.

É ótimo ver que tantos fãs e autores de quadrinhos saíram em apoio à Chelsea, mas o que ainda falta toda vez que noticiamos esse tipo de acontecimento é a posição oficial das editoras. Apoiar os seus artistas é parte de mostrar-se realmente comprometida com o desenvolvimento de um ambiente mais seguro e saudável, mais inclusivo também. Porque se uma autora é atacada e a empresa não se posiciona, qual a mensagem que ela está passando tanto para seu empregados quanto para seus fãs?

A gente pode brincar com a frase “Ask me about my feminist agenda”, e eu já aviso que ela acabou se tornando símbolo de empoderamento e força pra as mulheres do meio dos quadrinhos, mas a verdade é que enquanto as grandes editoras e os grandes nomes dos quadrinhos fizerem vista grossa para todo o assédio moral e sexual que as suas funcionárias e colegas sofrem, tanto por fãs quanto por outros funcionários e colegas, a única agenda do mercado de quadrinho é a exclusão de mulheres através do machismo. Nós precisamos melhorar.

Crítica não é Censura

Volta e meia, ou pelo menos uma vez por semana, eu vejo alguém dizer que criticar produção cultura é censura.

E eu acho isso muito louco.

Porque crítica e censura são duas coisas completamente diferentes, mas que são comumente consideradas iguais numa tentativa de desvalidar críticas contundentes ao trabalho de artistas reconhecidos. Se a crítica for de cunho feminista ou de algum movimento social, então ela com certeza será considerada censura.

A definição dos termos:

crítica

substantivo feminino

1.
arte, capacidade e habilidade de julgar, de criticar; juízo crítico.

2.
p.ext. atividade de examinar e avaliar minuciosamente uma produção artística, literária ou científica, bem como costumes e comportamentos.
“c. literária, musical”

censura

substantivo feminino

1. ação ou efeito de censurar.

2. análise, feita por censor, de trabalhos artísticos, informativos etc., ger. com base em critérios morais ou políticos, para julgar a conveniência de sua liberação à exibição pública, publicação ou divulgação.

Ou seja: Se uma pessoa retira o livro da prateleira, se ele toma a caneta da mão do autor, se ele impede de alguma maneira que o autor publico sua arte, e que a população tenha acesso à ela, isso é censura. Mas se a pessoa apenas tece críticas sobre o trabalho que o autor criou, então isso é uma crítica. Censura precisa vir de alguém com poder para censurar, e isso normalmente vem do Estado ou das Instituições. Pessoas e movimentos sociais raramente tem esse tipo de poder.

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Aqui no Collant nós criticamos diversos autores, de diversos meios artísticos. Suas obras são analisadas de um ponto de vista feminista, procurando compreender e pontuar quais são os problemas e os acertos dentro da representação feminina naquela obra. Procuramos também, muitas vezes, refletir sobre possíveis soluções para tais problemas, tentando mostrar que a obra talvez fosse muito mais interessante se tivesse uma representação feminina bem construída e fora dos padrões machistas e estereotipados. Isso não é censura, isso é uma crítica.

Nós também já falamos sobre a escolha pessoal de consumir ou não produtos que venham de autores de índole duvidosa ou comprovadamente criminosa. Eu mesma não assisto Polanski nem Woody Allen, assim como não leio Arthur C. Clark ou Marion  Zimmer Bradley. Essa é uma opção minha, pautada em escolhas pessoas, que busca não apoiar pessoas que tenham de alguma maneira causado dano à pessoas, principalmente mulheres e/ou crianças.

Como roteirista eu sei que críticas podem ser pesadas. Uma das primeiras coisas que precisamos aprender como criadores de arte é que críticas existem e que inflar o seu ego artístico não vai fazer nada além de prejudicar o seu crescimento como profissional. Escutar críticas e saber filtrá-las é parte importante do processo de criação artístico de todo autor, ilustrador, diretor e etc.

Como criadora de conteúdo online, assim como roteirista, eu também sei que sou responsável por tudo que eu coloco no papel. Tudo que eu escrevo vai alcançar alguém de alguma maneira, seja diretamente como aqui no blog, seja de maneira mais indireta na tela do cinema. Por isso uma das minhas maiores preocupações é qual a mensagem que eu estou passando, e como ela vai ser interpretada. Nós vivemos numa sociedade que absolve muito facilmente os que são considerados gênios em suas áreas, principalmente se eles forem homens, então cabe à esses criadores de conteúdo artístico ou não, escutarem as críticas e se preocuparem com a mensagem que o seu trabalho vai disseminar.

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Como consumidora de conteúdo artístico eu sou a rainha da problematização. Eu consumo quadrinhos, filmes, séries, livros, jogos e acabo olhando para todos eles com um viés crítico. Não porque eu quero destruir esses produtos, mas porque eu gosto deles e quero que eles evoluam cada vez mais. Parte dessa evolução é abranger de maneira mais igualitária todos os grupos de possíveis consumidores, incluindo os que estão fora do padrão masculino-branco-hetero-cis. Se a gente gosta de uma coisa, se a gente ama aquela história, a gente deve querer que ela seja melhor, não que ela seja intocável. Não é porque eu problematizo que eu não me divirto, que eu não curto aquilo que estou consumindo, muito pelo contrário. Isso só quer dizer que eu consigo olhar além do que eu gosto e perceber o caminho que falta para um produto verdadeiramente completo.

Quando uma editora decide tirar de circulação uma revista por causa das críticas dos fãs ou de movimentos sociais, como aconteceu na semana passada com a capa alternativa de Invincible Iron Man, o poder de decisão está na mão da editora. Muitas pessoas tendem a culpar os movimentos sociais e/ou os fãs que reclamaram, mas a verdade é que o que eles fizeram foram críticas, seja à escolha do artista, ao modo como a personagem foi apresentada ou à decisão da editora de autorizar a publicação do material. Nenhum desses críticos tem o poder de parar as máquinas de impressão, o poder de decidir o que irá ou não às bancas é da editora. (Nós vamos falar mais sobre esse caso em outro texto).

Com o revival de Gilmore Girls chegando ao Netflix em Novembro, o serviço de streaming adicionou na sua biblioteca a série original em todas as suas temporadas. O que eu mais vi na minha timeline do facebook e do twitter foram mulheres dizendo o quão felizes estavam por poder assistir a série que representou tanto para elas, mas apontando também os erros e os problemas de representação que a série tinha. Isso é maravilhoso. Gilmore’s foi escrito e filmado numa época em que nem de perto nós tínhamos uma discussão tão ampla sobre representação feminina, então é uma série que apesar de criada por uma mulher, carrega em si diversos estereótipos e conceitos negativos. É normal que os nossos olhos mais abertos de hoje vejam problemas que na época nós não vínhamos, eu espero que a criador também veja esses problemas hoje e tenha trabalhado para criar algo melhor e maior nesses novos episódios. Não é só porque eu gosto de uma coisa que eu não possa critíca-la.

Ao invés de se ofender quando alguém critica o seu trabalho, ou o trabalho de algum autor que você gosta, procure entender a crítica. Procure ver além do coração de fanboy. E tá tudo bem em ser fanboy ou fangirl, mesmo. Mas é preciso entender que não é só porque você não vê problema nenhum que ele não existe. E tá tudo bem se você gosta de alguma coisa que outras pessoas criticam, mas não dá pra dizer que crítica é censura, isso é descabido e errado. Críticar algo não é censurar o autor ou o produto, é apenas apontar onde estão os erros percebidos, onde aquilo poderia melhorar, onde aquilo é muito bom ou não. Ninguém está tirando a caneta da mão do autor nem tirando o quadrinho da prateleira, nós estamos apenas criticando o trabalho do autor, questionando porque ele repete erros do passado, porque um autor carregado de tantos estereótipos e temáticas negativas e ofensivas ainda continua ganhando espaço, etc. Nada disso é censura, mas tudo isso é crítica.

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A Hipersexualização Feminina no Enquadramento e no Movimento de Câmera.

A hipersexualização das personagens femininas acontecem de diversas maneiras, uma delas é através da câmera, do olhar do diretor/ilustrador. Esse tipo de hipersexualização muitas vezes passa despercebido porque tendemos a não identificar de quem é o olhar que está montando aquela cena, quem é o responsável por decidir hipersexualizar aquela personagem.

A posição dos atores em relação à câmera, a lente escolhida para capturar a cena e a iluminação que incide nos personagens têm tanto ou mais significado do que o diálogo. As ações deles não são só ações: são ações em função do enquadramento, da lente que está sendo usada, da posição deles em relação à objetiva. Cinema, televisão e quadrinhos são imagens. E a imagem é uma ferramenta importante na hora de construir uma narrativa.

Quando um herói ou vilão estão em cena, a câmera é utilizada de maneira a torná-lo mais ameaçador ou mais heróico. São diversas as cenas em que o Superman (ou mesmo o Darth Vader) é filmado com a câmera abaixo da linha do olhar do personagem, para que ele transmita uma aura de estar acima de tudo, de importância – mas raramente dá-se o mesmo tipo de tratamento a uma heroína. Elas são filmadas e posicionadas na câmera de maneira a destacar seus atributos físicos, nunca seus poderes ou sua personalidade. E quando são filmadas/desenhadas assim, dá-se uma estranha evidência à sua virilha, aos seus seios – essas partes dos seus corpos podem não estar no centro do enquadramento, mas geralmente estão nos terços, que são áreas tradicionais de equilíbrio para a imagem e, portanto, atraem o olhar.

Não tente entender a anatomia desse desenho. Não há lógica.
Não tente entender a anatomia desse desenho. Não há lógica.

Yep.

Um bom exemplo de como a câmera trata diferente personagens masculinos e femininos é Esquadrão Suicida. Harley Quinn é constantemente filmada de maneira a exaltar seus seios, sua bunda e mesmo a sua virilha. A câmera desliza pelo corpo da personagem, não para mostrar suas ações, mas para mostrar suas curvas. Na luta corpo a corpo contra um monstro dentro do elevador, não são os movimentos rápidos de Harley que ganham destaque, mas sim a encoxada bizarra que o monstro dá nela.

Mais recentemente, em Luke Cage, nós passamos por um problema similar, que ajuda ainda mais a mostrar a falsa simetria quando se filma uma personagem feminina e um personagem masculino. Logo no piloto, nós temos uma cena de sexo entre Luke e Misty Knight. Misty se torna uma personagem incríel, mas isso não impede a câmera de deslizar pelo corpo da detetive, os detalhes do corpo de Misty são filmados à exaustão, seus seios, Luke segurando seus seios, a bunda de Misty, Luke passando a mão pela bunda de Misty, o detalhe da calcinha de Misty. De Luke, nós temos um rápido plano do seu peitoral.

Luke Cage Misty Knight

Muita gente tenta justificar a hipersexualização feminina com a palavra mágica “contexto”. “Era assim na idade média”, “é assim com os gângsters”, “é assim nessa (insira uma época/local). E a gente sempre volta para o bom e velho “na idade média não existiam dragões” ou “gângsters não têm super-poderes” e etc. É muito fácil achar justificativas para o machismo e a misoginia que suportam o tipo de representação feminina que diminui personagens femininas a objetos sexuais, difícil é construir um trabalho que seja coerente com a trama e que ao mesmo tempo não subjugue nenhuma de suas personagens.

Independente do contexto, ou da falta de, a decisão de hipersexualizar uma personagem muitas vezes vem do diretor ou do ilustrador da cena. Assim como super-heroínas não escolhem as próprias roupas, também não são elas que tomam a decisão de ter a câmera passeando pelo seu corpo, de ficar em posições ginecológicas. É importante identificar quem são os construtores das narrativas visuais de cada filme/quadrinho porque é deles parte importante da responsabilidade de hipersexualizar as personagens femininas. Se olhar desses homens (a maioria esmagadora de produtores de conteúdo ainda é masculina) está viciado em um olhar machista e objetificante então isso vai refletir no modo como ele mostra as personagens femininas na tela.

Nimona, de Noelle Stevenson

Na semana passada o Collant recebeu uma cópia de Nimona, o quadrinho de Noelle Stevenson, que chegou ao Brasil pela editora Intrínseca.

A HQ conta a história de Nimona, uma metamorfa que quer virar comparsa do lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão de todos. Apesar da sua fama, Ballister não tem muito sucesso nas suas missões como vilão, mas com a ajuda de Nimona, algumas coisas começam a sair melhor do que o esperado. Juntos, eles precisam enfrentar o herói sir Ambrosius Ouropelvis, mas logo Ballister vai perceber que Nimona causa mais de estrago do que ele planejava.

Na hora que fiquei sabendo da sinopse do quadrinho já me apaixonei pela ideia. Não só parecia uma história que quebraria alguns padrões, mas também achei interessante o fato de que ela se focava em vilões e anti-heróis. Como não amar uma metamorfa que pode se transforma em tudo, inclusive um dragão?

O quadrinho é leve, dinâmico e tão divertido que em pouco tempo dá para terminar as 272 páginas. A história é dividida em capítulos, alguns mais conectados que outros, mas todos relevantes para a trama central. O traço e as cores também combinam com o clima leve que o quadrinho passa. O design dos personagens é divertido: Nimona parece uma menina fã de rock, Ballister tem uma cara típica de vilão sempre de mau humor e Ambrosius é um clichê do grande herói galante. O mais interessante é que, mesmo que não pareça, Nimona trás algumas reflexões e exposições de passado dos personagens nada leves, como o caso da história de lorde Ballister, que perdeu o braço antes de virar um grande vilão.

É interessante como vários elementos da história começam parecendo uma brincadeira, algo para o leitor apenas dar risada, mas mais tarde se revela algo importante para a trama. Os personagens vão mostrando quem sãos aos poucos, sem apressar ou forçar relações entre eles, o que faz com que o leitor se importe com o que está acontecendo.

O universo do quadrinho é muito interessante. Primeiro acreditamos que é uma história puramente fantástica medieval, mas logo encontramos lasers, televisões e outras coisas mais futuristas. O quadrinho brinca com a mistura entre magia e ciência. No começo pode parecer um pouco estranho, mas ao longo da história nos acostumamos com essa junção de elementos.

Nimona é uma personagem muito divertida. Ela quer ser malvada, acaba sendo o “diabinho” no ombro de Ballister, mas ao mesmo tempo se importa com seu novo amigo. Nimona consegue ser engraçada, criativa e muito brava quando quer. Conseguimos conhecer todos os lados da personagem, o que enriquece a história. Ballister e Ambrosius também são personagens bem desenvolvidos, a relação entre eles é muito interessante, mas Nimona normalmente rouba os momentos em que aparece.

Um dos aspectos mais incríveis da história é como ela coloca o “bem” e o “mal”, como essas posições são trabalhadas e mudam rapidamente. Em certo momento, conhecemos a academia de heróis, que tenta impedir o vilão Ballister de realizar seus planos terríveis. Mesmo que o quadrinho aponte de forma óbvia quem é vilão e quem é herói ali, os personagens desafiam e quebram esses padrões. Isso não acontece só com as ações dos personagens dentro da história, mas também na forma em que eles foram criados e se desenvolvem.

Do ponto de vista da população daquele reino, Ballister é o grande vilão, a mídia também faz seu papel para mostrar isso. Mas do ponto de vista dele, vemos que, apesar dele ter planos malvados sim, Ballister tem algumas atitudes que são mais justas que as de outros personagens. O quadrinho mostra que é uma questão de ponto de vista. Para as pessoas dentro daquele universo, Ballister e Nimona são maus, mas o leitor vai simpatizar com eles e entender suas motivações. Os personagens que conhecemos não podem ser colocados em caixinhas de “heróis” e “vilões”, mesmo que aquela sociedade faça isso. Dependendo do ponto de vista, essa posição pode mudar. É ainda mais interessante que isso aconteça em uma história com elementos fortes de fantasia, que é um gênero que muitas vezes vai deixar bem marcada a diferença entre o bem e o mal.

A história vai fluindo tão bem para o conflito final que é muito difícil largar a leitura nas últimas páginas. A conclusão deixa algumas coisas abertas para interpretações, mas é uma opção que combina com os pontos que o quadrinho vai apresentando. É uma história apaixonante, não acreditei que tinha terminado de ler tão rápido e queria mais!

Nimona é um quadrinho que vai surpreender a cada página, que faz o leitor rir e ser pego numa reflexão mais profunda ao mesmo tempo. Além de ser muito bom ver uma protagonista mulher tão divertida, Nimona é muito bem escrita. É muito bom ler um quadrinho que tenha uma história que não caminhe para o óbvio. Então se você gosta da ideia de uma metamorfa ajudando um vilão, batalhas épicas, dragões, tubarões, magia e ciência, você vai amar Nimona.

Rat Queens | Mulheres na fantasia medieval

Há algum tempo atrás escrevi esse texto que fala sobre machismo na fantasia medieval. O que acontece é que, como desculpa para não pensar fora da caixa, muitos roteiristas/produtores/diretores/escritores desse gênero acabam reproduzindo machismo em suas histórias. Quando questionados, insistem em falar que “naquela época era assim”, e como falo no outro texto, isso não faz o menor sentido.

Veja bem, a reclamação não é que nenhuma obra de ficção de fantasia medieval não possa falar sobre machismo, a crítica é que as pessoas repensem nas mensagens que querem passar. De qualquer forma, já falei sobre isso, então mais sobre esse assunto no outro texto.

No ano passado ouvi falar de um quadrinho chamado Rat Queens. A história acompanha um grupo mercenário chamado Rat Queens, composto por quatro mulheres que passam por inúmeras aventuras. O quadrinho é de fantasia medieval e até tem uma pegada que lembra RPG: Uma party em que cada uma das quatro personagens tem uma classe específica, juntas elas se completam e compõe um grupo poderoso.

Apesar de ter o quadrinho há alguns meses, só nos últimos dias que realmente sentei para ler tudo e descobri que agora está em hiato. A história é incrível, todas as personagens são complexas, a trama em geral do quadrinho também vai avançando de forma interessante e todos os núcleos são divertidos. Apesar do hiato, é uma história que eu recomendo e já tem em português pela Jambô, inclusive a Rebeca já escreveu sobre isso aqui.

Mas o que é mais surpreendente e legal de Rat Queens é que essa é uma história de fantasia medieval que não usa nenhuma das “desculpas” clássicas do “naquela época”. Rat Queens mostra que é perfeitamente possível fazer uma história desse gênero sem colocar estereótipos machistas por causa da “fidelidade histórica”.

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Como você, homem, pode ajudar a acabar com o assédio e o machismo no meio dos quadrinhos.

Escrito por Rebeca Puig e Brendda Lima 

Alguns meses atrás nós publicamos um texto sobre a Broderagem, esse esquema invisível que acaba sempre beneficiando homens e deixando mulheres tão ou mais talentosas de fora do meio dos quadrinhos. Hoje nós voltamos para falar sobre uma questão mais prática: como você, homem, pode ajudar a acabar com o assédio e o machismo no meio dos quadrinhos (ou em qualquer meio de que você faça parte).

Nos últimos anos, com o aumento da discussão sobre representação, feminismo e sobre a presença da mulher no mercado, muitos homens começaram a passar por um processo de desconstrução. Essa mudança é muito importante para que a gente alcance um ambiente mais igualitário. No entanto, esse processo de desconstrução não pode ser algo que acontece unicamente no íntimo desse cara. É algo que precisa ir além.

A gente costuma ver muitos caras dispostos a desconstruir conceitos machistas no âmbito pessoal, mas infelizmente, quando esses caras se deparam com problemas no circulo de amigos, no trabalho ou na rua, as reações não são as mesmas.

É por isso que nós estamos aqui. Pra explicar pra vocês, caras, como vocês podem de fato se tornar um agente de mudança no meio da ilustração\quadrinhos.

Se você é um leitor:

  • Trate artistas homens e mulheres com o mesmo respeito;
  • Procure conhecer quadrinhos e ilustrações feitos por mulheres;
  • Leia\compre trabalhos feitos por mulheres;
  • Não descarte um quadrinho ou uma banca em evento só porque ele é composto por mulheres. Tem muita quadrinista fazendo coisa legal, em gêneros muitos distintos.
  • Nem todo quadrinho feito por uma mulher é fofo, e quadrinho fofo feito por mulheres não merece ser diminuído.
  • Se você ficar sabendo que editores, quadrinistas, roteiristas, jornalistas, blogs ou sites atacam, excluem ou assediam mulheres, não compre os produtos deles. Não dê views. Não compartilhe materiais dessas pessoas. São caras e situações como essas que ajudam a manter as minas longe dos quadrinhos\ilustração.  

Se você é um profissional (ilustrador, quadrinista, jornalista, editor ou organizador de evento):

  • Procure conhecer as pessoas do meio em que você está inserido;
  • Faça parcerias com roteiristas, quadrinistas, coloristas. Convide o mesmo número de mulheres e homens para coletâneas e eventos.
  • Publique Mulheres. Ninguém está dizendo para você nunca mais trabalhar com o seu brother, só para você abrir mais espaço para quadrinistas mulheres.
  • Não evite stands e bancas compostos por mulheres. Se você não conhece o trabalho de uma artista, entre, folheie o material, converse e conheça. O mercado não vai mudar se você não se predispor a conhecer as artistas. Já bastam os diversos relatos de editores que pulam mesas de quadrinistas mulheres em eventos e que adoram cantar de desconstruídos.
  • Se você vir um homem assediando mulheres em um evento, denuncie o cara para a organização.
  • Não diminua denúncias de assédio ou agressão;
  • Se o acusado é seu amigo e você tem certeza absoluta de que ele nunca faria isso, procure provas – mas sem vitimar novamente a mulher. É compreensível que você se sinta desconfortável quando a acusação é de um colega próximo, mas não chame a moça de louca, não a desqualifique só porque você conhece o acusado. Tem muito homem que é lobo em pele de cordeiro, estar aberto para entender o lado da vítima antes de acusar é sempre importante.
  • Não divulgue caras com histórico de assédio ou agressão.
  • Se um dos convidados do seu evento/coletânea já foi acusado de assédio ou agressão, ofereça o espaço que seria dele para outra pessoa.

Para todo mundo:

  • Denuncie assediadores e agressores.
  • Não comece uma conversa com uma artista falando que ela é bonita.
  • Não reduza o trabalho de uma artista à beleza ou a fofura dele. Você não faria isso com o trabalho de um homem.
  • Compre, divulgue, apoie trabalhos feitos por mulheres.
  • Não faça pouco caso das acusações de assédio feitas por mulheres. Muitas mulheres não vão nunca falar sobre o que lhes aconteceu, algumas não vão querer expor o acusado, outras não vão querer lhes mostrar os prints – e isso não tem nada a ver com ser verdade ou não. Leve algumas coisas em consideração:

             – O mercado é machista. Se elas falarem, e se o nome delas for descoberto, é possível que seja ela a sofrer com as consequências. Não seria novidade ver uma mulher perder oportunidades de trabalho, ser taxada de louca e mentirosa, mesmo depois de apresentar as provas. O que nós mais vemos são casos em que o cara é acusado de assédio (ou coisas piores) e continua caminhando e produzindo material sem nenhuma consequência.
             – Muitas mulheres não lidam bem com assédio, elas podem não querer falar sobre isso. Podem ter medo exatamente de serem taxadas como loucas.  Tenha empatia.
             – Elas podem ser processadas. O medo do processo por difamação é real, e é uma das fontes mais pesadas na hora de decidir fazer ou não a denúncia pública. Muitas dessas acusações não vão poder ser feitas judicialmente, o que não quer dizer que elas não são verdadeiras e que não são causa de sofrimento para a vítima.
             – Artistas famosos possuem uma base de fãs que pode atacar essas mulheres. Não é de hoje que homens famosos, mesmo que em meios menores, se fazem de desentendidos quando dizem alguma besteira e uma mulher é atacada pela horda de fãs raivosos. Isso tudo é fonte de stress, ansiedade e muitas vezes trigger para depressão.


Para que nós consigamos criar um ambiente onde mais mulheres se sintam à vontade, tanto para permanecer trabalhando quanto para começar a trabalhar, todos nós precisamos fazer alguma coisa para melhorar o status atual. Ao homem, leitor ou profissional, cabe garantir e exigir um espaço não só maior, mas também mais seguro para as mulheres. Dizer que acredita no feminismo, que acha a discussão sobre representação feminina importante, que ama a Kelly Sue, que quer muito o filme da Capitã Marvel e que não vê a hora de ver mais mulheres nas editoras ou produzindo quadrinhos de nada adianta se você não colocar a mão na massa. Faça sua parte, nós estamos fazendo a nossa.

Até mais.

Para ler mais: Broderagem, Mercado e Exclusão. 

Resenha: Estranhos, de Fefê Torquato

Estranhos foi lançada em março de 2016, após ser financiada coletivamente no Catarse. A história do quadrinho de Fefê Torquato é contada do ponto de vista de um narrador que observa moradores de um prédio. Não sabemos quem é esse personagem, mas podemos acompanhar enquanto ele vai inventando histórias para pessoas que ele vê pela janela.

O quadrinho é dividido em partes, cada uma delas mostra um dos apartamentos. Acompanhamos aqueles moradores com a mesma curiosidade do narrador, enquanto ele nos apresenta o que acredita ser real, podemos tirar nossas próprias conclusões a partir do que vemos. Temos pessoas de todos os tipos, desde o ator frustrado até a família aparentemente perfeita.

Uma das coisas mais interessantes é como o leitor se relaciona com o narrador. Afinal, não estão os dois acompanhando a vida de pessoas que não conhecem? Óbvio que para o leitor, são personagens de uma história, mas tanto quem lê como o narrador não sabem o que realmente acontece com aqueles moradores, só podemos adivinhar e observar sem sermos convidados.

Morei em prédios boa parte da minha vida, já tive essa sensação de olhar para janela e imaginar o que acontece dentro de outro apartamento. Às vezes pode ser até no mesmo prédio, alguém que você vê no elevador ou uma briga que escuta do andar de cima. Pessoas são curiosas e não é incomum imaginarmos o que está acontecendo na vida do outro. Lendo Estranhos, também imaginei que conclusão as pessoas tirariam se vissem a minha rotina pela janela.

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Autografado 😀

Cada história nos faz refletir um pouco sobre certas coisas, é provável que os leitores se identifiquem mais com alguns moradores do que outros, mas todos os personagens podem trazer algum tipo de reflexão. Ajuda muito o fato deles serem tão diferentes, a maior semelhança mesmo que encontramos é que todos seguem uma rotina e moram no mesmo prédio.

O personagem do narrador também é interessante. Comentei como é normal imaginarmos o que acontece com o vizinho, mas esse narrador realmente gasta um bom tempo do seu dia olhando o que acontece com os outros. Fiquei me perguntando quem seria esse personagem. Como tem tanto tempo para ficar olhando pela janela? Por que faz isso todos os dias? Será que mora sozinho? Trabalha com o que? Mas acho que foi uma escolha boa o quadrinho não nos revelar nada sobre esse personagem além de seus pensamentos sobre os outros, o que pode dizer muita coisa.

Gostei muito também dos traços geométricos e da arte de Fefê Torquato, encaixou bem com o ambiente urbano em que o quadrinho se passa. A escolha dos desenhos estarem apenas em branco, preto e cinza também chama a atenção. As cores precisam ser muito bem pensadas para combinar com a história que está sendo contada. Um dos temas do quadrinho é a rotina com um tom melancólico, fazendo a escolha das cores encaixar bastante com a mensagem do texto.

A edição é muito bonita e a história deixa o leitor curioso para ler mais. Já tinha ficado contente quando descobri que o projeto tinha conseguido o financiamento necessário no Catarse, fiquei ainda mais feliz ao ver o resultado final. Recomendo a leitura, acredito que é um quadrinho bem legal e faz o leitor pensar em certos assuntos.

Estranhos tem 122 páginas e pode ser adquirido aqui.

Originalmente postado em Ideias em Roxo