Bad Omen 2: Spitfire, de Alice Monstrinho, será lançado na CCXP 2017!

Há muita coisa para ver no Artist’s Alley da CCXP, inúmeros artistas talentosos, quadrinhos com histórias interessantes e artes que dá vontade de levar todas. Nós aqui no Collant sempre tentamos incentivar mais os trabalhos das mulheres que estão lá. Caso você esteja procurando por algo mais voltado para o terror, com lobisomens e brigas sangrentas, deixa eu te sugerir o Bad Omen.

Ano passado eu comprei e li o primeiro volume do quadrinho da Alice Monstrinho. Bad Omen começa contando a história de Kanayla, uma lobisomem que precisa lidar com os vampiros atacando a sua matilha. O quadrinho tem influência nos RPG de mesa de World of Darkness (Vampiro: A Máscara, Lobisomem: O Apocalipse, etc), e também de literatura de terror, como Edgar Allan Poe e Lovecraft.

A história tinha me ganhado quando eu soube que envolvia vampiros e lobisomens, mas mesmo tirando meu gosto pessoal por essas criaturas, é um quadrinho bom de ler. Além de ser curto, a protagonista tem uma jornada interessante, seu jeito sem paciência e desbocado deixa a história ainda mais divertida.

O segundo volume vai contar o passado de Barry, um caminhoneiro misterioso que aparece no primeiro quadrinho. Além disso, este volume vai contar com uma galeria de 11 artistas convidados, entre eles Alex Shibao, Priscilla Prips, Pietro Antognioni e André Meister.

Para quem ainda não tem o primeiro volume, a autora também vai estar vendendo a segunda edição dele na CCXP, com algumas mudanças e um making-off explicando o processo de criação de Alice Monstrinho. Eu recomendo muito que, caso você curta esse tipo de história, dê uma passada na mesa D39 e dê uma conferida no trabalho da Alice!

Bad Omen 2: Spitfire (segundo volume)
Lançamento: 06/12/2017
Autores: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho
Roteiro: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho e Humberto Garcia
Arte: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho
Formato: 17cm x 25,5cm
44 páginas, miolo preto-e-branco
Preço: R$30,00
Aonde comprar: Mesa D39 do artists’ alley da Comic Con Experience, de 6-10 de dezembro de 2017. Posteriormente online através do site rebelhound.weebly.com
Classificação indicativa: 14 anos (contém violência e linguagem imprópria)

Bad Omen (primeiro volume)
Lançamento: 01/12/2016 (primeira edição) e 06/12/2017 (segunda edição revisada)
Autores: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho
Roteiro: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho e Humberto Garcia
Arte: Alice “Monstrinho” Grosseman Mattosinho
Formato: 17cm x 25,5cm
40 páginas, miolo preto-e-branco
Preço: R$30,00
Aonde comprar: Mesa D39 do artists’ alley da Comic Con Experience, de 6-10 de dezembro de 2017. Posteriormente online através do site rebelhound.weebly.com
Classificação indicativa: 14 anos (contém violência e linguagem imprópria)

Sobre a autora:

Alice é uma artista de Florianópolis que adora monstros e busca dar um toque de estranheza, extraordinário e animalesco em tudo que faz. De criaturas radioativas a lobisomens, busca deixar sua marca monstruosa nesse mundo. Apaixonada por jogos eletrônicos desde criança, trabalhou como produtora de conteúdo no Portal Versus, na época o maior site sobre jogos de luta da América Latina, e no portal de notícias Garotas Geeks, que engloba matérias, cobertura de eventos geeks e vídeos de uma maneira divertida e informativa.
Fundadora do estúdio Rebel Hound em 2014, que fornece serviços de arte 2D, e formada em design de jogos pela Univali, trabalha com criação de personagens, concept art, quadrinhos e ilustração para diversas áreas de entretenimento há mais de 7 anos.
Já lançou duas publicações independentes: o artbook para colorir bilíngue Radioactive! e a história em quadrinhos de ação e terror Bad Omen, na temática de vampiros e lobisomens, que terá seu segundo volume – Bad Omen 2: Spitfire – lançado na CCXP em dezembro de 2017. A artista também leciona palestras e oficinas de pintura digital e criação de personagens em eventos como Campus Party, Olhares múltiplos Univali, SENAI, Bienal de Curitiba, Empreende Nerd e The Developers Conference.

Liga da Justiça: Deuses e Monstros – Por que ainda ligamos personagens femininas a casamentos?

Liga da Justiça: Deuses e Monstros, produzido por Bruce Timm e dirigido por Sam Blabla, re-imagina a tríade clássica da DC com diferentes origens e uma visão adulta, sombria e muito mais violenta. O filme tem a estética clássica de Bruce Timm, mas decepciona no que diz respeito à construção de personagens.

No filme, Superman foi gerado dentro da nave que o trouxe à Terra. O processo todo é um pouco confuso, já que aparentemente tudo que precisa para se fazer uma criança kriptoniana é o DNA de duas pessoas, mas o básico é que o DNA de Lara se mistura com o DNA de Zod, não de Jor-El. Já na Terra, Superman é adotado não pelos Kents, mas sim por uma família de imigrantes que estava cruzando a fronteira. E é aqui que a coisa fica um pouco problemática para mim.

YEP. Continuo achando esse uniforme da MM equivocado e feio.
YEP. Continuo achando esse uniforme da MM equivocado e feio.

Essa versão de Superman dá headshots de visão de calor nos seus inimigos, ele os mata sem pestanejar e acredita estar fazendo a coisa certa. Quando questionado por Lois Lane sobre os seus métodos (eles não são um casal, a repórter despreza a Liga da Justiça), Superman diz que conhece a dureza e a dor, porque ele cresceu numa família de imigrantes, e é por isso que responde da maneira que responde às ameaças. Não me entenda mal, eu sei que a vida de imigrantes nos Estados Unidos é difícil, muitas vezes vivendo à margem da sociedade e passando por todo tipo de dificuldades, mas sério mesmo que optaram por justificar a brutalidade desse Superman nele ser imigrante? Me perguntei se não seria uma crítica ao modo como o governo americano lida com imigrantes, muitas vezes deportando e os deixando em uma situação de perigo ainda maior, mas Superman tem um relacionamento amistoso com o governo, o que ajudou na impressão de que é só uma escolha equivocada de construção de história pregressa. A intenção pode ser a melhor de todas, e é legal ver um personagem poderoso como uma representação latina (já que ele foi criado dentro de uma família latina), mas a escolha por essa narrativa em particular deixa um gosto amargo.

Batman, por sua vez, é Kirk Langstrom, físico brilhante que acaba se tornando um vampiro depois de tentar se curar de um câncer com uma mistura da sua pesquisa com a de seu colega, Magnus. Essa versão do Batman mata e consome o sangue de seus inimigos, mas possui um forte elo com Magnus e sua esposa, Tina, colegas de faculdade que o ajudaram na sua transformação e que continuam a procura de uma cura para o amigo. Não há nada de especialmente problemático no passado de Kirk, mas serve para mostrar um paralelo com o de Bekka, a Mulher Maravilha desse universo.

Bekka é uma Nova Deusa, ex-noiva do filho de Darseid, que fugiu de seu planeta após o massacre comandado por seu pai contra a família de seu noivo. Oh boy.

Bekka e Orion, erupções vulcânicas e romance em Apokolips
Bekka e Orion, erupções vulcânicas e romance em Apokolips

É legal ver uma outra personagem assumir o manto de Mulher Maravilha, sempre pode ser interessante ver outra perspectiva de uma personagem clássica. Mas por que a história pregressa dela precisava ser sobre casamento e amor? Eu sei que essa é a história clássica da Bekka dos quadrinhos, e é também uma história de traição, e eu também sei que Kirk é apaixonado por Tina. Mas por que precisavam escolher logo essa personagem? Por que logo esse acontecimento? O que me decepciona nessa Mulher Maravilha, é que a personagem clássica tem em sua origem essa desconexão com o clichê tradicional de amor/família/casamento. Sim, Diana é em alguns momentos apaixonada por Steve, mas isso não está na sua origem, não é o que a definiu como super-heroína. No caso de Bekka é sua relação (de uma noite, diga-se de passagem) e o modo como ela é tragicamente encerrada que a define.

Eu gosto de romance, e quando ele é bem feito e cabe dentro de arcos interessantes de história e de personagem, melhor. Mas nesse caso me parece uma oportunidade perdida já que histórias sobre mulheres raramente não estão ligadas com amor, família e casamento. Por que essa Mulher Maravilha não poderia ter um passado que envolvesse traição, guerra e outros planetas sem que isso envolvesse um marido? Por que não fazer dela a herdeira do trono que é traída pelo pai e por isso precisa fugir? Por que não uma cientista que criou uma tecnologia poderosa demais para entregá-la ao seu governo? Casar, amar e ter um marido não são necessariamente elementos negativos da narrativa feminina, mas utilizá-los na única personagem feminina central da sua história, é.

Durante uma luta-treino com Steve, Bekka diz que não pertence a homem nenhum, a que Steve reponde a lembrando que ela um dia pertenceu a alguém. Primeiro que Steve é um canalha por jogar a informação que foi obviamente dita num momento de intimidade na cara de Bekka só porque está com o ego ferido, segundo que essa é a pior escolha de palavras do filme inteiro.

A espada de Bekka, presente de casamento de Orion.
A espada de Bekka, presente de casamento de Orion.

Não bastasse a história clichê, o uso do termo pertencer é tão ou mais problemático que todo o resto porque caímos na visão da sociedade de que quando uma mulher está com um homem, ela o pertence. Parece algo pequeno, mas isso também é uma objetificação da figura feminina que a abstém de controle sobre si mesma. Casais reais comumente dizem que um pertence ao outro, mas quando isso é representado na mídia o termo é raramente usado da mesma maneira. Quantas vezes você viu um herói dizer que pertence à alguém? Pois é. Pensando no que o título de Mulher Maravilha representa, uma mulher forte, independente e guerreira, é com certeza uma escolha equivocada de palavras.

Na época em que os curtas que antecedem o filme foram lançados eu comentei que estava ao mesmo tempo decepcionada e feliz com a personagem. Parte da minha decepção é que enquanto Batman e Superman são personagens sombrios por causa de seus atos, o que há de sombrio na Mulher Maravilha viria da sua sexualidade. Depois de ter assistido ao filme, e agora pensando na origem da personagem, ela realmente não está em pé de igualdade com seus colegas masculinos. Eu não estou dizendo que a história da Mulher Maravilha não é legal, apenas que ainda espero pelo dia em que vão  criar uma personagem feminina realmente sombria sem precisar apelar nem para a sexualidade, nem para o clichê do casamento.

E se era para ter um personagem sexy e com backstory romântico, porque não juntar mais esse clichê e fazer do Superman um Latin Lover? 😛

Comic Con Experience – Primeiro Dia!

Hoje eu me dei conta que a minha vida de escritora sedentária e reclusa causam alguns problemas quando você resolve maratonar uma Comic Con. Primeiro dia, e eu já estou só o resto de mim. Mas, foi tudo muito legal!
IMG_2988 Screen Shot 2014-12-04 at 11.29.38 PMO evento está bem organizado, dá gosto ver como logo no primeiro ano a Comic Con Experience já está grande do jeito que está. Tem bastante opções de comida, banheiros, muito espaço pra caminhar pra cima e pra baixo, atrações legais e estandes divertidos.
Dei uma caminhada pelo Artists’ Alley, mas foi tão rapidinho que nem tive tempo de realmente parar e ver todos os talentos que estão por lá! Mas já deu pra sentir que tem muita coisa legal rolando nos corredores. Amanhã devo ficar um tempo maior, bater mais fotos e talvez umas perguntinhas.
IMG_0323
 A Aleph me fez deixar uma quantia razoável em livros *_*. O estande está cheio de edições lindas. Neuromancer é a minha favorita, mas as edições especiais de Laranja Mecânica e 2001 também estão lindas. E eu quero todos os livros do Philip K. Dick, se por nenhuma outra razão, porque elas são maravilhosas. Outra coisa legal do estande é que o Timothy Zahn, escritor do universo extendido de Star Wars, maratonou assinando livros. Deve ter sido intenso.
Rosa
Don Rosa sendo um cara fofo.
Outro que maratonou um encontro com os leitores foi Don Rosa. Desenhista e escritor da Saga do Tio Patinhas e mais um monte de histórias clássicas da Disney, ele era pura simpatia – desenhou um monte de autógrafos pros fãs. Ele estava super querido, até posando pra foto.
No Estande da Disney/Marvel um monte de peças e réplicas legais, a Pixar fez um estande só com os personagens do Divertida Mente (e os modelos que trabalharam lá estavam realmente dentro dos personagens) trabalharam por lá, Star Wars tinha um estande só dele com elementos da saga e do desenho mais recente e a lojinha com um monte de bonequinhos Pop do super esperado Big Hero 6 e mais um monte de memorabília de StarWars! O estande estava muito legal, mas tirando as personagens de Divertida Mente, não tinha mais nenhuma outra personagem feminina em destaque.
Iron ManIMG_2906Escudo HulkIMG_2902
Por toda a Con eu vi talvez três estátuas do Homens de Ferro em tamanho real. No estande da Marvel/Vingadores, há um Homem de Ferro, um Hulk, Um Capitão América, os ítens utilizados nas filmagens, o martelo do Thor, escudo do Capitão América e nada – nada – da Viuva Negra ou da Feiticeira Escarlate. Ia ter sido incrível chegar lá e encontrar uma estátua da Viúva Negra. O mesmo em Star Wars, o estande inteiro não possui uma personagem feminina representada. Fiquei  decepcionada, principalmente depois de ver o trailer do Episódio VII e sentir que talvez aquela personagem feminina fosse uma das protagonistas. No momento em que estamos, faltou cuidado dos curadores do estande em realmente abraçar a audiência feminina da Marvel/Disney. Audiência essa, aliás, que estava em peso representada nos cosplays de Frozen, Valente e Vingadores.
IMG_2925 Romanov malévola disney
Outra coisa que me incomodou profundamente aconteceu no estande da Aleph. Tinha lá uma modelo vestida de Princesa Leia e, claro, ela estava com o biquini do episódio VI. Apesar de eu não ser particularmente a favor do uso de modelos semi-nuas para chamar atenção nesses eventos, o que realmente me fez suspirar bafo de dragão foi o modo como os homens se comportaram com ela (Claro, não foram todos). Assim que terminei de bater uma foto da modelo, três caras pediram para bater foto ao lado dela. Foram três fotos, e em todas elas cada um deles segurou a corrente que ela tinha presa no biquini como se ela fosse, de fato, uma escrava deles.
Eu entendo essa coisa de “era assim no filme”, mas além do ar de superioridade babaca que cada um deles tinha no rosto, o fato dessa modelo estar na situação em que está me fez querer vomitar. Sim, vamos bater foto com a modelo vestida de Leia. Todo mundo gosta da personagem. Mas a Aleph sabia muito bem o que fazia quando optou por aquele figurino, e aquela corrente presa ao biquini só deixava mais claro o porque da opção. Honestamente, fiquei decepcionada. E sobre os babacas que faziam caras nojentas enquanto batiam as fotos, fiz questão de falar em alto e bom som perto do fotógrafo da vez que eles eram babacas. Deve ser triste precisar apelar pra esse tipo de situação para se sentir bem consigo mesmo.
O uso de modelos, aliás, estava por toda a Con. Supergirl no estande da Melies (aliás, uma das menos problemáticas), umas guerreiras de biquini na parte de games e umas tantas super-heroínas contratadas andando pelo espaço. Não tenho nada contra as modelos, elas estão fazendo o seu trabalho, mas é difícil não achar que quando essas empresas contratam modelos para ser a versão sexy de uma personagem, ou se a personagem já tem uniforme problemático e ela é só a personagem mesmo, isso colabora para a manutenção de um sistema de opressão feminina no meio nerd que vive num ciclo que vai desde a concepção do material até o momento da venda. Num futuro eu volto a falar um pouco mais sobre isso tudo.
Da parte técnica, meu único senão foi durante o painel do Vampiro Americano. Realizado no Auditório Thunder, o som estava muito abafado e o barulho dos ar condicionados atrapalhavam quem não estava muito perto. Por mais animal que a revista seja, o número de pessoas na sala deixava claro que talvez a melhor opção para esse tipo de painel seria um espaço menor, onde o som é melhor controlado. Fora isso, tudo pareceu correr bem.
De maneira geral, apesar do cansaço que me consome, o primeiro dia de Comic Con Experience foi muito legal. Se você ainda tem a oportunidade de aparecer por lá, vá! Acho que um evento desse porte aqui no Brasil é a primeira vez, e a experiência realmente é incrível! Amanhã, se eu estiver inteira, volto falando um pouco mais sobre o segundo dia. E assim que eu conseguir, monto uma galeria com todos os cosplays que eu vir por lá!
🙂